mude ou morra. mesmo.
o mundo como você conhece está pra se acabar se VOCÊ não tomar sérias e urgentes providências para mudar seu comportamento. qual a chance que você acha que tem de mudar pra não morrer? más notícias: apenas em 10% dos casos o curso dos acontecimentos muda realmente e, em 90% dos casos as pessoas -e empresas- preferem morrer.
danado, não? mudar sua vida -e sua empresa- depende essencialmente da sua capacidade de continuar aprendendo. aprender, por sua vez, depende da sua capacidade de desaprender. isso, de desaprender. há muitos comportamentos das pessoas -e das empresas- que, apesar das evidências externas e internas sobre os danos que causam, não são desaprendidos. continuam sendo executados, de forma neurótica, como se a vida dependesse daquilo. aquilo que vai, exatamente, levar o organismo em pauta, pessoa ou instituição, ao seu fim. fim mesmo.
um excelente artigo da fast company [de maio de 2005] fala justamente disso. começando pelo dia-a-dia das pessoas, observa-se que [há mais de 50 anos] 80% das verbas de saúde são consumidas por doenças associadas a cinco comportamentos, relacionadas à comida, fumo, bebida, stress e falta de exercício. pois bem. só que poucos, entre os afetados [aqueles 10% lá do começo] mudam seu comportamento o suficiente para evitar a morte. o tom muda para negócios e o artigo continua:
Changing the behavior of people isn’t just the biggest challenge in health care. It’s the most important challenge for businesses trying to compete in a turbulent world, says John Kotter, a Harvard Business School professor who has studied dozens of organizations in the midst of upheaval: “The central issue is never strategy, structure, culture, or systems. The core of the matter is always about changing the behavior of people.” Those people may be called upon to respond to profound upheavals in marketplace dynamics — the rise of a new global competitor, say, or a shift from a regulated to a deregulated environment — or to a corporate reorganization, merger, or entry into a new business. And as individuals, we may want to change our own styles of work — how we mentor subordinates, for example, or how we react to criticism. Yet more often than not, we can’t.
o mundo está mudando numa velocidade nunca dantes vista. forças da globalização, da digitalização, da individualização, habilitadas e aceleradas por estruturas em rede, hiper-conectadas, transformam futuro em passado todo dia. a sua, a minha, a chance da nossa empresa sobreviver depende de entendermos o futuro antes que ele aconteça. de antecipar nosso entendimento do mundo, das nossas próprias vidas, trazendo o futuro para o presente e não tentando levar, lá pra frente, passados que já nem existem mais.
ao invés de melhorar, de otimizar, de aperfeiçoar o conhecido, é hora da execução imperfeita do desconhecido. é hora de desaprender a maior parte do que se sabe e aprender, rápido, as regras do futuro. estamos entrando de vez em um mundo intensivo em conhecimento E aprendizado. sejam bem-vindos. e preparem-se para estar mudando sempre. ou pra morrer rápido.
August 6th, 2006 at 11:37 am
Existe um tipo de teste criado por psicologos de Harvard em: https://implicit.harvard.edu/implicit/demo/selectatest.jsp, ele tenta medir as opinioes do seu *inconsciente* a respeito de alguns assuntos.
De certa forma é normal que o inconsciente discorde do consciente, e pelo fato de sermos muito mais afetados pelo inconsciente do que achamos, cometemos contradicoes(faca o que eu digo mas nao faca o que faco) diariamente.
Menos comida, bebida, fumo, etc fazem sentido em uma perspectiva lógica/consciente, mas nao na inconsciente, que sempre que baixamos a guarda/relaxamos deixamo-nos guiar por ela.
Mulheres vivem repetindo que querem um parceiro responsável, atencioso, carinhoso, etc, mas basta entrarem em uma boate que a coisa muda de figura, tais personagens viram inapropriados e são pouco divertidos. Da mesma forma, fala-se muito em reuniões, até concorda-se (em nivel consciente), mas logo depois lá está o cara fazendo o de sempre, e deixando de fazer o que deveria.
Na minha pouca experiencia concordo totalmente com o cara da IBM quando fala que o dificil (ou será impossivel?) é mudar as pessoas, pelo menos 10% já são uma esperança. Nessa logica aparentemente darwinista tambem é melhor trocar os funcionarios pelos certos do que tentar mudar os existentes.
No final das contas o problema é fazer com que as pessoas *façam*, e não apenas falem, concordem e outras coisas fáceis.
August 7th, 2006 at 10:04 am
o difícil é adaptar-se a viver num mundo que vive agora numa gangorra entre a hiper-velocidade e a hiper-inércia. os paradoxos, que antes só habitavam o mundo dos sonhos e os planos abstratos agora fazem parte da realidade humana corriqueira; o ser humano precisa então reformular o pensar, inclusive. é preciso fazer hoje o pensamento do amanhã.
August 7th, 2006 at 10:16 am
ah. para essa reformulação do pensar, existem várias pontes. uma delas vem sendo construída desde que o homem engatinhava. é feita do mais sólido paradoxo; é chamada corriqueiramente de arte.
August 7th, 2006 at 10:52 am
Saulo, seu comentário me lembrou da coluna de Max Gehringer para a revista Você S.A. de outubro de 2001 (O que é…unanimidade).
Nela ele dá o exemplo de convenções internas onde, por exemplo, é efetuado o lançamento de um novo produto. Tem aquela festa toda e no final a “autoridade” fala o “porquê” de estarem ali. Todo mundo concorda e a direção acha que vai tudo bem, já que todo mundo concordou.
Mas, como diria Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. E infelizmente é isso que muitas vezes acontece, seja por medo de inovar ou mesmo “preguiça”. Até mesmo em salas de aula dá para perceber isso. As melhores aulas são quando os alunos começam a perguntar e discutir, ao invés de um “monólogo” do professor.
Outro artigo que acho que se relaciona com esse post que saiu recentemente no Slashdot (link abaixo) de Jamais Cascio: “The Gadget-free futurism”, sobre imaginar o futuro não a partir do ponto de vista de tecnologia como um fim, mas como uma ferramenta usada por outras áreas.
http://www.futurismic.com/2006/08/new_column_jamais_cascio_on_re.html
August 9th, 2006 at 4:48 pm
Silvio,
Li ontem um trecho do livro De Profundis de Oscar Wilde que dizia:
People whose desire is solely for self-realisation never know where they are going. They can’t know. In one sense of the word it is of course necessary, as the Greek oracle said, to know oneself: that is the first achievement of knowledge. But to recognise that the soul of a man is unknowable, is the ultimate achievement of wisdom. The final mystery is oneself. When one has weighed the sun in the balance, and measured the steps of the moon, and mapped out the seven heavens star by star, there still remains oneself. Who can calculate the orbit of his own soul?
Livro online: http://www.upword.com/wilde/de_profundis.html
Essa mudança que queremos fazer “precisa” estar em sintonia com a vida das
pessoas, com seus propósitos. Um caminho e talvez uma disciplina para provocar a (no sentido de aprendizagem) mudança é perguntar as pessoas se elas estão “calculando” a órbita de suas almas.
Eu comecei a “calcular” a minha e sinceramente vou levar uns 100 anos pra resolver - wishfull thinking.
Carlos Pompeu
August 9th, 2006 at 4:52 pm
Acredito q esta questão de envolvimento ou não, está diretamente associado à percepção de retorno que a pessoa tem para cada momento em que está participando de algo. Isto sem contar o mix q há das questões pessoais com as corporativas. Neste contexto, nada pior do que participar de uma reunião em q vc olha e vê q não deveria estar nela, ou q é sobre algo em q vc não acredita, ou q vc tem outra opinião mas o ambiente não permite, ou….
Acredito q no meio disso tudo, há uma fatia significativa da dificuldade q as pessoas têm, inclusive, em vender o seu peixe para fazer com q outros se envolvam em alguma discussão, grupo de trabalho, etc. Falar, convencer, escrever, em resumo, se comunicar. Na diversidade e quantidade de assuntos q se discute hj em dia dentro de empresas, e q trazem consigo informações e posições pessoais junto no mínimo influenciando, diria q hj temos um paradoxo ou desafio: como aglutinar os diferentes perfis necessários à gerar eficiência de redes de pessoas na busca de soluções qd se cada vez mais se precisa de envolvimento de redes de pessoas cada vez maiores.
Talvez uma forma de minimizar as barreiras de comunicação seja alterar e se usar as formas como se comunica usualmente. E para não dizer q isto pode ser só teoria, há comunidades virtuais q conseguem funcionar gerando resultados eficientes dentro do tempo de investimento de cada um. Trazer a eficiência da virtualidade para dentro de corporações é algo q pode significar q os modelos de fazer reunião hj em dia, por exemplo, estejam sendo - na sua maioria - inviáveis para se conseguir envolvimento das pessoas.
Em resumo, meios de comunicação e conteúdo precisam entrar numa “química” tal q consiga gerar eficiência no envolvimento das pessoas. Q tal em vez de reuniões presenciais, não realizar blogs de prazos curtos definidos, com os papéis de marcação de tempo e escritor de ata, ligados a quem fica avisando sobre o tempo q falta e quem vai ler e fazer o resumo do blog, respectivamente?
August 9th, 2006 at 5:16 pm
“Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica pior. Nem se põe vinho novo em odres velhos. Do contrário, rompem-se os odres, o vinho escorre e os odres se perdem. Mas coloca-se o vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.”
O crescimento humano é como o vinho novo.
As crenças antigas e inflexíveis são como os velhos odres que se rompem e não funcionam na presença do crescimento. É necessário descobrir que as nossas antigas crenças precisam mudar se quisermos usufruir os benefícios do desenvolvimento.
“As pessoas sábias estão sempre abertas a novas idéias e crenças, e até a respeito de si mesmas.”
August 10th, 2006 at 11:42 pm
[…] Ou seja, ou muda ou morre… […]