start-up demonstra [?] “computador” quântico
a pequena d-wave, canadense, demonstrou recentemente um “computador” quântico de 16 qubits [bits quânticos, que podem “armazenar” zero e um simultaneamente], capaz de resolver problemas de sudoku mais… lentamente do que um PC. normal, até aí, já que a tecnologia é radicalmente nova e não se espera um computador quântico funcional, de verdade [que possa, por exemplo, resolver problemas reais de criptografia], antes de dez ou vinte anos.
o problema é que a d-wave está usando um método conhecido como computação quântica adiabática, refrigerando um metal [nióbio], a 273.15 graus abaixo de zero, quando sua nuvem eletrônica tem propriedades quânticas e… não se sabe se este método, em linguagem científica, escala, ou seja, se é ou não uma base para construir máquinas quânticas [práticas] de muitos milhares de bits, que poderiam ser usadas para resolver problemas fora do alcance dos computadores atuais.
seth lloyd, do mit, olhou o resultado e diz que não botaria o dinheiro dele no negócio; acha que o investimento não é quixotesco mas o resultado é imprevisível, porque um computador quântico real feito de nióbio supercongelado manipulado por campos magnéticos dentro de um chip de silício é simplesmente bom demais pra ser verdade… geordie rose, cto da d-wave, parece estar convencido que sim. leia aqui no seu blog. aliás, um de seus argumentos é um paper de… seth lloyd!
a d-wave saiu da university of british columbia, em vancouver, em 1999, o que serve para dar aos pesquisadores, empreendedores e investidores de pindorama uma idéia do tempo, recursos, persistência e competência que se leva para fazer algo realmente revolucionário. oito anos até o primeiro demo. dinheiro de indivíduos [anjos, em investspeak] ajudou a montar o negócio, mas há gente grande apostando seu rico dinheirinho [muitas dezenas de milhões de dólares] na sorte da d-wave, como Draper Fisher Jurvetson, GrowthWorks Capital, BDC Venture Capital, Harris & Harris, British Columbia Investment Management Corporation (bcIMC)…, tendo como resultado, até agora, além da demo de 13 de fevereiro no computer history museum [em mountain view, califórnia], o conhecimento criado no start-up, 100 patentes solicitadas e 35 já concedidas.
a d-wave não tem um modelo de negócios pra seu computador “real” de 1024 qubits [segundo a companhia, no ar em fins de 2008]: pretende alugar ciclos do dito via internet. a sun tentou, tempos atrás, e deu em nada. pode ser que AWS [amazon web services] nos mostre algo novo [como parece que pode] e aí, se o nióbio do doutor rose funcionar de verdade, muita coisa pode mudar [no longo prazo] no mundo ao nosso redor. well, maybe…

February 27th, 2007 at 12:23 pm
Caro professor Meira, queria deixar registrado uma coisa: quem tem mais a ganhar com a computação quantica se esse chip de nióbio supercongelado é o Brasil. Nós temos a maior reserva natural do minério, assim como somos os maiores fornecedores do mundo. Não é de se perguntar se não está na hora do Brasil ser mais ativo nessa linha de pesquisa, para que, no futuro, não sejamos tão somente um fornecedor de matéria-prima mas sim um fornecedor de chips?
February 27th, 2007 at 9:36 pm
charles, concordo em TESE; temos as maiores reservas naturais de MUITA COISA, mas MUITO POUCA capacidade de explorar o QUE FAZER COM ELAS. veja voce que a industria de CERAMICA da CHINA, pressionada pelas (poucas) demandas ambientas do governo de la, esta pensando em (e comecando a) importar ARGILA do brasil… pra vender ceramica de volta, inclusive pro brasil.
ORA, se nao conseguimos ter uma politica industrial pra ceramica, que e uma coisa definitivamente do NEOLITICO [10.000AC, https://metropolitanmuseum.org/toah/ht/02/eac/ht02eac.htm] imagine pra computacao quantica…
minha nota (quase de pesar) acima fala do… “…tempo, recursos, persistência e competência que se leva para fazer algo realmente revolucionário. oito anos até o primeiro demo…” a durabilidade de uma POLITICA CIENTIFICA no brasil e sempre abaixo de tres anos, nos ultimos 25 anos pelo menos. com recursos do GOVERNO, aqui, MUITO abaixo do que investidores, la fora, botam em EMPRESAS depois que os governos, LA, botaram UM MONTE (e bote monte nisso) de dinheiro em pesquisa pre-competitiva…
danado. mas verdade… de qualquer forma, espero que tenhamos MAIS sorte desta vez…
February 28th, 2007 at 10:15 am
Esperar para ter sorte não parece ser algo muito produtivo aqui em terras de Pindorama. Estou com Castells quando ele diz que se um território tem a bênção de ter o recurso natural mas não possui a capacidade técnica de explorá-lo no momento (independente do motivo) ele deve se unir a quem tem.
Uma boa alternativa seria, em vez de exportar o nióbio, importar o investimento e o conhecimento para produzir aqui os tais chips.
March 4th, 2007 at 3:20 pm
Olá todos…
Prof Silvio, habilita o ‘pingback’ no teu wordpress. Vai ver (e fazer com que os outros vejam) a quantidade de gente que faz referências aos teus textos.
Sobre Argila, Nióbio e políticas de pesquisa neste nosso Brasil:
Educação é tudo. Leva a reboque desde padrões de civilidade até mesmo produção científica. Mas enquanto se dá mais destaque (não só na media) ao BBB e as taxas de juros que a necessidade de um planejamento de longo (gigante) prazo para se fomar um cidadão educado* e uma sociedade preparada…
* - Não falo de educação doméstica. Falo de educação/formação para fazer as coisas acontecerem e o país ir pra frente.