Archive for June, 2006

vinod koshla: eua pode imitar o brasil. levaria 5 anos

Wednesday, June 7th, 2006

o que o brasil pode ensinar ao mundo? olhando lá de fora, em informática, parece muito difícil dizer, pelo menos no momento. em energia, vinod koshla, um dos mais respeitados investidores do planeta, acha que o… Brazil has already reduced its petroleum usage by 40% over what it might have been. Ethanol costs $0.75 per gallon to produce in Brazil from sugarcane and it reduces green house gases by as much as 80% compared to petroleum. Brazil has saved $50B in oil imports. The Brazilian example reduces the risk of doing the same in the USA, and provides proof that the successful change can be made relatively rapidly and predictably. Brazil also stands ready to supply more ethanol to us while we bring up internal supply. This poses an interesting question – would we rather import gasoline and crude oil, or cheaper, greener, more geopolitically secure ethanol?…

vale a pena ler; pelo menos um bom exemplo podemos [parece] dar. o documento completo [A Near Term Energy Solution] está aqui [entre vários outros].

o segredo [?] da blizzard

Tuesday, June 6th, 2006

dia destes, a blizzard apareceu neste blog [veja WoW: mais um monopólio à vista?]; pra quem quiser saber muito mais sobre os caras, acabou de sair uma história [secret sauce: the rise of blizzard] no escapist magazine, uma das coisas mais bem desenhadas da rede. vá lá ver parte das razões pelas quais passam, pelo tilintar dos caixas da companhia, mais de 75 milhões de dólares por mês. pra qualquer um que queira empreender [um dia] ou já esteja empreendendo [agora], todo o número 48 do escapist é sobre a blizzard e seus efeitos colaterais e vale a pena ler na íntegra… infelizmente, jogar WoW no brasil é uma guerra: veja o comentário de eduardo, neste link.

ps: excel também não morreu…

Tuesday, June 6th, 2006

don dodge, do Microsoft Emerging Business Team, comenta a notícia [Google releases Ajax based Excel killer] de que google está lançando google spreadsheets, a esta altura da copa espalhada por toda a web. dodge diz que [e eu concordo com ele, em boa parte] que google spreadsheets não compete com excel, como muitos acham, e sim com as alternativas abertas e gratuitas, disponíveis aos montes, na rede e fora dela. até aí, tudo bem: excel, e office em geral, não é exatamente uma alternativa, mas um padrão de fato, no mercado, com propriedades e funcionalidades [corporativas, inclusive] que só a suite da microsoft tem. isso sem falar na próxima versão do software, que vai levar [veja rumores, office2007, ODF, previsões..., neste blog] a competição a um novo patamar. em muito breve.

a microsoft, claro, é o incumbente da hora no negócio de software-que-roda-na-minha-máquina, seja ele qual for, e google e todos os outros estão no processo de criação do mercado de SaaS [saas=software como serviço; veja, por exemplo salesforce.com a todo vapor, neste blog]. curiosamente, a microsoft está neste mercado, também, [veja live.com!] e suas ofertas lá são tão interessantes quanto as da concorrência, excluindo, claro, as áreas de negócio [corporativos, principalmente] onde a microsoft domina, hoje, o mercado. estamos cansados de saber porque… as razões são as mesmas da ibm, no caso do pc: como convencer vendedores de produtos de altíssimas margens que o mercado encolheu [veja, neste blog, eita! o mercado encolheu...] e que o espaço-tempo das tais margens foi pro espaço, trocado por um outro, de baixíssimas margens [mas de altíssimo volume], onde a empresa nem precisa mais de vendedores, em muitos casos… como ocorre em quase todas as ofertas de google, sugarcrm, riya, salesforce…?

este ano, a microsoft está gastando incríveis US$7.7 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento; se estes gastos estiverem minimamente alinhados com uma estratégia de inovação que faça sentido e a empresa estiver escolhendo que guerras lutar para estar nos mercados do futuro [sem esquecer que inovação, normalmente, ocorre fora da empresa, qualquer uma!], os freqüentes anúncios do fim de redmond são prematuros. claro que esta é uma conclusão que depende de muitos “se’s”. mas a ibm, vinte anos atrás, estava fadada à lata de lixo da história e, hoje [apesar de haver quem continue anunciando seu fim iminente] vale a duas microsoft [e quase quatorze google] em faturamento…

o tempo, só o tempo -e como redmond vai reagir, continuamente- dirá. não deve ser fácil tocar a estratégia de um negócio do qual todo mundo acha que entende; é isso que ocorre quando se é quase monopolista… gente demais entende do “seu” negócio. neste caso, seu negócio passa a ser entender as pessoas que [acham que] lhe entendem e todos os outros, quer lhe entendam ou não… mas que você, definitivamente, quer entender. no mundo plano, da informação, a estratégia pode estar aqui fora… e não em microsoft ou google. aliás, você já testou a busca de feeds [ou imagens?] de live.com… ou a busca de blogs de sphere.com? ambas são, e não por acaso, bem melhores do que qualquer coisa comparável oferecida por google… se as pessoas [e corporações] vão usar ou não, é outra história, cheia de dinheiro por trás…

skype killer?

Monday, June 5th, 2006

tem gente que pensa que gtalk, de google, é quem vai pegar skype, da e-bay. tem gente que não… e acha que a alternativa pode ser sightspeed. leia mais sobre a coisa aqui. algoritmos de cornell, empresa em berkeley, gente competente botando dinheiro… é bom observar. aliás, as empresas de comunicação pela internet [e não as empresas "de VOIP"] são mesmo o grande desafio para as operadoras… e até para as tais “empresas de VOIP”.

aliás, as tais empresas “de voip” são um capítulo à parte, no mundo, no momento. todas resolveram dar uma mordida nas teles, que pedem, por sua vez, pra que isso aconteça, tal sua imobilidade perante o abismo da queda das margens dos negócios tradicionais de telefonia. me dizem que o número de negócios cirado pra morder teles com voip, só aqui em pindorama, passa dos trezentos. a maioria, infelizmente, é “empresas de tecnologia”, e pouco ou nada sabe de clientes e usuários. estão fadadas a um retumbante fracasso, e as prováveis exceções serão as que tiverem a mania de ir atrás de clientes em todo lugar e canto, para o que precisarão de visão, estratégia e força de vendas, o que custa caro, dinheiro que vem de investidores, por aqui poucos e avessos a risco…

mesmo as empresas “de VOIP” de “sucesso”, por sua vez, só sobreviverão se as teles não acordarem. tremores de terra ao redor dos prédios de várias delas avisam que o tempo pra montar uma base de usuários, para os start-ups, está na prorrogação. depois da copa, pelo menos uma tele estará na rua brigando pelo mercado de VOIP de igual para igual. ou mais. aí é que nós vamos ver quem são os adultos e como eles se diferenciam das crianças… e como vão enfrentar, ambos, skype, gtalk, sightspeed…

outsourcing to china…

Saturday, June 3rd, 2006

worksoft, a “futura infosys da china” segundo os próprios, acaba de receber US$30M da sequoia capital, a mega venture do vale do silício. lá vem a china… a sequoia tem trinta anos na estrada e não brinca em serviço. os chineses também não: a oferta de programadores começa em menos de US$20 por hora…

nos comentários sobre o anúncio do investimento, em silicon beat, há um entrada preciosa, de david scott lewis, da worksoft… “actually we can bill Java programmers at $20 per hour and still make good money. Of course, they are paid less. In Tier 2 cities, a Java programmer with a few years experience can cost us less than $10 per hour. If you need to integrate i2 with Siebel, it’s too early for China (sans IGS in China). But if you need Java, C++, C#, … programming to a spec, China is tough to beat.”

as empresas de outsourcing que sobreviverem à competição deste tipo [e há lugares onde se pagará aos programadores menos do que eles recebem na china] serão as que tiverem diferenciais competitivos que não podem ser alcançados facilmente e contra os quais baixos preços não contam muito. alta produtividade e qualidade vai ser fundamental, e certamente sine qua non para competir. mas quem estiver no setor vai ralar muito mais… para sobreviver.

WoW: mais um monopólio à vista?

Friday, June 2nd, 2006

world of warcraft, o jogo na rede, multiplayer, da blizzard, já tem mais da metade de todos os assinantes de jogos on-line da terra. no total, os jogadores do planeta ainda são poucos, ao redor de 13 milhões, possivelmente contando, em duplicata ou mais, gente que tem tempo pra participar de mais de um. mais de 90% do mercado é RPG e, se juntarmos wow, lineage 1 e 2, os três têm 75% do mercado. oligopólio à vista? talvez… um rpg [como wow e lineage] é um ecossistema; pessoas assumem papéis e interagem com outras pessoas em outros papéis, a troco de alcançar objetivos nem sempre assim tão vagos… pois há gente que diz viver disso e parece que a máfia chinesa emprega escravos-jogadores pra vender os bens virtuais por eles conquistados em e-bay!…

o que torna uma ecologia interessante é a sua diversidade e intensidade e, numa mesma ecologia [virtual, onde não problemas de escassez de espaço ou recursos], quando mais gente, e quão mais diversa, melhor. o efeito de rede, aqui, é conhecido como winner-takes-all: quanto mais jogadores num ambiente, mais jogadores vão pra lá, o que atrai ainda mais e, no fim, quase todos estarão lá. neste sentido, windows é um destes winner-takes-all [com mais de 90% de todos os pcs rodando o sistema operacional da microsoft].

no fundo, no fundo, há pouca gente jogando on-line. treze milhões é menos de 2% da internet, responsáveis por um mercado de US$2 bilhões ano passado [e que pode chegar a US$6.8B em 2011]. o mercado de software, no mundo, ano passado, foi de US$600 bilhões… faça as contas. mas faça outras contas, também… e se uma empresa brasileira tivesse 15% do mercado de jogos on-line, hoje? resposta: ela, sozinha, faturaria tanto quanto a soma de todas as exportações de software do país em 2005…  e isso pode ser pouco: há quem fale de mais de 80 milhões de jogadores on-line, só na china, em 2010! pra chegar lá, é só pensar alto, no mercado mundial, ao invés de, como quase sempre fazemos, olhar só pro nosso próprio quintal.

rumores, office2007, ODF, previsões…

Thursday, June 1st, 2006

uns quinze anos antes de mark twain morrer de verdade, o que de fato aconteceu em 1910, pelo menos um jornal americano publicou que o grande escritor tinha se mandado desta para a melhor. samuel langhorne clemens [o verdadeiro nome do gênio] declarou a outro jornal que… “Rumors of my death have been greatly exaggerated”… ou seja, o boato da minha morte é um baita exagero… entra ano, sai ano, e ainda por cima a cada atraso da microsoft [o que não é raro], parte da comunidade de informática, especialmente a que está por trás de outras ferramentas de escritório, abertas ou fechadas, decreta que office, o carro chefe de produtividade corporativa do planeta, vai morrer em breve. muito breve, se a gente acreditar em certas fontes.

office 2007 beta está disponível para quem quiser testar. primeiro, é preciso passar pelo crivo de várias páginas e formulários, num processo longo e confuso como só a microsoft parece saber fazer. depois de tudo preenchido, haja banda pra trazer 440 megabytes pra casa. sem banda larga, tchau. não dá. no primeiro dia, 200 mil pessoas foram até redmond, na web, e copiaram a coisa pros seus drives, algo que espanta qualquer um. será que este povo todo tem algo a dizer de volta, pra msft melhorar o produto? ou é só curiosidade sobre como o padrão de fato das suites de escritório vai ficar no fim do ano, quando for lançado de verdade [se não atrasar?...].

microsoft office é [parte de] uma plataforma de compatibilidade. estradas, carros, mecânicos, postos de gasolina, ruas, garagens… são parte da plataforma de compatiblidade de transporte privado. pense em mudar isso e comece a imaginar as dificuldades: a vasta maioria das pessoas que anda de carro nem pensa em ir de ônibus e “o sonho” da maioria absoluta de quem usa ônibus é ter o seu carro, também, pra aumentar ainda mais o caos nas nossas urbes. a plataforma de compatibilidade “carro” só vai mudar radicalmente frente a alguma catástrofe de grande porte. no caso de software de produtividade, o prospecto para a plataforma office é parecido, e não vai ser pirataria que há de mudar o cenário. porque pirataria é parte do processo educacional: em casa, pirata, no escritório [se o escritório não for informal e for visível], licenciado.

mas parece que, algum dia, office, e a microsoft inteira, vão ter que abrir-se para o mundo; no caso de office, tratar documentos que codificados em padrões abertos acordados por muitos, como ODF [open document ] pode vir a ser mandatório para continuar no mercado. a organização internacional de padrões [iso] tornou ODF o padrão XML para codificação de documentos no começo de maio e a sun, ibm, adobe e outros têm mais uma vitória do campo de padrões abertos a cantar. massachussets [aka peter quinn] já tornou mandatório o uso de ODF [antes da decisão da iso] e chuta-se que 50% do governo e 20% das corporações forçará o uso de ODF ao redor de 2010. office 2007 usa xps, um formato próprio [em xml] da microsoft.

há padrões iso [como o OSI] que deram errado no passado. mas a organização aprendeu muito e ODF leva jeito, e muito, de coisa que vai dar certo ainda dentro desta década. a msft, parece, está perdendo tempo [como a ibm perdia no passado, enquanto era monopólio] ao tentar impor “seus” padrões ao mundo; melhor seria partir para a disputa no campo das aplicações, onde seu poder de fogo é imenso, mas não totalitário. redmond poderia recompensar a boa vontade de seus usuários, 200 mil dos quais aparecem no primeiro dia pra testar um download de 440 mega, abrir-se para um mundo de, pelo menos, padrões verdadeiramente abertos e competir de fato, ao invés de tentar monopolizar. não só não custava nada, mas era também capaz de economizar dinheiro e tempo que se perde em tentar fechar espaços competitivos e, no topo, era capaz de gerar ainda mais dinheiro pra companhia. algo, um dia, vai mudar aqui.

à medida em que a rede se distribui e o poder passa pras pontas, os poucos centros que hão de sobreviver não são aqueles que ditam regras, mas os que entendem desejos e realizam expectativas. se você, aliás, tá criando uma companhia ou produto hoje, pense nisso: o mundo mudou e não é você que está no comando, mas seus clientes e usuários. se isso for, só, uma frase bonita no site de seu negócio, a gente se encontra -pra lamentar- depois da falência…

[ps: office 2007 beta é mesmo uma variante bem mais resolvida e elegante de office; coisa de gente grande, rodou legal no meu laptop, destruiu pouca coisa ao redor [o que não é mau pra um beta], tem funcionalidades muito interessantes na interface, roda acoplado com windows live e… só dançou de verdade quando pedi pra ler uma apresentação -em office 2003- que tinha fontes OpenType dentro. ah, sim: quando desinstalei a coisa, ela matou também meu office 2003, que precisou ser instalado do zero. se você não está afim de trabalho, não teste betas…]