iptv wars: apple, microsoft, sony, netflix, google…

enquanto por aqui falta muito pra gente ver TV digital, mundo afora o negócio já começa a ser IPTV, televisão via protocolo internet. a apple está lançando o apple tv, uma caixinha IPTV de US$299 com um disco interno de 40GB… que pode ser o começo de uma linha de sub-mini-macs, também. a microsoft anunciou, em janeiro, IPTV no xbox360, o que unifica suas plataformas de jogos, mídia e entretenimento e, se redmond quisesse, de computação, também. a primeira demo pública está sendo em londres, esta semana. o público? pra começar, a apple quer trazer do iTunes e a microsoft do xboxLive [que já tem mais de 5 milhões de membros, responsáveis por mais de cem milhões de downloads].

a indústria ainda não entrou de vez na jogada pois não está claro o que pode ou vai ser feito pra se ganhar dinheiro com isso. segundo uma pesquisa recente da accenture e the economist“The business case for IPTV, its value-added benefits and its potential remain strong… In the long-term, the key to achieving high performance through IPTV is to be visionary, ambitious and open to innovation from many sources.  For the shorter term, the key is to quickly adapt to consumer feedback and jump over technology hurdles.” a parte do texto em negrito muito provavelmente quer dizer que os atuais donos do mercado estão fora do futuro de IPTV… pois quase nenhuma companhia estabelecida é capaz de ser visionária, ambiciosa e aberta a inovação vinda de múltiplas fontes. muito pelo contrário. segundo a accenture, IPTV tem o potencial de mudar, permanentemente, nossa forma de consumir conteúdo.

mas google anda dizendo que esta coisa de IPTV não pega nem tão cedo, devido à falta de infra-estrutura de internet. por quê? será que é porque google está montando sua infra de rede, pelo mundo [especialmente nos eua], e começa a pensar no que seria de seu investimento de bilhões de dólares se outros mecanismos de distribuição de conteúdo, mais leves e baratos, tomassem seu lugar?…

especulações abundam. a certeza é de que o futuro da TV é via IP, como de quase todas as outras coisas [mas duvido que alguma tele lance, aqui, uma rede de telefonia móvel IP, preço fixo para os assinantes]. para entender o problema, leia este texto, novo e imenso -e muito bem feito, de information arbitrage, que cita algumas das mais interessantes e atuais fontes sobre o assunto.

e nem pense em comprar seu apple ou xbox IPTV por enquanto, no brasil. estamos fora… não temos banda pra isso. pena. lástima. é mais um cenário econômico onde não haverá nenhuma empresa brasileira fazendo dinheiro de verdade, só serviços de última categoria quando a coisa chegar aqui, daqui a algumas gerações. talvez.

2 Responses to “iptv wars: apple, microsoft, sony, netflix, google…”

  1. Pedrinho Says:

    Uma idéia interessante para o problema de largura de banda está sendo implementada pelo pessoal do Joost. Joost adota uma forma diferente, mais eficiente em termos de gastos de banda, dividindo entre seus usuários esta carga. Como? Vem aí a “mágica” do P2P. Ao mesmo tempo que um telespectador do Joost recebe e consome megabytes de vídeo, está enviando outros tantos megabytes para os demais usuários. É mais ou menos o mesmo princípio de funcionamento do torrent. Para se ter uma idéia, uma hora de Joost consome entre 220 e 425 MB de banda, contando download e upload, dependendo da qualidade do vídeo

  2. Mario Says:

    De fato, a abordagem P2P do Joost para as limitações de banda para distribuição de vídeo é interessante sob mais de um ponto de vista: além de ajudar a reduzir os custos de banda do serviço, que podem ser altíssimos no caso de distribuição de vídeo, ela também viabiliza a distribuição de vídeos mais longos e em alta definição (do tipo que se pode ver em tela cheia).

    Compare isso com os custos do modelo cliente/servidor e com a qualidade da imagem dos (curtos) clipes em flash do YouTube.

    Outra coisa interessante a respeito do Joost é que ele não permite o envio de conteúdo por parte dos usuários. O que, no curto prazo, não só vai lhes evitar problemas com conteúdo protegido por copyright, como, de fato, já tem atraído a simpatia de grandes proprietários de conteúdo como a MTV, da Viacom.

    Nada mal, considerando todo o trabalho (e o gasto!) que o Google tem tido desde a aquisição do YouTube em lidar com os proprietários de conteúdo que têm seu material enviado ao serviço por seus usuários.

    Também não custa lembrar que o Joost é obra da mesma dupla que, no passado, criou o Kazaa e o Skype (sempre serviços P2P).

    Mais sobre o Joost em:
    http://www.wired.com/wired/archive/15.02/trouble.html

    Quanto à Apple, há quem especule que os Apple TV’s devem ser parte de um plano para a criação de uma rede P2P de distribuição de conteúdo no mesmo estilo do Joost:
    http://www.pbs.org/cringely/pulpit/2007/pulpit_20070216_001673.html

    Se pensarmos bem, isso faz muito sentido na medida em que vincula o uso dessa rede de distribuição ao uso de um aparelho eletrônico. Na cabeça do consumidor final leigo, esse modelo de uso deve ser muito mais “lógico” que o do Joost.

    Seria interessante ver o pessoal do Joost fazendo alguma coisa com o MythTV portanto (http://www.mythtv.org). Aliás, seria muito interessante ver qualquer abordagem comercial mais bem estruturada usando o MythTV.

    Aliás, na minha opinião, a Apple representa hoje, no mundo dos eletrônicos de consumo, o que a Sony foi há coisa de anos atrás (não foi à toa que o nome da empresa, “Apple Computer”, foi mudado há pouco para apenas “Apple Inc.”)

    Quanto à MS, nunca foi muito o forte deles fazer coisas que sejam simples e fáceis de usar, voltadas ao consumidor final. Uma coisa é fazer videogames para usuários avançados (quase todos entusiastas de videogames são) e outra é fazer sistemas que até a minha mãe usaria com facilidade (quando foi a última vez que anúncio de um produto da MS teve a mesma repercussão do anúncio do iPhone?).

    Além disso, não vejo os donos de material protegido por direito autoral confiando na Microsoft. Eles já estão tendo problemas em confiar no Google, que ainda não tem uma reputação tão negativa enquanto parceiro como a da Microsoft.

    Quanto ao Brasil… bom, mesmo que criássemos algum serviço de distribuição P2P como o Joost, ainda teríamos problemas, pois, tão logo esse tipo de tráfego começasse a “pesar” nas redes dos ISP’s, eles poriam em prática as cotas mensais de downloads que seus contratos de serviço com seus assinantes prevêem (isso para aqueles que ainda já não fazem isso).

    Pior ainda, eles pegariam ainda mais pesado do que já fazem no traffic shaping, identificando e tratando de formas distintas, diferentes tipos de tráfego.

    Aliás, é justamente disso que trata a discussão sobre Net Neutrality nos EUA.

    Mas aqui, um país em que uma modelo/apresentadora-de-TV/ex-mulher-de-jogador-de-futebol ainda consegue barrar legalmente o acesso ao YouTube, mesmo que temporariamente, seria esperar demais que uma discussão comparável à que acontece agora nos EUA também acontecesse.

    Abraços.

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