Archive for September, 2006

recordar é viver: eleições, de novo

Saturday, September 30th, 2006

em setembro de 2002, jantei com um povo em são paulo logo antes das eleições. havia gente de indústria e principalmente da indústria de TICs à mesa, e a conversa inteira girou e terminou na eleição. interessante é que, mudadas algumas variáveis, ela poderia ter acontecido, na mesma são paulo, nos mesmos 15 graus da noite de quarta passada, num jantar quase no mesmo lugar. nele, uma constatação -de que a melhor amiga de qualquer tentativa de política industrial, no brasil, é sempre a oposição- e uma diferença: ninguém da mesa de 2002 queria segundo turno e quase todo mundo da mesa de 2006 achava que sim, deveríamos ter um. a seguir, o texto original de 2002:

São Paulo, noite fria de setembro, culpa do enlouquecimento global. À mesa, empresários de informática e telecomunicações e um candidato (a colunista), a conversa girando em torno do fim do passado e do começo do futuro. Do fim dos bons contratos de telecom e de um começo que se espera, mas não veio ontem, hoje e parece que não virá tão cedo. Os empresários estão no negócio há muito tempo, desde a reserva de mercado. O candidato a colunista os conhece desde sempre, mas é pouco rodado, e promete que vai só ouvir. Noite a dentro, melhor ouvir. Quem não sabe ouvir nunca aprende nada, nunca descobre as perguntas certas.

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no ar: assimetria de informação

Saturday, September 30th, 2006

um avião da gol -fazendo o vôo 1907, 155 pessoas a bordo- se choca com um jato executivo em pleno ar, aparentemente em meio ao deserto verde da região de matupá, mato grosso. ninguém sabe direito o que aconteceu, mas o ministro da defesa faz questão de anunciar, quase imediatamente, que “deve ter sido um descuido da tripulação da gol“. como assim, camarada?…

aviões não saem por aí, no espaço aéreo, como querem e bem entendem: um conjunto de centros de controle de tráfego aéreo [em cada país] decide [e ordena] os caminhos por onde uma aeronave qualquer pode voar. as rotas aéreas são túneis virtuais, no espaço, dentro do quais os aviões “controlados” por tais sistemas [de informação, operados por e dependentes de seres humanos] são obrigados a manter uma distância regulamentar uns dos outros. assim, quando o leitor embarca de brasília a recife e o piloto diz que está voando na proa [direção] de bom jesus da lapa, ele o não faz porque quer, mas porque o túnel de brasilia a recife, naquela hora, para aquele vôo, passa por lá.

antes de dizer que “a tripulação da gol” deve ter feito alguma besteira, o senhor ministro deveria estar-se fazendo perguntas um pouco mais sensatas e complexas: 1] por que um jato executivo voava em rota de colisão com um avião comercial? 2] será que o controle de vôo botou os dois em tal situação [e aí o problema está na cozinha do ministro] ou 3] o controle de vôo nem sabia que o jato executivo estava lá [problemas na cozinha do ministro, de novo...] e… 4] não fez nada [ou não tinha condições de fazer] para tirá-lo de lá [olhaí as panelas do ministro no fogo de novo...].

não estou no negócio de defender a gol, mas é de uma leviandade sesquipedal um ministro de estado dar declarações sobre algo tão difícil de explicar antes mesmo de se ter respostas a perguntas tão básicas como as que qualquer passageiro freqüente [como eu] pode fazer sem ter um ministério da defesa inteiro para assessorá-lo. muito menos estou dizendo que o controle de vôo tem culpa no cartório; só questiono o diagnóstico -imediato- do senhor ministro sobre algo não trivial como o que acaba de acontecer.

o ecossistema de aviação de qualquer país é um sistema de informação; a qualquer momento, pode haver centenas de aviões no ar, transportando dezenas de milhares de vidas [veja o tamanho do problema, nos eua, aqui]. a segurança destas pessoas depende, ainda [enquanto um sistema anti-colisão, instalado em todos os aviões, não os torna conscientes da presença dos outros ao seu redor]. de um sistema de informação centralizado, cujo papel principal é garantir que toda e qualquer aeronave no seu espaço aéreo sabe porque está onde está, ao mesmo tempo em que assegura que um avião qualquer não vai, de uma hora pra outra, entrar no micro-espaço do outro. se isso acontecer, a chance de uma catástrofe é muito alta. e foi o que aconteceu com o gol 1907.

um dos casos recentes de colisão no ar, descoberta quase na hora pelo controle de tráfego aéreo e avisada aos pilotos, foi a que matou 59 pessoas quando um avião da DHL colidiu sobre o lake konstanz com um tupolev da bashkirian airlines: os dois pilotos mergulharam seus aviões para evitar o desastre e a igualdade das ações foi o fim de todos os passageiros e tripulantes. e o avião da DHL tinha o que de mais moderno havia em sistemas de alerta contra colisão, na época [como parece ser o caso do legacy e b737-800 envolvidos no acidente de ontem].

assumindo que nenhuma das duas tripulações envolvidas no acidente da gol estivesse deliberadamente tentando bater no outro avião, a responsabilidade do acidente está ligada à assimetria de informação entre os envolvidos: se os aviões e o controle responsável pela área soubessem, com a devida antecedência, do choque iminente, a comunicação entre as partes teria criado condições para que o desastre fosse evitado. uma coisa que o senhor ministro deveria estar começando a fazer, desde hoje à tarde, era garantir ao país que -seja lá o que tiver acontecido- haverá uma ampla investigação no sistema de informação [e controle] de tráfego aéreo, para dar certeza a todos os brasileiros que, ao entrarmos num avião, não estamos correndo os mesmos riscos do gol 1907, por culpa de responsabilidades do governo que deveriam funcionar a 100% de eficácia e eficiência, mas não estão assim tão bem das pernas.

tomara que não haja nada errado com o controle de vôo. mas, como o governo não tem toda esta tradição de investigar [seja lá o que for] a sério e profundamente -apesar de todas as declarações em contrário-, meu medo de avião aumentará muito neste domingo, quando terei que pegar logo três, para ir de recife a navegantes. que tudo dê certo, nem que seja por acaso… se não houver nenhum post aqui semana que vem, procurem o ministério da defesa para reclamar…

rupert murdoch, de novo?

Thursday, September 28th, 2006

om malik, hoje: If I was a betting man, I’m going to bet that Murdoch’s next move is to acquire a blogging platform… either Six Apart (which owns Moveable Type, TypePad, LiveJournal, and Vox) or Automattic (owner of WordPress). 

resumo: murdoch está neste negócio de mídia para ficar e sabe que o negócio de mídia está mudando… radicalmente. e está comprando o que acha que serão os novos negócios de mídia, sejam eles quais forem. só pra lembrar, ele é o dono de mySpace, comprado por meio bilhão de dólares e para o qual já estão arbitrando valor pelo menos vinte vezes maior!…

enquanto isso, boa parte da mídia velha conitnua achando que as pessoas lerão jornais, no seu formato atual, para sempre, que a Tv etc. etc. etc…. chega dá pena.

paraíba estatal digital: alta temperatura

Wednesday, September 27th, 2006

uma máquina da companhia de águas e esgotos do estado da paraíba está sendo responsabilizada por 1.200 tentativas de intrusão no ambiente de informática da prefeitura de joão pessoa. até aí, tudo bem; a máquina da cagepa pode ter sido invadida para ser usada como ponte para criar problemas na prefeitura. ocorre que a cagepa é estado, alçada do governador cássio cunha lima, do psdb e a prefeitura tem como alcaide ricardo coutinho, do psb, que declarou ao correio da paraíba: “Não aceitamos esse tipo de bandidagem. Queremos uma explicação plausível do governo do Estado, se é que é possível, e vamos marcar audiência com o ministro da Justiça para pedir providências. Isso fere o estado de direito e a autonomia das instituições”… vixe!

olhando de longe, é muito improvável que a cagepa esteja usando suas próprias instalações para invadir a prefeitura. se estiver, é muita incompetência [o que possivelmente teria aprendido com os tais "aloprados" de brasília]; muito mais provavelmente, as eleições estão com uma temperatura tão alta na paraíba que o prefeito vai levar um caso de hacking aparentemente básico ao ministro da justiça…

silvio meira no g1: falta gente na internet brasileira

Tuesday, September 26th, 2006

por que somos tão poucos na internet brasileira?… minha resposta: faltam políticas públicas. tá no g1, hoje.

arquivo noponto: o fim de um dos fins do papel

Tuesday, September 26th, 2006

durante dois anos, entre 2000 e 2002, escrevi exatamente 100 colunas em um dos melhores “movimentos” que o brasil já experimentou, na rede, a revista eletrônica NO., sob direção de marcos sá corrêa. até um tempo atrás, o site ainda estava no ar, mas parece que desapareceu para sempre, o que me levou a pensar em armazenar, aqui, aquelas colunas todas, algumas apenas de valor histórico e outras tão atuais que eu poderia tê-las escrito hoje. como a primeira da série, uma espécie de profissão de fé na convivência pacífica da rede e do papel, publicada em 28 de abril de 2000, chamada o fim de um dos fins do papel:

Não passa um dia em que não haja uma frase de efeito, em algum lugar da mídia, sobre o fim do papel, da tinta e do livro. Só que, ao invés de um fato acontecido ou iminente, anuncia-se na verdade um debate, quase briga, quando bibliófilos estão por perto. Sem falar nos fabricantes de papel e plantadores de eucalipto.

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previsão: internet em 2020

Sunday, September 24th, 2006

em 2020, a interoperabilidade [mundial] da rede será [muito] aperfeiçoada [em relação a hoje], permitindo um fluxo de dados sem percalços, além de autenticação e contabilidade [muito boas]; comunicação móvel sem fio estará disponível para todos, em todo lugar, a custos extremamente baixos. concordam: 56%; discordam: 43%; não responderam, 1%. este e outros cenários, votados por gente que acha que entende de [futuro da] internet [como hal varian e bob metcalfe] estão no pew/elon future of the internet II survey. um monte de observações individuais sobre este cenário [em particular] está aqui. quase todos os cenários têm votação parecida [5.x vs 4.y]… ou seja: ninguém está muuuito certo sobre o futuro da rede. vá lá ver… porque.

censura [ou invasão] no orkut?…

Saturday, September 23rd, 2006

pelo menos dez grandes comunidades do orkut, uma delas com 180 mil integrantes [tanto quanto a população de passo fundo ou araçatuba], sumiram, simplesmente, de ontem para hoje, segundo notícia do G1. pode ter sido censura, o que é remoto [pelo menos é o que se acha, no momento] ou… as senhas de seus moderadores foram capturadas e usadas por terceiros pra detonar o conteúdo. algumas delas já estão sendo reconstruídas do zero, pelos integrantes; se o orkut ajudasse, era só dar um boot no último backup e é possível que quase nada tivesse se perdido…

voto eletrônico: eleições inseguras?…

Friday, September 22nd, 2006

no país dos dossiês soturnos, dólares misteriosos, da “comunidade de intermediações” [segundo nelson motta, parafraseando a "comunidade de informações" da ditadura] que tem aprontado uma após a outra, e normalmente cagadas monumentais, como negociar “denúncias” com dólares contrabandeados e seriados [coisa que qualquer maloqueiro minimamente inteligente não quer nem achado...] às vésperas de eleição potencialmente ganha… há uma pergunta que começa a ser feita nos bastidores da política nacional: até que ponto a “comunidade de intermediações” está envolvida -em todos os maus sentidos que a palavra possa ter- na eleição eletrônica?

mesmo com todas as precauções tomadas para garantir que os resultados das urnas [de qualquer tipo, em qualquer lugar] representem a vontade dos eleitores, não há nenhum mecanismo eleitoral [físico ou não] completamente seguro: boa parte da seriedade das eleições depende delas serem coordenadas, executadas e fiscalizadas, em todos os níveis, por homens e mulheres de bem. este item parece estar surpreendentemente em falta no brasil, país em que, aparentemente, uns poucos ladrões conseguiram calar a vasta maioria da gente decente e honesto que aqui vive. todas as vezes que a mesma coisa aconteceu, em qualquer país ou tempo, as conseqüências foram trágicas. demais. não é preciso nem lembrar…

o fato é que as eleições eletrônicas podem ser tornadas muito mais seguras do que as eleições em papel, em qualquer lugar do mundo, se o “sistema” quiser [ou for forçado a] ser transparente. aí é possível fiscalizar o processo eleitoral [e não só as urnas, que muitos acreditam ser o único ponto "falho" do processo]. por trás de todas as urnas e do sistema de apuração, há gente. e quem -hoje…- garante que não há gente “intermediando” -por exemplo- mudanças no software [das urnas, principalmente] aqui e ali? reza a lenda que isso já foi feito no passado, e nunca apurado a contento. nos lugares onde tais lendas aconteceram, elas foram resultado [pelo que os contadores de histórias dizem... muito baixinho] da ação de malfeitores locais, sem articulaçao nacional, agindo em conluio com gente do sistema eleitoral [não necessariamente dos tribunais eleitorais], às vésperas da eleição, entre as urnas sairem dos tribunais e chegarem às seções eleitorais. mas deve ser lenda, porque não há notícia de nenhuma punição ou escândalo [sim, pois escândalos não levam necessariamente a apurações] de porte envolvendo tais fatos.

a eleição vem aí. votaremos. talvez jamais saibamos ao certo se nossos clicks no teclado das urnas, sufragando quem quer que seja, serão transformados em votos contados efetivamente para nossos candidatos. ou se, contados os nossos, os brancos e nulos não serão distribuídos para candidatos articulados com a tal comunidade de intermediações. há muitas maneiras dela intermediar resultados outros que não os votos reais dos eleitores. neste contexto, não custa nada, para todos os lados decentes envolvidos na eleição, ficar de olhos bem abertos. e durante todo o processo, desde a carga das urnas e sua distribuição até o fim da apuração. danado é que, dado o clima de aparelhamento instalado na república, vai haver muita gente achando que a eleição [eletrônica, por acaso] não foi tão séria como deveria ter sido: e isso não é ruim para as urnas ou para a eleição eletrônica [ou informatizada]. é ruim, e muito, para a democracia.

impressões REALMENTE digitais

Thursday, September 21st, 2006

você anda por aí, na internet, vendo isso e aquilo, clicando aqui e acolá, deixando seu rastro, sem saber [ou sem estar plenamente consciente] que, por onde você passa, há informação sendo recolhida sobre seu comportamento. pesquisadores de wharton e uc.davis acabam de publicar um artigo [completo, aqui, em pdf] defendendo a tese de que é possível, e bastante provável, identificar usuários individuais a partir de sua “assinatura”, ou seja, seu comportamento on-line, com uma alta margem de confiança no resultado. um artigo comentando o paper, para leigos, está aqui.

os autores do artigo, Padmanabhan & Yang, que trabalharam com o comportamento de 50.000 usuários, mostram que 13 sessões de uso da rede são o suficiente para identificar um usuário, neste lote, com 94.5% de certeza; para 51 sessões, a certeza é de 99.5% de que encontramos quem estávamos procurando. ou para quem estamos tentando inserir um anúncio na página ou emeio. no segundo caso, a operação pode ser “do bem” e o usuário pode até gostar; afinal, estamos aumentando a chance dele ver anúncios de coisas que realmente lhe interessam, apesar de estarmos destruindo sua chance de ver algo que não lhe era dirigido e do que iria gostar. ou seja, os resultados podem ser [e já estão sendo] usados para tirar parte do controle que ainda temos sobre nosso comportamento em rede.

no primeiro caso, há evidências de que estados policiais [que estão pipocando no planeta todo dia] gostariam muito de ter tal tipo de tecnologia à disposição, para controlar a vida de quem quer que seja. além do mais, o clickprint de usuários individuais é de interesse para todo mundo que quer nos identificar, de lojas a ladrões, passando por provedores e cartões de crédito. sabendo, do lado de cá, que eles estão preparados para isso, resta-nos tomar as providências para manter nossa privacidade sobre tanto sigilo quanto consigamos. resta saber se nossas ferramentas e preparo serão tão boas quanto as deles

youTube à venda?…

Thursday, September 21st, 2006

parece que youTube está conversando com “alguém” que quer comprar a operação. e está pensando em vender, mas o preço tem que ser perto de UM E MEIO BILHÃO DE DÓLARES. o site está servindo 100 milhões de vídeos por dia e anda recebendo mais de 60 mil novos vídeos por dia e… ainda não tem um modelo de receita. e tudo isso começou num coquetel da eBay onde dois caras se perguntaram como poderiam mandar vídeo clips entre os conhecidos que estavam ali, cada um com sua câmera… filmando a bebedeira…

criatividade, os “e…” e os “não.”

Tuesday, September 19th, 2006

muita gente que conheço, que trabalha comigo [e muitos leitores deste blog], atua em tecnologias da informação e comunicação. nos lugares por onde eu passo, no cin/ufpe, c.e.s.a.r e na maioria dos lugares onde os leitores trabalham, nosso negócio [software, sistemas, hardware] é parte da indústria criativa. mas o que é criatividade? segundo osho, é a “maior das rebeliões“, porque os condicionamentos, as forças repressoras dos ambientes sociais [empresas são sistemas sociais], trabalham para bloquear os fluxos de expressão e criatividade, ao tentar manter o status quo. a repressão e os condicionamentos adoece as pessoas, as torna “não-criativas”, quando criatividade é o “estado normal” do ser humano. sob esta ótica, sistemas que facilitam a expressão e a critividade são sistemas saudáveis, formados por seres humanos igualmente saudáveis.

o danado é que não definimos criatividade, ainda. é que criatividade nada tem a ver com qualquer atividade particular; qualquer coisa pode ser criativa, pois é você que traz criatividade para uma atividade. é uma atitude, uma forma de olhar as coisas, um sentimento íntimo de como resolver problemas e, talvez, mudar o mundo. como as crianças. as crianças mudam o mundo com perguntas e desobediências, coisas que os adultos parecem desaprender com muita freqüência. resultado da falta de coragem de enfrentar situações novas e desafiadoras?… vai ver que nos cansamos, depois de um tempo, de sermos crianças. e a infantilidade [no bom sentido] precisa ser treinada, reinstilada em nós.

osho oferece quatro chaves para a criatividade. a primeira é nos tornarmos crianças de novo: abrir a mente ao desconhecido, perguntar sinceramente sobre o que não sabemos, explicar pacientemente o que sabemos e não mentir sobre o que desconhecemos. a segunda é estarmos preparados para aprender: a infra-estrutura mental para aprender depende em boa parte da ausência de preconceitos [coisas que "achamos", sem provas ou evidências...]; aprender depende de um ambiente que estimule expressão, dúvida, onde ordem e hierarquia não sejam parte do processo de aprendizado [pois aí ele não ocorrerá: eu tenho que ter a possibilidade de "saber mais" do que "meu mestre"!]. a terceira é sabermos encontrar o nirvana no ordinário: há tanto para se aprender nas coisas mais simples, e oportunidades para mudar o mundo a partir daí, e vemos tão pouco disso tudo… parecemos crer que só coisas complexas [e obtusas, no mais das vezes] são gratificantes! finalmente, osho nos conclama a sonhar: o sonho é o desligamento da rotina, da ordem, do poder, do dia-a-dia, o sonho é a rebelião, o inconformismo, a coragem do talvez [consciente] e do sim [arriscado].

muito bom seria se tivéssemos todas estas chaves para a criatividade instaladas em nosso dna, em todos os negócios. melhor ainda se todos as oferecêssemos, dia após dia, a nossos colaboradores, acima, ao lado e [aparentemente] abaixo na hierarquia dos nossos negócios e das nossas vidas. ainda mais radical seria todos estivessem a exigir isso! e podem estar… será que vimos perdendo, física ou mentalmente, os que querem -e não têm- liberdade para criar? talvez devêssemos nos perguntar [sempre] se o sim que ouvimos de um júnior não é sim porque não deixamos aberta a oportunidade para um [ainda que trêmulo] não ou para um talvez. nossos preconceitos, oriundos de nossa formação e caminho que nos levou às posições em que estamos, talvez façam soar como não, aos ouvidos dos outros, um sim que talvez quiséssemos dar. ou um “e?…” com o qual gostaríamos continuar uma conversa sobre uma proposta [talvez] criativa, abrindo caminhos e não destruindo futuros.

para que uma instituição e seus colaboradores sejam criativos, é preciso que todos os seus líderes sejam crianças, tenham [re]aprendido a perguntar e saibam ouvir. aposto como mais e?…‘s ao invés de nãos tornariam nossa vida e nosso negócio muito mais criativo. e feliz.