ameaças do futuro: net neutrality

apenas nesta última semana, pelo menos 4.000 entradas que mencionam “net neutrality” foram postadas em blogs varridos por sphere, meu buscador predileto -e bem completo- pra achar coisas em blogs. vai ser muito difícil definir net neutrality [o link sob a expressão anterior leva à wikipedia] e a controvérsia sobre o assunto é grande -tanto quanto o interesse das partes envolvidas- e pode durar anos ou décadas.

eu não acredito muito em qualquer coisa que tenha uma definição vaga demais ou complexa demais. no primeiro caso, todo mundo pode ser contra ou a favor [e mudar de lado] sem precisar saber [ou explicar] porque; no segundo, as pessoas têm lados e não conseguem saber porque… a discussão sobre net neutrality caminha perigosamente para a complexidade e tim berners-lee tá ajudando a por ordem na casa, dando uma definição simples do que é neutralidade da rede, usando um exemplo: If I pay to connect to the Net with a certain quality of service, and you pay to connect with that or greater quality of service, then we can communicate at that level… se eu pago para me conectar à rede com uma certa qualidade de serviço e você paga para se conectar com uma qualidade igual ou maior à minha, nós podemos nos comunicar na minha qualidade [pelo menos].

em suma, se eu estou a 600kbps com uma perda de pacotes de 10% e você está a 1mbps com uma perda de 5%, nós temos que poder nos comunicar a 600kbps com 10% de perda, ou algo entre isso e sua qualidade, se a rede tiver como prover. simples. fica pior do que o seu, pra você; mas tem que ser pelo menos tão bom, para nós dois, quanto o meu. todo o resto da conversa é conversa e não ajuda, em nada, a estabelecer regras de operação para as próximas gerações de rede. para elas, neutralidade significa, claramente, que os assinantes individuais têm que receber aquilo pelo que estão pagando. e não que os programadores centrais das redes de comunicação do passado, como rádios, jornais, TVs… terão prioridade pra seu conteúdo, à frente dos usuários, as pontas da rede.

este quesito -de neutralidade- será objeto de uma gigantesca tentativa de manipulação, nos próximos anos, por todo tipo de agente de grande porte, centralizador, que tem interesse em inserir de volta, na internet, o modelo do programador central, que “sincroniza” a sociedade ao seu redor. o impacto da internet na mídia [e nas empresas] clássica[s] vem do seu poder de conectar as pontas, as beiras, em velocidade e qualidades que só estavam disponíveis, em passado bem recente, para o centro.

a discussão sobre net neutrality no congresso americano demonstra duas coisas: 1] as teles não morreram e 2] o centro tá mais vivo do que nunca. e os dois conspiram pra ter de volta o mundo calmo e consolidado que dominavam antes da internet. o preço da nossa liberdade será a nossa eterna vigilância. em rede. senão a minoria [poderosa] vencerá [como sempre] a maioria [dispersa e desarticulada].

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