Archive for July, 2006

silicon graphics: o fim?

Wednesday, July 19th, 2006

era uma vez uma grande companhia de servidores e estações gráficas, usadas por toda a comunidade científica [em boa parte para visualização] e de engenharia e pelos estúdios de cinema, para seus efeitos especiais e filmes de animação. era uma vez. era uma vez uma companhia brilhante, sofisticada e rica, que não viu a curva chegando. na velocidade que vinha chegando. parece que, mesmo, era uma vez uma companhia chamada silicon graphics. as chances de recuperação parecem zero. a fila anda. que descanse em paz.

dinheiro sobrando é vendaval…

Tuesday, July 18th, 2006

de investimento! olhe esta lista [recente] de apostas do capital de risco do/no silicon valley. se você tivesse, jogava [literalmente] seis milhões de dólares [na segunda rodada de investimentos] num negócio que tem por fim avisar, no celular, se um leilão no e-bay está pra terminar? eu investiria [se tivesse] dezoito milhões de verdinhas em um start-up que produz e distribui jogos para celulares?… eu sim. aliás, o c.e.s.a.r tem nem tanto, mas energia comparável, investido na meantime, que faz justamente isso. bom que a digital chocolate tá pegando tanto ar assim [os dezoito completam quarenta milhões de dólares em dinheiro de VCs]. isso significa que a gente tá [ou melhor, ‘tava] no caminho certo desde que bancou o projeto, anos atrás, com nossos próprios cabrais. e que o horizonte tá cheio de alternativas… muito além de jogos pra celulares!…

homens: totalmente desnecessários

Tuesday, July 18th, 2006

o time de Karim Nayernia na Georg-August University em Göttingen, alemanha, está construindo esperma a partir de células-tronco de embriões de rato de apenas alguns dias de vida. o processo segue os passos da figura ao lado [clique lá pra ir pra notícia] e é apenas mais um dos muitos que a humanidade está dando na direção do entendimento, operação e evolução, se é que é possível, do bodyscape, o domínio de conhecimento sobre nossos corpos [e o das outras criaturas, nossas companheiras de viagem nesta terra super-aquecida]. os outros dois domínios que nos interessam são o landscape e o mindscape. do primeiro, imenso [10 elevado a cento e vinte particulas só neste universozinho aqui], parecemos ter muito mais conhecimento do que do segundo, talvez limitado [cem bilhões de neurônios] apenas por nossos cérebros e suas interações.

o certo é que o assunto da hora é o bodyscape e nossas tentativas de burlarmos o destino codificado nos nossos extensos e complexos programas de vida, escritos em dna. o processo ao lado pretende ser -quando reproduzido em escala humana- parte do tratamento para infertilidade masculina ou, num mundo distópico, para criação de uma sociedade onde os homens -pelo menos como reprodutores- são completamente desnecessários [no limite]. daqui a alguns anos, nosso foco de atenção vai ser o mindscape, até porque técnicas de intervenção no corpo humano vão tornar possível a manipulação do cérebro e da informação por ele processada, de muitas maneiras, o que vai romper uma das últimas barreiras que separa a ciência do misticismo e da mágica. como o que já está sendo feito no uso do braingate para controlar dispositivos usando… pensamento. é só uma questão de tempo. quem viver verá.

cooperativas e f/l/oss-d

Tuesday, July 18th, 2006

um grupo de pessoas que desenvolve software aberto [f/l/oss = free/libre/open source software] é, quase que por definição, um grupo [!] e não uma empresa. há empresas que desenvolvem software livre [mas, às vezes, de forma pouco aberta] e há umas poucas que participam, de forma muito aberta, de processos de desenvolvimento de f/l/oss.

agora imagine que uma empresa ou um pedaço do governo vai fazer uma licitação para desenvolver software. e que um dos grupos capacitados para desenvolver a solução que o cliente quer [e pela qual quer pagar] é um grupo de pessoas ligadas a um projeto f/l/oss. um grupo, apenas. grupos normalmente não têm vendedores, marcas… mas têm qualificação e reputação. não têm estruturas corporativas e hierarquias, mas têm processos e métodos. não têm um CGC para entrar na licitação, mas podem ter muito mais competência do que boa parte dos cgcs que já ganharam um contrato parecido.

mas a empresa que está comprando o serviço não vai dar um contrato para desenvolver o software a um grupo de pessoas, pura e simplesmente, pois o estabelecimento de tal relação comercial é muito difícil. é quase impossível se o contratante for o .gov.br. quem seria processado se der tudo errado? uma pessoa física que mora fora do brasil, no nosso caso?…

o último resilience report da booz-allen-hamilton é sobre corporações auto-governadas, ou corporativas, e o exemplo primeiro é sobre um banco, o rabobank holandes, um gigante de mais de 100 anos que administra mais de 500 bilhões de dólares e vai muito bem obrigado. um banco onde os clientes das agências [bancos locais] se reunem pra discutir pra onde o banco, como um todo, vai. talvez a gente devesse tentar fazer algo parecido para software, no brasil, em escala. seria uma forma de criar um ente corporativo capaz de competir por contratos no mercado [e com as devidas responsabilidades legais] ao mesmo tempo em que poderia ser uma forma eficaz de organização empresarial [uma coop é uma empresa] e uma maneira legítima de passar ao largo do medievalismo [e dos custos] do sistema trabalhista brasileiro.

o resilience report sobre cooperativas pode servir de partida pra um estudo aprofundado sobre o assunto. e há exemplos locais a estudar e imitar, como a solis [veja entrevista de cesar brod sobre o tema], que tem 3 anos de vida e parece estar indo muito bem. associativismo e software aberto têm muito a ver; cooperativismo, equipes distribuídas [com processos e métodos de qualidade] pelo mundo podem ter muito a ver e a fazer, também. e podem ser itens essenciais de uma competitividade internacional que não estamos conseguindo desenvolver, por enquanto, por aqui.

a volta das memórias magnéticas

Tuesday, July 18th, 2006

a freescale acaba de botar no mercado chips de 4 megabit de tecnologia magnética, mais ou menos voltando às origens das memórias de computador, que eram feitas de núcleos magnéticos. as novas memórias da freescale [que vai ter competidores, em breve] trabalham na região de 35 nanosegundos e podem substituir, ao mesmo tempo, as memórias ram [que estão na memória dos pcs, por exemplo] e flash [que estão nas memórias usb… entre outros], fazendo com que um laptop esteja pronto para usar assim que for ligado [pois toda a informação necessária pra botar a coisa pra andar estará na memória principal: a memória ram não apaga com o computador desligado]. a competição pra ver quem seria a primeira companhia a produzir MRAMs foi radical e a freescale está de parabéms por ter chegado lá primeiro. breve, espera-se que esteja em alguma coisa útil [e não muito cara] perto de nós.

microsoft: multas, corações e mentes

Monday, July 17th, 2006

depois de uma semana completamente fora do ar [e da internet], tô de volta aqui, pra dar meus pitacos na vida dos outros. enquanto eu tava desaparecido, a microsoft foi multada pela união européia em mais de 350 milhões de dólares. brad smith [o chefe do jurídico de lá] vai apelar da multa, que vem no topo de outras, de mais de 600 milhões, já aplicadas à empresa antes, pela união européia. a razão de todas, na base, é a mesma: práticas anti-competitivas [em excesso] da empresa de redmond, interpretadas pela europa como uma tentativa [bem sucedida, pelo tamanho das multas] de dizimar a competição. a msft tem quase 35 bilhões de dólares em caixa [obtidos em parte como resultado, de acordo com a união européia, de seu lock-in sobre o mercado de plataformas de mesa] e as multas não vão fazer a empresa perder o prumo ou a capacidade de competir e, muito menos, atrasar [ainda mais] o lançamento de windows vista, que está destinado a mudar novamente a cena dos sistemas operacionais de mesa [e móveis e o resto, no futuro].

dinheiro não é mesmo o problema de uma empresa rica como a msft. mas há problemas muito difíceis de resolver por lá. uma pesquisa de itwire perguntou, depois da multa mais recente“Are EU antitrust regulators being overly zealous in prosecuting Microsoft?” o resultado?… 69.2% answered no, 30.8% answered yes. The clear implication is that more than 2 out of 3 readers who bothered to respond to the poll believe that Microsoft is getting what it deserves from EU regulators. mês passado, fêz-se uma pergunta sobre se a união européia deveria fazer algo contra a apple por causa do casamento itunes-ipod, que é um lock-in de fato [música vendida pelo itunes só toca no ipod]… “Should Apple be forced to make iTunes compatible with portable players other than iPod?” a resposta?… 56.4% answered no, while 43.6% answered yes. ou seja: 70% do público acha que a msft está levando porrada porque merece, enquanto só 40% acham que a apple deveria tornar o itunes compatível com aparelhos que competem com o ipod.

a beligerância com que a microsoft tem tratado a competição [e, certas horas, seu próprio público] é certamente uma das razões para tamanha desconexão entre a companhia e seus usuários. vale lembrar que mais de 90% dos desktops usam windows… logo são os próprios usuários que estão “julgando” e “condenando” a empresa. a microsoft é uma grande companhia. sempre foi. senão não teria chegado onde chegou e não contaria com a competência de tanta gente boa trabalhando nela, e com e para ela. mas é preciso entender os sinais do mundo fora de seus campi e salas de reunião e decisão. isso vale para qualquer empresa, da padaria da minha esquina até as maiores companhias do mundo. sem fazer um esforço diuturno para continuar merecendo o respeito e as transações de todos os elos de sua rede de valor, pra cima, pra baixo e pros lados, não há negócio que se sustente. taí a varig que não me deixa mentir [e a vasp e tantas outras, antes dela], e nossa previdência federal, que vai falir.

sem os corações e as mentes dos consumidores, não há reserva de caixa que sustente o futuro de uma companhia, por mais dominante que ela seja. a apple, uma das companhias mais fechadas de todos os tempos [no mercado de informática], sempre soube fazer isso. a msft não. parece que tá na hora de começar. se eu estivesse lá, estaria dizendo isso bem alto pros ouvidos que decidem. da mesma forma que digo no centro de informática da ufpe, c.e.s.a.r, porto digital… onde passo: clientes, usuários, parceiros, fornecedores… e até competidores, em muitos casos… todos são parte de nosso negócio. é bom, pois, cuidar de forma interessada, sincera e transparente da nossa relação com eles, para que estejam do nosso lado, de forma crítica e construtiva, quando precisarmos deles. senão a ladeira da vida da empreitada vai ser sempre muito mais difícil do que poderia ser com o “povo” do nosso lado…

fora do ar…

Monday, July 10th, 2006

 

 

a probabilidade deste blog ter alguma coisa nova nesta semana é baixa. não é zero, mas é perto. eu vou estar mais ou menos separado do mundo, até sábado, numa parte [quase irreal] do mundo real correspondente a esta foto aí. espero que não em cima ou acima da pedra. espero que vocês todos tenham um tempo tão bom quanto o meu. inté.

ameaças do futuro: net neutrality

Friday, July 7th, 2006

apenas nesta última semana, pelo menos 4.000 entradas que mencionam “net neutrality” foram postadas em blogs varridos por sphere, meu buscador predileto -e bem completo- pra achar coisas em blogs. vai ser muito difícil definir net neutrality [o link sob a expressão anterior leva à wikipedia] e a controvérsia sobre o assunto é grande -tanto quanto o interesse das partes envolvidas- e pode durar anos ou décadas.

eu não acredito muito em qualquer coisa que tenha uma definição vaga demais ou complexa demais. no primeiro caso, todo mundo pode ser contra ou a favor [e mudar de lado] sem precisar saber [ou explicar] porque; no segundo, as pessoas têm lados e não conseguem saber porque… a discussão sobre net neutrality caminha perigosamente para a complexidade e tim berners-lee tá ajudando a por ordem na casa, dando uma definição simples do que é neutralidade da rede, usando um exemplo: If I pay to connect to the Net with a certain quality of service, and you pay to connect with that or greater quality of service, then we can communicate at that level… se eu pago para me conectar à rede com uma certa qualidade de serviço e você paga para se conectar com uma qualidade igual ou maior à minha, nós podemos nos comunicar na minha qualidade [pelo menos].

em suma, se eu estou a 600kbps com uma perda de pacotes de 10% e você está a 1mbps com uma perda de 5%, nós temos que poder nos comunicar a 600kbps com 10% de perda, ou algo entre isso e sua qualidade, se a rede tiver como prover. simples. fica pior do que o seu, pra você; mas tem que ser pelo menos tão bom, para nós dois, quanto o meu. todo o resto da conversa é conversa e não ajuda, em nada, a estabelecer regras de operação para as próximas gerações de rede. para elas, neutralidade significa, claramente, que os assinantes individuais têm que receber aquilo pelo que estão pagando. e não que os programadores centrais das redes de comunicação do passado, como rádios, jornais, TVs… terão prioridade pra seu conteúdo, à frente dos usuários, as pontas da rede.

este quesito -de neutralidade- será objeto de uma gigantesca tentativa de manipulação, nos próximos anos, por todo tipo de agente de grande porte, centralizador, que tem interesse em inserir de volta, na internet, o modelo do programador central, que “sincroniza” a sociedade ao seu redor. o impacto da internet na mídia [e nas empresas] clássica[s] vem do seu poder de conectar as pontas, as beiras, em velocidade e qualidades que só estavam disponíveis, em passado bem recente, para o centro.

a discussão sobre net neutrality no congresso americano demonstra duas coisas: 1] as teles não morreram e 2] o centro tá mais vivo do que nunca. e os dois conspiram pra ter de volta o mundo calmo e consolidado que dominavam antes da internet. o preço da nossa liberdade será a nossa eterna vigilância. em rede. senão a minoria [poderosa] vencerá [como sempre] a maioria [dispersa e desarticulada].

chaves do futuro: padrões abertos

Friday, July 7th, 2006

ainda há quem acredite que padrões fechados podem ser um item essencial para competitividade de seu software. principalmente em mercados [quase-]comoditizados. há quem ache que a combinação de software fechado com padrões fechados [inclusive da informação produzida pelo software] é um tiro certo. ou quase sempre. mas há quem não. como o estado americano de massachussetts e países como bélgica e dinamarca. neles, vai começar a valer a determinação de que documentos de escritório têm que ser armazenados usando o padrão [ISO] ODF [este blog já discutiu o assunto]. aparentemente, a microsoft estava atrelada a um dogma fundamental do office, que era usar padrões próprios.

mas a microsoft [agora] tem bill hilf e ray ozzie. e não há quem ache que estes dois passaram ao largo da decisão [muito recente] de prover ODF como um dos padrões de representação de informação na suíte office inteira, como um add-in ao software e, ainda mais, construído de forma aberta, suportado por uma licença BSD e depositado no sourceforge. bem alto e bom som,tá lá na página do projeto odf-converter…: Microsoft (Funding, Architectural & Technical Guidance and Project co-coordination). qualquer um [claro!] poderia sentar e escrever este plug-in. e há grupos que prometeram fazê-lo. a surpresa [ou não…] é que a própria msft resolveu coordenar e financiar um projeto pra fazê-lo, o que dá ao odf-converter lá do sourceforge um ar tão oficial como se queira.

ray ozzie, ao contrário dos que o antecederam [como intermediários de gates nas tomadas de decisão] não parece ser muito de “transformar padrões”, técnica usada na msft desde o começo dos tempos [=pegue um padrão e trate de melhorá-lo, para seu uso, de tal forma que ele deixe de ser -quando usado pelos seus usuários- um padrão… e seja uma propriedade da companhia]. bill hilf, por seu lado, veio direto da comunidade oss pra msft e vez por outra diz que é “um cara não-msft trabahando na msft”. os dois, juntos, devem estar abrindo os olhos de redmond não só para padrões abertos mas para software idem.

e a comunidade de software aberto pode acabar vencendo a microsoft, não pela destruição, mas pela transformação… senão na maior empresa de software livre do mundo, pelo menos em uma empresa que não será hostil ao software livre [até porque parece estar aprendendo a usá-lo em seu modelo de negócios].

quem viver, verá.

the commons rising

Thursday, July 6th, 2006

o tomales bay institute/common assets, pelas mãos de Peter Barnes, Jonathan Rowe e David Bollier, acaba de lançar The Commons Rising, um belo texto sobre o domínio público e as múltiplas avenidas que levam -e partem- dele. resumo da ópera: The Commons Rising is about the profusion of commons initiatives that are defending and invigorating the commons in all sorts of arenas — the Internet, natural resources, public spaces, information and culture. We can see the “commons rising” in collaborativge websites and ecosystem trusts; in innovative legal tools such as conservation easements and Creative Commons licenses; in new types of social networks such as community gardens and time banks; and in new online communities such as Wikipedia, free and open source software, Craigslist and open science initiatives.

não há muito sobre software, lá, e é por isso mesmo que o povo de software deveria ler. muito do que nós fazemos em f/l/oss está escorado em noções filosóficas, sociais e econômicas conhecidas desde o começo dos tempos, que partes de comunidade de software livre acham ter inventado, o que depõe a seu desfavor em muitos casos. o relatório fornece argumentos para discussões muito mais instigantes do que linux vs. windows ou produção distribuída de software vs. catedrais corporativas. vale a pena ler. 

google = 800.000, agora

Thursday, July 6th, 2006

o new york times escreveu um excelente artigo sobre [alguns dos] planos de google. que parecem incluir o projeto de chips [usando gente que trabalhava nos chips de 64 bits da extinta DEC] pra sua sempre crescente rede de servidores, que parece já estar na casa de 800.000 servidores [isso não está no artigo do nyt]. uma das declarações interessantes é que seus servidores são intrinsecamente pouco confiáveis; mas que a confiabilidade do “sistema” com centenas de milhares de cpus, é altíssima, e criada por software. a história é fechada pra assinantes no nyt, mas está aberta aqui, no pequeno wilmington star, da carolina do sul. boa leitura…

contra defeitos de software… métricas, processo e REUSO!

Tuesday, July 4th, 2006

o GAO, general accounting office do executivo americano, escritório que faz as contas sobre o que o governo gasta ou deveria estar deixando de gastar e cujas críticas, muitas vezes, mudam o rumo do que os eua fazem, acaba de anunciar que TRINTA POR CENTO do budget total do departamento de defesa [US$12B em US$40B] será gasto em retrabalho de software que, de uma ou de outra forma, não atende as especificações para as quais foi encomendado.

a notícia sobre o relatório está na última government computer news, e trata de um buraco gigantesco nas contas públicas de lá, da ordem de 3/4 do que o brasil construiu, como superavit primáro, para pagamento dos juros da dívida, até agora, no ano. e o buraco pode se transformar numa voçoroca, pois cada vez mais, o mundo [e as armas] é software. um caça da década de 60 [F-4] tinha menos de 10% de sua funcionalidade em software, enquanto os atuais [como o F/A-22] têm mais de 80% do que fazem escrito, abstrato executável, sobre o hardware [que serve de intermediário para as funcionalidades da coisa].

mais de uma vez, no relatório, a motorola é citada como padrão de qualidade para processo de software e o relatório diz que, mesmo depois de mais de uma década insistindo [e investindo] em processos [de software] o DoD ainda não tem métricas básicas para acompanhar seus projetos [de software, também]. o resultado é dinheiro [dos impostos] no ralo, coisa que é muito importante lá e aparentemente irrelevante aqui. mas o brasil é menos de 2% [tá mais pra perto de 1%] do mercado mundial de software e o DOD, em retrabalho de software, vai gastar, pela melhor estimativa do mercado brasileiro em 2005, 20% a mais em 2006.

pense num problema.

há soluções?

sim. muitas. uma delas [um dos segredos mais publicados sobre o sucesso da motorola] é REUSAR tudo o que for possível e já tiver passado por testes, validação e verificação em etapas pregressas da vida, como componente em outro projeto. uma das mais caras manias de projetos de software de todo tamanho é escrever, DO ZERO, todo o código necessário para expressar a funcionalidade de um projeto. isso quando uma procura e um ajuste poderia, talvez, resolver o problema a um custo [total] muito menor.

o relatório da GAO pode até não ser muito explícito nisso, mas a motorola [o exemplo de sucesso, lá] conseguiu boa parte de sua reconhecida qualidade mundial por conta de um projeto mundial de… não escrever software. ou só escrever o que realmente precisar ser escrito ou reescrito.

a indústria de software já começa a ficar madura e tem que levar um pouco mais a sério seus compromissos com o cliente e usuários. muita gente diz que não é possível reusar código escrito pra outros projetos. a prática, em muitos casos [mas não na maioria e muito menos em todos] nos diz que sim, é possível reusar software já escrito… mas isso só acontece como resultado de uma mudança cultural e de ambiente de desenvolvimento instalado nas empresas que “fabricam” software.

um dos grupos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no cin/ufpe e no c.e.s.a.r, o RISE [Reuse In Software Engineering] vem tratando, nos últimos três anos, deste problema, dos pontos de vista teórico, metodológico, processual e ferramental. e prático, com inserções na vida bem real de projetos de software. apareça lá pra ver o que estamos fazendo. mais dia, menos dia, estaremos resolvendo problemas do tamanho dos que o GAO está apontando no DoD. e não vai demorar décadas, mas anos… poucos, por sinal.