voto eletrônico: eleições inseguras?…

no país dos dossiês soturnos, dólares misteriosos, da “comunidade de intermediações” [segundo nelson motta, parafraseando a "comunidade de informações" da ditadura] que tem aprontado uma após a outra, e normalmente cagadas monumentais, como negociar “denúncias” com dólares contrabandeados e seriados [coisa que qualquer maloqueiro minimamente inteligente não quer nem achado...] às vésperas de eleição potencialmente ganha… há uma pergunta que começa a ser feita nos bastidores da política nacional: até que ponto a “comunidade de intermediações” está envolvida -em todos os maus sentidos que a palavra possa ter- na eleição eletrônica?

mesmo com todas as precauções tomadas para garantir que os resultados das urnas [de qualquer tipo, em qualquer lugar] representem a vontade dos eleitores, não há nenhum mecanismo eleitoral [físico ou não] completamente seguro: boa parte da seriedade das eleições depende delas serem coordenadas, executadas e fiscalizadas, em todos os níveis, por homens e mulheres de bem. este item parece estar surpreendentemente em falta no brasil, país em que, aparentemente, uns poucos ladrões conseguiram calar a vasta maioria da gente decente e honesto que aqui vive. todas as vezes que a mesma coisa aconteceu, em qualquer país ou tempo, as conseqüências foram trágicas. demais. não é preciso nem lembrar…

o fato é que as eleições eletrônicas podem ser tornadas muito mais seguras do que as eleições em papel, em qualquer lugar do mundo, se o “sistema” quiser [ou for forçado a] ser transparente. aí é possível fiscalizar o processo eleitoral [e não só as urnas, que muitos acreditam ser o único ponto "falho" do processo]. por trás de todas as urnas e do sistema de apuração, há gente. e quem -hoje…- garante que não há gente “intermediando” -por exemplo- mudanças no software [das urnas, principalmente] aqui e ali? reza a lenda que isso já foi feito no passado, e nunca apurado a contento. nos lugares onde tais lendas aconteceram, elas foram resultado [pelo que os contadores de histórias dizem... muito baixinho] da ação de malfeitores locais, sem articulaçao nacional, agindo em conluio com gente do sistema eleitoral [não necessariamente dos tribunais eleitorais], às vésperas da eleição, entre as urnas sairem dos tribunais e chegarem às seções eleitorais. mas deve ser lenda, porque não há notícia de nenhuma punição ou escândalo [sim, pois escândalos não levam necessariamente a apurações] de porte envolvendo tais fatos.

a eleição vem aí. votaremos. talvez jamais saibamos ao certo se nossos clicks no teclado das urnas, sufragando quem quer que seja, serão transformados em votos contados efetivamente para nossos candidatos. ou se, contados os nossos, os brancos e nulos não serão distribuídos para candidatos articulados com a tal comunidade de intermediações. há muitas maneiras dela intermediar resultados outros que não os votos reais dos eleitores. neste contexto, não custa nada, para todos os lados decentes envolvidos na eleição, ficar de olhos bem abertos. e durante todo o processo, desde a carga das urnas e sua distribuição até o fim da apuração. danado é que, dado o clima de aparelhamento instalado na república, vai haver muita gente achando que a eleição [eletrônica, por acaso] não foi tão séria como deveria ter sido: e isso não é ruim para as urnas ou para a eleição eletrônica [ou informatizada]. é ruim, e muito, para a democracia.

3 Responses to “voto eletrônico: eleições inseguras?…”

  1. Regis Maciel Says:

    Existe um grupo de pessoas que bate nessa tecla a alguns anos. Eles estão em http://www.votoseguro.org

  2. PAULO Says:

    Caro MEIRA: muito bem colocada a questão da INTERMEDIAÇÃO eletrônica das urnas, tecnicamente possível, circunstancialmente provável e, dado o noticiário ciruclante, INEVITAVEL. Lá do além Brizola estará comentando: bem que eu falava, e ninguem me escutava. Agora é tarde, para mim e para eles.

  3. dia a dia, bit a bit… por Silvio Meira » eleições: maior problema é a concentração de poderes Says:

    [...] suas falhas se espalha pela sociedade, cada vez mais gente vai entendendo como fraudar o processo [veja aqui outro texto nosso, de 2006], e desta vez sem deixar rastro algum. não é possível falar em [...]

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