Archive for October, 2006

como os adolescentes sequestraram a internet [?}

Friday, October 20th, 2006

sam vaknin acaba de publicar um texto muito interessante em global politician, supostamente mostrando que o conjunto google-wikipedia-myspace-blogspot passou a dominar a internet porque, ele próprio, dominado por adolescentes. isso é que é protagonismo juvenil…

dr. vaknin acompanha 154 palavras e as respostas de google pra elas desde 1999. destas, 128 primeiros resultados são páginas da wikipedia, hoje, 38 dos quais são “stubs”, termo usado pela wikipedia para denotar artigos que ainda precisam ser realmente escritos. wikipedia recebe 54% de seu tráfego vindo de google; depois de chegar lá, a maioria dos visitantes vai para myspace e blogspot, cujo engenho de busca é… google. de onde eles supostamente voltam para a wikipedia, fechando o ciclo.

ou seja, um número muito grande de usuários da internet [se o estudo for confirmado independentemente] está vivendo fechado em quatro grandes repositórios de informação, o estaria sendo estimulado pelo algoritmo atual de google, que promove a wikipedia -talvez sem razão em um número muito grande de casos, a confiarmos no dr. vaknin- desmesuradamente.

como validar os resultados? teste “love” em google e em search.msn.com: no primeiro, a wikipedia é a terceira resposta e, no segundo… é a primeira! a primeira -e muito esquisita- resposta de google é um certo love calculator… que determina a probabilidade de um relacionamento de sucesso entre “qualquer” duas pessoas… baseado nos seus nomes, uma resposta claramente construída para adolescentes e, segundo a qual, a chance de eu estar com katia é… zero. estamos juntos desde 1997. ainda bem que o “serviço” não existia, então…

terra de gigantes: microsoft aumenta a aposta

Thursday, October 19th, 2006

depois de dizer publicamente que google está tornando difícil, para a microsoft, o recrutamento de talento de primeira linha, steve ballmer anuncia que a empresa de redmond vai aumentar sua aposta em pesquisa e desenvolvimento, dos US$6.2 bilhões de dólares de 2005/6 [julho a junho] para US$7.5 bilhões [R$17 bilhões] em 2006/7, um crescimento de quase um quarto. para se ter uma idéia do tamanho do esforço de P&D da empresa, se os recursos prometidos para o fundo nacional de desenvolvimento científico e tecnológico [fndct] do governo federal para 2006 forem efetivamente liberados e gastos com P&D, a república investirá R$1.2 bilhões de reais, perto de meio bilhão de dólares -ou quinze vezes menos do que os fabricantes de windows- em pesquisa e desenvolvimento.

é meio bilhão de dólares, mais ou menos, que a empresa vai gastar em P&D da europa; se tivéssemos gente em qualidade e quantidade, aqui [como na china e índia, sedes de laboratórios de pesquisa da microsoft], o brasil certamente poderia ser foco de investimentos de tal porte. somos uma das letras do grupo BRIC, afinal. mas o fato é que somente o I e o C receberam investimentos… e o B e o R? segundo ballmer, metade do pessoal que foi contratado para trabalhar na microsoft research recentemente veio de fora dos eua, incluindo cerca de mil russos. mais não falou, tampouco do brasil. ou estamos muito contentes por aqui, ou o salário da microsoft é baixo, ou não temos mil potenciais contratáveis pela microsoft research. a empresa, no brasil, está contratando engenheiros de software para outubro de 2007, pois não há mais vistos de trabalho [em tecnoloiga] para os eua… até o meio do ano que vem. os 20 mil vistos de 2006/7 evaporaram em oito semanas

a mensagem, qual é? pesquisa e desenvolvimento não é para principiantes ou despossuídos. o jogo de software e/ou da internet é grande, pra gente grande… ou que pelo menos pense grande e tenha financiamento, mercado potencial e rede de contatos para chegar lá. e nós, faremos o que?…

entrevista: caderno aliás, n’o estado de são paulo

Wednesday, October 18th, 2006

semana passada, Flávia Tavares e Mônica Mani, d’O Estado de São Paulo, me ligaram para falar de YouTube e coisas mais, como o significado de googleTube para o brasil, acesso a banda larga, tv digital no brasil… o resultado -que ficou legal, muito mais por competência das entrevistadoras do que do entrevistado- saiu no caderno aliás de domingo passado e o texto completo está repetido abaixo [via debrasilia.com].

Enfim, uma internet de mão dupla

Sucesso do YouTube prova que o usuário conseguiu o que queria: gerar e compartilhar conteúdo

Flávia Tavares e Mônica Manir, d’O Estado de S. Paulo, Vida digital

Silvio Meira tem várias janelas abertas ao mesmo tempo na cabeça. “E quem não tem?”, diria você. Acontece que Meira faz conexões futuristas com elas. Ao acompanhar o desenvolvimento das retinas artificiais, já vislumbra uma melhor que a do olho humano - com zoom inclusive. Ao seguir de perto a compra do YouTube pelo Google nesta semana, percebe um terceiro ciclo da internet, a dos grandes conglomerados. Mas vai além. Imagina celulares mandando imagens diretamente para um site de compartilhamento de vídeo, como o YouTube. “Isso só não acontece agora porque as operadoras pensam apenas em conta telefônica”, ressalva.

Professor da Universidade Federal de Pernambuco, consultor do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R), colaborador periódico de “coisas” de tecnologia, mentor e feitor de um blog e de um site, Meira se indigna com quem pensa pequeno. Ou melhor, com quem pensa minúsculo, porque é assim que entende o investimento do Brasil em tecnologia de informação. “Se o cara não tem o que comer, acham que não precisa de internet. Pois eu digo que ele talvez não tenha o que comer justamente porque não tem internet.”

Com a janela aberta para o bairro da Casa Amarela, no Recife, “mais uma população excluída digitalmente”, este paraibano de 51 anos deu entrevista para o Aliás antecipando o que pode sobre a fusão dos líderes Google/YouTube e criticando o que deve aos que se mantêm na rabeira dos novos tempos.

O YouTube vale US$ 1,65 bilhão?

Tem algo que Google não conseguiu fazer, apesar de toda a proficiência tecnológica de seus laboratórios: criar comunidade, marca e reputação na área de vídeo. Cada vez mais gente vai para o lugar onde já tem muita gente. Isso também explica o fracasso do Orkut fora do Brasil. YouTube é a maior comunidade de vídeo do planeta, tem cerca de 50% do tráfego de vídeo do mundo, enquanto MySpace fica com 25% e Google Video, 10%. Vale lembrar que Yahoo!, Microsoft, talvez eBay, mas principalmente MySpace poderiam comprar o site de vídeo. Google, que vale US$ 140 bilhões na bolsa de Nova York, gastou 1% disso no negócio. Eu não pagaria US$ 1,65 bilhão, mas para Google é uma compra defensiva.

(more…)

mundo piora: estados unidos legalizam tortura

Tuesday, October 17th, 2006

jogando pela janela boa parte da história de construção de plataformas de direitos humanos que foram almejadas e imitadas em todo o mundo nos últimos 200 anos, o presidente americano assinou, hoje, uma lei que dá ao estado, lá, o direito de manter prisioneiros em segredo em países estrangeiros, negar-lhes o direito a habeas corpus, só trazê-los a julgamento quando quiser -e ainda assim em tribunais militares- e, pior de tudo, usar tortura para extrair informações e confissões dos acusados. ou seja, voltamos rapidamente à inquisição… o que vai levar governos de países em subdesenvolvimento a achar que, porque o país mais rico do mundo [e o que mais cresce, entre os grandes, a china] são agora usuários certificados de tortura, qualquer outro também pode. o mundo dá sinais claros de piora, quando tem todas as pré-condições para melhorar. estranho, muito estranho… [na foto ao lado, vista aérea de guantanamo, em cuba, onde os americanos “guardam” centenas de prisioneiros, dos quais apenas dez foram acusados formalmente de algum crime]…

o valor está nos olhos de que tem [ou não]

Monday, October 16th, 2006

don dodge [do time de negócios emergentes da microsoft] tem uma análise muito interessante em seu blog sobre porque youTube não vale a fortuna que foi paga por ele. na verdade, ele diz também que faceBook vale mais do que youTube [que já está sendo chamado de sueTube… algo como processe o tubo, porque o dono, agora, tem renda pra pagar processos… vai ver, mark cuban estava certo]. dodge faz uma conta baseada na possibilidade de monetizar o site, o que não está nem um pouco perto de acontecer e compara com o que está por trás e no futuro de faceBook; mas google não pagou por nenhuma tecnologia, comprou uma comunidade.

a discussão do post é que é interessante: pessoas perguntam porque a microsoft -estranhamente?- não está comprando ou criando alguma comunidade… do tamanho de youTube, por exemplo. e o sentimento parece ser que redmond está analisando o cenário para, alguma hora, aparecer com a comunidade que mata todas as comunidades [o winner takes all de ozzie]. ocorre que o tempo passa e subconjuntos muito significativos dos usuários da rede fazem parte de comunidades que já têm uma cara de winner takes all.

mas… é bom olhar em outra direção e ver o que a microsoft está fazendo com jogos [e suas conseqüências para convergência digital]: o xbox360 live e o marketplace [mais do que uma comunidade…] ao redor do console, porta de entrada de uma grande comunidade de uso e prática de entretenimento global [cuja moeda é microsoft points…], são muito mais do que muita gente está pensando. há sete milhões de xbox360 no mercado e 60% de seus donos está no xbox360 live, onde uma subscrição básica sai por US$50/ano [contas: no momento, o xbox360 live gera pelo menos US$200 milhões por ano]. a microsoft está apostando em 15 milhões de consoles no meio de 2007 [US$450 milhões de renda só no xbox360 live…] e talvez uns 75 milhões em 2010 [faça as contas…]. pegue o xbox, ponha um browser e uns drivers e você tem uma máquina que está na internet; bote uma interface a mais e você tem uma tv digital [se for pelo ar, como as tvs das nossas casas; se for pela rede, IPTV, não precisa de muito mais, pois já foi lançada a versão com hd/dvd]. e zune, o ipod da microsoft, é compatível com o xbox, o sistema de “pontos” do marketplace e de live.com e de sabe-se lá mais o que está em estoque na máquina de redmond.

resultado: talvez a microsoft não esteja nem aí pro que está acontecendo nas comunidades da internet, a menos de sua própria família live.com, porque é de lá que espera construir o que talvez tenha sempre sido o sonho da empresa: uma “internet” dela. isso deu errado no começo da internet porque, na época, não havia nenhuma internet sobre a qual a internet da microsoft ia rolar. agora, muito ao contrário, há. e pode dar certo, pois a empresa está construindo “sua” rede a partir de princípios bem fundamentados de rede, usos, usuários e receitas recorrentes. dará certo? não sei. se redmond não cometer os mesmos erros da aol, talvez. talvez. veremos…

como gerar 20 terabytes de dados por dia?

Sunday, October 15th, 2006

aliás, por noite… e como administrar tal montanha de informação?… um terabyte é um milhão de megabytes, 1.000.000 mega. pra quem não é de informática ou ciências, um mega é um milhão; ou seja, estamos olhando para uma quantia que tem 12 zeros, o famoso e quase ininteligível trilhão. costumava-se dizer, no passado [uns dez anos atrás] que a encyclopaedia britannica tinha cerca de um gigabyte [um bilhão de caracteres, contando as imagens]… e era mais ou menos verdade, porque uma versão da coisa cabia num cd [onde se pode comprimir aí por um giga mesmo].

20 terabytes, já que um tera é 1.000 giga, é o equivalente a 20.000 britannicas, e esta montanha de dados vai ser gerada por noite, pelo lsst, large synoptic survey telescope, um istrumento de 8.4 metros que será localizado no norte do chile [cerro pachón], e que vai começar a operar em 2012 com uma câmera de três giga [bilhões!] pixels, uma resolução mil vezes maior do que a câmera digital média que está no mercado hoje.

vamos saber muito mais sobre o universo quando este telescópio começar a funcionar. mas vamos, para tal, ter que aprender a tratar quantidades realmente astronômicas de dados. um dos maiores projetos de astronomia do mundo, o sdss [sloan digital sky survey], cujos resultados você pode ver no skyserver, mostra “apenas” um lote de 12 terabytes de dados… 60% do que o lsst vai gerar por noite. os problemas e oportunidades para realizar eScience [fusão dos modos teórico, experimental e computacional de fazer qualquer tipo de ciência, baseado em quantidades imensas de dados] serão motores muito importante do desenvolvimento das teorias e tecnologias de computação, comunicação e controle nas próximas décadas…

em breve, não haverá um “e” antes de eScience; informática simplesmente estará completamente imersa nas ciências todas, como leitura e escrita estão. e todas as ciências serão da computação…

cada vez mais longe…

Saturday, October 14th, 2006

ibm move sua divisão de compras inteira para shenzhen, na china. o diretor, john paterson, vai junto: é a primeira vez que a ibm manda alguém tão senior, junto com toda sua turma, para fora do país. por que? a ásia tem 3.000 fornecedores da ibm, responsáveis por US$12B dos US$40 bilhões que a empresa gasta em compras todo ano e shenzhen está se tornando a capital das cadeias de suprimento do mundo. enquanto isso, num certo país da américa latina, continuamos mendigando fábricas de chips, por não termos realizado o dever de casa que poderia ter trazido, para cá, e por boas razões, muito mais coisas.

minha previsão: o jogo de produção de qualquer coisa física cuja razão preço/peso seja [muito] alta está perdido para a ásia e, em particular, para a china, e para sempre. e, em breve, eles terão design e venderão, aqui, [por exemplo] carros tão bons quanto os coreanos. é só esperar. nós, por outro lado, continuaremos esmolando investimentos, protegendo negócios ineficientes com reservas de mercado baseadas em alguns dos impostos mais altos do mundo… o que não nos levará, em nenhum prazo, a lugar nenhum.

palestrante no palco, audiência na rede

Saturday, October 14th, 2006

lá na frente, no schafler auditorium da johns hopkins university, Jim Ostell, do ncbi [National Center for Biotechnology Information] dá uma palestra [Entrez, the Archetype for Integrating Scientific Knowledge]. na audiência, umas 200 pessoas, das quais 50 têm o laptop aberto e conectado na rede sem fio da jhu.

uma parte delas está no modo continuous partial attention [CPA, ou atenção parcial contínua: um olho na palestra, outro fazendo outra coisa no laptop; o cara na minha frente tá mexendo no google calendar dele] e outra está usando, na hora, o que ostell descreve no seu powerpoint, um sistema de busca que leva em conta múltiplos bancos de dados de informação sobre bioX e ciências da vida em geral, o dito entrez.

não só o entrez funciona mas a interação palestrante e ouvintes on-line é muito mais ilustrada do que seria, no passado, um puro e simples conjunto de transparências estáticas. o mundo das palestras conectadas não é, definitivamente o mesmo das salas de aula do passado.

o problema, para palestrantes e professores, é como manter a audiência sintonizada na palestra, ou no mínimo fazendo alguma coisa relacionada a ela na rede. alguma hora, a rede será o meio de comunicação entre os dois [muitos] lados envolvidos em uma discussão e o modo básico de interação será CPA e nós processaremos o ambiente ao nosso redor levando em conta a rede como ambiente natural, não intrusivo. até lá, o palestrante vai ficar para sempre desconfiado de que pelo menos uma boa parte da platéia não está nem aí para seu discurso.

e eu, estava fazendo o que na hora da palestra? bem, fiz meu dever de casa ontem à noite e usei o entrez antes da palestra; funciona mesmo e leva a muitas perguntas interessantes sobre descoberta de dados, simultaneamente, em múltiplos bancos de dados. durante a palestra, estava no modo CPA escrevendo estas notas… e botando aqui no blog. nada como a rede, em todo lugar, o tempo todo. informaticidade é isso aí…

complexidade, biologia e medicina

Friday, October 13th, 2006

palavras de leroy hood, presidente do systems biology institute, seattle:

imunologia molecular não pode ser feita uma proteína e um gene por vez: só de forma sistêmica. o problema a ser tratado, na biologia do futuro, é de mineração e integração de dados. biologia é informação e suas ciências, e um dos maiores problemas que nós teremos é tratar da relação sinal/ruído em grandes quantidades de dados. como extrair o sinal? como integrar os dados para ter uma visão do sistema que eles representam? como visualizar as redes de informação representadas nos dados? como entender o uso de informação [modular, em cada componente de grandes sistemas biológicos, como corpos complexos] para compor sistemas? como analisar complexidade, interação, como tratar comportamento de longo prazo de massas de dados que terão bilhões de variáveis?

biologia de sistemas “é” métodos matemáticos e computacionais, é redes [computacionais] dinâmicas de dados reais. biologia é dados reais, a realidade da biologia é informação e seu processamento.

foi com esta palestra que professor hood abriu o microsoft eScience seminar hoje, na universidade johns hopkins em baltimore, usa. foi mais uma palestra da série “toda ciência é da computação” e, o melhor, dada por alguém que não é de computação. porque quando o povo de computação diz a mesma coisa, mais vez do que outra as reações são enormes…

banda larga pré-paga?

Wednesday, October 11th, 2006

eu não sei não, mas há horas em que o mundo dos negócios parece realmente muito estranho. como quando executivos de grandes companhias começam a falar de coisas como “banda larga pré-paga”, uma idéia exposta recentemente por Valérie Faudon, vice-presidente de marketing de programas da Alcatel, baseada em pesquisa realizada com 3 mil freqüentadores de cyber cafés no Brasil, Rússia, Egito, Quênia, Índia, China e Malásia

o que é pré-pago? é um modelo de serviço onde descarta-se a assinatura de um serviço que é “usado sob demanda e pago depois”, em favor de outro modelo, onde “se paga antes e se usa o crédito até ele acabar… ou se perde o dinheiro pago quando ele caduca”. o que é “banda larga”? pra mim, é conexão [primeiro] sempre ligada [always on] e [segundo] de boa velocidade em comparação com linhas discadas, a preço fixo, independentemente do uso que faço da “linha”. se ouço a KCSM [vá lá ouvir!], rádio de jazz de san mateo, o dia inteiro, o preço é o mesmo, no mês, do que se eu apenas tivesse lido meu emeio vez por outra.

simples, não? preço fixo, “alta” velocidade, sempre ligado, volume ilimitado. onde cabe, então, o pré-pago? o maior problema de acesso à internet das classes chamadas C, D e E dos países em subdesenvolvimento [aqueles que estão ficando com uma grande parcela da sua população cada vez mais distantes do mundo de “classe mundial”] é a inexistência de mecanismos sociais de acesso à rede, em função da incompetência, falta de visão, inoperância ou puro e simples descaso de seus governos.

se não há renda pessoal ou familiar para pagar banda larga, instrumento essencial para participar da rede, hoje, o problema de quem não tem deve ser assumido como prioridade essencial pelos governos de seus territórios. o problema é que muitos destes territórios são semi-países, onde os governos funcionam muito mais para arrecadar impostos do que para distribuí-los como serviços essenciais, principalmente aos mais carentes. que continuarão mais carentes e que, por sinal, ficarão cada vez mais carentes.

tem gente que já desistiu dos governos destes semi-países em subdesenvolvimento e está querendo que seus pobres paguem por serviços que deveriam ser, para eles, instrumentos para o crescimento pessoal, econômico, social e cultural. há que se retirar pelo menos a malásia do lote: lá, ao contrário do brasil, ainda há políticas públicas de universalização de acesso e quase 40% da população [ao contrário de cerca de 10%, aqui] pelo menos estão na rede, mesmo que não seja em banda larga.

nos semi-países em subdesenvolvimento, a falta de políticas públicas de inclusão digital pode até levar seus mais pobres habitantes a aceitar um “modelo” de banda larga pré-paga. eu só quero ver como vai funcionar, considerando os modelos bizantinos de tarifação das empresas de telefonia… no mundo civilizado, onde os governos fazem bem mais do que arrecadar impostos, há e haverá políticas que transformarão os cidadãos todos em seres de primeira classe, capazes, quando tiverem meios reais de compra, oriundos de sua capacidade de transação, a pagar por sua banda larga.

para os criadores de planos de negócios, é bom lembrar que governo, ao contrário do que parece no mundo em subdesenvolvimento, não é só para arrecadar impostos e distribuir, em boa parte, como ineficiência ou corrupção. governo, quando funciona, é a melhor coisa que uma sociedade de primeira classe pode ter. quando não, é quase que certamente a pior.

grandes negócios na rede: chegou a hora, de novo?…

Tuesday, October 10th, 2006

começo do meu artigo publicado ainda agora no g1.globo.com, sobre porque [e como] google comprou youtube:

Estamos vivendo o terceiro ciclo da internet. O primeiro foi o da tecnologia, quase como demonstração das possibilidades, e durou de 1990/91 até o advento da internet comercial nos EUA, em torno de 1995, quando só havia cinco milhões de computadores ligados à rede, mais da metade dos quais lá mesmo nos EUA. O segundo tempo da internet foi o das “primeiras companhias” e “grandes e ousados planos de negócios”, muitos dos quais eram também ingênuos, inexeqüíveis e, vistos com a sabedoria que a experiência nos dá, hoje, inverossímeis.  Aí estão -entre 1995 e 2001- a Amazon.com, Yahoo!, eBay, PayPal, AOL, Netscape, um monte de coisas que a Microsoft fez e, é claro, Google [criado em 7 de setembro de 1998].

Entre as muitas coisas que deram errado para idéias boas e factíveis da segunda onda da internet, estava o simples fato da rede estar se formando naquela época: muitos planos de negócio dependiam de crescimento exponencial de usuários nos sites e não havia usuários porque, na rede, não havia usuários o suficiente…

 leia o resto lá e, se for o caso, comente aqui…

39 minutos e 46 segundos

Sunday, October 8th, 2006

você vai começar um negócio ou está pensando seriamente em dizer pra alguém, na empresa onde trabalha, que você tem uma idéia sobre uma nova tecnologia ou negócio. a idéia, claro, é brilhante, como todas as idéias das pessoas que têm idéias são… ou parecem, até que alguém com mais experiência em idéias brilhantes [do que você] apareça para levar a sua idéia em consideração.

então eu vou lhe dar uma idéia, nem tão brilhante assim, grátis, que você deveria seguir antes de falar qualquer coisa com qualquer pessoa, sobre sua idéia [mesmo se não entender inglês, assista com alguém que entende!]: vá nesta página e assista a palestra de extatos 39:46 de guy kawasaki, chamada the art of the start. garanto que serão os quarenta minutos mais bem investidos do começo do seu negócio. se você achar que passa pelo crivo da palestra dele e precisa de ajuda depois disso, por favor me ligue: (81)3425.4714. estarei do outro lado da linha pra conversar sobre start-ups e seu novo negócio. mas, primeiro, garanta que você passou pelo crivo de gk