contra defeitos de software… métricas, processo e REUSO!

o GAO, general accounting office do executivo americano, escritório que faz as contas sobre o que o governo gasta ou deveria estar deixando de gastar e cujas críticas, muitas vezes, mudam o rumo do que os eua fazem, acaba de anunciar que TRINTA POR CENTO do budget total do departamento de defesa [US$12B em US$40B] será gasto em retrabalho de software que, de uma ou de outra forma, não atende as especificações para as quais foi encomendado.

a notícia sobre o relatório está na última government computer news, e trata de um buraco gigantesco nas contas públicas de lá, da ordem de 3/4 do que o brasil construiu, como superavit primáro, para pagamento dos juros da dívida, até agora, no ano. e o buraco pode se transformar numa voçoroca, pois cada vez mais, o mundo [e as armas] é software. um caça da década de 60 [F-4] tinha menos de 10% de sua funcionalidade em software, enquanto os atuais [como o F/A-22] têm mais de 80% do que fazem escrito, abstrato executável, sobre o hardware [que serve de intermediário para as funcionalidades da coisa].

mais de uma vez, no relatório, a motorola é citada como padrão de qualidade para processo de software e o relatório diz que, mesmo depois de mais de uma década insistindo [e investindo] em processos [de software] o DoD ainda não tem métricas básicas para acompanhar seus projetos [de software, também]. o resultado é dinheiro [dos impostos] no ralo, coisa que é muito importante lá e aparentemente irrelevante aqui. mas o brasil é menos de 2% [tá mais pra perto de 1%] do mercado mundial de software e o DOD, em retrabalho de software, vai gastar, pela melhor estimativa do mercado brasileiro em 2005, 20% a mais em 2006.

pense num problema.

há soluções?

sim. muitas. uma delas [um dos segredos mais publicados sobre o sucesso da motorola] é REUSAR tudo o que for possível e já tiver passado por testes, validação e verificação em etapas pregressas da vida, como componente em outro projeto. uma das mais caras manias de projetos de software de todo tamanho é escrever, DO ZERO, todo o código necessário para expressar a funcionalidade de um projeto. isso quando uma procura e um ajuste poderia, talvez, resolver o problema a um custo [total] muito menor.

o relatório da GAO pode até não ser muito explícito nisso, mas a motorola [o exemplo de sucesso, lá] conseguiu boa parte de sua reconhecida qualidade mundial por conta de um projeto mundial de… não escrever software. ou só escrever o que realmente precisar ser escrito ou reescrito.

a indústria de software já começa a ficar madura e tem que levar um pouco mais a sério seus compromissos com o cliente e usuários. muita gente diz que não é possível reusar código escrito pra outros projetos. a prática, em muitos casos [mas não na maioria e muito menos em todos] nos diz que sim, é possível reusar software já escrito… mas isso só acontece como resultado de uma mudança cultural e de ambiente de desenvolvimento instalado nas empresas que “fabricam” software.

um dos grupos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no cin/ufpe e no c.e.s.a.r, o RISE [Reuse In Software Engineering] vem tratando, nos últimos três anos, deste problema, dos pontos de vista teórico, metodológico, processual e ferramental. e prático, com inserções na vida bem real de projetos de software. apareça lá pra ver o que estamos fazendo. mais dia, menos dia, estaremos resolvendo problemas do tamanho dos que o GAO está apontando no DoD. e não vai demorar décadas, mas anos… poucos, por sinal.

One Response to “contra defeitos de software… métricas, processo e REUSO!”

  1. Paulo Vasconcellos Says:

    Prezado Meira,

    Acompanho há algum tempo seu blog. Antes de mais nada, parabéns! É um grande trabalho.

    Mas o motivo do meu contato é outro. Estou desenvolvendo um “pequeno” trabalho sobre Reuso. Como citei diretamente o RiSE em meu último artigo, gostaria que fosse de seu conhecimento. Está no rodapé deste trecho da série: http://finito-log.blogspot.com/2007/01/etiquetando-ativos-de-software.html

    Como desteto reinventar a roda, procurei-os para evitar redundâncias. Não que eu tenha a mínima pretensão de que meu trabalho atinja o calcanhar daquele desenvolvido no RiSE. Muito pelo contrário. Mas gostaria muito de tê-los como referência. Mas, para tal, preciso conhecer suas publicações. Troquei 2 emails com o Sr Eduardo e segui sem conhecê-las. O que impede que esse material seja publicado no próprio site do RiSE?

    Certo de sua compreensão agradeço.

    Abraços,

    Paulo Vasconcellos

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