software: o que vem por aí

a kanbay, uma fábrica de software indiana [umas 7.000 pessoas] especializada em serviços para o setor financeiro, quase que completamente desconhecida no mundo mais amplo de informática e certamente no brasil, acaba de ser adquirida pela CapGemini, um dos gigantes do setor [em 2005, quase 70.000 pessoas e faturamento de 7 bilhões de euros]. a transação foi totalmente em dinheiro e os acionistas da kanbay botaram US$1.25 bilhões de dólares [três vezes o faturamento corrente] no bolso.

as grandes companhias indianas já estão todas no brasil e devem ocupar o que que se chama o primeiro nível de contratos e serviços, se tornando fornecedores preferenciais ou exclusivos, mesmo, das grandes companhias globais e nacionais em território brasileiro. um monte de companhias indianas de médio porte também está fazendo seu desembarque por aqui e suas plataformas de serviço global, na índia, devem torná-las fornecedores de peso para o segundo nível de contratos da economia de software, empurrando as empresas brasileiras de serviços de software para os mercados de médio e pequeno porte [o terceiro e quarto níveis], onde as demandas [e as margens de lucro e a competição] são muito mais baixas e não sustentam companhias de classe e impacto [e valor] mundial

é preciso reagir de várias formas, antes que o mercado nacional, literalmente, vá pra índia. mas pra isso é preciso engenheiros, programadores, empreendedores, investidores, visão e política industrial de país grande, como a deles. a continuarmos pensando na escala “brasileira” [onde só nós pensamos que somos grandes...], não iremos muito longe. e nem perto, pelo visto.

8 Responses to “software: o que vem por aí”

  1. Rodrigo Says:

    Silvio,

    Apesar de não ser o escopo deste post, andei lendo sobre uma nova lei de acesso a internet que se encontra no congresso nacional. Gostaria de saber a sua opinião sobre essa lei. Vai aí como sugestão um post sobre tal lei.
    Até.

  2. Silvio Meira Says:

    vou falar sobre isso sim… to pegando mais info…

  3. Camilo Says:

    O país precisando de gente na área de tecnologia, e cursos como Direito continuam a ser os mais concorridos dos vestibulares. A perspectiva: milhares de engenheiros/analistas/gerentes superalocados, e dezenas de milhares de desempregados formados em Direito, tentando passar num concurso ou até mesmo na prova da OAB.

  4. Eriko Says:

    Salve Silvio.

    Acho que não foram construídas as devidas “barreiras” de proteção à nossa indústria de software. Se a barreira é baixa, a ameaça é alta.

    Complemento que no nosso ecossistema um novo concorrente, grandes companhias Indianas como citado, não precisão entrar com todo seu potencial. Nossa “grife” de produção de software é frágil, o novo entrante não precisa de muito esforço para competir com a marca já estabelecida.

    Excluindo os casos de “segurança nacional” da pátria empresa ou amada mesmo, o comprador interno não está amarrado as soluções construídas nos CPDs ou mesmo nos celeiros tecnológicos mais avançados que temos. O custo da mudança para o cliente é aceitável.

    Somos frágeis perante nossos clientes estabelecidos. Nossos produtos são sensíveis ao preço, variações de mercado e ao bom ou péssimo humor do cliente. Quantas mudanças no contrato foram necessárias, baseadas no requisito, “EU QUER QUE SEJA ASSIM” do cliente, para construir nosso último software?

    Para onde vamos meu amigo?
    Que forças podemos considerar nesse contexto?

    Grande abraço.
    Eriko (PMP, MBA em TI, Analista de Sistemas e bastante aflito)

  5. zero Says:

    é sempre bom conhecer novos blogueiros….gostei do seu templante! bem original…quando puder apareça também!

  6. wanderlynnes Says:

    Eu acho que a concorrência será sadia. A lógica capitalista utilizada no “modelo de negócios” que vcs usam é o prórprio veneno.

    Do que temer ? da concorrência desleal ? mas a maioria de vcs já não o fazem ?
    da quebra de monopólio interno por um externo ? salve o capitalismo !!

    segue a rima…

  7. Silvio Meira Says:

    wander, nao se trata disso nao… nos poderiamos estar gerando o trabalho e o emprego aqui, com capital daqui, gerando lucros aqui, que teria efeitos colaterais aqui… a falta de visao e o atraso vao praticamente entregar o capital humano a operadores externos, que vao paga-lo, claro, mas os efeitos colaterias do lucro [novos investimentos, etc...] nao ocorrerao aqui.

    nao sou contra competicao, sou contra praticas anti-competitivas. e sou contra reservas de mercado. so acho que perdemos o passo e nao temos quase mais saida neste setor. o que e uma pena…

    s

  8. Andre Mendonca Says:

    Caro Prof. Silvio, sempre achei que o Brasil deveria *exportar* mais mao de obra para se “infiltrar” nos meios onde as decisoes sao tomadas. Faco parte do grupo de ex-alunos do CIn que hoje se aventuram no Reino Unido e sou o terceiro brasileiro no grupo onde trabalho (um banco de investimentos).

    E antes disso trabalhei por muitos anos em uma empresa de software que hoje tem um escritorio no Rio de Janeiro com mais de 20 engenheiros de software. A decisao de abrir este escritorio foi tomada porque um brasileiro que trabalhava comigo la em NYC resolveu voltar para o Brasil e levou com ele DOMAIN KNOWLEDGE.

    Lembro-me que quando fui entrevistado para meu emprego atual, a diretora do banco me perguntou sobre outsourcing no Brasil. Eu falei da experiencia bem sucedida da empresa onde eu trabalhava na epoca mas ela disse que o problema era encontrar gente que entendesse do negocio (financas). Confesso que nao sei se ela realmente procurou mas acredito que a percepcao dela eh o que conta.

    Em minha sempre humilde opiniao, a quantidade de mao de obra exportada pela India nos ultimos 10 ou 20 anos eh um dos motivos pelos quais aquele pais eh tao bem sucedido no mercado de outsourcing. A decisao de escolher a India foi tomada, muitas vezes, pelos Indianos que se mudaram para os states anos atras.

    E muitos voltaram para seu pais de origem e levaram o know-how.

    Abraco,
    Andre

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