video downloads, mobilidade, tv digital, brasil: a hora da verdade

segundo história do financial times reportada por techCrunch, ninguém menos que o wal-mart está para entrar no mercado de downloads de vídeo, onde já estão amazon, apple e aol. há um ditado americano que diz “nunca tente competir com a china em custo nem com o wal-mart em preço“: a presença do gigante de varejo no mercado de downloads pode ter conseqüências muito interessantes para os consumidores, especialmente se o mega-mercado conseguir apertar os grandes estúdios e redes de tv e diminuir seus preços, ao mesmo tempo em que conseguisse tornar -por que meio?- uma maior base de vídeos disponível para seus clientes [inclusive no brasil?]…

techCrunch não aposta em nada muito surpreendente vindo de wal-mart e a companhia de bentonville não tem feito história exatamente pela quantidade de inovações radicais que introduziu nos últimos anos. mas sua operação de vídeo on-line pode significar o começo de uma reação ao assalto de quem está no negócio de vídeo na rede [iTunes movies tá entrando no ar a $14.99 e $9.99, agora em setembro] à venda tradicional de dvds na prateleira das lojas, onde o wal-mart impera como o líder do mercado americano [cerca de 40%]. cutucar gigantes pode ter um preço; no caso do wal-mart pode ser muito grande, para os dois lados… ou o supermercado sai do negócio de dvds ou passa a ser um ator importante do mercado de downloads. veremos.

mas o mundo do vídeo vai levar muito tempo pra se estabilizar: se os grandes estão começando a brigar pelo grande formato, são pequenos [bem, nem tanto assim: mobyTV acaba de conseguir US$70 milhões de capital empreendedor, o que avalia a companhia em US$400 milhões] que tentam acertar o formato de vídeo [e seus downloads] para dispositivos móveis, que tem desde transmissão “clássica” de TV digital [os estúdios estão se preparando…] até conteúdo formatado especificamente para celulares, como a mobyTV faz, inclusive no brasil, com a claro. muitos frames ainda vão passar pelas antenas até que a gente consiga escrever a história deste negócio, mas uma coisa é certa: ele será mundial, globalizado, e vencerão -tanto do lado dos produtores de conteúdo como dos provedores de serviço- aqueles que conseguirem demonstrar e vender -pelo preço que os consumidores acharem razoável pagar- os serviços que forem de interesse dos variados públicos -ou melhor, usuários- que vão compor a audiência interativa da tv digital, no dispositivo, língua ou país em que estiver…

isso nos leva ao caso do brasil, que está passando, agora, pelo complexo processo de descobrir que tv digital é vídeo+audio+interatividade, ou seja, multimídia+software+redes e que a nossa escolha só fará sentido, até para importamos programas “de fora”, sem nem considerar a nossa exportação, se a plataforma local for global… ou compatível com ela. pode parecer estranho, mas a única avenida de escolhas que qualquer país pode trilhar, neste caso, é aquela que o habilite, tanto como produtor como consumidor, no mercado global de negócios de tv digital interativa.

a menos, é claro, que alguém esteja achando que nós vamos reescrever todo o software dos programas que importemos, combinado com a dupla, tripla ou múltipla escrita do que vamos querer exportar. e tem gente -que acaba de chegar de marte, com as tábuas da lei para entregar aos pobres terráqueos- que parece achar isso. que pena. para eles: os alienígenas podem até entender muito de viagens espaciais, mas há pouca vida inteligente no universo que entenda mais de tv do que o brasil. o que indica que, no fim, temos muita chance de acertar, até porque já erramos muito, antes, com pal-m e o erro, agora, seria ordens de magnitude mais caro do que o fechamento do mercado para dispositivos made in brazil, utilizáveis em mais nenhum lugar. e programas idem…


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2 Responses to “video downloads, mobilidade, tv digital, brasil: a hora da verdade”

  1. Camilo Says:

    Interessante que você chamou capital de risco de capital empreendedor. Isso é um movimento recente do pessoal de VC (EC?) no Brasil. Eles consideram que o nome capital de risco em uma cultura avessa a risco acabou criando uma má impressão do negócio deles.

  2. Saulo Dourado Says:

    Alo,

    O Wal-mart tambem é famoso por precos baixos porque alem de detonar salarios e beneficios dos seus empregados, exige uma “parceria sincronizada” por parte dos seus fornecedores. Saiu produto do caixa em loja americana um chines recebe uma msg para fabricar outro para reposicao. Funciounou tao bem que mesmo estando em uma cidade e estado caipiras como bentonville/arkansas se tornaram o que sao hoje, chegam inclusive a dar consultoria na Asia sobre como vender barato, o que no minimo é curioso.

    Nesse ritmo eu nao duvidaria que eles podem abocanhar uma parte do mercado, a nao ser que o Brasil escolha formatos muito estranhos que dificultem a vida nossa e deles, o que tambem nao parece ser algo muito improvavel.

    []’s

    Saulo

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