Archive for November, 2006

sumo TV… sua TV

Thursday, November 30th, 2006

tá parecendo -mesmo- que gente, nós próprios, vamos ser a atração do milênio. depois de blogs, redes sociais, youTube e revistas escritas pelos próprios leitores, chegou a vez da TV [mesmo, e não on-line] feita pelos espectadores. sumo TV, da inglaterra [via sky, lá] será o veículo de broadcasting de clips inseridos no site homônimo. a programação vai rolar 24h por dia e quem tiver suas obras-primas na telinha vai ganhar uns pounds, oriundos do revenue share da venda do canal para assinantes a cabo mais um teco da propaganda [se houver].

o espectador do passado vai desaparecer? talvez não. quem foi criado vendo dificilmente vai viver fazendo. mas o espectador do futuro vai só ver? dificilmente: um grande número [quantos %?] vai querer fazer parte do show. até porque os antigos 15 minutos de fama caíram direto pra quinze segundos de atenção [localizada], seguida de um profundo esquecimento… e subseqüente relegação do assunto à mais profunda irrelevância. afinal de contas, quem ainda se lembra de uma certa ex- de vocês-sabem-quem transando na praia? parece tão ano passado… e, se teve algum efeito na sua “carreira”, certamente não parece ter sido ruim…

sua rede… é você mesmo

Tuesday, November 28th, 2006

Toshiharu Yanagida, pesquisador da sony, em tokyo, acaba de submeter uma patente para“a human body communication system for communicating data via an electric field formed by intervention of a human body”... trocando em miúdos, teccnologia para fazer com que um campo quase eletrostático formado no corpo humano, por eletrodos, sirva para transmitir informação usando você mesmo como meio. nada de rádio [externo], infra-vermelho, bluetooth ou uwb. o sistema promete usar freqüências entre 500KHz e 3MHz [contra 2.4GHz de bluetooth] para entregar áudio [por exemplo, mas não só] de muito boa qualidade a fones [na cabeça], usando uma fonte de sinal na cintura, por exemplo. usando as freqüências acima, é possível garantir fluxos de dados entre 48 e 256Kbps, o que dá pra mandar até vídeo de baixa resolução.

nenhuma indicação de quando tal maravilha, potencialmente capaz de nos torrar [!] vivos, estará no mercado. o atual rádio de ondas médias [ou “AM”] funciona em freqüências nesta faixa e vai ser muito interessante ver cada humano se transformar numa estação de rádio e descobrir como os órgãos reguladores vão querer controlar o uso de tais sistemas. o alcance do seu body radio não deverá ser muito grande, até porque ser for você vai torrar mesmo. mas mesmo que seja umas dezenas de centímetros ou poucos metros, qualquer um com um radinho de pilha poderá, pertinho, ouvir sua música [ou seus telefonemas]. vai aparecer, claro, a RIAA e sua galera do mal para lhe processar por broadcasting [ou bodycasting?…] não autorizado de material protegido por copyright, o que só vai aumentar a confusão.

a vida, cada vez mais, é pautada pelas possibilidades da tecnologia. e seus avanços, baseados nas tais possibilidades, levam cada vez menos em conta os limites [talvez fundamentais?] do corpo e cérebro humanos. e também a baixa velocidade de absroção e entendimento social da tecnologia. o céu, então, passa a ser o limite…

a indústria de TV escolheu: é LCD

Monday, November 27th, 2006

segundo um longo artigo da reuters, a indústria de aparelhos de TV já escolheu o que vai fazer no futuro pra gente ver televisão e a escolha é aparelhos de tecnologia LCD, que começam a ter uma relaçõa similar aos de tecnologia de plasma na região de 40 polegadas. segundo os analistas, este natal [lá fora] vai ser o último dos plasmas de 42 polegadas, pois o preço de LCD vai cair mais 30% no ano que vem e de plasma apenas 15%. a principal razão é que a maior parte dos fabricantes está começando a concentrar sua produção em LCD, o que aumenta a oferta, aliada a sucessos como o da sharp, cuja nova fábrica em kameyama tem uma produtividade, por substrato de vidro, quase três vezes maior que a anterior.

segundo o texto, o resumo da ópera é o seguinte: se você vai comprar, agora, um TV de 50 polegadas ou mais, pode comprar plasma pois LCD não é competitivo nestas dimensões. se estiver indo pra um ao redor de 40, 42, espere até o ano que vem. afinal, há tanta coisa mais interessante do que ver televisão num monitor de grande porte…

aliás, em um artigo relacionado, a mesma reuters reporta que 43% dos ingleses que vêem vídeo na internet ou num celular vêem, como conseqüência, menos TV. só 9%, entre 2000 pesquisados, vê vídeos na rede [ou seja, o boom, se houver, ainda está para chegar]… mas 28% da faixa de idade de 16-24 vê pelo menos um vídeo na rede por semana, contra menos de 45% dos dinossauros (galera como eu, de 45+). somando as duas notas: como a qualidade do vídeo na rede ainda deixa muito a desejar, espere o preço dos LCDs fazer sentido e, só aí, gaste seus caraminguás com um…


vem aí a tv digital [interativa?]

Monday, November 27th, 2006

vem aí a tv digital brasileira, com debut marcado para o natal de 2007. no cardápio, estavam interatividade E uma forma mais eficiente de codificação de sinal, mpeg4, ao invés de mpeg2, que é usado no padrão japonês. mas segundo a imprensa [veja em convergência digital e na agência estado], começaremos SEM interatividade e SEM mpeg4, justamente os itens que caracterizariam o “padrão brasileiro” de tv digital. as declarações são do ministro hélio costa, das comunicações; se for mesmo verdade, entraremos na era da tv digital pela via do que se chama um zapper, um set-top box muito básico que “só” faz troca de canais [do ponto de vista da interatividade].

pode ser muito ruim [se não trabalharmos muito seriamente para ter uma tvd verdadeiramente interativa no futuro, que seria um mecanismo importante de inclusão digital] e pode ser bom [se a introdução do zapper for o primeiro degrau da escada que nos levaria a interatividade e aplicações multimídia interativas sofisticadas]. isso aqui sendo o brasil, é impossível prever onde chegaremos. tomara que o zapper seja só o começo. tomara.

vivendo em tempo integral [?]

Thursday, November 23rd, 2006

o título deste texto assume que dormir não é viver, como muitos [e eu!] pensam. a última new scientist tem um artigo sobre o assunto, que começa com modafinil, a droga que permite descanso de 8-10 horas em um tempo de sono de 4-5 horas [ou menos, para alguns]. o que pode ser muito relevante para quem escreve software [porque quase sempre tem um projeto atrasado pra entregar], soldados, gente que quer estar atenta… ou simplesmente pra quem quer “viver” muito mais, ou seja, dormir muito menos.

mas não é só: Russell Foster, biólogo do sono do Imperial College London, diz… “The more we understand about the body’s 24-hour clock the more we will be able to override it… In 10 to 20 years we’ll be able to pharmacologically turn sleep off…” será que vai ser bom -ou melhor- viver sem dormir?

modafinil está no mercado há sete anos e vende mais meio bilhão de dólares de pílulas por ano, tornando-se uma droga de “estilo de vida” para uma quantidade cada vez maior de pessoas. outras substâncias ainda mais poderosas estão a caminho: cx717, inicialmente desenvolvida para ajudar pacientes do mal de alzheimer, está sendo considerada pela Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) como um mecanismo para manter soldados acordados e alertas por muito tempo. testes em macacos mostram níveis de atividade, em macacos “drogados” que não dormem há 36 horas, acima de macacos não tratados e que dormiram normalmente.

modificar o ciclo de sono é apenas o começo das possibilidades de programação de seres humanos. cada remédio destinado a funcões cerebrais liga, desliga, minimiza ou magnifica a ação de receptores de algum tipo. nos laboratórios, há novidades mais radicais: dc brain polarisation, por exemplo, é uma técnica para, literalmente, controlar regiões do cérebro usando equipamentos que podem ser embutidos num capacete, usado por pilotos, soldados e… se você quiser, por você mesmo, no escritório, fábrica ou balada. como acessório de moda, vai ficar esquisito e terá que ser usado com muito cuidado: quando a bateria acabar, seja lá o que você estiver fazendo, cairá duro de sono, na lata.

nova plataforma de negócios?

Wednesday, November 22nd, 2006

com mais de 35% dos americanos tendo enviado pelo menos um sms este ano, os investidores e geeks estão acordando para as possibilidades dos celulares como plataformas de negócios [móveis, digitais]. gigaom duvida do modelo de negócios escolhido por alguns dos primeiros start-ups… e eu também.

vender uma aplicação desconhecida, de uma empresa nova, para um usuário de celular [dominado por uma tele] não é algo muito simples; se tiver que envolver a tele, então, é o fim do mundo. tirando umas poucas que pensam com cabeça de mercado, a maioria é brain dead e não consegue entender o valor de parceiros que instalem software nos celulares dos usuários para aumentar o tráfego de suas redes… ao invés, criam todo tipo de problema e ainda querem ficar com 70, 80, 90% do faturamento do serviço, com o qual não têm -nem querem ter- nenhum trabalho.

mas a américa é a terra da oportunidade. pode até ser que, lá, funcione. depois importaremos aqui para pindorama as mesmas aplicações que muitos de nós vimos tentando, e há anos, vender para as nossas operadoras. é danado viver em país em subdesenvolvimento…

desenvolvimento baseado em componentes: recife, 4-8/12

Tuesday, November 21st, 2006

o c.e.s.a.r está promovendo, e recife vai sediar, na semana de 4 a 8 de dezembro próximo, o WDBC2006, VI Workshop de Desenvolvimento Baseado em Componentes, uma oportunidade para reunir pesquisadores, estudantes e praticantes interessados na tecnologia de componentes e aspectos relacionados. se seu negócio é software e você está preocupado com o futuro dele, saiba que um dos principais insumos para aumento de produtividade e qualidade nos processos de desenvolvimento de software será, sem a menor dúvida, reutilização de componentes, que é o grande tema do evento.

o programa é muito bom e tem alguns dos mais competentes pesquisadores do cenário nacional e internacional de reuso apresentando os últimos resultados de seus trabalhos. mini-cursos e discussões sobre aplicações práticas de teorias também estão na agenda. outro destes, só no fim do ano que vem… logo, melhor você pensar seriamente em estar em recife para o wdbc206, 4-8 de dezembro. corra. vagas limitadas e inscrições aqui.



Technorati :
Del.icio.us :

vírus [virtual] ataca universo [virtual]

Monday, November 20th, 2006

a linden labs teve que fechar [literalmente], por algum tempo, o mundo virtual second life, que cada vez mais parece uma combinação de um mundo real [físico, real] com um mundo virtual [também real], por causa de um worm chamado grey goo. a coisa instalava anéis dourados girando no ambiente, cuja interação com os [avatares dos] usuários criava ainda mais anéis e assim por diante, levando à exaustão dos [2700+] servidores. antes que o mundo parasse por completo, foi preciso dar um reboot por lá…

pensando bem, esta era uma capacidade de second life que poderíamos ter no universo real, físico: dar um reboot no que não funcionam por aqui, como o controle de tráfego aéreo. mas algo podia desandar, se esta “funcionalidade” estivesse por perto. como? o worm que andou solto em second life foi terminado pelos administradores do sistema; o worm era uma “coisa”; dependendo do grau de sofisticação de tal “coisa” [ou agente, possivelmente inteligente], ele poderia ser parte importante de um ambiente que não fosse antroprocêntrico [veja, aqui, um texto deste blog sobre a coisificação da internet]…

daí que a “coisa” poderia ter direitos. e se um dos direitos do agente fosse o de não terminação sem “justa causa”, a discussão do conceito de justa causa poderia levar a surpresas muito interessantes.

e levará: um número cada vez maior de sistemas autônomos já controla e interfere no ambiente ao nosso redor e, em futuro nem tão distante assim, seu impacto sobre nossas vidas será enorme. à medida em que isso aconteça, estes sistemas ofenderão interesses, ao mesmo tempo em que atenderão outros e a pressão para que seu funcionamento seja pautado em uma ou outra direção, ou mesmo para que sejam “desligados” será muito grande. o agente [certamente] humano que desenvolveu e inseriu grey goo em second life provavelmente estava se divertindo muito com sua criação… e dá pra pensar que era contra o fim da brincadeira.

lidar com agentes informacionais e suas características, dentro de um contexto onde eles não possam ser terminados pelos administradores do sistema sem razão aceitável pela comunidade ao seu redor vai ser uma das mais complexas atividades da sociedade da informação… quando a maioria dos agentes produzindo e processando informação for artificial. breve, num mundo real perto de você. no virtual, já acontece agora.

.bomb 2.0: ganhe pra navegar…

Monday, November 20th, 2006

num claro sinal de que há dinheiro demais e idéias de menos na internet 2.0, entra no ar, hoje, um start-up californiano que vai pagar pra você navegar. desde que ele fique com todos [leia todos, mesmo] seus dados de navegação. não dou três meses pra falir, mas pode ser menos… façam suas apostas [com o dinheiro que eventualmente ganhem navegando, lá!].

banda larga: revolução a caminho?

Tuesday, November 14th, 2006

O passado recente do Brasil ensina que o Estado é uma desgraça como provedor de qualquer coisa. Será que é, ou precisa ser, sempre assim? Principalmente para infra-estruturas que, por outro lado, parecem ser naturalmente públicas?… esta é a abertura do meu artigo de hoje, terça, no G1, chamado… Comunicação: acesso deveria ser público e aberto? o artigo é, também, um conjunto de argumentos para explicar porque banda larga, ou fibra ótica nas casas, nas cidades, poderia ser tratada como ruas… ruas que funcionassem, partes de cidades que também funcionassem…

when do new technologies really make a difference?

Monday, November 13th, 2006

When do new technologies really make a difference? Sometimes it isn’t what we plan for… Special Address by Silvio Lemos Meira, Chief Scientist of C.E.S.A.R… apresentação feita na conferência BroadBand Cities 2006, Stockholm… slides [3+MB] no site da INEC.

redes abertas: declaração da inec

Monday, November 13th, 2006

o que são redes abertas? porque sua cidade ou comunidade deveriam ter uma? vá ver a declaração da inec… e comece a agitar seu lugar pra ter uma destas. senão, seu presente [e talvez seu futuro] será, rapidamente, passado…

a declaração começa assim: Communities deserve to have open, high bandwidth infrastructures which are operator-neutral and able to satisfy current demand as well as meet the requirements of the future in terms of both the quantity and quality of information exchange. Open, operator-neutral networks are believed to be the best way to ensure societal needs are met today and in the future.

eu também acho. e vou lutar por isso nos lugares onde passo e moro. tá na hora da gente reescrever a carta de princípios pelos quais os serviços de comunicação chegam às nossas portas. esperar que monopólios privados ou estatais resolvam qual o nível de serviço que podemos ter é, realmente, coisa do jurássico…