Archive for December, 2006

O Caos Aéreo Nacional: único exemplo?

Saturday, December 9th, 2006

meu artigo de hoje [passei pros sábados] no g1: Sabendo que informação é tão crítica para viagens de avião e, mesmo assim, estava sendo tratada há anos com o desleixo que, hoje, sabemos, talvez seja hora de perguntar: que outras facetas da economia e sociedade nacionais estão padecendo de um apagão informacional?

mundos virtuais deveriam ser abertos? sim.

Saturday, December 9th, 2006

second life deve ser, hoje, o maior sucesso entre os mundos virtuais. tem suas virtudes e tem seus problemas, também. o maior deles, além de coisas simples que deveriam funcionar [ou não] no software que implementa o “mundo”, é que second life é “governado” por um ditador benevolente ou, segundo um número cada vez maior de habitantes, por uma ditadura mesmo, seus “donos, o linden lab.

pois é: habitantes de second life têm sofrido restrições nos seus direitos básicos [como o de expressão livre]. tal é o caso de prokofy neva, que foi banido do  blog oficial do second life, depois de ter sofrido outras restrições, em função de suas críticas aos donos, governantes e deuses do pedaço e a habitantes que puxam vocês-sabem-o-que dos mesmos. neva está sendo escolhido para punição exemplar na mais antiga tradição dos governos acharem um exemplo para amedrontar o populacho… o que na maioria das vezes dá resultado no curto prazo mas é uma tragédia no longo…

isso leva a um plano: porque não escrever um mundo aberto? cujo software seja aberto e para o qual as regras do mundo correspondente sejam democraticamente escolhidas e administradas? esta pode não ser uma coisa periférica para nosso mundo real, inclusive… por que? um número cada vez maior de regras e operações da sociedade está sendo codificado em software e sendo provido como serviço. é isso que o linden lab faz com second life: é um serviço de informação, codificado em software, provido por uma empresa privada que usa, para tal, as regras que quiser e bem entender…

pode muito bem ser que determinados “serviços de software” do mundo real [como second life] decidam que alguns usuários não devam ter todos os direitos dos outros… que alternativa terão eles se não houver outros provedores e, de preferência, abertos, regulados por constituições definidas pela sociedade como um todo e sem uma polícia informacional?

temos que prestar mais atenção no que está acontecendo em lugares como second life. porque o que acontece por lá pode vir a rolar, em escala muito maior, num pedaço do mundo real bem próximo do nosso par login/senha. esta ameaça, claro, é uma grande oportunidade para que nos organizemos para criar nossos próprios [mundos, movidos a] software-como-serviço, abertos e verdadeiramente democráticos.

carlos rocha: laptop de US$100 não se sustenta

Wednesday, December 6th, 2006

o g1 acaba de publicar um artigo [muito bem escrito!] de carlos rocha, da samurai [e criador da urna eletrônica], sobre o projeto do governo federal de comprar um milhão de laptops do nicholas negroponte. segundo rocha… O governo Lula está seduzido pelo charmoso projeto de marketing de Nicholas Negroponte, com o projeto Um Laptop por Criança (OLPC, em inglês), de sua ONG formada para defender o interesse comercial de algumas empresas privadas.

vale a pena ler. rocha tem lutado por tecnologia e indústria brasileiras há décadas e passou por todas as fases da política de informática; os governos brasileiros [de todos os tipos e formatos] não têm a prática de ouvir gente que diz o que pensa [e arrazoadamente, como rocha]. se tivessem, teríamos algumas soluções brasileiras de acesso universal para oferecer ao mundo, ao invés de sermos tangidos, como gado ao matadouro, pelos marqueteiros de plantão.

o santo de casa

Tuesday, December 5th, 2006

o professor eduardo morgado e seu time, da unesp de bauru, desenharam e produziram um “laptop de 100 dólares”, cujo protótipo custou uns 250 dólares pra montar [o que é muito bom, pois o preço de produção em volume seria muito mais baixo…] e que atende pelo apelido de “cowboy“. a história está contada no bites de hoje [link para o .pdf].

na descrição do projeto, o time de morgado anuncia umdispositivo computacional de uso genérico capaz de rodar quaisquer softwares compatíveis, e que possua baixo custo de produção e comercialização para o usuário final e seja capaz de oferecer acesso a internet, leitura de arquivos em formatos de mercado bem como permitir a comunicação em rede entre outros computadores… para, entre outros fins… favorecer as camadas da população com acesso restrito à Tecnologia da Informação.

o grupo do professor morgado está de parabéns pela iniciativa, uma das muitas que poderia estar em curso, no país, como parte de programas nacionais de inclusão digital e política industrial, coisas que andam elementarmente juntas em qualquer civilização minimamente organizada. aqui, parece que a carruagem está passando em outra trilha e que o país, parecendo acreditar que possa vender tecnologia ao estrangeiro, não tem tanta fé em seus próprios aviões, hardware, software, técnicos, criadores, inventores, cientistas e engenheiros. e muito menos em uma indústria nacional -ou mesmo baseada no brasil- de tecnologia.

[acabou de sair: O governo brasileiro deverá definir, até o fim de fevereiro de 2007, como será a estratégia de compra de um milhão de laptops educacionais de cem dólares (OLPC) destinados às escolas brasileiras. santo de casa não faz milagre mesmo, por aqui…]

internet vai virar “programação”?

Monday, December 4th, 2006

está circulando no congresso um projeto de lei que vai tentar regular o “conteúdo nacional” nos meios de comunicaçao, incluída aí a internet. trata-se do projeto de lei 4.209, de 2004, do deputado luiz piauhylino, cujo substitutivo -do deputado nélson marquezelli- acabou de passar, sem emendas, pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara. até aí, tudo bem. o problema é que o texto trata de [no artigo 1]…

  • Programação e provimento de conteúdo: é a atividade de seleção, organização ou formatação de conteúdo para canais, sítios em redes interligadas de computadores ou qualquer outra modalidade de apresentação de conteúdo, bem como a sua oferta ou disponibilização para posterior distribuição a usuários através de qualquer meio eletrônico, próprio ou de terceiros, incluindo aí a definição de condições de sua exploração comercial e de interatividade, e a venda de publicidade

e diz que…

  • Art. 2º A produção e a programação e provimento de conteúdo nacional a ser distribuído por qualquer meio eletrônico e independentemente das tecnologias de que faça uso, somente poderão ser explorados por brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou por pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras, nas quais ao menos 70% do capital total e do capital votante deverão pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos.

não vou nem dizer aqui, agora, minha opinião sobre o assunto. voltarei ao assunto em breve. mas -como o pequeno exemplo acima deixa antever- há um grande número de perguntas que deveriam estar sendo feitas sobre esta proposta de legislação, antes que seja tarde. para mim, é preocupante que esteja passando por comissões da câmara, aparentemente sem debates e emendas…

vale da tapioca _ porto digital

Friday, December 1st, 2006

o c.e.s.a.r apareceu na última trip, numa matéria sobre criatividade [e felicidade] nos locais de trabalho [junto com, entre outros, a pindorama filmes]. frase de abertura, minha: “Toda vez que você cria um sistema de educação sofisticado demais, sem casar com um mecanismo de criação de chances sofisticadas, você cria uma janela de evasão.” vá ver: a trip é uma revista duca.