Archive for August, 2006

have your say!

Thursday, August 31st, 2006

em números redondos, há um bilhão de pessoas on-line, das quais cinqüenta mlhões têm um blog. assim, cinco por cento do povo da rede é autor de um jornal pessoal sobre as coisas nas quais se acha apto a dar uma opinião. mas isso não é nada: se o número de pessoas na rede e o número de blogueiros continuar crescendo como o fez nos últimos cinco anos [muito duvidoso, nos dois casos], aí pelo meio de 2008 mais da metade dos usuários da rede terá um blog. dezesseis vezes mais do que hoje, ou 800.000.000 de blogs. muito? se rolar, mesmo, o caos e as oportunidades serão imensas!…

bits…

Thursday, August 31st, 2006

1. nokia vê mercado de personal navigation crescendo 100% ano que vem. e compra firma alemã de software para navegação.

1.1 geo-qualquer-coisa, aliás, é explosão exponencial garantida; no primeiro dia em que a interface de geo-tagging de flickr esteve disponível, 1.2 milhão de fotos foram marcadas!… flicr esperava isso, na melhor hipótese, em duas semanas…


2. nem tubo, nem plasma. mercado de tvs LCD atinge US$45B/ano e a sharp lança seis modelos novos pro natal, feitos em vidro de oitava geração em kameyama, japão. a fábrica não precisa de gente, logo pode ser no japão [começa a desaparecer a "vantagem" de mão-de-obra barata...]. e o novo vidro corta 200 mil yen [US$1.700] no preço de um hdtv de 52″ [sharp = JPY 600k] em relação ao preço da sony [= JPY 800k], que “ainda” usa vidro de sétima geração. cut throat competition é isso aí.

3. kiva.org tem um modelo de negócios genial: qualquer um [eu e vc, inclusive] pode entrar lá e com, poucos dólares, ajudar a financiar um micro-empreendimento em qualquer parte do mundo. funciona como um mercado no qual escolhemos o que financiar, enquanto organizações parceiras [de kiva] apresentam os candidatos ao recurso. tristemente, não há parceiro brasileiro…

4. encontre trabalho pela rede e… seja demitido por emeio. o mundo está começando a ficar verdadeiramente on-line. só que, deste jeito, vai piorar muito. pelo menos eu acho…

5. mercado mundial de telefones celulares este ano, até o natal: 950 milhões de unidades [foram 674 milhões em 2004 e 817 milhões em 2005]. os três maiores têm quase 67% do mercado: a nokia, 33.6%, a motorola 21.9% e a samsung 11.1%, dados do segundo trimestre do ano corrente. celulares, que vêm obedecendo às mega-tendências ultra-fino e ultra-smart, vão [minha previsão] aderir às também mega geo & time…

informaticidade se escreve com “i” de inovação

Tuesday, August 29th, 2006

a era da informação, segundo peter drucker, não começou com a internet, mas bem antes, ao fim da segunda guerra mundial. até então, vivíamos a era da energia, ao redor da qual estavam centrados os negócios e a atividade científica, tecnológica e inovadora. as palavras de ordem eram mais forte, mais rápido, mais potente, num universo de pressões, temperaturas e velocidades. o domínio da tecnologia nuclear e a possibilidade de simular processos estelares deu um ar de fim-da-história ao mundo da energia. a partir daí, os processos biológicos passaram a ser a dominar o cenário e estes, apesar de baseados em energia, estão organizados ao redor de inforrmação e seu processamento.

temos meio século, pois, de era da informação, o que coincide com a idade das máquinas computacionais, digamos, modernas, inauguradas com o eniac em 1946. os primeiros processadores eletrônicos de informação eram tão complexos que as organizações que os tinham em casa foram obrigadas a criar departamentos de tecnologia, populados por gente que entendia de sistemas computacionais -os computadores propriamente ditos e sua infra-estrutura de software-, capaz de fazer as “máquinas” produzirem os “resultados” exigidos pelos negócios. da mesma forma como, no princípio dos tempos da energia, as indústrias de sucesso tinham seu próprio departamento de energia [e algumas o têm até hoje], os negócios mais inovadores destes sessenta anos de era da informação foram aqueles que melhor souberam tirar proveito dos computadores, usando para isso a competência tecnológica interna e de tantos parceiros quantos foi possível.

os computadores e seu uso nos negócios foram inovações radicais do século XX, mudando o mundo e criando possibilidades que, processando dados à mão, eram impensáveis. mas toda inovação é incompleta, imperfeita e impermanente, e sempre chega, de novo, a hora de inovar. não que informática tenha se tornado commodity e qualquer um, em qualquer lugar, possa provê-la. mas, lá atrás, energia se tornou eletricidade, disponível na tomada, e não queremos saber como nos chega. usamos, pagamos e pronto.

da mesma forma, processamento de informação vira informaticidade: interfaces especificadas e entendidas, escondendo funções e procedimentos que queremos, sim, saber o que fazem. suas propriedades são mais complexas do que os fluxos de corrente (da “energia elétrica”) que produzem calor, luz e movimento.  mas, uma vez a par dos significados por trás das interfaces e tendo acesso remoto, confiável, de alta performance e barato, não precisamos, para usar tal informaticidade, de departamentos de tecnologia do lado de cá da rede.

e isso é uma boa notícia para todos. primeiro, para o pessoal “de tecnologia”, que vai trabalhar onde os problemas “tecnológicos” estão, e onde é mais interessante e divertido estar: lugares como amazon s3 [armazenamento on-line], netvibes.com [ecologia de informação] e salesforce.com [cadeia de valor de processos de automação de negócios]. todos são exemplos de informaticidade, atrás do conector, sem que o usuário pense em segurança, performance, updates, backup… problemas lá do pessoal “de tecnologia”.

software-como-serviço é outro nome que se dá a informaticidade; mas esta é bem mais que aquela: inclui hardware-como-serviço, rede-como-serviço e, quase de brincadeira, serviço-como-serviço, quando não temos que fazer o serviço que deveríamos, pois tal poderia ser realizado compondo outros, já disponíveis na rede.

por outro lado, quem ficar do lado de cá do conector terá que se concentrar no que é essencial para o negócio: informação. durante muito tempo -quase todos estes sessenta anos- os interesses informacionais dos negócios estiveram subjugados às competências, humores e modismos de seu pessoal de “tecnologia”. apesar do chefe, lá, atender pelo título de chief information officer, que significava, de fato, chief information technology officer. com a tecnologia escondida na informaticidade, o pessoal “de tecnologia” que restar será o que der conta, enfim, da informação.

a agenda dos “novos” cios, nos negócios, será pautada na criação, manutenção, implantação e operação de políticas e estratégias de informação, cobrindo o ciclo de vida de informação no negócio, de criação ou captura até  terminação, passando por  processamento, armazenamento, preservação, apresentação…  para o que precisarão desenhar sistemas de informação, parte da funcionalidade dos quais, breve, será provida pela informaticidade da rede, através da composição de funções disponíveis em muitos fornecedores. e o resto, que tivermos que definir e escrever nós mesmos, será em boa parte complementos e conexões de coisas que outros irão nos fornecer como serviço.

em algum lugar, lá atrás, estarão, a suportar tudo, as tecnologias de informação. gozando pela primeira vez, em sua curta história, da imunidade do anonimato. algo me diz que, neste novo mundo, as coisas serão muito mais calmas e que, por isso mesmo, poderemos inovar muito mais.

mtv ::=:: 25. what now?…

Sunday, August 27th, 2006

MTV na REUTERS: clique AQUInum distante agosto de 1981, a MTV levou ao ar o que as cassandras de plantão rotularam um pato morto: uma TV de videoclips, em verdade anúncios de músicas, filmadas pelas gravadoras, para promover seus artistas e discos, num mundo pré-digital, pré-internet. um quarto de século depois, não foi a MTV quem lançou iTunes, nem pensar nela ter pensado youTube, muito menos foi ela quem criou as redes sociais on-line e ainda menos quem bateu rupert murdoch na corrida pra comprar mySpace [que desde a aquisição quadruplicou o número de acessos, e não necessariamente por causa dela...].

poderia ter feito tudo isso a custo zero, como efeito colateral de suas operações “normais”… poderia mesmo? é difícil chegar ao topo, ainda mais como a MTV, que criou uma nova categoria de TV e chegou e ficou no seu topo. é muito mais difícil, do topo, continuar criando as bases para os novos topos: a necessidade de defender os espaços conquistados, de melhorar a performance do que já se faz, lidar com o “dono” [a viacom] e suas peculiaridades [incluindo guerras territoriais e de poder entre CEOs de partes da operação]… acaba fazendo com que a maior parte da energia institucional se desvaneça num grande vácuo, onde todos os vetores jogam uns contra os outros e a soma, no final, é zero. algo bem parecido com o que acontece com a estratégia de uma universidade federal no brasil…

o grande problema da MTV, aos 25, não é o que melhorar na MTV: é que seu público inicial, que tinha 15-25 há 25 anos, tem 40-50 hoje e o povo de 15-25 de hoje talvez nem passe mais pela MTV nos eua [20% das 448 milhões de residências, no mundo, que recebem o sinal]. e isso inclui uns velhinhos como eu [51...], que nem me lembro mais qual foi a última vez que sintonizei a MTV. certas horas me parece que foi bem antes do advento do controle remoto nos televisores,… mas posso estar enganado.

resumo: 1] crie um novo negócio e [se TUDO der certo] faça sucesso; 2] pegue partes do lucro [ou dinheiro de investidores, que te darão muito crédito porque você já acertou uma vez!] e crie OUTROS negócios, novos e arriscados, fora deste primeiro que deu certo… 3] aprenda com os erros e, se algum der certo e fizer sucesso, volte para o passo 2. a galera que criou, com você, um que deu certo vai continuar querendo que aquele dê certo. afinal, é o sonho, a vida, o mundo deles. sua responsabilidade, como empreendedor, é tornar-se serial: quem tem mesmo jeito pra coisa, faz um negócio que dá certo [ou errado], aprende com os erros e depois faz outro. pro resto, que só tenta uma vez ou fica no mesmo, a vida toda, melhor fazer concurso pro serviço público… e isso no brasil, porque em muitos países, lá fora, tem que ser empreendedor!…

as viagens, os olhos, o tempo e as palavras

Friday, August 25th, 2006

“Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux.” o original, em francês, é atribuído a ninguém menos que marcel proust, aquele da busca pelo tempo perdido. o português correspondente é, mais ou menos… “a viagem das verdadeiras descobertas não é a que busca novas paisagens, mas a que vê com novos olhos”.

todos os dias, queiramos ou não, começamos uma nova viagem. quase nunca ela é uma das “verdadeiras” de proust. dia sim, outro também [raramente escapamos], olhamos a realidade com nossos velhos olhos e seus filtros de caleidoscópicos preconceitos, resultado das experiências -às vezes nem sempre tão boas assim- que acabaram por construir nossa identidade, que [quase sempre] nada mais é do que a capacidade [de cada um] de interpretar o mundo ao redor.

no mais das vezes, nossos filtros de realidade deixam passar apenas os feixes nos quais já queremos acreditar. e ainda inventam as luzes que queremos ver. por isso é tão difícil ver -quanto mais entender- o novo ao nosso redor. o “novo” é quase sempre incrível, no mínimo um sonho inatingível. o grande desafio dos projetos, processos e programas de inovação é que eles “estão” no futuro e, por conseguinte, não fazem parte de um feixe de raios de luz que nos são perceptíveis e inteligíveis como parte do presente.

otto schärmer ensina que o futuro vem do futuro. “pre-sentir“, para ele, é a habilidade de agir, agora, de tal maneira que as ações que realizamos, agora, se originam de um processo de “trazer” o futuro para o presente. difícil de explicar, fácil de entender. imagine-se num processo de mudança, que está reconstruindo as bases de sua organização, reescrevendo seu dna para o futuro [que, aliás, a qualquer momento, já começou {mesmo que em outro(s) lugares}]. se este processo começou a acontecer, é muito fácil “sentir” [olhe o mundo ao seu redor!] que uma parte significativa dele continua no passado. o que não significa que tal “parte” esteja por fora, seja contra ou, de resto, esteja conspirando contra o futuro.

o futuro é construído por partes. segundo gilberto freyre, o futuro nem existir existe… pois o tempo, a qualquer momento, é tríbio: convivemos a todo tempo com pedaços do passado, do presente e do futuro. duvido que haja algum de nós que esteja em um só dos tempos [dos verbos e] do tempo. mas a verdade é que sofremos de falta compreensão para com os que, enquanto estamos num tempo, noutro estão. a pior intolerância é com os que, enquanto estamos no futuro, tentando transformar nossos castelos nas nuvens em sólidas estruturas na terra… estão eles, por necessidade, tomando decisões e agindo, no presente, para pagar nossas contas. o mercado compra no presente. compra passados, presentes e futuros… no presente. e quase sempre paga no futuro, quando paga.

processos de mudança institucional -ou de inovação- deveriam ser percebidos, por todos os que deles participam, num modo freyre-schärmer: é certo que o futuro vem do futuro; mas a qualquer tempo, todos os tempos são presentes. se aceitarmos a inevitabilidade desta interpretação, torna-se fácil entender porque, enquanto as revoluções estão a incendiar o mundo de cada um dos revolucionários, há que haver outros tantos revolucionários que têm que dar conta, na instituição, do presente e do passado… sem os quais não há futuro.

e o resto? são “words, words, words.” palavras, palavras, palavras

o valor dos ecossistemas

Thursday, August 24th, 2006

salesforce.com não é só uma operação de software como serviço que esconde, atrás de um endereço web, um dos melhores softwares de crm do planeta. salesforce, como netvibes, está criando uma sofisticada ecologia de aplicações sobre sua plataforma. umas são desenvolvidas pelos próprios clientes [e são fechadas]. mais de 40% das transações, em salesforce, são feitas sobre a API, por serviços que não fazem parte de salesforce.com propriamente dito.

ainda por cima, pra facilitar a vida de quem quer desenvolver “plug-ins” pra sua plataforma, salesforce criou um padrão [AppExchange] que possibilita que independentes “colem”, muito facilmente, suas criações sobre o que salesforce já faz. isso incentiva uma montanha de criatividade fora do negócio, sem que salesforce tenha que, necessariamente, investir um simples dólar, até que um serviço qualquer se mostre interessante… como acaba de ser o caso de kieden, que torna possível, para os usuários de salesforce [cujo papel principal é administrar a cadeia de valor de informação sobre clientes & vendas] acompanhar suas campanahas de propaganda em google [adwords].

no mundo em rede, ninguém sobrevive sozinho. nem os líderes das cadeias de valor: estes têm que fomentar o público ao seu redor, não só como consumidor, mas como fonte de inovação permanentemente. e a rede, como está sendo [re-]montada hoje, permite que, com muito pouco esforço, um pequeno grupo de criadores desenvolva -porque acaha necessário e sabe fazer- os kieden da rede. pelo que serão regiamente remunerados face ao trabalho envolvido, dezenas de vezes melhor do que se fossem empregados de alguém, o que paga muito bem o risco de, quase sempre, dar com os burros n’água…

www.voofacil.com

Tuesday, August 22nd, 2006

esta é da série “só faltava alguém fazer”: ex-funcionário da varig, pra quem sair de lá é capaz de ter sido o maior lance de sorte da vida, até agora [logo depois de entrar e entender de vôos, preços e sistemas de vendas on-line das companhias], lança site pra comparar preços de vôos das companhias aéreas brasileiras. www.voofacil.com.

simples. entre, escolha ponto de partida e chegada, datas, clique e espere [os servidores não parecem estar agüentando a carga] um pouco e verá os vôos listados por ordem de preço, por exemplo. daí, é so clicar e comprar lá no site da companhia.

vai ter muita gente perguntando “como é que eu não fiz isso antes”? inovação é isso aí. certas coisas são tão simples, certas horas, que ninguém pensou em fazer até que alguém foi lá e fez. não deve ter sido tão fácil assim e está sujeito a chuvas e trovoadas, como as empresas mudando a API de seus sites sem qualquer aviso. mas inovação é risco, e é pelas tais chuvas e trovoadas que outros, mais avessos a risco, provavelmente tiveram a idéia mas não a levaram à frente. vamos ver como a coisa anda. tem jeito e eu vou usar… afinal, as companhias estão tentando vender passagens pela hora da morte…

condições de trabalho…

Tuesday, August 22nd, 2006

“Any time you isolate people, bind them together and work them like dogs, it’s very powerful. You can get an enormous amount done when you create a place of such total focus and collective delusion.”

em português, fica mais ou menos assim: sempre que você isola pessoas, estabelece conexões entre elas e as faz trabalhar como burros de carga, cria-se algo muito poderoso. pode-se fazer uma quantidade enorme de coisas quando se cria um lugar de tamanho foco e ilusão coletiva.

a frase é de Robert Sutton, psicólogo organizacional da Stanford School of Engineering, e está em um texto do sfgate sobre a “onda” de startups onde as pessoas [poucas] vivem e trabalham juntas na partida de um negócio. lá no fim do artigo tem um trecho sobre box.net, um serviço de compartilhamento de arquivos que tem mais de 300 mil usuários e é tocado neste novo modo “garagem” por uma pequena tropa de quatro ex-colegas de colégio, o mais velho de 21 anos [que vem a ser o ceo!...]. vale a pena ler.

são empreendedores como eles que rompem as barreiras usuais de fazer negócios e, fora do esquema natural das coisas, criam empresas e produtos que ninguém esperava, até serem absorvidos pelo mundo corporativo, porque seu negócio não decolou ou porque foram adquiridos por alguém [e poderiam se aposentar aos 25]. o sonho nem sempre dá certo, claro. aliás, na maioria das vezes dá errado, mas aí se aprende muito e cada um se torna muito mais capaz para enfrentar as próximas rodadas da vida.

meu sentimento particular é que não estamos aprendendo esta garra nas nossas escolas e na nossa sociedade aqui em pindorama. vejo muito pouca gente ao mesmo tempo capaz e disposta a enfrentar as agruras de alguns anos de ralação pura pra ver um novo produto ou negócio sendo criado; ouço muito mais reclamações sobre o que não dá pra ser feito porque estamos aqui do que propostas aparentemente factíveis -apesar de meio doidas- de coisas realmente inovadoras. é uma pena.

espera-se -pelo menos eu espero- que pelo menos uma parte da juventude, algum dia, se revolte e tome às suas mãos as mudanças que precisamos fazer… inclusive neste duro processo de aprender a fazer. quando? sempre é tempo. antes tarde do que nunca. mas tomara que muito mais gente acorde muito mais cedo do que está acontecendo nos dias de hoje…

tvd.br: agora, o ministério público questiona…

Monday, August 21st, 2006

o ministério público entrou com uma ação contra o governo federal para pedir a nulidade do decreto que cria o SBTVD-T (de número 5.820/2006), alegando que… “[a] Administração Pública impôs graves encargos pecuniários a nada menos do que 169 milhões de brasileiros, que serão obrigados, nos próximos dez anos, a adquirir o mais caro dos receptores de sistema digital, sob pena de verem interrompido o serviço de radiodifusão”. a reportagem é do telesíntese [gratuita, mas você tem que se registrar].

como toda disputa, há lados aqui também: o fato do receptor ISDB ser o mais caro, hoje, não implica que ele será o mais caro daqui a dois ou três, cinco anos. pode ser também que, sendo o mais caro hoje [teoricamente porque mais avançado], não implique em trocas em futuros mais próximos, como outros padrões possivelmente demandariam. e os outros padrões não são tão baratos assim para receptores com as mesmas funcionalidades: em lugares bem mais ricos do que pindorama, como a itália, o governo está subsidiando os receptores [será que vai fazê-lo aqui?... e por que?...]. há que se considerar que TV digital não é somente TV, mas um sistema de áudio e vídeo digital e interativo. o “receptor” de tv digital, em suas formas mais sofisticadas, é um computador multimídia que pode [pode...] ser tão complexo quanto um pc destes que temos nas nossas mesas hoje. ou mais.

em suma: enquanto o horizonte para tv digital no país não estiver desenhado de fato, com a identificação das cadeias de valor e negócios, não saberemos como comparar coisas. a ação do ministério público é lógica, mas nem sempre a lógica é o fundamento do desenvolvimento. a lógica, alás, sempre foi a base para tomar decisões de desenvolvimento na américa latina e é por isso mesmo que, hoje, somos parte do ROW [rest of the world] em todos os índices de qualquer coisa que seja minimamente interessante.



elife monitor: escutando a rede

Monday, August 21st, 2006

acaba de entrar no ar, em modo beta, o elife monitor, um serviço que já escuta mais de 2.600 comunidades web de língua portuguesa e mostra o que de relevante está sendo dito lá, contra ou a favor alguma coisa. a página de entrada tem as 100+ marcas [ou pessoas] mais comentadas da web brasileira e, apesar de uns ajustes que ainda têm que ser feitos, o sistema já pode ajudar muitsa gente a entender o que significa presença na rede. vai ser muito útil pra empresas e suas assessorias de comunicação…

descobrindo a pólvora…

Friday, August 18th, 2006

um painel da linuxworld, quarta passada, lotado de luminares da comunidade open source, acaba de descobrir a pólvora: linux precisa tratar multimídia e brinquedos como iPod transparentemente [para o cidadão comum de forma simples como windows e OSX [eric raymond]; a janela de oportunidade pra ganhar mercado desktop daqui até o começo de 2008, quando vista deve começar seu lock-in no mercado de sistemas operacionais [raymond, de novo]; linux não vai chegar a 10% nas economias ricas e vai ficar por uns 15% nos países em desenvolvimento [linux é muito importante, no terceiro mundo, porque é grátis: dirk hohndel]; nós estamos pregando para os convertidos e precisamos nos abrir pro mundo [ninguém menos do que john maddog hall]…

legal: antes tarde do que nunca. esta história de que venceremos porque somos melhores é conversa pra boi dormir. nenhum software [complexo e útil] que eu conheça ou tenha trabalhado com ele, desde 1973, tem vida simples. o ciclo de vida, partindo das expectativas dos [potenciais] usuários até o pessoal do suporte lá no frio dos data centers, é cheio de problemas, versões, bugs, configurações, falhas de segurança, o diabo a quatro. ter uma frente [ou melhor, uma retaguarda] única, como windows tem, simplifica umas coisas [há um número muito pequeno de windows xp...] e complica outras [como a influência que as políticas da microsoft podem ter sobre o mercado]. ter muitas frentes tem vantagens [como o número de soluções alternativas e específicas] e desvantagens [que tal escolher entre -e compatibilizar- mais de trezentas distribuições?]…

em suma: linux está debutando, aos 15 aninhos, no mundo real. e o mundo real é feito de escolhas reais, feitas por gente real, em instituições reais, para resolver problemas bem reais [de todos os tipos, inclusive um monte que nada tem a ver com o software] e não por burocratas isolados em gabinetes, pensando que detêm algum tipo de poder real. entender isso, pra quem está de verdade aqui no lado open source do mundo, é fundamental pra tratar o problema com a energia e objetividade que deve ser tratado e com tempo e recursos para tal. antes que seja tarde. demais.

falta gente!…

Wednesday, August 16th, 2006

a qualquer momento, yahoo! tem cerca de 1.000 vagas abertas. por ano, a empresa contrata cerca de 2.500 pessoas… e recebe 120.000 currículos! a busca por gente começa, pois, com cerca de 50 candidatos por vaga que, filtrados contra as exigências das posições oferecidas, resultam em 10/1. mega-problema de seleção de pessoal, de identificação de competências e de gestão estratégica de gente, a “coisa” mais sofisticada, complexa e difícil, quase impossível, de gerenciar, do mundo. pra ver como yahoo! tenta, veja a entrevista de libby sartain [chief people yahoo!] no blog [que você deveria ler vez por outra] de guy kawasaki.

o c.e.s.a.r [onde sou consultor de desorganização institucional] não é tão grande quanto yahoo!… mas, no ano passado, contratou mais de 200 pessoas [desde programador java até engenheiro de aplicações embarcadas, passando por designer, especialistas em marketing, arquitetos e engenheiros de software, mestres, doutores...] usando como ponto de partida um banco de currículos que tem, hoje, mais de 5.800 pessoas. teoricamente, pelo menos, começamos perto de yahoo!, em cerca de 30 candidatos por vaga. depois que os filtros de competência são aplicados, sobram 10 candidatos, dos quais contratamos 1. a mesma taxa de yahoo!. e o problema é o mesmo na índia e onde mais você procurar saber.

não é só aparentemente que há um descolamento considerável entre a formação do capital humano de tecnologias de informação e comunicação nas instituições de ensino [superior, inclusive] e as necessidades das empresas e dos institutos de inovação e pesquisa como o c.e.s.a.r: a separação entre o que parece estar sendo aprendido e as demandas reais de mercado [qualquer que seja] é real, grande e muito cara. o mercado [que não tem tantas escolhas quanto yahoo!, aqui] tem que arcar com o “custo brasil” da falta de qualidade da educação, com um número cada vez maior de empresas operando seus próprios processos de formação.

impostos são recolhidos por governos que existem para, em teoria, prestar serviços públicos para a sociedade. educação talvez seja o mais precioso e caro deles todos. meu resumo do que governos têm que fazer é: educar gente, criar oportunidades e sair da frente [criando as condições para que as empresas criem, por outro lado, trabalho, emprego, renda, riqueza e... mais impostos].

se não temos, no brasil, os yahoo! [que atraem gente de todo planeta, inclusive deste pedaço aqui] e queremos ser mais competitivos, o problema primordial é formar, e muito melhor, nosso capital humano. aí, mesmo que uma parte dele fuja para os yahoo! do mundo, ainda vai haver, aqui, muita gente boa.

taí uma boa pergunta pra você fazer aos seus candidatos pra próxima eleição: qual é, mesmo, a posição deles sobre educação ampla, irrestrita e de qualidade?…