a nova [?] aristocracia [?]

mídia com democracia é a revista [que não tem site…] do fórum nacional pela democratização da comunicação, entidade que luta pelo que seu nome diz: democratização das comunicações. MCD, a revista, na edição de janeiro de 2007 [.pdf da edição completa], tem uma entrevista com luís fernando veríssimo que acaba assim: “MCDComo o senhor avalia as novas ferramentas de comunicação eletrônica do ponto de vista da democratização da comunicação? VerissimoHá uma democratização da comunicação evidente, mas também me parece que se formou uma espécie de aristocracia mundial, ligada não por laços de sangue nobre, mas pelo domínio da nova tecnologia. E uma aristocracia que raramente larga o computador e vai para rua ver como vive a humanidade real. E é meio assustador pensar no poder que eles estão acumulando sem sair de casa.”

aristocracia vem do grego aristokratía, αριστοκρατία. aristos significa “os melhores”, mais capazes, mais competentes. kratía é poder, governo, “dar” ou definir as regras [do jogo, seja ele qual for]. durante algum tempo, quando o poder foi divinizado, aristocracia significava “os bem nascidos”, que iriam mandar sem serem necessariamente melhores, mais capazes ou competentes. este é o siginificado que a palavra tem hoje, meio longe do original grego. veríssimo usa as duas acepções em sua resposta, e fica assustado ao pensar que os “codificadores” são, hoje, uma aristocracia, um grupo que tem poder pelo seu conhecimento e habilidades, essenciais à existência e funcionamento do mundo digital. até aí, novidade zero; é só varrer a história da humanidade e se descobre que, em qualquer época, houve aristocracias de saber e competência… os programadores são apenas a aristocracia da hora.

com uma diferença: na rede, o código é a regra, define o comportamento, cria alternativas, limita opções. em 1999, lawrence lessig publicou Code and Other Laws of Cyberspace, o livro onde deixava claro que code IS law: código é lei. e quem faz a lei tem poder. tem mesmo? grande discussão pra futuros próximos… e por muito tempo. porque o resto do futuro inteiro será codificado, e codificado em software. e na rede, sem que as pessoas [pelo menos as que codificam a rede] precisem “sair de casa”. pois a casa delas é a rede. e no futuro não será a rede que estará no “mundo real”, mas o “mundo real” que estará na rede…

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