Archive for March, 2007

fust: vai sobrar pra anatel?

Friday, March 30th, 2007

o ministro hélio costa, em depoimento ao congresso, jogou o problema da parálise do fust pra cima da anatel. segundo costa, relatado por telesínteseo presidente Lula publicou, em 8 de fevereiro, o decreto presidencial que estabelece as metas de universalização para o atendimento aos portadores de deficiência auditiva, mas que, até hoje, a Anatel não implementou a medida. “Agora, quando quiserem saber sobre o Fust, vão falar com a Anatel, pois ela é a responsável pela aplicação dos recursos”.

o atendimento aos portadores de deficiência auditiva é um pequeno projeto do fust que pretende usar apenas dois milhões de reais da imensidão de cinco bilhões do fundo, recursos que não se parece saber onde estão nem que uso deles fazer. apontar para a anatel como culpada pelos descaminhos do fust, quando até pouco tempo o governo manteve a agência sem o número mínimo de conselheiros para tomar decisões de porte parece uma tentativa de escamotear as reais razões pelas quais a política de universalização de acesso não sai do canto.

ou esconder o porquê das coisas estarem piorando: o networked readiness index do world economic forum 2006/7 acaba de sair e o brasil aparece na honrosa 53a. posição, atrás da estônia (20), malásia (26), portugal (28), chile (31), barbados (40) e, de 44 a 52, índia, jamaica, croácia, áfrica do sul, grécia, méxico, bahrain, mauritius e turquia. na edição anterior do estudo, de 2005, estávamos em 52o. lugar, espaço hoje ocupado pela turquia. na próxima edição deveremos ser ultrapassados por, pelo menos, kuwait (54), costa rica (56), polônia (59) e china (59).

ou não: a anatel, que parece estar tentando cumprir seu papel, acaba de autorizar as prefeituras a prestar serviços de redes sem fio, inclusive em freqüências reguladas, uma demonstração de ousadia que reconhece, por exemplo, os esforços inovadores de piraí, onde este tipo de acesso começou a ser feito por aqui. só pra citar, mais de 300 cidades dos EUA já têm suas próprias redes, normalmente em localidades onde os provedores comerciais não conseguem descobrir a devida remuneração para seus investimentos.

a partir d’agora, é só o prefeito [ou seu secretário de telecomunicações!] requerer uma licença à anatel [custa 400 pilas] e botar a sua rede muni-fi no ar. aposto como as teles não vão deixar por menos: ou aceleram a universalização de seus próprios serviços ou, por outro lado, vão parar na justiça se a prefeitura de taperoá resolver botar uma rede GSM no ar…

em resumo: o ministro deveria reunir sua assessoria, que tem gente inteligente, competente e com anos de experiência no governo e negócios e tentar entender como seu ministério, aliado a vários outros, à anatel, às prefeituras, ao terceiro setor e à iniciativa privada, imprescindível ao processo, pode fazer com que nossa infra-estrutura de comunicações, ao invés de ser mais um dos entraves ao desenvolvimento, seja uma das principais alavancas para trazer o país do século 19 para o 21.

precisamos de mais decisões como a de redes municipais que a anatel acaba de tomar, que deveriam ser imediatamente seguidas [neste caso] por um conjunto de regras para as prefeituras de cidades fora da internet e da rede celular concorrerem a recursos do fust e botarem seu povo na rede. precisamos de mais política e estratégia de comunicações. e rápido. o resto é… conversa.

informaticidade, mais sinais: SAP adere a SaaS

Wednesday, March 28th, 2007

henning kagermann, CEO da SAP, mudou de lado em um ano. de abril de 2006 pra cá, deixou de acreditar que software como serviço era “apenas” um modelo limitado para prover soluções de software para clientes corporativos para declarar aos quatro ventos que SaaS é o better model pra software. as palavras exatas são… “People know this is the better model. But the upfront cost means few dare to introduce it… You only start printing money later.” A1S será a oferta de serviços do gigante alemão, que entra num mercado liderado por salesforce.com, pioneira em no software, com quem vai competir frente a frente [inclusive para tentar reconquistar alguns de seus grandes clientes que migraram para o adversário].

ah, e tem a netsuite também, que quer ser a SAP do mercado de médio porte. danado é que a SAP tem a mesma idéia. só não diz como: ao ser questionado sobre modelos e preços, kagermann se saiu com… “I cannot give answers to those questions right now, but interested customers will want to wait until SAP says more about that”, marcando o território mas, em bom português, dizendo que a SAP ainda está aprendendo e tentando montar um modelo de negócios para competir neste cenário… que deve ser o próximo cenário de competição para todo mundo.

drogas [auditivas] na internet

Tuesday, March 27th, 2007

minha coluna do G1, esta semana, é sobre binaural beats, processo auditivo de estimulação do cérebro. vá ver como surfar [literalmente] só na mente…

férias@netflix: quem manda é o freguês

Tuesday, March 27th, 2007

netflix.pngreed hastings, ceo da netflix, acaba de entrar pro board da microsoft. a netflix tá dando o maior pau na blockbuster com seu modelo inovador de aluguel de vídeos [pague um fixo por mês e fique com a mídia o tempo que quiser, desde que continue pagando, a partir de $4.99]. e esta não é a única inovação por lá: os colaboradores podem tirar a quantidade de férias que quiserem, desde que seu trabalho tenha sido realizado a contento. o povo que trabalha na microsoft tá ansioso pra ver se esta política pega por lá.

hastings estava na lista “100 people who shape our lives” da TIMES em 2005 e é mais um exemplo de que inovação é, também, muito trabalho e não só sacadas geniais, golpes de sorte e publicidade: a netflix foi fundada há dez anos e só recentemente viu seu modelo de negócios virar referência mundial no setor. veja aqui uma entrevista dele [de 2005], onde se pode ver que nem todo mundo que dá certo é onisciente: hastings confessa que não viu o .crash chegando, porque “dentro da bolha” você não vê nada…

a netflix é genial, mas nem tudo são flores: a empresa “só” vale 1.6 vezes seu faturamento [de um bilhão de dólares] e a margem de lucro mal chega a 5%. sinal dos tempos: o mercado de aluguel de mídia física pode estar com os dias contados e a netflix pode ser a última companhia do gênero. isso se hastings não conseguir fazer a transição de on-line video rental pra on-line video service.

enquanto o brasil patina, minas se comunica

Monday, March 26th, 2007

menos da metade dos 853 municípios de minas gerais tem celular. 409, para ser exato. mas o Fundo para Universalização dos Serviços de Telecomunicações em Minas Gerais (Fundomic) vai investir no programa minas comunica, e uma das licitações para tal foi ganha pela claro [que pagou 54 milhões de reais para entrar no negócio]. os serviços serão universalizados por lá até o fim do ano que vem, 40 milhões foram investidos no programa em 2006 e outros 200 milhões entrarão em cena este ano.

isso poderia ser um exemplo para o país inteiro: a federação poderia diminuir sua fúria arrecadatória [o que não é o caso em minas, o programa é do estado] e, diminuindo também a tutela e o paternalismo federais, deixar que os estados cuidassem dos seus problemas. sem isso, duvido que se descubra, em brasília, a solução para termos celular em roraima.

o brasil tem que fazer o dever de casa, senão se trumbica. enquanto isso, minas se comunica e está de parabéns.

projeto para o FIM DE SEMANA: crie um UNIVERSO

Friday, March 23rd, 2007

gordon mccabe, filósofo independente, acaba de publicar um artigo sob o pouco humilde título How to Create a Universe que trata, como não poderia deixar de ser, do que o título diz. o resumo? The purpose of this paper is (i) to expound the specification of a universe, according to those parts of mathematical physics which have been experimentally and observationally verified in our own universe; and (ii) to expound the possible means of creating a universe in the laboratory. aos interessados, mãos à obra. e cuidado. pode sair [bem] pior do que o nosso… e brincar de deus deve ser uma atividade perigosa. talvez, aliás, seja mais prático simular em computador a “proposta” de mccabe, que não é nem tão original assim como idéia. douglas adams, em hitchhiker’s guide to the galaxy, imaginou um computador [deep thought] usado por uma avançadíssima civilização que queria descobrir a… Ultimate Answer to the Great Question of Life, the Universe, and Everything. depois de sete e meio milhões de anos de computação, deu 42. a pergunta, claro, estava errada.

mas não é a única pergunta errada: desde 1997 dois físicos então trabalhando em princeton fizeram a pergunta “o que impede que o universo esteja criando ele próprio?”, arguindo que esta seria a questão a ser resolvida, ao invés de “o que havia antes do universo?” o paper [de 52 páginas] está aqui. talvez valha a pena ler antes de você começar a desenhar seu mundo. o que eles dizem, lá? coisas como… So, questions about how the initial Big Bang singularity was formed and what preceded it remained. The closed Friedmann model, popular because it is compact and therefore needs no boundary conditions, re-collapses in a finite time in the future to form a Big Crunch singularity at the end. Singularity theorems tell us that in a collapsing universe the final Big Crunch singularity cannot be avoided. Classical general relativity tells us that a closed universe begins with a singularity and ends with a singularity, with nothing before and nothing after. Nevertheless, many people speculated that there could be more than one connected cycle — after all, the singularities only indicated a breakdown of classical general relativity and the quantum Terra Incognita at the Planck density might allow a cosmology collapsing toward a Big Crunch to bounce and make another Big Bang…

esta semana, cientistas da universidade de chicago conseguiram, usando centenas de processadores e dezenas de milhares de horas de computação, simular a transformação de uma anã branca [estrelas do tamanho da terra, mas com a massa do sol] em uma supernova, processo que parece ser responsável por boa parte do ferro encontrado por aí afora [o filme resultante da simulação dura meros três segundos…]. já é um bizú pra seu modelo de universo. se você quiser saber quais são as conseqüências de um mundo com quase nenhum ferro, leia tatja grimm’s world, de vernor vinge.

boa sorte no seu experimento. tenha pressa. a humanidade não pode esperar sete e meio milhões de anos. e espero que seu lab [se não for virtual] não esteja muito perto da minha casa.

convergência digital, a palestra

Thursday, March 22nd, 2007

este link leva à cópia, em .pdf, de palestra realizada na secretaria do tesouro nacional, em brasília, em 16/3/2007. o tema da conversa era aberto, algo como o “futuro da informática”, e acabou sendo sobre cpnvergência digital, o futuro das redes, o que software tem a ver com isso e como as estruturas, serviços e aplicações por trás dele estão criando um novo mundo, sem que [na maioria das vezes] percebamos.

[a partir de agora, as palestras que eu estiver dando por aí ficarão conectadas aqui, na categora “palestra”. é so clicar ao lado e achar os slides que, com o tempo, começarei a ligar a partir deste blog.]

[servidor de palestra trocado: agora está em scribd.com {prestem atenção nisso… se eu tivesse dinheiro, investia lá…}]

história de compras na amazon + AJAX =…

Thursday, March 22nd, 2007

…= recomendações gráficas para álbuns de música. interessante e, do ponto de vista do uso dos conceitos AJAX e de construção de interfaces gráficas dinâmicas, impressionante. só indo lá ver. veja aqui o mapa para o disco getz/gilberto.

software no brasil: crescendo, mas perdendo posições

Wednesday, March 21st, 2007

não é preciso ser nenhum einstein para entender que podemos perder posições no ranking de qualquer coisa mesmo quando estamos crescendo. é só os competidores cresceram mais rapidamente que nós ficaremos para trás. questão de tempo. pois bem: ano passado o mercado brasileiro de software cresceu 22.6%, segundo o IDC, mas o país caiu uma posição no mercado internacional, saindo da 12a. para a 13a. exportamos 52 milhões de dólares em licenças de software e 195 milhões em serviços, crescendo mais de 40% sobre 2005 mas ainda assim exportando no total algo parecido como o lucro da gigante indiana infosys em um único trimestre de operações.

pelo menos o estudo mostra que as nossas taxas de crescimento no mercado internacional são parecidas com as deles. o que aponta uma saída para a possível estatização do mercado de software para governo no brasil e dá uma esperança para as 94% das oito mil empresas do setor, no país, que são pequenos ou micro-negócios: o mercado mundial de software [serviços] é oitenta vezes maior que o brasileiro e, se a marca brasil -como fornecedor de software- começar a pegar lá, vai faltar muita gente pra fazer o que teriamos de negócios pra fechar.

a única saída para as empresas de serviços de software que queiram crescer [inclusive no mercado brasileiro] é o mercado internacional. muita gente sabe disso de cor e salteado. só falta muito mais gente fazer. no caso das pequenas empresas, um aviso: é bom começar rapidamente seus processos de fusões e aquisições, pois o nome do jogo, no mercado de serviços, é tamanho e escala. a outra rota é se especializar, inovar, ter diferenciais de conhecimento e performance acima do mercado. mas este jogo é outro, com outras regras e público. dele a gente fala depois.

mais braxis & cpm: US$1Bi é o alvo

Tuesday, March 20th, 2007

leia aqui, no bites de 20 de março, como o executivo jair ribeiro está mudando a ordem de grandeza [e o grau de expectativa] dos negócios de software no brasil. se der certo, nada será como antes. mesmo dando errado, nunca ninguém tentou ir tão longe. mais de uma razão para comemorar de qualquer jeito, pois é sinal de vida inteligente no setor, no país.

morreu john backus, aos 82

Tuesday, March 20th, 2007

pioneiro das linguagens imperativas e funcionais morreu em casa, aos 82, sábado passado, nos eua.

john backus foi um dos gigantes dos primeiros trinta anos da computação e das linguagens de programação e sua contribuição será lembrada e relevante por muito tempo.

para backus [simplicidade em pessoa que eu tive a honra de conhecer, já em almadén] inovação era a mola mestra do mundo. e é como termina seu obituário no new york times: segundo backus, “You need the willingness to fail all the time… You have to generate many ideas and then you have to work very hard only to discover that they don’t work. And you keep doing that over and over until you find one that does work.”

have a nice voyage, john.

em andamento, fusão da BRAXIS com a CPM

Tuesday, March 20th, 2007

duas das maiores empresas de software do país, a CPM e a BRAXIS, anunciaram [como fato relevante à comissão de valores mobiliários, CVM] que celebraram “…acordos visando à integração de seus negócios”. coisa de gente grande e muito bom sinal para o futuro. porque sem empresas de porte bilionário, dificilmente o brasil conseguiria competir no cenário internacional de serviços de software. agora, é esperar que outras empresas façam o mesmo e criem infra-estruturas realmente competitivas. porque os indianos e outros, mais novos no jogo, não estão brincando. veja porque, aqui