muitos, muitos anos atrás [uns 20!], eu disse [para escárnio geral da platéia...] que todas as áreas da ciência eram sub-áreas da computação, num seminário da fÃsica da ufpe. para quem já era de computação, naquela época, a introdução cada vez maior de informática -em todos os seus veios, computação, comunicação e controle- em todas as áreas de atividade, presença ou funcionalidade humanas e, de resto, em tudo ao nosso redor, já significava que todas, literalmente todas as áreas de interesse da ciência iriam ter uma componente informática muito importante, senão absolutamente fundamental.
os anos se passaram: seth lloyd, do mit, postulou recentemente que o universo é seu próprio computador e que tudo o que vale a pena ser entendido em um sistema vem do entendimento de como tal sistema processa informação. em a new kind of science, stephen wolfram tem uma tese ainda mais radical [porque trata do que e do como...]: tudo que está ao nosso redor [seja lá o que for] é computacional e, como se não bastasse, é computado por autômatas celulares [pequenos arranjos de bits capazes de processar sua informação e de seus vizinhos, no tempo, e tomar decisões simples a partir daÃ. funciona para um monte de coisas [clique na figura abaixo para ver gerador de ringtones]. será que resolve todas?…

na última edição de educause review, sandra braman trata parte do assunto em um bom texto [transformations of the research enterprise], especulando sobre computação, redes e dados nas demais ciências, considerando o tamanho do problema que vamos ter para capturar, transmitir, processar e administrar petabytes ['000.000.000.000.000] de dados que experimentos poderão gerar -de uma única vez, como no caso do large hadron collider- , transformando fÃsica, por exemplo, em uma ciência muito intensiva em computação. afinal de contas, segundo lloyd, o que estaremos fazendo é construir computadores para simular o comportamento de outros computadores “naturais” -o mundo lá fora- cujo funcionamento queremos entender.
um coisa é certa: à medida que entendemos mais o universo ao nosso redor, boa parte dele pode ser modelada, e quase toda a modelagem que nos fazemos do universo informacional ao nosso redor é computacional. quer ver? olhe a descrição do que fez roger kornberg ganhar o prêmio nobel de quÃmica de 2006: “kornberg… described how information is taken from genes and converted to molecules called messenger RNA. These molecules shuttle the information to the cells’ protein-making machinery…” o nobel de quÃmica é, na verdade, para processamento de informação… e por aà vai.
em resumo: toda a ciência é ciência da computação, porque o universo [inteiro, incluindo todo o que está "dentro" dele] é computacional. esta é a tese da universalidade da computação, que é esposada por muitos cientistas. será mesmo que a computação é universal?…