um parasita… programando você
e talvez programando sua cultura. como? você tem um gato. seu gato tem toxoplasmose, Toxoplasma Gondii, o parasita da foto ao lado, que ocorre naturalmente em gatos e não parece afetá-los. os toxoplasma são eliminados nas fezes dos gatos e por aí entram em contato com ratos. e ratos contaminados por toxoplasma têm uma atração fatal por… gatos! que acabam por devorá-los e fechar o ciclo de evolução da coisa, pois o gato é o micro-ambiente onde o parasita se reproduz de forma sexuada.
mas não é só: 25% da população nos EUA [30% na inglaterra e 80% na frança!] tem o parasita em seus cérebros e parece haver uma alta correlação entre os níveis de neurose humana nos países e as taxas de contaminação pelo toxoplasma. como assim? os homens infectados têm menores níveis de inteligência e são mais avessos a novidades. mulheres infectadas têm maior nível de inteligência e são mais calorosas. em ambos os sexos, a infecção parece produzir mais insegurança e sentimento de culpa… além de tornar as pessoas mais lentas e duas vezes mais sujeitas a acidentes de trânsito.
a literatura científica sobre o assunto está se expandindo rapidamente e começa a ficar bem visível a discussão sobre a hipótese do título deste texto: sim, um parasita pode estar programando você (e eu) e contribuindo (à sua maneira peculiar) para o aumento da diversidade cultural do universo à medida em que manipula a ecologia imediatamente ao seu redor. o que não é novidade em outros departamentos: veja neste link como formigas são manipuladas de maneira radical por seus parasitas, que agem diretamente em seus cérebros.
o proponente desta “teoria da programação” das pessoas por parasitas, kevin lafferty, publicou recentemente um outro texto mostrando que os parasitas dominam, de fato, as cadeias alimentares, mais do que qualquer outro tipo de coisa viva, incluindo os predadores, sempre vistos como os “reis da natureza”. não mais. ainda mais porque o trabalho de parasitas como o toxoplasma é muito mais inteligente e sutil do que uma reles picada ou mordida.
danado é ficar pensando, aqui, qual parte de nosso comportamento é “realmente nosso” e o que é induzido por coisas como o toxoplasma e outros que ainda não descobrimos. mas talvez tenha que ser assim mesmo. cada um de nós é uma micro-ecologia, que quase certamente leva em conta nas suas ações toda a complexidade e participações de tudo o que está dentro e perto dela. mas que dá uma agonia pensar que é assim, isso dá.
January 24th, 2007 at 4:31 am
Interessante. Será que não dá pra extrapolar ainda mais a teoria, colocando os próprios genes como agentes programadores? Afinal, qual o propósito do toxoplasma senão perpertuar-se?
January 24th, 2007 at 9:25 am
Poutz eu tenho Toxoplasmose, Saiu no meu exame de sangue. Hehe.
Eu tinha visto um artigo de certos organismos que afetavam os peixes para faze-los pular e serem devorados por gaivotas, que eram os hospedeiros-alvo do organismo.
January 24th, 2007 at 1:58 pm
olá, paz e bem!
há um artigo bem interessante publicado na revista Piauí, http://www.revistapiaui.com.br/2006/nov/psicologia.htm do Marcos Sá Correa, aprofundando essa questão.
relembremos a importância das mitocôndrias em nosso sistema celular…
e, nós, com toda essa agressividade ao meio ambiente não estamos também agindo como parasitas?
até que ponto nossa simbiose não está sendo negativa e cruzando a tênue linha para produção de um comportamento parasitário?
[]s,
leo
guarujá, sp-br
January 24th, 2007 at 11:02 pm
Leocadio, lembre-se que há uma diferença sensível entre parasitismo e simbiose (como deve ser a relação entre os toxoplasmas e os gatos…). Quanto ao texto, interessantíssimo, me lembrou a advertência de Guimarães Rosa em “Grandes Sertões: Veredas” : “É doutor, viver é muito perigoso…”.
Abraços, Silvio.
January 25th, 2007 at 1:58 pm
Alo,
Só fortalecendo a questao das mitocondrias: acredita-se que há muito muito tempo atras elas eram bacterias que invadiram os seres unicelulares, a parceria foi boa e aqui estamos.
É por isso que o dna mitocondrial é diferente do que fica no nucleo e similar ao das bacterias em geral. Assim, temos organismos “alienigenas”/parasitas/simbiotico/mutualista, nao lembro qual o caso direito dentro de cada celula. Ainda bem, alguem tinha que gerar energia mesmo
[]’s
Saulo
January 26th, 2007 at 11:26 am
Saulo…
Tu ta lendo muito livro de Sci-Fi.
January 29th, 2007 at 6:39 pm
E eu aqui pensando nas midichlorians.