condenado por… software
a china está introduzindo nas cortes judiciais do país o uso de software para calcular a pena que os sentenciados devem servir. apesar de todos os controles e de alta corrupção ser punida com morte, o mal atinge boa parte da justiça chinesa e o software, desenvolvido por uma empresa privada, está sendo testado em shangdon. um efeito colateral do uso do sistema, espera-se, será a padronização das sentenças, com o que se deve ter, por sinal, muito cuidado pois cada caso é um caso.
este é apenas mais um exemplo da sociedade entrando em “modo automático” e relegando parte da capacidade de pensar independentemente, de cada ser humano, a sistemas que “controlam” ou “homogeinizam” os processos de tomadas de decisão de pessoas diferentes, em lugares [e contextos] diferentes, sobre a mesma coisa… será mesmo?
o único atributo que qualquer ser humano acha que realmente tem é o bom senso. pode sair por aí e perguntar: as pessoas até acham que não são assim tão belas, inteligentes ou persistentes, mas sempre acham que têm bom senso. o maior esforço mundial para construir um software que “pode vir a ter” bom senso é o projeto CYC, do doug lenat, hoje transformado em companhia que provê -entre outros clientes- raciocínio para as forças de segurança dos estados unidos. a agenda de CYC é imensa e suas possíveis aplicações também. mas podemos estar a décadas de distância de um software a quem possamos confiar a escolha da pena pra -por exemplo- políticos corruptos…
September 15th, 2006 at 8:36 am
Whitehead já dizia que uma sociedade avança pela quantidade de operações que ela consegue fazer sem pensar. (http://www.brainyquote.com/quotes/quotes/a/alfrednort108058.html)
Mas nem por isso questões como individualidade e criatividade pessoal podem (nem devem) ser postas de lado.
Então… não seria o caso de que essas ditas operações importantes do Whitehead não possam ser especializadas de modo que até sentenças consigam esse grau de unicidade? Como o dito bom-senso humano faz?
Nós já temos memória auxiliar virtualmente infinita (web, hds gigantescos, etc), o próximo passo é garantir capacidade de raciocínio auxiliar, mas como vc mesmo falou, pode ser que estamos a décadas de distância para tal.