Archive for February, 2007

no limite da [i]legalidade

Wednesday, February 28th, 2007

a lei geral de telecomunicações (LGT, Lei 9472/97) está fazendo dez anos e, mais do que uma velha senhora sem rumo em um mundo de convergência digital, que não foi pensado em sua juventude de beleza e glórias, corre o risco de ser desrespeitada frontalmente, como se fosse uma velha e gasta dona de bordel. a última edição de bites [em .pdf] mostra como as teles estão usando a velha -mas muito eficaz- política do fato consumado contra a parálise legal e regulatória em que as telecomunicações brasileiras se meteram nos últimos anos, como se fossem um mero apêndice -e não uma infra-estrutura essencial- da economia e da sociedade.

a nova [?] aristocracia [?]

Wednesday, February 28th, 2007

mídia com democracia é a revista [que não tem site…] do fórum nacional pela democratização da comunicação, entidade que luta pelo que seu nome diz: democratização das comunicações. MCD, a revista, na edição de janeiro de 2007 [.pdf da edição completa], tem uma entrevista com luís fernando veríssimo que acaba assim: “MCDComo o senhor avalia as novas ferramentas de comunicação eletrônica do ponto de vista da democratização da comunicação? VerissimoHá uma democratização da comunicação evidente, mas também me parece que se formou uma espécie de aristocracia mundial, ligada não por laços de sangue nobre, mas pelo domínio da nova tecnologia. E uma aristocracia que raramente larga o computador e vai para rua ver como vive a humanidade real. E é meio assustador pensar no poder que eles estão acumulando sem sair de casa.”

aristocracia vem do grego aristokratía, αριστοκρατία. aristos significa “os melhores”, mais capazes, mais competentes. kratía é poder, governo, “dar” ou definir as regras [do jogo, seja ele qual for]. durante algum tempo, quando o poder foi divinizado, aristocracia significava “os bem nascidos”, que iriam mandar sem serem necessariamente melhores, mais capazes ou competentes. este é o siginificado que a palavra tem hoje, meio longe do original grego. veríssimo usa as duas acepções em sua resposta, e fica assustado ao pensar que os “codificadores” são, hoje, uma aristocracia, um grupo que tem poder pelo seu conhecimento e habilidades, essenciais à existência e funcionamento do mundo digital. até aí, novidade zero; é só varrer a história da humanidade e se descobre que, em qualquer época, houve aristocracias de saber e competência… os programadores são apenas a aristocracia da hora.

com uma diferença: na rede, o código é a regra, define o comportamento, cria alternativas, limita opções. em 1999, lawrence lessig publicou Code and Other Laws of Cyberspace, o livro onde deixava claro que code IS law: código é lei. e quem faz a lei tem poder. tem mesmo? grande discussão pra futuros próximos… e por muito tempo. porque o resto do futuro inteiro será codificado, e codificado em software. e na rede, sem que as pessoas [pelo menos as que codificam a rede] precisem “sair de casa”. pois a casa delas é a rede. e no futuro não será a rede que estará no “mundo real”, mas o “mundo real” que estará na rede…

a batalha da china: baidu vs. google

Tuesday, February 27th, 2007

a china é -ou vai ser em breve- o maior mercado de qualquer coisa do mundo. celulares. aviões. lixo. soja. internet. e busca na internet. ao contrário de quase todos os mercados mundiais de porte, onde a busca de google tem uma dianteira tão grande que os rivais são praticamente irrelevantes, a china é diferente. um engenho de busca local, baidu, tem 64% do mercado, contra 19% do líder mundial. será que baidu sai da china pro mundo? google encontrou um competidor de verdade? ou a china vai derreter no calor de seu próprio crescimento [hoje foi a terça negra deles] e nem google vai querer estar lá?… ou, simplesmente, google vai ganhar a batalha da china? façam suas apostas.

nova máquina de busca… da rússia

Monday, February 26th, 2007

está no ar quintura, novo [relançado, na verdade] engenho de busca russo que vai atrás do público que, ao invés de procurar sites com certos conteúdos, busca por conceitos. neste caso, é mais fácil [aparentemente] encontrar o que se procura se um mapa de relacionamentos entre coisas parecidas [encontradas pelo software a partir de sua pergunta original] for apresentado ao usuário. a idéia e a implementação, em si, não são novas e estavam em vivisimo, hoje clusty [mostrado não como mapa e sim como clusters, como o nome indica], um negócio que parecia muito bom mas nunca decolou. veja aqui, em vivisimo, o resultado da busca por tinnitus, aquela condição de saúde em que seu ouvido “ouve” certos barulhos sem que eles existam externamente, de verdade, às vezes o tempo inteiro. o meu ouvido direito, por exemplo, “ouve” a “válvula de uma panela de pressão” 24h/dia, há um ano. maior barato. enlouquecedor. e você nem precisa usar nada ilegal pra sentir…

a mesma pergunta, por tinnitus, está mostrada aqui em quintura, que tem a vantagem de construir uma topologia da resposta. a indagação da hora poderia ser: vai competir com google, yahoo & live search? no momento, quintura é um meta-buscador montado sobre as respostas de yahoo [xml] enquanto, segundo o pessoal de lá, constroi seu próprio índice. muito mais provavelmente, será usado por corporações para organizar as buscas a documentos armazenados em suas intranets. mas, sabe-se lá. há quem diga que o “estilo” de quintura e clusty [também disponível em searchtheweb2.com] pode atingir um público mais sofisticado e capaz de fazer buscas mais longas e detalhadas. quem sabe?

quintura é russo mas tem dinheiro americano e de luxemburgo, do povo que tava lá no começo de skype. o que não quer dizer que eles necessariamente darão certo, mas que é uma grande ajuda, é. vá lá. tente. pode ser que seja o “seu” engenho de busca.

start-up demonstra [?] “computador” quântico

Friday, February 23rd, 2007

a pequena d-wave, canadense, demonstrou recentemente um “computador” quântico de 16 qubits [bits quânticos, que podem “armazenar” zero e um simultaneamente], capaz de resolver problemas de sudoku mais… lentamente do que um PC. normal, até aí, já que a tecnologia é radicalmente nova e não se espera um computador quântico funcional, de verdade [que possa, por exemplo, resolver problemas reais de criptografia], antes de dez ou vinte anos.

o problema é que a d-wave está usando um método conhecido como computação quântica adiabática, refrigerando um metal [nióbio], a 273.15 graus abaixo de zero, quando sua nuvem eletrônica tem propriedades quânticas e… não se sabe se este método, em linguagem científica, escala, ou seja, se é ou não uma base para construir máquinas quânticas [práticas] de muitos milhares de bits, que poderiam ser usadas para resolver problemas fora do alcance dos computadores atuais.

seth lloyd, do mit, olhou o resultado e diz que não botaria o dinheiro dele no negócio; acha que o investimento não é quixotesco mas o resultado é imprevisível, porque um computador quântico real feito de nióbio supercongelado manipulado por campos magnéticos dentro de um chip de silício é simplesmente bom demais pra ser verdade… geordie rose, cto da d-wave, parece estar convencido que sim. leia aqui no seu blog. aliás, um de seus argumentos é um paper de… seth lloyd!

a d-wave saiu da university of british columbia, em vancouver, em 1999, o que serve para dar aos pesquisadores, empreendedores e investidores de pindorama uma idéia do tempo, recursos, persistência e competência que se leva para fazer algo realmente revolucionário. oito anos até o primeiro demo. dinheiro de indivíduos [anjos, em investspeak] ajudou a montar o negócio, mas há gente grande apostando seu rico dinheirinho [muitas dezenas de milhões de dólares] na sorte da d-wave, como Draper Fisher Jurvetson, GrowthWorks Capital, BDC Venture Capital, Harris & Harris, British Columbia Investment Management Corporation (bcIMC)…, tendo como resultado, até agora, além da demo de 13 de fevereiro no computer history museum [em mountain view, califórnia], o conhecimento criado no start-up, 100 patentes solicitadas e 35 já concedidas.

a d-wave não tem um modelo de negócios pra seu computador “real” de 1024 qubits [segundo a companhia, no ar em fins de 2008]: pretende alugar ciclos do dito via internet. a sun tentou, tempos atrás, e deu em nada. pode ser que AWS [amazon web services] nos mostre algo novo [como parece que pode] e aí, se o nióbio do doutor rose funcionar de verdade, muita coisa pode mudar [no longo prazo] no mundo ao nosso redor. well, maybe…

é cabra!

Wednesday, February 21st, 2007

há anos, em função do envolvimento com o carnaval, que eu não via uma saída da cabra ou de qualquer outro dos blocos de que participo… pois nesta terça de carnaval uma sucessão de eventos acabou fazendo com que eu e kátia decidíssemos “ver” o desfile da cabralada, junto com a cabra, bem ao lado, quase dentro, mas ao mesmo tempo fora, sentindo o impacto que os tambores e o cortejo causam no povo ao redor. pois foi só val [que ordena tudo] e chicão [que comanda o batuque] botarem o maracatu na rua que a emoção foi de arrepiar cabelo…cabra 10

o batuque se soltou e…
cabra 11

as baianas vinham em uma onda… levando a rua junto…

cabra 8

com a rainha, o rei e as pequenas princesas…

cabra 9

e joão neto, cenógrafo, designer e estilista da cabra e muito mais, levando muito a sério a arte de ser porta-estandarte…

cabra kk

até o palco do marco zero, onde milhares de pessoas viram a cabralada de perto e no alto, mostrando o ritmo, a beleza, a elegância, a alegria e a disposição de brincar um carnaval sambando maracatu… e no fim…

cabra 1

kátia comemorava uma das saídas mais bonitas da cabralada em todos os nossos poucos 12 anos de história. doze de março, aniversário conjunto de olinda e recife, tem mais. aí não vai ter foto [aqui] porque nós vamos estar, de novo, no meio do maracatu. foi bom ficar fora um dia pra ver como é mas outro… só daqui a uns dez carnavais.

é carnaval: maracatus rurais em nazaré

Tuesday, February 20th, 2007

nazare 3

maracatus de baque solto, os “rurais”, chegam em nazaré da mata, pernambuco, na manhã de segunda de carnaval… um garoto de um deles perguntou porque meus dedos estavam cheios de calos, se era coisa da “máquina de fotografia”… eu disse não, é que eu toco num maracatu de “baque virado” em recife… e ele: baque virado, qué isso? esse maracatu “inzishti”? é, vai ver que não…
nazare 2

a folia, mesmo debaixo de um dos sóis mais ferozes que já vi na minha vida, é radical!… os maracatus sobem do parque dos lanceiros, na estrada, pra catedral de nazaré, onde rolam as sambadas. quase nenhum turista, muita gente do local, carnaval original, do povo…
nazare 1

guiadas, golas, cores, som, poesia, gente, fantástico. estas são três das quatrocentas fotos que tirei. coisa de doido.

encontrada a chave para “processar” todos os hd-dvds já liberados

Wednesday, February 14th, 2007

no que aparentemente se trata apenas de um trabalho de investigação [ao invés da esperada quebra, potencialmente ilegal, do código] um dos membros do fórum doom9 acaba de publicar o que diz ser a chave para processar [isto é, fazer uso não autorizado] de todos os hd-dvds já publicados. e talvez um monte de blu-rays… a chave [09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0] “abre” os discos para backups e o que mais o dono do disco quiser [e que a RIAA não quer, assim como usar os discos em “dispositivos não autorizados”] e pode ser trocada pela indústria a qualquer momento, para proteger novos lançamentos. mas pode ser descoberta de novo -e vai- logo depois que for trocada. o que arnezami, o cara lá de doom9, publicou, não é só a chave acima, mas o método de descobri-la. e dá pra repetir vez após vez, a baixo custo e uso de tempo, em certos modelos de player.

vamos ver o que vai rolar agora. a guerra de drm [digital rights management] continua. por enquanto, o povo está ganhando… e enquanto a indústria não propuser um modelo decente de entretenimento-como-serviço, todos sofreremos e a indústria vai continuar perdendo. pra ganhar, ela tem que entender que modelo de negócios tem que ser ganha-ganha… simples, mas difícil de ser entendido por quem tem cabeça de passado… e acha que está contratando a melhor segurança do mundo. não está. e a gente, do lado de cá, além de quebrar todas as chaves e sistemas de segurança que aparecerem, neste modelo de negócios, espera e trabalha pra que que banda larga e universalização de acesso destruam, em pouco tempo, o modelo de suporte físico para mídia que ainda cria este rolo todo. quanto antes, melhor.

hype machine: rádio mundial?… o novo napster?

Tuesday, February 13th, 2007

tá no ar há algum tempo, mas talvez você ainda não tenha visto [e ouvido!]. um serviço que procura links pra mp3 mundo afora [quase nada no brasil], aponta para os blogs onde os links estão, descobre se estão à venda em amazon, eMusic ou iTunes, publica uma lista quase instantânea do que está achando na rede… “sintoniza” um blog pra você [toca tudo o que estiver lá, como se fosse um playlist…]. os mp3 não estão lá pra download mas, como você pode achar o blog onde eles estão…

hype machine está na lista dos sites mais importantes -e interessantes- de música do jornal inglês the observer [entre muitos outros]. o site está entre os melhores da última mashup unconference e faz por merecer. no topo disso, om malik tá se perguntando se 2007 é o ano dos mashups de música [o segundo lugar também é do mesmo tipo]. uma história de seu criador [anthony volodkin] e do site está na business 2.0 de outubro passado. tem gente de música [e investimento] dizendo que… “The service is the best thing to happen to music since the Rolling Stones!” [frase de fred wilson, investidor e roqueiro]. só que até agora, aparentemente, o site é um show de um homem só, o próprio volodkin, visto ao lado, do alto de seus vinte anos de criatividade e empreendedorismo.

mas bom mesmo é ler e ouvir hype machine. já faz algum tempo que é uma de minhas “rádios”… vá lá. você provavelmente nunca [ou]viu nada igual.


Technorati :

lei impede teles em tv…

Thursday, February 8th, 2007

…por assinatura. esta é a posição clara e de certa forma indiscutível do ex-ministro juarez quadros, um dos cérebros por trás da lei geral de telecomunicações. a explicação está aqui, no convergência digital. mas -sempre há um mas- a lei pode ser reescrita, que é o que o deputado paulo bornhausen está propondo desde o dia 5 passado, num projeto que acaba com o limite de participação de 49% do capital estrangeiro nas operadoras de TV a cabo e afirma, em seu artigo 11º , que as concessionárias do STFC poderão obter concessão para explorar o serviço de TV a cabo em qualquer localidade onde não exista outorga na data de entrada em vigor da lei (se o projeto de lei virar lei) e onde já houver sido outorgada concessão de TV a cabo há, pelo menos, um ano. a conversa está aqui, no telesíntese.

é certo que, na atravancada pauta do congresso, um projeto de lei de um deputado pode levar décadas para ser analisado e votado. mas este, em particular, é um sinal dos tempos e uma clara indicação de que grupos muito importantes, política e economicamente, querem rediscutir a lei geral de telecomunicações, exatamente o texto que regula o mercado e serviços de telecom no país. tal discussão é inevitável e, em vista das pressões do mercado e da oferta de novas soluções tecnológicas, inadiável. danado vai ser encontrar agenda pra ela dentro do caos político e estratégico do brasil.


[long tail]: iptv is [infinite] personal tv

Monday, February 5th, 2007

bill gates anunciou ao mundo, em davos, que IPTV vai mudar o mundo da TV em cinco anos. acho que ele estava falando apenas dos países [muito] ricos, onde banda larga é larga mesmo. aqui no meu pedaço de pindorama, medidas diversas na minha “banda larga” não deram mais de 200kbps, isso num sábado à tarde. os cinco anos de gates, aqui, podem vir a ser muito mais. de dez a quinze. ou mais, no pior caso, que é o da anatel continuar sem funcionar e as empresas de telecom não serem cobradas nem por performance e tampouco por universalização de serviços.

bem, mas o que interessa aqui é gates (re)dizer que vídeo online e a fusão de PCs e TVs vai mudar a experiência “televisiva” e que “in the years ahead, more and more viewers will hanker after the flexibility offered by online video and abandon conventional broadcast television, with its fixed program slots and advertisements that interrupt shows”. tal tese não é novidade e gates está cumprindo seu papel de garoto propaganda, pois a microsoft tem interesses gigantescos em IPTV e está montando uma vasta rede mundial de alianças para disseminar a tecnologia e seu uso.

qualquer um que tente entender pode citar muitas diferenças entre IPTV [TV via internet, sobre protocolo IP] e TV digital normal, aberta. com vantagens para a primeira, a menos dela precisar de conexões banda larga. o que vem a ser, na verdade, a grande vantagem de IPTV: vendo tv na rede, você está na rede, claro. e pode combinar com seus amigos ver o mesmo programa e interagir com eles, enquanto o show ou novela está rolando. a interação não precisa ser pela infra-estrutura de IPTV, se o sistema operacional do seu set top box deixar, ou se você tiver IPTV num PC; pode rolar no skype video ou qualquer outra coisa que você queira. só é preciso ter banda larga [de verdade] nas duas direções…

o modelo de tv digital aberta supõe que uma pequena parte da atividade do usuário vai ser interativa e que, claro, o “canal” controla a programação. isso significa que o programador central continua definindo o que seu público vai ver e que não há tempo de TV suficiente para atender às demandas específicas de todas as micro-comunidades de espectadores. em IPTV, desde que as aplicações estejam disponíveis, TV deixa de ser TV e passa a ser um conjunto de aplicações multimídia, interativas e verdadeiramente multidirecionais, sobre a plataforma IP. você pode parar a programação enquanto vai ao banheiro; pode trazer vídeos, sob demanda, para seu set top box enquanto vê outro programa… não que você precise, porque alguma hora sua banda vai exceder 100 megabit por segundo, e isso dá pra bem mais do que dois vídeos simultaneamente.

mas a parte mais interessante é que IPTV pode ser o tratamento ideal do long tail de entretenimento. a bear stearns propõe um futuro onde agregação e contexto e (não necessariamente) conteúdo serão os reis do entretenimento e, se eles estiverem certos, o futuro não vai ter as mesmas empresas que estamos vendo hoje, no mercado, de jeito nenhum. porque a tecnologia está mudando a equação de criação de conteúdo, tanto ou mais do que muda o processo de sua distribuição. os mercados [a audiência e a criação] vão se fragmentar muito mais e os nichos serão ínfimos; ganhará quem conseguir filtrar e empacotar a miríade de alternativas, dar-lhes contexto e agregar experiência e valor aos mesmos.

haverá TV broadcast daqui a vinte anos? sim. terá a mesma importância de hoje? não. especialmente [e talvez somente] onde IPTV for uma alternativa real para o usuário [e não para o espectador]. porque eu posso estar interessado somente nas provas de natação da olimpíada e ter o streaming apenas das câmeras da piscina, em tempo real, mesmo que não haja áudio. tal “programa” jamais encontrará patrocinadores ou espaço na grade de programação normal. pense em dez canais de TV aberta. pense em 200 canais via satélite. imagine, agora, um número infinito de canais de TV em banda larga. incluindo a câmera daquela barraca de maracaípe, pra você ver quem está pegando onda enquanto você está no trampo.

só tem um pequeno problema: do jeito que a microsoft, entre outras, está montando o negócio de IPTV, tem muita operadora de telecom no meio… é por lá que os canais passam e onde os vídeos que se pega, sob demanda, estão hospedados. há uma variedade de explicações pouco plausíveis para tal decisão [como o fato de que a tele administra a qualidade de serviço da rede para garantir a performance das aplicações… o que pode detonar, de vez, qualquer princípio de neutralidade da rede] mas é bem mais provável que haja teles no meio do campo porque 1] suas redes são fechadas e as aplicações e conteúdo, lá, ficam teoricamente mais seguras [e nós não podemos instalar nada] e 2] as teles têm uma longa experiência e história de precificar e cobrar pelo uso dos seus serviços, coisa que as TVs ainda não entenderam que vai ser fundamental no futuro. as teles sabem onde os clientes estão e lhes enviam contas telefônicas desde que j. p. morgan financiava graham bell no fim do século 19.

em davos, gates estava anunciando -também- que seu negócio é mídia e interação. que o mercado de PCs e seu software está mudando e que sua aposta é a da fusão PC-game-TV na sala, servindo de infra pra tudo o que a família faz. rodando software da microsoft, possivelmente em hardware da microsoft. há quem ache o contrário. há quem chute que breve, em 2010, a apple será maior do que a microsoft. e que steve jobs, ao invés de bill gates, vai ser a atração de davos. se não estiver na cadeia

jim gray desaparecido: ajude a busca

Sunday, February 4th, 2007

cientista, pioneiro da computação, saiu de san francisco de barco, na manhã de  domingo passado, e sumiu. US coastguard, nasa, aviões privados, ninguém conseguiu encontrar sequer restos de seu iate. marinheiro experiente, jim não parecia um daqueles que não ia voltar do mar, sem deixar rastro, num dia calmo na costa da califórnia.

um esforço internacional distribuído, usando imagens da nasa e da digital globe, está em prática para tentar encontrar alguma coisa. e todos podem colaborar. já fiz um conjunto de imagens e é muito fácil ajudar, usando o mechanical turk da amazon. vá lá e faça a sua parte

este tipo de esforço, talvez o primeiro do mundo nesta escala, pode vir a ser mais uma faceta do uso comunitário e social da rede para resolver problemas que mesmo as mega-estruturas e poderes americanos não conseguem tratar. e deveria estar disponível, daqui pra frente, em casos similares mundo afora, pois as imagens sendo usadas existem para todo o planeta, em potencial.