o [negro?] futuro de youtube

youtube é um sucesso. somente em custos de telecom, gasta mais US$1 milhão por mês, para dar conta do imenso número de downloads. doze milhas por ano. outros custos somam oito milhões de dólares, elevando o custo total da operação a US$20M/ano. o sucesso tem, digamos assim, seu preço. o problema é que não há [e nem parece haver, no horizonte] receita que venha a cobrir a despesa, o que torna as coisas meio críticas por lá. segundo informações de dentro do negócio,… ad revenue goals for July and August are $1 million. In June, the direct sales team brought in $0… zero de vendas em junho para um dos sites de maior sucesso [?] da rede?…

por isso que se diz que o site vai, mais hora menos hora, para os domínios da news corp., de rupert murdoch [sim, ele, o dono de myspace], que tá na lista de compradores de qualquer coisa de mídia 2.0, depois de ter gasto US$0.5B na compra do “seu” espaço. este é o lado bom da história, por incrível que pareça. pois há quem ache que o site não vai nem ser comprado por ninguém, pois não há compradores disponíveis.

a idéia por trás de youtube, claro, é genial. mas não se constrói um negócio a partir de idéias [e/ou das tecnologias que as suportam], mas sim de clientes, usuários, mercado. a internet 1.0 mostrou isso muito claramente a milhares de investidores e empreendedores. muito do que foi tentado lá é negócio, hoje, depois de ter sido refinado dezenas de vezes, num processo em que boa parte dos primeiros investimentos foi feita [sabidamente ou não] pra educar consumidores, pra mudar pontos de vista, pra “criar” mercado. no negócio de inovação e capital empreendedor, nem sempre quem planta colhe.

o caso de youtube não é único: tem muita gente que [inclusive sem saber] está servindo apenas [o que não é pouco] como parte do processo civilizatório da internet 2.0, a rede de negócios dependentes de padrões abertos e banda larga que começa a ser construída, muito irregularmente, em todo mundo. os empreendedores aprenderão e seus investidores também, o que os tornará mais aptos a ganhar muito dinheiro quando a coisa realmente sedimentar, como já aconteceu antes, em outras [r]evoluções.

de longe, aqui, há pouco mais a fazer do que lamentar que o capitalismo de risco brasileiro só entrará em campo no fim do segundo tempo da decisão do campeonato, sem a experiência e o conseqüente aprendizado de ter jogado uma temporada inteira na divisão de acesso.

enquanto isso, na sala de justiça

5 Responses to “o [negro?] futuro de youtube”

  1. Gerard Toonstra Says:

    Silvio,

    Está dizendo que a história se repete, como o dot.com boom de uns anos atrás?

    YouTube talvez deve procurar *baixar* os custos dele e procurar fazer uma coisa mais geral? Tem iniciativas no governo da Holanda, ao menos, que procura criar um Internet p2p aonde tudo e compartilhado.

    ( Vendo o negócio de Google, ainda não é optimal: )
    http://news.com.com/Google+to+offer+advertisers+click+fraud+stats/2100-1024_3-6098469.html?tag=nefd.top

    Tem projetos na Holanda que pesquisam video & TV pelo Internet, real-time streaming:

    http://www.freeband.nl/freenovation/index.cfm?mag_id=1164&art_id=1163&language=en

    http://www.tribler.org/index2.php

    The inventors of Skype and Kazaa are working on the same innovation, p2p-video, which aims to bring tv broadcast in realtime, streaming on the Internet.

    Eu acho interessante ver o que vai acontecer na Holanda com essas iniciativas.

    Gerard

  2. Camilo Telles Says:

    http://ars.userfriendly.org/cartoons/?id=20060705

  3. Jônatas Gardin Says:

    Eu ainda confio na capacidade do pessoal do YouTube de monetizar o site.

    Lembro que o Google ficou durante um bom tempo dependendo de dinheiro de VCs, até que chegou à idéia do AdSense.

  4. bpe Says:

    http://www.siliconbeat.com/entries/2006/07/27/youtubes_hurley_gates_trying_to_build_youtube_clone.html

  5. Saulo Says:

    Pela materia da zdnet: One of these six companies will buy YouTube, em http://blogs.zdnet.com/ip-telephony/?p=1201, o youtube deve ser vendido por US$ 1 bi, se é verdade mesmo só o tempo irá dizer.

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