redes locais públicas, abertas: o fim das teles?
talvez não. mas uma mudança potencialmente radical nos modelos de negócio até aqui praticados pela “velha” economia das telecomunicações. malcom matson, da OPLAN Foundation, deu uma magnífica palestra sobre o tema na broadband cities 2006, em estocolmo, onde estou [nada calmo, no momento: dois graus abaixo de zero] agora. na página da oplan, malcom abre o assunto explicando: “…an open public local access network - OPLAN - is precisely what it says it is. That simple proposition scarcely does justice to what this digital infrastructure can achieve, or the scope of the potential economic, social and creative benefit that OPLANs can unleash. Quite simply, they can make all old-style notions of “telecoms” redundant”.
redes locais públicas, abertas, deveriam e poderiam “pegar” em todo canto; poderiam ser parte da infra-estrutura essencial das comunidades, tanto quanto água, esgoto e energia. o que falta? falta entendimento público e [talvez só quando ele vier…] determinação política. enquanto isso, um número de cidades, mundo afora, como estocolmo e amsterdam, para citar duas das grandes, está investindo em infra-estrutura pública e aberta de acesso local à comunicação como mecanismo de diferenciação e competitividade perante seus pares no mercado internacional de localização de negócios e habilitação dos cidadãos para uma vida mais produtiva.
no mundo em desenvolvimento, esta certamente será mais uma tendência que só entenderemos daqui a 10, 20 anos, deixando-nos mais uma vez muito atrás de quem já saiu fazendo. como a coisa pode ser feita nas cidades, nas comunidades, e independe da vontade e investimento de governos centrais, algumas localidades e grupos podem até escapar da maldição geral. tomara que a minha seja uma delas…
November 9th, 2006 at 9:53 am
Está passando frio hein!!
Bom, acabo de ler no Globo que o presidente da Anatel defendeu a criação de um serviço publico para acesso a internet de banda larga. Ele afirma que esse acesso podería ser implementado por meio das PPPs, para que possam ser utilizados os recursos do Fust.
Espero que o façam e logo! um bom plano para dar acesso a internet de banda larga ao povo é uma condição sem a qual não deixaremos de ser país em desenvolvimento e talvez daqui a uma geração ou duas, podemos passar “subir de nivel” como você afirmou no outro post (o nosso presidente já acha que nesse segundo mantado o Brasil será um país desenvolvido, pra deixar de ser um país em desenvolvimento. - sonhar é bom!, mas é preciso trabalhar pra isso, e o resultado não vem tão rapido assim).
Um abraço..
Fernando
November 9th, 2006 at 9:56 am
Esqueci de passar o link a informação do Globo. Aqui vai: http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2006/11/07/286556133.asp
November 9th, 2006 at 10:00 am
Algo no mesmo sentido do Cringely
http://www.pbs.org/cringely/pulpit/2006/pulpit_20060608_000354.html
November 13th, 2006 at 12:19 am
http://idgnow.uol.com.br/internet/2006/11/07/idgnoticia.2006-11-07.0800912912/IDGNoticia_view
November 13th, 2006 at 12:49 am
O grande problema é que as proprias teles sao as grandes fornecedoras de infra estrutura para a formação dessas redes e so irao investir em algo que possa dar retorno. Alguns suburbios espalhados pelo Brasil, por exemplo, nao tem velox e similares, porque a demanda nao vale a implantação do serviço
Quanto as PPP o governo poderia subsidiar novas empresas a levar essas redes para localidades asfastadas ou mesmo dar incentivos a grandes empresas como a Telemar, ja citada
December 26th, 2006 at 3:14 am
O Internet Archive, ONG fundada pelo Brewster Kahle, fundador do Alexa (comprado pela Amazon), tem um projeto de redes WiFi abertas bastante interessante chamado SF Lan (http://www.archive.org/web/sflan.php).
Além disso, a dupla fundadora do Kazaa e do Skype também está tentando criar um serviço (que pode ser pago ou gratuito, tal como o Skype), chamado FON (http://www.fon.com) que implementa uma rede aberta distribuída baseada em tecnologia P2P.
Pessoalmente, gosto muito do segundo projeto. Ele agrega baixo custo a uma boa qualidade de serviço. O Skype, por exemplo, só possui 12 servidores próprios, sendo o resto do serviço inteiro roteado pelas máquinas dos usuários simultaneamente logados no serviço num dado momento (cerca de 5 milhões). Eles nunca tiveram sequer um único segundo de downtime.
Essa me parece uma abordagem mais eficiente em custo que a do Google pra serviços web em geral, por exemplo, que consiste em investir em server farms que, no todo, já agregam centenas de milhares de máquinas.
Ao anunciar que iria investir num modelo similar em seu esforço de imitação, a Microsoft informou seus acionistas que seriam investidos alguns bilhões de dólares no processo, uma soma incomparável àquilo que o Skype deve ter gastado até aumentar sua escala à sua primeira dezena de milhões de usuários.
De qualquer forma, a idéia de redes abertas me parece inevitável, tal como foi a dos softwares livres e abertos e como é a do Creative Commons e a do fim das tecnologias de DRM.
Até.