tvd.br: agora, o ministério público questiona…
o ministério público entrou com uma ação contra o governo federal para pedir a nulidade do decreto que cria o SBTVD-T (de número 5.820/2006), alegando que… “[a] Administração Pública impôs graves encargos pecuniários a nada menos do que 169 milhões de brasileiros, que serão obrigados, nos próximos dez anos, a adquirir o mais caro dos receptores de sistema digital, sob pena de verem interrompido o serviço de radiodifusão”. a reportagem é do telesíntese [gratuita, mas você tem que se registrar].
como toda disputa, há lados aqui também: o fato do receptor ISDB ser o mais caro, hoje, não implica que ele será o mais caro daqui a dois ou três, cinco anos. pode ser também que, sendo o mais caro hoje [teoricamente porque mais avançado], não implique em trocas em futuros mais próximos, como outros padrões possivelmente demandariam. e os outros padrões não são tão baratos assim para receptores com as mesmas funcionalidades: em lugares bem mais ricos do que pindorama, como a itália, o governo está subsidiando os receptores [será que vai fazê-lo aqui?… e por que?…]. há que se considerar que TV digital não é somente TV, mas um sistema de áudio e vídeo digital e interativo. o “receptor” de tv digital, em suas formas mais sofisticadas, é um computador multimídia que pode [pode…] ser tão complexo quanto um pc destes que temos nas nossas mesas hoje. ou mais.
em suma: enquanto o horizonte para tv digital no país não estiver desenhado de fato, com a identificação das cadeias de valor e negócios, não saberemos como comparar coisas. a ação do ministério público é lógica, mas nem sempre a lógica é o fundamento do desenvolvimento. a lógica, alás, sempre foi a base para tomar decisões de desenvolvimento na américa latina e é por isso mesmo que, hoje, somos parte do ROW [rest of the world] em todos os índices de qualquer coisa que seja minimamente interessante.