cooperativas e f/l/oss-d
um grupo de pessoas que desenvolve software aberto [f/l/oss = free/libre/open source software] é, quase que por definição, um grupo [!] e não uma empresa. há empresas que desenvolvem software livre [mas, às vezes, de forma pouco aberta] e há umas poucas que participam, de forma muito aberta, de processos de desenvolvimento de f/l/oss.
agora imagine que uma empresa ou um pedaço do governo vai fazer uma licitação para desenvolver software. e que um dos grupos capacitados para desenvolver a solução que o cliente quer [e pela qual quer pagar] é um grupo de pessoas ligadas a um projeto f/l/oss. um grupo, apenas. grupos normalmente não têm vendedores, marcas… mas têm qualificação e reputação. não têm estruturas corporativas e hierarquias, mas têm processos e métodos. não têm um CGC para entrar na licitação, mas podem ter muito mais competência do que boa parte dos cgcs que já ganharam um contrato parecido.
mas a empresa que está comprando o serviço não vai dar um contrato para desenvolver o software a um grupo de pessoas, pura e simplesmente, pois o estabelecimento de tal relação comercial é muito difÃcil. é quase impossÃvel se o contratante for o .gov.br. quem seria processado se der tudo errado? uma pessoa fÃsica que mora fora do brasil, no nosso caso?…
o último resilience report da booz-allen-hamilton é sobre corporações auto-governadas, ou corporativas, e o exemplo primeiro é sobre um banco, o rabobank holandes, um gigante de mais de 100 anos que administra mais de 500 bilhões de dólares e vai muito bem obrigado. um banco onde os clientes das agências [bancos locais] se reunem pra discutir pra onde o banco, como um todo, vai. talvez a gente devesse tentar fazer algo parecido para software, no brasil, em escala. seria uma forma de criar um ente corporativo capaz de competir por contratos no mercado [e com as devidas responsabilidades legais] ao mesmo tempo em que poderia ser uma forma eficaz de organização empresarial [uma coop é uma empresa] e uma maneira legÃtima de passar ao largo do medievalismo [e dos custos] do sistema trabalhista brasileiro.
o resilience report sobre cooperativas pode servir de partida pra um estudo aprofundado sobre o assunto. e há exemplos locais a estudar e imitar, como a solis [veja entrevista de cesar brod sobre o tema], que tem 3 anos de vida e parece estar indo muito bem. associativismo e software aberto têm muito a ver; cooperativismo, equipes distribuÃdas [com processos e métodos de qualidade] pelo mundo podem ter muito a ver e a fazer, também. e podem ser itens essenciais de uma competitividade internacional que não estamos conseguindo desenvolver, por enquanto, por aqui.
July 18th, 2006 at 3:03 pm
Eu gostei muito deste artigo. A razão do cooperativo e muito bom pra analisar mais. Gostei muito (lindo) quando foi dito: “In general, co-ops are more financially successful than observers may realize, but their real value comes from their ability to keep alive the “social contract†of communities. They are set up to ensure the continued viability of jobs, promote entrepreneurship, and improve quality of life — without sacrificing competitiveness.”.
Parece que as grandes empresas globalizadas querem existir em um vácuo, que é dificil para explicar ou entender. Eles precisam da gente para comprar, mas não querem ser responsável para eles ou o ambiente. Influencia dos investidores e shareholders, por que o score-card ou goals sao differentes. Até, eu acho, que as grandes empresas não tem “identidade”, só parecem ter por causa do marketing (branding e feeling). Tenta responder para a pergunta:”Quem é Coca-Cola”, não “O que é Coca-Cola”?. Essa falta de identidade e o maior causa da falta da responsabilidade.
Em final, devo dizer como Holandês, eu cresci também com este “savings and loan book” do Rabobank
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July 18th, 2006 at 11:13 pm
g.,
eu to achando que a gente deveria criar, alguma hora, um start-up que tem a forma legal de uma co-op de servicos, onde todo mundo e dono [mesmo], e comparar com uma .org no mesmo foco de mercado e com uma .com idem. isso seria muito, muito interessante… uma aventura, mesmo!