Archive for October, 2006

[a]nother google killer would be?…

Sunday, October 8th, 2006

da homepage de powerset.com: Powerset is leading the next generation of internet search… Our unique innovations in search are rooted in breakthrough technologies that take advantage of the structure and nuances of natural language. Using these advanced techniques, Powerset is building a large-scale search engine that breaks the confines of keyword search. By making search more natural and intuitive, Powerset is fundamentally changing how we search the web, and delivering higher quality results… Powerset is a Silicon Valley startup currently operating in stealth mode. Please check back in the near future for more information about the company and its products. processamento inteligente, eficiente e eficaz de linguagem natural [incluindo a muito vaga e humana noção de "bom senso" que nós humanos {todos} achamos que temos] sempre foi um grande desafio. é exatamente o que o povo de powerset está atacando. só o futuro nos dirá se terão mesmo alguma chance no mercado… quem já viu acha que são competidores muito sérios. leia mais aqui.

tabela móvel…

Sunday, October 8th, 2006

tomara que você [se é uma garota] não esteja correndo este risco [a não ser que esteja querendo]. mas, se estiver, tá’qui um download grátis, pro seu celular, pra diminuir suas preocupações noturnas [e/ou diurnas]: menstral, a velha tabela, rodando no celular que lhe acompanha aonde você vai, na rua, na casa, na fazenda ou no motel. não resolve tudo, mas parece ser bem melhor do que um bloco de notas… mas não perca ou esqueça o telemóvel de jeito nenhum. nem confie cegamente na tabela: tem muita gente por aí que nasceu disso…

apareceu o “idiota”

Friday, October 6th, 2006

algum tempo atrás, mark cuban, dono dos dallas mavericks e de HDnet, ganhou mais alguns segundos de fama, no noticiário mundial, por dizer que “só um idiota compraria youTube“, idéia sustentada na tese de que o site acabaria sendo processado “até a extinção”, face à quantidade de material, lá apresentado, que poderia ser objeto de disputas judiciais.

pois bem: apareceu o idiota, aliás, os três: brin, page e schmidt, os dois fundadores e o ceo de google, que não podem ser exatamente caracterizados como os três patetas da internet, estão falando em comprar a propriedade, porteira fechada, por US$1.600.000.000. sim, você contou certo: um bilhão e seiscentos milhões de dólares, a maior transação de negócios de internet dos últimos tempos [se for realmente fechada].

youTube continua sem fazer sentido como negócio e suas chances de sair bem na foto eram uma fusão ou aquisição por algum dos grandes, como microsoft, yahoo, ebay, amazon, google ou mySpace. meu chute, dias atrás, era que rupert murdoch iria atrás da comunidade que expôs cicarelli ao mundo. mas parece que vai dar google, de novo. como diria lászló barabási… winner takes all. more on that later on.

greve: bangalore parada

Friday, October 6th, 2006

pela segunda vez em seis meses, a cidade de bangalore, na índia, onde os gigantes mundiais de [serviços de] software [ibm, eds, dell, hp, microsoft, infosys, wipro...] têm algumas de suas maiores bases, parou. em abril, foram dois dias de confusão por causa da morte do ator rajkumar, idolatrado na região e em toda a índia. desta vez, uma greve de doze horas fechou a cidade, onde existem mais de 1.500 empresas dedicadas ao negócio de outsourcing [desenvolvimento de software fora da empresa que vai utilizá-lo], deixando de cabelo em pé os centros internacionais que encomendam software na índia, como quase todo o mercado financeiro americano. a continuar assim, certamente haverá conseqüências para a competitividade indiana no setor.

difícil, aqui de fora, é entender as razões da greve: bangalore parou por causa de uma disputa de fronteiras de décadas entre karnakata, seu estado, e o vizinho maharashtra, algo como se, no brasil, pernambuco resolvesse reclamar de volta terras hoje na bahia, resultado de um redesenho na época da colônia. mas cada um sabe onde o sapato lhe aperta o pé. a confusão lá vem de antes da unificação da índia, passa pelo raj britânico e por um redesenho dos estados indianos em 1973. tomara que consigam resolver o imbroglio sem precisar ir às tapas.

enquanto isso, a ibm vai à luta e está diversificando ainda mais sua geografia: acaba de anunciar planos de contratar mais 15.000 funcionários para suas quatro subsidiárias nas filipinas, principalmente para os centros de atendimento [call centers] e execução de processos de negócios [bpo, ou business process outsourcing]. talvez valesse a pena perguntar porque muitos destes 15 mil não acabaram aqui, mas é melhor deixar pra depois das eleições [quando, provavelmente, também não iremos ter nenhuma resposta satisfatória]…

gec: good enough console?

Friday, October 6th, 2006

o que falta para que os celulares se tornem a plataforma majoritária para jogos no planeta? a julgar pelo editorial de mike yuen, da qualcomm, no gamasutra, falta consolidar as plataformas móveis em torno de uma arquitetura para construção de multimídia interativa que ele chama de “good enough console = GEC”, ou um “console suficientemente bom”. o inferno das companhias de jogos móveis [e dos desenvolvedores] é a astronômica multiplicidade de combinaçoes de hardware, software básico, interfaces de entrada e saída dos celulares, que leva um jogo qualquer a ter que ser parcialmente reescrito [principalmente em sua interface] para dezenas ou centenas de celulares diferentes. esta é uma das principais razões que torna o mercado de jogos móveis periférico em relação ao mercado mundial de jogos eletrônicos.

agora imagine que poderíamos, nos celulares das próximas gerações [nas geraçoes atuais já dá pra ter jogos da classe do playstation1], dispor de uma plataforma comum para construçao de jogos, combinada pela indústria de hardware, comunicação, software e jogos. digo imagine porque alinhar esta turma inteira não parece nada fácil; mas, se for possível, de repente centenas de milhões de dispositivos “iguais” [ou bem mais iguais do que hoje] poderiam estar no mercado paraservir de base para jogos móveis, mas não só. se houver potência suficiente nas máquinas de jogar, dentro dos celulares, para muita gente eles serão a única opção de jogar -e poderão ser conectados aos seus monitores caseiros- e poderão definir vastas classes da economia de jogos, tanto do ponto de vista de licenças como de receitas recorrentes.

que incentivos a indústria de celulares tem para dar tal passo? o maior deles pode ser a chegada de competidores como a nintendo, sony, microsoft e apple no espaço de handhelds que façam muito mais do que armazenar e apresentar mídia e jogar. pode ser muito mais fácil para a apple botar um celular dentro do ipod, que assume ares de plataforma global, do que os fabricantes de celulares concordarem em fabricar seus aparelhos dentro de um “padrão” GEC. idem pra nintendo e sony e a microsoft não deve estar pensando algo muito diferente disso pro zune. dada a quantidade de pessoas mais jovens usando as plataformas de jogos, a indústria de celulares pode vir a enfrentar uma ameaça muito real, dentro de uns poucos anos, vindo de onde ela nunca esperou antes mas, como diz yuen, que fabrica sistemas e componentes para celulares, ainda há tempo para reagir. até que a apple ou a nintendo lancem seus handhelds de jogos com celulares. aí poderá ser tarde demais para reagir…

toda [?] ciência é ciência da computação

Thursday, October 5th, 2006

muitos, muitos anos atrás [uns 20!], eu disse [para escárnio geral da platéia...] que todas as áreas da ciência eram sub-áreas da computação, num seminário da física da ufpe. para quem já era de computação, naquela época, a introdução cada vez maior de informática -em todos os seus veios, computação, comunicação e controle- em todas as áreas de atividade, presença ou funcionalidade humanas e, de resto, em tudo ao nosso redor, já significava que todas, literalmente todas as áreas de interesse da ciência iriam ter uma componente informática muito importante, senão absolutamente fundamental.

os anos se passaram: seth lloyd, do mit, postulou recentemente que o universo é seu próprio computador e que tudo o que vale a pena ser entendido em um sistema vem do entendimento de como tal sistema processa informação. em a new kind of science, stephen wolfram tem uma tese ainda mais radical [porque trata do que e do como...]: tudo que está ao nosso redor [seja lá o que for] é computacional e, como se não bastasse, é computado por autômatas celulares [pequenos arranjos de bits capazes de processar sua informação e de seus vizinhos, no tempo, e tomar decisões simples a partir daí. funciona para um monte de coisas [clique na figura abaixo para ver gerador de ringtones]. será que resolve todas?…


na última edição de educause review, sandra braman trata parte do assunto em um bom texto [transformations of the research enterprise], especulando sobre computação, redes e dados nas demais ciências, considerando o tamanho do problema que vamos ter para capturar, transmitir, processar e administrar petabytes ['000.000.000.000.000] de dados que experimentos poderão gerar -de uma única vez, como no caso do large hadron collider- , transformando física, por exemplo, em uma ciência muito intensiva em computação. afinal de contas, segundo lloyd, o que estaremos fazendo é construir computadores para simular o comportamento de outros computadores “naturais” -o mundo lá fora- cujo funcionamento queremos entender.

um coisa é certa: à medida que entendemos mais o universo ao nosso redor, boa parte dele pode ser modelada, e quase toda a modelagem que nos fazemos do universo informacional ao nosso redor é computacional. quer ver? olhe a descrição do que fez roger kornberg ganhar o prêmio nobel de química de 2006: “kornberg… described how information is taken from genes and converted to molecules called messenger RNA. These molecules shuttle the information to the cells’ protein-making machinery…” o nobel de química é, na verdade, para processamento de informação… e por aí vai.

em resumo: toda a ciência é ciência da computação, porque o universo [inteiro, incluindo todo o que está "dentro" dele] é computacional. esta é a tese da universalidade da computação, que é esposada por muitos cientistas. será mesmo que a computação é universal?…

ipod: multimídia interativa [móvel]?

Wednesday, October 4th, 2006

cada vez mais, fica evidente a estratégia de longo prazo que a apple tem para o ipod. primeiro, música; depois vídeo, mais recentemente games, daqui a pouco comunicação autônoma. e a possibilidade de ser um receptor de tv digital, entre outras aplicações. a apple vai ter que pensar muito para não estragar o dispositivo, que tem tanto valor de mercado exatamente porque é simples e cute. mas a tentação de competir, no médio prazo, nos mesmos mercados da sony [computação, visualização, mobilidade, comunicação...] está instalada na estratégia visível da companhia. só falta acontecer.

enquanto isso… porque nenhuma companhia de pindorama aparece com algo mais interessante do que o ipod? de imediato, a gente poderia ter, só no brasil [e no japão...] o ipod-TvD. poderíamos muito bem tentar algo do tipo, porque daqui a dez anos outra coisa estará no lugar do ipod. o que seria e de onde viria? que modelos de uso e usuários [possivelmente ainda não existentes] dariam vez a alguma coisa radicalmente inovadora sobre a plataforma do ipod?…

jogo arriscado… para todos

Tuesday, October 3rd, 2006

congresso americano aprova legislação proibindo pagamentos a sites de jogos de azar [de apostas] fora do país. empresas mundiais do setor, centradas em londres, entram em pânico. no primeiro dia depois de aprovada a legislação, algumas perderam mais de 50% de seu valor na bolsa, como a partyGaming, que tem mais de 70% de seus clientes nos eua, maior mercado mundial de muitas coisas, incluindo jogos de azar [na rede, um mercado de US$12B anuais].

a proibição visa combater piratas que estão na rede para enganar os incautos e tem uma boa pitada de hipocrisia puritana. afinal de contas, las vegas, atlantic city e as reservas indígenas estão lá pra quem quiser jogar… o que me leva a pensar qual foi o papel destes mega-centros de jogos de azar [físicos, você tem que ir lá para jogar] nesta legislação, que reforça sua reserva de mercado [por que será que quase todo mundo quer uma reserva de mercado?...] e sob que “tipos” de pressão certos congressistas estavam. não é só por aqui, afinal, que temos casas legislativas que funcionam, em muitos casos, em funções de interesses impublicáveis.

um efeito colateral da lei é que os eua, “campeões” da defesa das liberdades da internet, estão agindo, neste caso, para controlar o uso da rede pelos seus cidadãos, proibindo-os de fazer [em condições que poderiam ser-lhes possivelmente mais favoráveis] em sites fora do país o que podem fazer em certas partes dos eua. pode ser um mau exemplo. daqui a pouco, alguém aqui no brasil pode inventar que não podemos mais pagar dólares para comprar na amazon… e teremos uma guerra dos mundos com cada país criando suas pequenas e grandes reservas de mercado. elas nunca deram certo, no longo prazo, e há muito poucas razões para que venham a dar, sem que sejam parte de uma política bem mais sofisticada do que o puritanismo e protecionismo que parecem ser o caso neste evento.