criatividade, os “e…” e os “não.”
muita gente que conheço, que trabalha comigo [e muitos leitores deste blog], atua em tecnologias da informação e comunicação. nos lugares por onde eu passo, no cin/ufpe, c.e.s.a.r e na maioria dos lugares onde os leitores trabalham, nosso negócio [software, sistemas, hardware] é parte da indústria criativa. mas o que é criatividade? segundo osho, é a “maior das rebeliões“, porque os condicionamentos, as forças repressoras dos ambientes sociais [empresas são sistemas sociais], trabalham para bloquear os fluxos de expressão e criatividade, ao tentar manter o status quo. a repressão e os condicionamentos adoece as pessoas, as torna “não-criativas”, quando criatividade é o “estado normal” do ser humano. sob esta ótica, sistemas que facilitam a expressão e a critividade são sistemas saudáveis, formados por seres humanos igualmente saudáveis.
o danado é que não definimos criatividade, ainda. é que criatividade nada tem a ver com qualquer atividade particular; qualquer coisa pode ser criativa, pois é você que traz criatividade para uma atividade. é uma atitude, uma forma de olhar as coisas, um sentimento íntimo de como resolver problemas e, talvez, mudar o mundo. como as crianças. as crianças mudam o mundo com perguntas e desobediências, coisas que os adultos parecem desaprender com muita freqüência. resultado da falta de coragem de enfrentar situações novas e desafiadoras?… vai ver que nos cansamos, depois de um tempo, de sermos crianças. e a infantilidade [no bom sentido] precisa ser treinada, reinstilada em nós.
osho oferece quatro chaves para a criatividade. a primeira é nos tornarmos crianças de novo: abrir a mente ao desconhecido, perguntar sinceramente sobre o que não sabemos, explicar pacientemente o que sabemos e não mentir sobre o que desconhecemos. a segunda é estarmos preparados para aprender: a infra-estrutura mental para aprender depende em boa parte da ausência de preconceitos [coisas que “achamos”, sem provas ou evidências…]; aprender depende de um ambiente que estimule expressão, dúvida, onde ordem e hierarquia não sejam parte do processo de aprendizado [pois aí ele não ocorrerá: eu tenho que ter a possibilidade de “saber mais” do que “meu mestre”!]. a terceira é sabermos encontrar o nirvana no ordinário: há tanto para se aprender nas coisas mais simples, e oportunidades para mudar o mundo a partir daí, e vemos tão pouco disso tudo… parecemos crer que só coisas complexas [e obtusas, no mais das vezes] são gratificantes! finalmente, osho nos conclama a sonhar: o sonho é o desligamento da rotina, da ordem, do poder, do dia-a-dia, o sonho é a rebelião, o inconformismo, a coragem do talvez [consciente] e do sim [arriscado].
muito bom seria se tivéssemos todas estas chaves para a criatividade instaladas em nosso dna, em todos os negócios. melhor ainda se todos as oferecêssemos, dia após dia, a nossos colaboradores, acima, ao lado e [aparentemente] abaixo na hierarquia dos nossos negócios e das nossas vidas. ainda mais radical seria todos estivessem a exigir isso! e podem estar… será que vimos perdendo, física ou mentalmente, os que querem -e não têm- liberdade para criar? talvez devêssemos nos perguntar [sempre] se o sim que ouvimos de um júnior não é sim porque não deixamos aberta a oportunidade para um [ainda que trêmulo] não ou para um talvez. nossos preconceitos, oriundos de nossa formação e caminho que nos levou às posições em que estamos, talvez façam soar como não, aos ouvidos dos outros, um sim que talvez quiséssemos dar. ou um “e?…” com o qual gostaríamos continuar uma conversa sobre uma proposta [talvez] criativa, abrindo caminhos e não destruindo futuros.
para que uma instituição e seus colaboradores sejam criativos, é preciso que todos os seus líderes sejam crianças, tenham [re]aprendido a perguntar e saibam ouvir. aposto como mais e?…’s ao invés de nãos tornariam nossa vida e nosso negócio muito mais criativo. e feliz.
September 20th, 2006 at 5:14 pm
Uma das coisas mais difíceis que vejo neste processo de inovação é que ser criativo em qualquer atividade implica basicamente em pensar. Pensar além da solução óbvia. Muitos não gostam disso. Deve-se entender o problema e ter a noção de que este pode ser resolvido de várias formas.
Então, além de reaprender a perguntar e ouvir, acredito que se deva aprender a pensar de forma não-linear. Pensar mais no problema e menos na solução óbvia.
September 20th, 2006 at 5:32 pm
Oi Silvio,
Li isto hoje: “Quando adultos, mantemos boa parte das restrições impostas
(algumas da infância ou de situações críticas que vivemos) sem explicação em nossas cabeças.”
Minha opinião é que precisamos conversar mais, explicar mais e ouvir mais (isso estamos fazendo), chegar junto das pessoas com interesse. Sem esse clima não tem como criar. Na criação precisamos de uma certa dose de dor [eh fato que sentimos hoje, pois precisamos mudar, inovar], mas precisamos de paciência, humildade e firmeza de propósito.
Quando estou desenhando ou pintando [vejam depois: http://carlos.pompeu.googlepages.com/] estou em fluxo, uma mistura de paz e caos.
Quando coloco um lápis na mão e uma pessoa/modelo está na minha frente, tenho o desafio de trazer para o papel/tela um estado, uma imagem, uma solução. Isso acontece pq cada um tem um olho, uma boca diferente. Um olhar, um sorriso. O modelo, na minha opinião altera o resultado do quadro, como se pintasse também, ele influencia meu estado e eu o dele, a conversa, o momento e a música que escutamos, tudo influencia no gesto, no resultado.
Para criar uma obra o pintor e o modelo precisam entram em sintonia.
Aqui vejo o ponto central da criatividade, para criar precisamos estar abertos, livres e precisamos ser humildes para deixar o outro (o modelo) em fluxo conosco. É um momento de tensão real, pois se eu errar um gesto posso estragar tudo (sempre posso recomeçar, evidente), mas na hora H queremos acertar, criar algo novo e aí esticamos ao máximo a tensão para que de alguma forma no final o desenho aconteça e seja diferente do anterior e único.
Se quiserem conversar sobre o assunto me avisem!
Pompeu
September 20th, 2006 at 8:36 pm
Olá, paz e bem!
Acompanho há muito tempo seus escritos, utilizando os RSS feeds agregados no bloglines. Inclusive quero parabenizá-lo pelos seus novos canais de comunicação. Já estão lá!
Interesso-me muito por TIC e você expõe com profundidade e clareza vários aspectos desta área na web brazuca.
Este post está excelente!
Continuando, agora no fluxo das palavras: criar, criação, criança, atitude, atividade, liberdade… criatividade!
Me ocorre agora o conceito de Andragogia: ensinar o adulto a aprender. E também o que disse um dos gurus da administração, em http://www.vencer.com.br/materia_completa.asp?codedition=36&pagenumber=14.
É por aí… Criatividade: atividade de criar com liberdade e atitude.
[]s
Leo
Guarujá, SP-BR
September 20th, 2006 at 10:00 pm
As crianças conseguem desenhar com as nuvens, criam imagens e formas, num simples olhar para o céu. Quem nunca desenhou com as nuvens? Poucos creio. Elas vêem detalhes na natureza e no espaço que não percebemos, “enxergam fora do quadrado”, e haja criatividade, quem tem filho pequeno vê isto acontecer todos os dias…Com certeza fizemos isto um dia, mas muito do que criamos ou percebemos foi adormecido e sobreposto pelas cobranças da sociedade, do cotidiano …..mas felizmente alguns ainda conseguem superar isto, não deixam a criança morrer… continuam sendo criativos, persistentes, observadores, brincam, são divertidos, tem hobbies, tem interesse nas pessoas, nas relações e nas descobertas…com isto aprendem mais e são cada vez mais criativos.
Pena que muitas vezes, os criativos que estão trabalhando em empresas somente podem realizar a criatividade nata em suas casas, em situações da vida pessoal. Isto dá aquela sensação de ser um meio sucesso: o cara, que resolve tudo, que cria, reinventa, faz muito com pouco, somente na vida pessoal…e de ser mais um comum funcionário dentro da organização.
Mas por que, estes funcionários não conseguem usar a criatividade e serem sucesso na e para a organização? o que percebo é que criar está associado a ter espaço para realizar, experimentar e infelizmente a maioria das empresas ou mais particularmente dos chefes, que não são líderes, não têm dado este espaço/apoio para seus colaboradores, não lhes dão oportunidade, não têm interesse no que eles trazem de novo e de idéias, não dão estímulo e o pior nem percebem e querem conhecer os talentos existentes (o que você faz, sabe fazer, gosta de fazer e quer fazer?).
A maioria destes não líders “adultos” (apenas chefes) que desistiram de ser crianças, se escondem atrás do poder (posição hierárquica) que lhes foi dado. Mostram suas máscaras (matando a criança) como maduros, experientes, sem sorriso, sem interesse e sem tempo para pessoas (aqueles que nunca perguntam como vai você? como foi suas férias? Seu filho está bem? e às vezes nem bom dia dão! tem somente poucos segundos para você!) que somente se interessam pelo resultado do trabalho realizado, por processos, ferramentas…. esquecendo o ser humano.
Estes não conseguem ou não querem estimular as iniciativas, a criatividade dos seus subordinados - porque têm medo do desconhecido, do novo, do desafio…, às vezes se mostram abertos, mas somente porque é uma política da empresa e está na moda, mas no fundo estão acomodados: anos de empresa, mesma posição hierárquica, têm a confiança da alta administração…
Na realidade, têm medo de gente criativa que tem dons natos, que luta por isto… se sentem ameaçados, esquecem como é bom ser criança…onde não existe diferença e sim soma para aprender, crescer, e se divertir neste aprendizado.
Falta a humildade para reconhecer talentos, deixar a criatividade fluir e deixar o ego de lado. E haja desperdício de talentos nas organizações atuais!
September 20th, 2006 at 10:31 pm
A imagem nao poderia ter sido melhor escolhida !!! “Música para os meus ouvidos”
E q mais e mais pessoas sejam influenciadas por essas palavras !!!
September 20th, 2006 at 10:58 pm
Foi qd entrei no CESAR - há 5 anos atrás - q me fizeram a pergunta no meu primeiro dia de trabalho: e agora? vc está feliz?
Foi a partir daquele dia q consegui entender q a minha principal motivação pra trabalhar não estava em ser workaholic, ou q precisava ter um conceito deste atribuído. Estava na loucura ou paixão de fazer acontecer e sentir q outros poderiam estar tão loucos qt eu. Acreditar q nada é impossível. Em empreendedorismo temos o velho conceito do Risco Calculado. Diria q o paralelo a isso neste texto é a Loucura Racionalizada. E p q não ser loucos? Não q se tenha de parar num hospício por isso, mas q perder a motivação inconstante o tempo todo, no mar de problemas q retornos de investimentos, prospecções de vendas, deadline de entregas, margens financeiras, e etc, exige q tenhamos sempre a possibilidade de criar alternativas, re-erguer, se sentir bem e fazer com q o cletivo tb seja assim. Esta última afinal não é a máxima do egoísmo? Querer o bem a todos à volta para se sentir bem? A Natura q o diga com o seu “Bem Estar Bem”, empresa sensacional não, tanto dentro quanto fora reflete a mesma mensagem. E aí vem uma observação interessante q é o fato de q, talvez na inocência limitante à audácia da maioria das pessoas, a sensação de liberdade nas corporações vem sempre de cima pra baixo. E como acontece nos negócios, não adianta convencer na entrada, o pior é manter a confiança. E é nesta prática do dia a dia, q se verifica o commitment real em q a “permissão individual da loucura” mantêm as pessoas nas empresas. Vira um ecossistema auto-producente, sem autofagias, canibalismos, ou cadeias alimentares. Seria isto a teoria dos vegetais pensantes? hehehehe. Mas brincadeiras à parte tudo isto, e sem querer ir numa linha de inventar inseticidas biológicos para combater as lagartas q comem as folhas do maravilhosos vegetais pensantes, está o fato de q o limite da inovação não está em pensar algo q será fato daqui a 10 anos, está no de conseguir representar desejos de criar valor percebido. Esta simples palavra “Valor Percebido” é o q mais se discute na Economia hj: aproximar o desejo de pagar para o nível máximo do preço. Acredito q - no nosso caso - o “Valor Percebido” está far away de se ter uma imagem associada a capacidade de entregas, mas sim de ser ter explicitamente criatividade. Saber fazer bem feito, é pré-requisito, mas ser criativo e manter continuamente a criatividade, aí acredito q seja mais algo na linha do ecossistema vegetariano.
Nesta estória toda de linha da vida - das crianças aos adultos e de volta às crianças - creio q o acúmulo de experiências nos faz perceber q, tanto qt a necessidade dos nossos pais e mães nos darem a linha mestra, e nos acompanharem um tempo, os líderes tb precisam ter essa postura em mente, não como o pai q dita regras ao filho, mas como o pai q - imperceptivelmente - deixa o filho se sentir livre seguindo linhas de escolha. É por isso q o líder é porta-voz e precisa existir, e dos líderes aos sub-líderes até o nível da própria liderança individual, da pessoa consigo mesmo. E nessa cadeia de interações, não se mistura fantasias com realidade frias de números, porque talvez haja uma grande falta de habilidade justamente em fazê-lo. E a falta de habilidade leva ao medo. E daí aos líderes q naum saum líderes. Palavras são boas para se refletir, ações são boas para se ver o q - na prática - existe das palavras. Neste teste da vida real, está a habilidade de ser um bom profissional, aquele q une o racional com o emocional. Eu aprendi q criar é uma condição de bem estar, e como todos seres sociáveis (ou deveríamos ser), todos deveriam perceber isto mutuamente. É por isso q passei a entender pq o líder exsite para servir aos seus liderados, para eliminar as barreiras q impedem a sua felicidade ou capacidade de criar, e não criar barreiras para q isto aconteça, o q encobre uma falsa percepção de responsabilidade sobre o seu cargo.
Criatividade, liderança, ecossistema vegetariano,…, exigem uma grande capacidade de comunicação para q o racionalismo dosado pela humildade em conseguir colaboração mútua, sejam vistas em conjunto e o tempo todo. E talvez isto seja mutante o tempo todo, o q implica no grande desafio dos líderes naum permitir a exsitência de autofagias, inclusive das deles mesmos, na pseudo auto-alegação de impor racionalismos a algo q, talvez, seja simplesmente emocional.
Acho q é por isso tudo q as áreas de recursos humanos nas empresas são tão relevantes hj em dia.
September 21st, 2006 at 9:35 am
Exatamente na linha do que Silvio escreveu, recomendo a todos a leitura do livro “The Ten Faces of Innovation - IDEO’s Strategies for Beating the Devil’s Advocate & Driving Creativity Throughout Your Organization” (Tom Kelley, mesmo autor de “The Art of Innovation”).
September 21st, 2006 at 12:02 pm
Eu acho que aqui na empresa tem muita “criança” querendo criar. Está acontecendo uma ebulição danada de boa. Ontem mesmo fomos à uma vernissage e encontramos um amigo daqui do C.E.S.A.R e adivinha sobre o que falamos quase a noite toda?! Pois é, bastou dizer para as pessoas que elas estão liberadas para pensar e consequentemente criar, que as idéias estão surgindo e os movimentos se formando. Sinto o C.E.S.A.R não mais como um lago parado, cheio que vida acontecendo abaixo da superfície. Seu comportamento está mais para um rio, que nunca é o mesmo e está sempre correndo, cheio de vida e movimento de todas as formas.
Só que a transformação desse lago em rio não é simples. É complicada e dolorida, mesmo pra quem está de acordo com ela. Mas é assim que a gente cresce. Acho que o C.E.S.A.R não está voltando a ser o que era. Ele está caminhando pra algo melhor ainda, porque já passamos por muita coisa, superamos muitos obstáculos, erramos, acertamos e agora é a hora de decidir o caminho que esse rio vai trilhar. Eu estou apostando nisso.
September 21st, 2006 at 12:50 pm
…OLHE PARA O LADO, A REALIDADE PODE SER DIFERENTE!
Assim todos cheios de criatividades, pessoas e dias, conseguiremos JUNTOS construir organizações e dias mais HUMANOS, repleto de cores e vida. Uma vida que vai além do nosso apenas cotidiano, algo que pulsa além de pensar.
..Criatividade é poder ver com olhos “cegos”, SENTINDO a real possibilidade do que ainda hoje é considerado utopia …criando oportunidades e, ou caminhos para atingir o que claramente olhos cegos podem enxergar, olhos que não vê, mas sentem.
Recriemos nossas vidas!
“A felicidade é alimento para a Alma. A potencialidade da Alma é alimento para o mundo!”
September 21st, 2006 at 3:30 pm
Bem,
Ao ler tudo isso não consigo escrever muita coisa (mesmo com as bilhões de idéias que querem sair nessas letras-parágrafos-texto-bits).
Quero dar vazão ao meu sentimento ao ver o que está escrito, e ele é do de ENCANTAMENTO! E encantamento pela beleza, pelo que vale a pena se viver! Quem teve a oporunidade de ler wabi-sabi (Sílvio tem ele) sabe que a beleza é um ápices evolutivos da nossa raça (animais cordados mamíferos primatas hominídeos, homo sapiens) e que ela é necessária!
Estamos saindo realmente da “Jeitinholand” para um lugar efetivo na criatividade, empreendedorismo e inovação! E estando nessa jornada estamos sujeitos a algumas intempéries, mas seguindo nossa sabedoria nos manteremos ao máximo no caminho!
Hoje de manhã ouvi uma coisa muito boa pra dizermos pra nossas crianças e pra nós mesmos: - O que você quer ser ENQUANTO cresce!!!
Eita, terminei escrevendo mais do que imaginava!
Abraços!