dá licença, por favor…
uma parte considerável do software completamente aberto que circula por aí está garantido pela licença GPL [GNU GENERAL PUBLIC LICENSE, a GPL que nós usamos hoje é a versão 2, de junho de 1991], aquela que dá um caráter viral ao software distribuído sob sua proteção [viral = os derivativos do software também têm que ser distribuídos sob a mesma licença]. uma licença é um texto legal, dinâmico, que tem que mudar à medida em que a sociedade ao seu redor [e suas demandas…] muda. a GPL é administrada pela free software foundation que fala com muita propriedade sobre o sucesso da iniciativa… The success of the GPL is due to its fundamental design principle: the protection of users’ freedom to work individually or together to make software do what they wish...
até aí, tudo bem. o problema começa no parágrafo seguinte… To carry the GPL into the future, we have undertaken to adapt the license to uphold this principle through the opportunities and menaces of today’s technological and legal environment… que anuncia o processo [já em curso há tempos] de adaptar a licença ao mundo atual, incluindo aí o que fazer [se algo tem que ser feito…] com DRM, parte às vezes muito mais presente do que deveria do today’s technological and legal environment.
a GPL não é nenhuma unanimidade mundial mesmo em sua versão atual; quem quer desenvolver e distribuir software livre tem uma miríade de opções para tal usando licenças outras, como as mais de cinqüenta aprovadas por opensource.org. mas GPL é uma licença muito importante e parte essencial, por exemplo, do sucesso de linux, por sua vez parte importante do processo de disseminação da licença; o kernel atual de linux é distribuído sob GPLv2 e, segundo linus torvalds… “The Linux kernel is under the GPL version 2. Not anything else.” por “anything else”, aqui, entenda-se a GPLv3, da qual torvalds já tinha rejeitado o primeiro rascunho e que, segundo ele, no formato atual… “The GPLv3 is much inferior. It no longer works in the ‘fairness’ sense. It’s purely a firebrand, and only good for the extremist policies of the FSF…”.
um dos problemas fundamentais é [segundo torvalds] a “guerra religiosa” na qual a FSF está metendo a licença, que não exclui a possibilidade do desenvolvedor inserir controles de direitos digitais em código escrito sob a licença, desde que haja como o usuário jogar o código fora, se quiser. ou seja, é o mesmo que não deixar escrever nada que tenha a ver com DRM em nenhum tipo de coisa que vá ser distribuído sob GPLv3. este é um nobre fim, não há dúvida. a dúvida é se a licença deveria controlar o que pode ou não ser escrito “com” ela, ou se deveria tentar controlar todas as possíveis formas de alguém usá-la de uma maneira não pretendida pelo autor…
eu acho que o propósito de licenças open source é tentar maximizar o grau de liberdade dos usuários. e não estou sozinho em achar que guerras santas contra todos os tipos infratores não são exatamente o que se deveria estar fazendo para disseminar o modelo aberto de desenvolvimento de software. até porque já há filigranas o suficiente para termos mais de 50 tipos diferentes de licenças, o que ajuda a aumentar o caos semântico e, conseqüentemente, legal, em torno do tema.
linus e linux são partes do modelo de software disseminado sob a licença GPL; o fato dele renegar GPLv3 é, de fato, um “fork” no ciclo de vida da licença e ele não pode ser recriminado por rejeitar posições mais radicais da FSF. esta, por sua vez -e por construção, por sinal-, deveria deixar de querer que todo o mundo pense exatamente como ela quer: a liberdade de pensamento é ainda mais importante do que a liberdade de inspecionar, modificar e redistribuir programas de computador… caso stallman & amigos não tenham notado ainda. a menos que tenham reescrito a definição de “free as in freedom”…
July 31st, 2006 at 7:46 pm
Mais importante que esta briga religiosa - e de egos stallman vs linus - da GPL é a discussão que já me inquieta há algum tempo e que foi bem levantada pelo Tim O’Reilly: Open Communities vs. Open: http://radar.oreilly.com/archives/2006/07/open_communities_vs_open_sourc_1.html
July 31st, 2006 at 10:44 pm
I agree with most of the comments made that a license should not contain what software can be written on it. It probably causes more harm than good and opens up legal minefields. The reason why DRM and patent clauses were included in v3 is because hardware has the ability to make freedom only theoretical. Here is one case of the TiVo, which is opensource, but doesn’t matter much because it won’t install and run after modifications of its modules:
http://weblog.ipcentral.info/archives/2006/07/gplv3_discussio.html
So, the FSF is actually trying to guard the user against that kind of ’shamming’ and attempts to maintain what the GPL stands for.
Since most of these devices use hardware interfaces and Linux embedded, I don’t think GPLv3 will ever mean much *unless* Linus and all the developers contributing to it accept v3 as the applicable license. That’s at the moment not likely to happen.
Technically and theoretically, GPLv3 does not prohibit DRM, it prohibits software and hardware interfaces that does not allow the user to turn it off and remain restricted. But DRM and this kind of freedom are mutually incompatible, so practically it’s the same thing.
Interesting here is that it does not specifically mention GPL’d software used to produce that software (for example, you could still use gcc to create DRM binaries, which are provided under a different license).
The reason for Linus not to get into this discussion is because he refuses to let Linux be used as a weapon in a religious war.
July 31st, 2006 at 10:48 pm
A FSF fala de liberdade, mas não de liberdade individual. Fala mais de liberdade coletiva em detrimento da individual. Se você valoriza a individual sobre a coletiva, deve estar falando de OpenSource e não de Software Livre. Para isso, melhores licenças são as sem copyleft, como a BSD Revisada. A propósito, quem trata do “modelo aberto de desenvolvimento”, ou seja, do FLOSS como método e tecnologia e não como ferramenta de transformação social, é a OSI, não a FSF.
Veja a diferença entre “maximizar a liberdade dos usuários” e “garantir as quatro liberdades básicas a todos os usuários que o software venha a ter”. Por mais que achem ruim, esse é o espírito original do Software Livre e que motivou sua criação.
August 1st, 2006 at 4:41 pm
Tenho que concordar que não faz muito sentido impor qualquer tipo de restrição numa licença que prega liberdade, mas, acho que cabe lembrar que de qualquer forma, de acordo com o DMCA, reproduzir conteúdo protegido em implementações de players não autorizados também constitui crime, e até onde sei, nenhum player de código aberto é e nem será licenciado pelo DMCA (http://brentnorris.net/dvd.html e http://emoglen.law.columbia.edu/publications/lu-02.html). Então, sendo assim, já não poderiamos ter players GPL legais em paises regidos pelo DMCA de uma maneira ou de outra.
August 3rd, 2006 at 7:49 am
Silvio,
Here is another interesting article, written from the perspective of the music supplier and the technology race in DRM devices…
http://www.informationweek.com/news/showArticle.jhtml?articleID=191000408
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