espectro: fcc vende tudo, por US$13.9 bi
o leilão que a fcc [a anatel americana] estava promovendo desde 9 de agosto, para vender 1.122 licenças em áreas físicas dos eua de 90MHz de espectro eletromagnético, acabou hoje e pôs US$13.9 bi nas mãos do tesouro americano, vindos das operadoras que querem explorar os “serviços sem fio avançados” [advanced wireless services, ou AWS], como banda larga móvel. o leilão teve 161 rodadas e 104 concorrentes compraram 1.087 licenças, o que o torna um sucesso, considerando o humor do mercado para investimento em 3G/3G+ no momento. a T-Mobile gastou US$4.2B para comprar 120 licenças, coisa que precisava fazer de qualquer jeito para aumentar sua competitividade nos eua, tentando sair do honroso quarto lugar que ocupa. o segundo maior comprador foi a verizon wireless, que pagou US$2.8B por 13 licenças. até aí, nenhuma surpresa.
o terceiro lugar do leilão foi do consórcio dos provedores de cabo [e não mais de tv a cabo…] comcast, time-warner e cox com a sprint/nextel, que pagou US$2.4B por 137 licenças, incluindo nelas quase todo o nordeste dos estados unidos. parece que agora a coisa vai: um mesmo grupo, senão uma mesma companhia, estará oferecendo [em escala] banda larga, telefonia, TV e celular. isso lá nos eua. aqui, desde 2005, a net, claro, vésper e embratel estão juntas oferecendo banda larga, telefonia, TV, celular e longa distância, se não na mesma conta desde então, pelo menos sob o olhar de um mesmo acionista, a telmex de carlos slim. alguma hora isso vai acontecer em escala no brasil, assim como no resto do mundo; e quem não estiver no jogo, e muito dentro, vai ficar muito, mas muito fora.
nós estamos construindo, hoje, a infra-estrutura de comunicação que vai servir de elo para conectar a infra-estrutura distribuída de computação [e de dispositivos de acesso à informação] que vai estar ao alcance das mãos, olhos e ouvidos [e outros sentidos] de usuários de todo o planeta. não quero ter cinco contas de provedores de seja lá o que for. quero só uma, simples, e com os benefícios das economias de escala por estar usando tudo o que preciso sobre a mesma infra. quanto mais simples, melhor.
o paraíso, então, seria se se as contas de gás, água e luz [e iptu!] viessem no mesmo pacote, fechado, e com ofertas em degraus: a partir de 10Mbit/s, a gente ganhava alguns metros cúbicos de gás, sei-lá-quantos downloads de vídeo davam direito a uns 100kWh, e por aí a gente ia. agora, isso aqui sendo o brasil, imagine a confusão: se a anatel não consegue, no inferno de insegurança institucional que é o brasil, fazer um mísero leilão de espectro para wi-max, como é que iria sentar com a aneel e outras pra discutir o cruzamento, ou articulação, das várias infras que chegam na nossa casa?… ainda bem que este parágrafo era brincadeira. mesmo que fosse sério, aqui seria só um sonho. ou, melhor dizendo, um pesadelo…