Archive for September, 2006

silvio meira no g1.globo.com

Tuesday, September 19th, 2006

coluna semanal de silvio meira começou hoje, no g1.globo.com. o tema da semana é quais serão as colunas que aparecerão lá, e a primeira é centrada em “…BANDA LARGA MUDARÁ NOSSA EXPERIÊNCIA DE REDE”… aproveite e veja também a seção de tecnologia do portal, que está muito boa.

espectro: fcc vende tudo, por US$13.9 bi

Monday, September 18th, 2006

o leilão que a fcc [a anatel americana] estava promovendo desde 9 de agosto, para vender 1.122 licenças em áreas físicas dos eua de 90MHz de espectro eletromagnético, acabou hoje e pôs US$13.9 bi nas mãos do tesouro americano, vindos das operadoras que querem explorar os “serviços sem fio avançados” [advanced wireless services, ou AWS], como banda larga móvel. o leilão teve 161 rodadas e 104 concorrentes compraram 1.087 licenças, o que o torna um sucesso, considerando o humor do mercado para investimento em 3G/3G+ no momento. a T-Mobile gastou US$4.2B para comprar 120 licenças, coisa que precisava fazer de qualquer jeito para aumentar sua competitividade nos eua, tentando sair do honroso quarto lugar que ocupa. o segundo maior comprador foi a verizon wireless, que pagou US$2.8B por 13 licenças. até aí, nenhuma surpresa.

o terceiro lugar do leilão foi do consórcio dos provedores de cabo [e não mais de tv a cabo…] comcast, time-warner e cox com a sprint/nextel, que pagou US$2.4B por 137 licenças, incluindo nelas quase todo o nordeste dos estados unidos. parece que agora a coisa vai: um mesmo grupo, senão uma mesma companhia, estará oferecendo [em escala] banda larga, telefonia, TV e celular. isso lá nos eua. aqui, desde 2005, a net, claro, vésper e embratel estão juntas oferecendo banda larga, telefonia, TV, celular e longa distância, se não na mesma conta desde então, pelo menos sob o olhar de um mesmo acionista, a telmex de carlos slim. alguma hora isso vai acontecer em escala no brasil, assim como no resto do mundo; e quem não estiver no jogo, e muito dentro, vai ficar muito, mas muito fora.

nós estamos construindo, hoje, a infra-estrutura de comunicação que vai servir de elo para conectar a infra-estrutura distribuída de computação [e de dispositivos de acesso à informação] que vai estar ao alcance das mãos, olhos e ouvidos [e outros sentidos] de usuários de todo o planeta. não quero ter cinco contas de provedores de seja lá o que for. quero só uma, simples, e com os benefícios das economias de escala por estar usando tudo o que preciso sobre a mesma infra. quanto mais simples, melhor.

o paraíso, então, seria se se as contas de gás, água e luz [e iptu!] viessem no mesmo pacote, fechado, e com ofertas em degraus: a partir de 10Mbit/s, a gente ganhava alguns metros cúbicos de gás, sei-lá-quantos downloads de vídeo davam direito a uns 100kWh, e por aí a gente ia. agora, isso aqui sendo o brasil, imagine a confusão: se a anatel não consegue, no inferno de insegurança institucional que é o brasil, fazer um mísero leilão de espectro para wi-max, como é que iria sentar com a aneel e outras pra discutir o cruzamento, ou articulação, das várias infras que chegam na nossa casa?… ainda bem que este parágrafo era brincadeira. mesmo que fosse sério, aqui seria só um sonho. ou, melhor dizendo, um pesadelo…

algo de novo no ar: G1

Monday, September 18th, 2006

a globo está lançando [ainda em beta, mas beta “quente”]  G1, seu novo portal de notícias. silvio meira estará lá, a partir de amanhã e semanalmente às terças, pra falar de tecnologia, como neste blog, só que em artigos mais densos e mais longos. apareçam. e o blog continuará no ar, como sempre…

resultado: US$2 bllhões. negativo. só?…

Monday, September 18th, 2006

fonte: decon/abinee; publicado no telesintese; link pra lásegundo um relatório publicado pela abinee, tratando do primeiro semestre deste ano, pelo menos um setor da economia nacional está apresentando taxas de crescimento que deixam a china com cara de brasil: a importação de eletro-eletrônicos, que cresceu mais de 30% em relação ao mesmo semestre no ano anterior. a exportação dos mesmos produtos também cresceu bem mais do que o brasil, ao redor de 16%, mas é aquela coisa… de que adianta crescer 16% na saída se a entrada, que já era quase 100% maior, cresceu mais 30%?… é a teoria da relatividade aplicada à economia: não adianta crescer muito, ou rápido, tem que crescer mais do que as coisas com as quais se compara.

nos mais de US$5 bilhões de déficit da balança eletrônica só do primeiro semestre, US$2 bilhões estão no item semicondutores, que o brasil não fabrica em escala para a vasta maioria das coisas que têm eletrônica embutida. isso certamente vai ser mais um alento à velha teoria da substituição de importações que vez por outra assola o país, pois claro que, se temos um mercado de semicondutores de US$4 bilhões por ano, porque não os fabricamos todos aqui e economizamos estas divisas?…

há muitas respostas, mas uma bem razoável é a seguinte: o brasil não consome nenhum conjunto de componentes eletrônicos em escala que justifique produzi-los aqui, em função das equações de custos do país, e perante a inexistência, na prática, de indústrias sofisticadas que façam design de produtos no país… mesmo que “o resto da produção” seja exportado. pra se ter uma idéia do tamanho do problema, o valor adicionado pela indústria de semicondutores dos eua está entre 50 e 60 bilhões de dólares/ano, gerando 200.000 empregos, ampla maioria dos quais engenheiros. entre 1985 e 2000, os eua tiveram uma balança comercial negativa em semicondutores, e só nos últimos cinco anos a coisa mudou, em parte graças ao aumento de volume das exportações de wafers de silício, onde estão ou estarão os chips que, em parte o país importará depois de finalizados na ásia, que é onde são feitos em escala mundial e a custos que ninguém vai conseguir bater [especialmente com o dólar e impostos daqui, hoje]. há um relatório recente e importante para ser lido, sobre o tema, do GAO americano.

a china, que importou US$20 bilhões de dólares em semicondutores dos eua em 2005 [e outros US$15B da coréia, pra citar só dois] é o maior exportador mundial de bens de tecnologias da informação, à frente dos eua [US$180B contra US$149B, em 2004]… e só teve seu primeiro superávit de balança comercial em tecnologias da informação e comunicação, como um todo, em 2002 [US$3B]; mas já em 2004, como as importações foram de US$149B, o superávit foi de US$31B. isso não foi conseguido sem um plano de país, de longo prazo, sem estratégia, sem levar em conta propriedade intelectual [ou a ausência dela], sem pensar em que fábricas instalar e onde, sem subsidiar nada, muito pelo contrário. rolou isso tudo e muito mais.

o danado é que aqui, ao invés de fazermos nós mesmos nossos planos de longo prazo e os seguirmos com recursos e afinco, toda vez que aparece algum executivo da intel, amd ou seja lá mais quem produz chips, a pergunta do governo e da imprensa é a mesma: vocês vão instalar uma fábrica aqui?… a resposta também é a mesma: não. aliás, nem sempre: em sua última viagem ao brasil como ceo da intel [e sabendo que não ia ter que enfrentar aquilo de novo] eu vi craig barret responder a um alto oficial do governo: …see, nós fizemos um levantamento mundo afora, e a china tem uns planos pra ter tais fábricas lá. uma fábrica destas é muito cara, as you most certainly know… e os chineses vão offset os custos desta nossa fábrica lá, que vai sair por uns quatro bilhões de dólares, em two billion dollars. is that a game brasil is prepared to play yet?…

no, we are not. the end. curtain closes. e tome gente a falar sobre substituição de importações, como se estivéssemos em 1950, como se não houvesse fronteiras livres e importabandistas pra coisas pequenas, leves e de alto valor agregado, ao invés de fazer uns planos de importar tudo o que não sabemos fazer ou que não podemos fazer aqui em níveis mundiais de qualidade e custo e, a partir daí, construir e exportar, em eletrônicos, não os pífios US$5B, que são hoje 3% da china, mas US$50B. estaríamos muito melhores, então, do que estamos hoje, mesmo que importássemos US$30B de chips… enquanto não chegamos lá, veja o gráfico abaixo, que está neste estudo da oecd sobre a indústria eletrônica na china. e vá lá ver o estudo também. é pequeno e muito bom.

fonte oecd; link pro relatorio correspondente

video downloads, mobilidade, tv digital, brasil: a hora da verdade

Sunday, September 17th, 2006

segundo história do financial times reportada por techCrunch, ninguém menos que o wal-mart está para entrar no mercado de downloads de vídeo, onde já estão amazon, apple e aol. há um ditado americano que diz “nunca tente competir com a china em custo nem com o wal-mart em preço“: a presença do gigante de varejo no mercado de downloads pode ter conseqüências muito interessantes para os consumidores, especialmente se o mega-mercado conseguir apertar os grandes estúdios e redes de tv e diminuir seus preços, ao mesmo tempo em que conseguisse tornar -por que meio?- uma maior base de vídeos disponível para seus clientes [inclusive no brasil?]…

techCrunch não aposta em nada muito surpreendente vindo de wal-mart e a companhia de bentonville não tem feito história exatamente pela quantidade de inovações radicais que introduziu nos últimos anos. mas sua operação de vídeo on-line pode significar o começo de uma reação ao assalto de quem está no negócio de vídeo na rede [iTunes movies tá entrando no ar a $14.99 e $9.99, agora em setembro] à venda tradicional de dvds na prateleira das lojas, onde o wal-mart impera como o líder do mercado americano [cerca de 40%]. cutucar gigantes pode ter um preço; no caso do wal-mart pode ser muito grande, para os dois lados… ou o supermercado sai do negócio de dvds ou passa a ser um ator importante do mercado de downloads. veremos.

mas o mundo do vídeo vai levar muito tempo pra se estabilizar: se os grandes estão começando a brigar pelo grande formato, são pequenos [bem, nem tanto assim: mobyTV acaba de conseguir US$70 milhões de capital empreendedor, o que avalia a companhia em US$400 milhões] que tentam acertar o formato de vídeo [e seus downloads] para dispositivos móveis, que tem desde transmissão “clássica” de TV digital [os estúdios estão se preparando…] até conteúdo formatado especificamente para celulares, como a mobyTV faz, inclusive no brasil, com a claro. muitos frames ainda vão passar pelas antenas até que a gente consiga escrever a história deste negócio, mas uma coisa é certa: ele será mundial, globalizado, e vencerão -tanto do lado dos produtores de conteúdo como dos provedores de serviço- aqueles que conseguirem demonstrar e vender -pelo preço que os consumidores acharem razoável pagar- os serviços que forem de interesse dos variados públicos -ou melhor, usuários- que vão compor a audiência interativa da tv digital, no dispositivo, língua ou país em que estiver…

isso nos leva ao caso do brasil, que está passando, agora, pelo complexo processo de descobrir que tv digital é vídeo+audio+interatividade, ou seja, multimídia+software+redes e que a nossa escolha só fará sentido, até para importamos programas “de fora”, sem nem considerar a nossa exportação, se a plataforma local for global… ou compatível com ela. pode parecer estranho, mas a única avenida de escolhas que qualquer país pode trilhar, neste caso, é aquela que o habilite, tanto como produtor como consumidor, no mercado global de negócios de tv digital interativa.

a menos, é claro, que alguém esteja achando que nós vamos reescrever todo o software dos programas que importemos, combinado com a dupla, tripla ou múltipla escrita do que vamos querer exportar. e tem gente -que acaba de chegar de marte, com as tábuas da lei para entregar aos pobres terráqueos- que parece achar isso. que pena. para eles: os alienígenas podem até entender muito de viagens espaciais, mas há pouca vida inteligente no universo que entenda mais de tv do que o brasil. o que indica que, no fim, temos muita chance de acertar, até porque já erramos muito, antes, com pal-m e o erro, agora, seria ordens de magnitude mais caro do que o fechamento do mercado para dispositivos made in brazil, utilizáveis em mais nenhum lugar. e programas idem…


Technorati : , ,
Del.icio.us : , ,
Ice Rocket : , ,
Buzznet : , ,

zune é uma zona. iTunes também.

Friday, September 15th, 2006

a microsoft não perde absolutamente nenhuma oportunidade para criar incertezas… para seus próprios usuários e clientes em potencial. pois não é que o player que a empresa acaba de anunciar, zune, que vem debaixo de uma capa de marketing denominada play for sure [”toca qualquer coisa”] não vai poder tocar windows media audio & video comprado ou alugado de napster 2.0, rhapsody, yahoo! unlimited, movielink, cinemanow… ou qualquer outro serviço já existente de mídia on-line?… coisa de louco.

zune tem wi-fi, pode receber mídia [só] de outro zune, que você pode tocar até três vezes ou guardar por até três dias, quando a coisa se auto-destruirá. até aí é só bobeira da msft mesmo. ou deixa a galera compartilhar ou não deixa. alguma hora, [umas poucas horas ou dias depois de lançado] alguém há de publicar um hack do firmware pra desabilitar esta baboseira. mas a história de proibir conteúdo legítimo de sites onde você paga por mídia é do outro mundo. por que? provavelmente porque os mecanismos de proteção de conteúdo digital [DRM] de zune são incompatíveis com os usados nos sites… e isso num treco que pode tocar, ad aeternum, qualquer coisa não protegida. é o fim da picada.

a história, em mais detalhes, está aqui, na eff, e serve com um belo exemplo de que teremos, mais cedo ou mais tarde, que unificar o conjunto de silos protegidos de mídia que estamos criando, antes que cheguemos a uma torre de babel de formatos e mecanismos de proteção que nos obrigue a ter um dispositivo para cada tipo de mercado [sim, zune vem “dentro” de zune marketplace, que é incompatível, claro, com iTunes…] ou mecanismo específico de “proteção” de direitos digitais. esta confusão da proteção dos direitos está muito longe, por sinal, de acabar.

a mesma confusão ocorre no iTunes/iPod, com a europa batendo pesado no fato do conteúdo comprado no primeiro só rodar no segundo, o que é claramente uma violação dos direitos do comprador: se “comprei” uma música [supostamente para ouvir] deveria poder fazê-lo em qualquer meio e não só numa plataforma criada e mantida, de forma monopolista, pelo fabricante. isso é coisa da idade da pedra computacional, quando os computadores e sistemas operacionais eram casados de tal forma, por fabricante, que o mercado de software praticamente inexistia. havia tantas combinações de hardware/software básico que era quase impossível “escrever” programas que rodassem em mais de uma máquina. talvez a gente deva fazer algo antes que o mesmo aconteça no mercado de mídia.

o curioso é que o sistema anti-monopolista americano acha que tá tudo bem [imagine onde fica a sede da apple]… e discorda radicalmente da europa. enquanto isso, as questões de fundo ficam à margem da discussão e a comunidade tem feito muito pouco para tentar estruturar a conversa. ou então partido pra radicalizaçao completa, copiando tudo e todos ou, no que talvez seja mais efetivo, tentando mudar o sistema dentro da lei, como o piratpartiet [partido pirata] sueco vai tentar começar a fazer a partir das eleições gerais da suécia. pelo menos lá eles não estão parados… e podem eleger uns cinco deputados. enquanto não resolvem a legalidade, porque não passar no pirateBay. org?…

condenado por… software

Friday, September 15th, 2006

a china está introduzindo nas cortes judiciais do país o uso de software para calcular a pena que os sentenciados devem servir. apesar de todos os controles e de alta corrupção ser punida com morte, o mal atinge boa parte da justiça chinesa e o software, desenvolvido por uma empresa privada, está sendo testado em shangdon. um efeito colateral do uso do sistema, espera-se, será a padronização das sentenças, com o que se deve ter, por sinal, muito cuidado pois cada caso é um caso.

este é apenas mais um exemplo da sociedade entrando em “modo automático” e relegando parte da capacidade de pensar independentemente, de cada ser humano, a sistemas que “controlam” ou “homogeinizam” os processos de tomadas de decisão de pessoas diferentes, em lugares [e contextos] diferentes, sobre a mesma coisa… será mesmo?

o único atributo que qualquer ser humano acha que realmente tem é o bom senso. pode sair por aí e perguntar: as pessoas até acham que não são assim tão belas, inteligentes ou persistentes, mas sempre acham que têm bom senso. o maior esforço mundial para construir um software que “pode vir a ter” bom senso é o projeto CYC, do doug lenat, hoje transformado em companhia que provê -entre outros clientes- raciocínio para as forças de segurança dos estados unidos. a agenda de CYC é imensa e suas possíveis aplicações também. mas podemos estar a décadas de distância de um software a quem possamos confiar a escolha da pena pra -por exemplo- políticos corruptos…

pelo menos um google do bem: google.org

Thursday, September 14th, 2006

o braço filantrópico de google, que tem US$1B na partida da operação, começa a dizer, em grande estilo, a que veio: o new york times acaba de publicar a aliança de google.org com gente de tecnologia e negócios pra botar carros capazes de fazer mais de 40km/l [compare com o seu!] nas ruas [pra começar, lá da california, onde as leis podem fomentar isso em muito breve]. a equação de google.org, segundo VentureBeat, pode incluir empresas de engenharia e capital de risco, o que pode gerar novos negócios capazes, por sua vez, de alimentar as reservas e o alcance da benemerência de google.org. tomara.

logo ali, do lado do fornecedor dos tais US$1B, google.com está contratando a mesma turma que faz lobby pra exxon, microsoft… pra fazer sabe-se lá o que pra eles. segundo um post  recente no slashdot. o comentário, lá, é: será que “don’t be evil” implica necessariamente em “don’t pay somebody to be evil for you”?…

e-du-business?…

Thursday, September 14th, 2006

há quem não goste de aulas. há quem não consiga assistir aulas e tomar notas ao mesmo tempo [assim como há quem durma se não tomar notas]. há quem, por ter estado na balada ontem à noite, não consiga prestar atenção na aula, mesmo que queira. e ainda há muita gente que não vai entender a aula mesmo. na minha opinião, na maioria das vezes, porque a aula é danada de ruim.

pra compensar estes fatores, robert schrag, professor do departamento de comunicação da ncsu, avisou a seus alunos deste termo do ano letivo dos eua [que começou semana passada] que suas aulas [em formato mp3] estarão disponíveis on-line para os interessados, por módicos US$2.50, menos do que seus alunos pagam por uma cerveja. isso pra quem quiser ouvir a aula de novo. até agora, 5 alunos pagaram pra ouvir.

o negócio nem parece tão bom assim: schrag gasta mais tempo pra gravar e editar as aulas, paga US$1.50 pro site de distribuição, por download, e fica com míseros US$1. tem aluno reclamando; a universidade não se manifestou. eu acho que não é negócio”: melhor gravar e deixar em algum lugar, de graça, e em vídeo. aula só em áudio é uma tragédia. aliás, a maioria das aulas, na minha opinião não merece ser vista nem revista, pelo menos na tradição universitária brasileira.

aqui, gastamos 60 horas, numa graduação de bom nível, praticamente “lendo” para os alunos o que eles deveriam ter lido [pois, afinal, devem ter sido alfabetizados antes de chegar à universidade] em casa, antes da aula, ao invés de irmos à universidade para discutir o que de interessante houver para ser debatido sobre o tema da aula. se não houver nada, melhor não haver aula… pelo menos não contribuiríamos, com nosso movimento, para o aquecimento global… se a aula do professor schrag for boa mesmo, será um debate sobre alguma coisa relevante. quem apenas ouvir, depois, terá perdido talvez a única oportunidade, no seu curso, de participar da discussão. deve ser por isso que as aulas estão à venda por tão pouco.

tsunami no mercado móvel mundial?

Monday, September 11th, 2006

a telecom italia, conglomerado de telecomunicações cujo braço móvel é a décima maior operadora do mundo celular, parece que está pensando em vender justamente sua operação de mobilidade. há boatos [com fundo de verdade] até na reuters e, pelo andar da carruagem, ninguém menos do que o dono da sky/directv/newsCorp e, por fim mas não menos importante, mySpace, rupert murdoch, está na linha. ou em alguma linha, por assim dizer.

os órgãos reguladores de comunicação social e telecomunicações, mundo afora, devem estar observando com muita atenção a possibilidade de murdoch se tornar importante, entrando no cenário móvel pela via da TIM, que se especula valer uns US$45 bilhões. controlando fatias significativas de programação mundial de broadcasting e de redes sociais, o passo que poderia estar faltando para murdoch aspirar ao monopólio de com/telecom da vida de muita gente pode muito bem ser um braço de mobilidade de alcance mundial, ou que possa vir a ter alcance mundial. e os italianos da tim parecem andar meio confusos -e há tempos- sobre o que querem fazer da companhia e da vida.

mas marco tronchetti provera, il cappo, não nasceu ontem e acha que banda larga, combinada com conteúdo, é onde está o dinheiro grosso de telecom no futuro próximo. ele andou discursando sobre isso na OECD em janeiro deste ano (veja The Future Digital Economy: Digital Content - Creation, Distribution and Access) e, se estiver pensando em casar alguma parte de sua sorte com a de murdoch, vai estar só colocando seu dinheiro onde a boca, há tempos, já está. conseqüências no mercado brasileiro?… quem sabe? quem se arrisca?…

planejamento estratégico e os tempos modernos

Sunday, September 10th, 2006

já faz algum tempo que o tempo passa muito rápido para as empresas de tecnologias da informação e comunicação e para os negócios que dependem intensivamente de TICs. face à cada vez mais ampla penetração de TICs em todos os tipos de negócio, o tempo está passando muito mais rápido para todos negócios. os tempos modernos, de hoje, não são mais chaplinianos de esforço manual, mas chaplinianos de correria informacional, intelectual, mental, em busca de alvos que parecem mudar o tempo todo. e mudam mesmo.

mas nada disso é novidade, pois desde o começo dos tempos caminhamos para um futuro onde os símbolos e seus significados estão bem mais presentes na sociedade do que qualquer outra coisa. o virtual, ensina pierre lévy, é a base e o processo de formação do humano e da humanidade: as linguagens virtualizaram o presente, as técnicas cuidaram das ações e os contratos, por sua vez, virtualizaram a violência. em particular, a virtualização do presente cria o passado e o futuro; podemos, pois, contar histórias e fazer planos. planejamento estratégico, como o nome diz, é construir estratégias para atingir alvos, objetivos organizacionais que estão lá no futuro, seja ele qual for.

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xerox: documentos “transientes”`

Thursday, September 7th, 2006

boa parte do papel que você imprime não serve pra muitas coisas umas poucas horas depois. não é o caso de tudo… mas pense em docs que foram impressos para uma discussão e que são rabiscados a ponto de nenhuma relação com o original ser possível alguns minutos depois de cair nas mãos da “reunião”. eu até gosto de guardá-l como exemplo de tempestade de idéias, mas é improvável que os emeios impressos em papel para executivos ainda na idade de gutemberg sirvam pra muita coisa depois deles terem ditado a resposta aos mesmos às suas secretárias.

pois… a xerox acaba de  anunciar a noção [prática, disponível em impressoras] de “documentos transientes”: você imprime alguma coisa e o papel volta “ao normal” 16 horas depois. o segredo é um papel fotocromático, “impresso” por luz ultra-violeta, que pode ser reutilizado no mesmo tipo de impressora algumas horas depois. a xerox, claro, é mundialmente famosa pelas suas copiadoras e por ter financiado um dos mais brilhantes laboratórios de pesquisa de todos os tempos, o palo alto research center, de onde sairam criações que fizeram a fama e fortuna de… muitas outras companhias, menos da xerox. esta idéia dos documentos transientes vem dos labs da companhia em grenoble e pode muito bem dar certo, especialmente em lugares conscientes da importância da reciclagem, literal, sem nenhum reprocessamento do papel. tomara que dê mesmo…

mas, como em toda inovação radical [nem tanto assim, pois os docs impressos nas impressoras térmicas do passado também desapareciam, se bem que lentamente, e o papel das mesmas não podia ser reusado diretamente] há chances de tudo dar errado. e se sua secretária imprimir o mapa daquela festa do fim de semana na impressora “transiente?… e se você imprimir um doc que vai ser útil numa viagem longa, muito longa [tipo são paulo - tokyo]?… depois das três primeiras grandes besteiras… muita gente vai desistir. mas vai dar certo pra algumas coisas: como tickets de metro e ônibus válidos por 12 horas, que tenham que ser inseridos em catracas eletrônicas que podem ser, ao mesmo tempo, as impressoras de novos bilhetes… veremos. a vida das inovações é dura.