mundos virtuais deveriam ser abertos? sim.
second life deve ser, hoje, o maior sucesso entre os mundos virtuais. tem suas virtudes e tem seus problemas, também. o maior deles, além de coisas simples que deveriam funcionar [ou não] no software que implementa o “mundo”, é que second life é “governado” por um ditador benevolente ou, segundo um número cada vez maior de habitantes, por uma ditadura mesmo, seus “donos, o linden lab.
pois é: habitantes de second life têm sofrido restrições nos seus direitos básicos [como o de expressão livre]. tal é o caso de prokofy neva, que foi banido do blog oficial do second life, depois de ter sofrido outras restrições, em função de suas críticas aos donos, governantes e deuses do pedaço e a habitantes que puxam vocês-sabem-o-que dos mesmos. neva está sendo escolhido para punição exemplar na mais antiga tradição dos governos acharem um exemplo para amedrontar o populacho… o que na maioria das vezes dá resultado no curto prazo mas é uma tragédia no longo…
isso leva a um plano: porque não escrever um mundo aberto? cujo software seja aberto e para o qual as regras do mundo correspondente sejam democraticamente escolhidas e administradas? esta pode não ser uma coisa periférica para nosso mundo real, inclusive… por que? um número cada vez maior de regras e operações da sociedade está sendo codificado em software e sendo provido como serviço. é isso que o linden lab faz com second life: é um serviço de informação, codificado em software, provido por uma empresa privada que usa, para tal, as regras que quiser e bem entender…
pode muito bem ser que determinados “serviços de software” do mundo real [como second life] decidam que alguns usuários não devam ter todos os direitos dos outros… que alternativa terão eles se não houver outros provedores e, de preferência, abertos, regulados por constituições definidas pela sociedade como um todo e sem uma polícia informacional?
temos que prestar mais atenção no que está acontecendo em lugares como second life. porque o que acontece por lá pode vir a rolar, em escala muito maior, num pedaço do mundo real bem próximo do nosso par login/senha. esta ameaça, claro, é uma grande oportunidade para que nos organizemos para criar nossos próprios [mundos, movidos a] software-como-serviço, abertos e verdadeiramente democráticos.
December 9th, 2006 at 8:13 pm
É como o Lessig costuma dizer: “code is law”.
December 12th, 2006 at 4:46 pm
tem gente pensando/investindo nisto:
http://venturebeat.com/2006/12/11/red-5-studios-wants-to-bring-web-20-to-games-raises-185m/
April 3rd, 2007 at 11:07 pm
[...] este último dado é interessante: mundos virtuais estão sendo aparentemente levados a sério por quem está lá e por empresas aqui fora. o relatório da social research foundation é intitulado, não por acaso… how you company can develop real value in a virtual world. mesmo? cuidado… nós já falamos disso aqui antes. [...]