kill bill?
bill gates anuncia que começa a deixar a microsoft; o plano de transição de dois anos entra no ar já; ray ozzie assume imediatamente como chief software architect e craig mundie é o novo chief of research & strategy. e não é primeiro de abril… deve ser por isso [e outras] que ozzie não tem tempo pra atualizar seu blog desde o… primeiro de abril. steve ballmer continua como ceo. o anúncio causou uma leve subida nas ações da microsoft [0.9%], que estão levando pancada em wall street desde o fim de abril, quando a companhia anunciou que iria usar vários bilhões de dólares[a mais] do lucro para radicalizar o combate a google, yahoo, amazon e e-bay. problemas de incumbente: o quase monopólio da microsoft tem um preço, pago em lealdade a seus antigos [às vezes muito antigos] clientes. a companhia não pode simplesmente mandar todo mundo trocar windows xp por um “beta qualquer”. não dá. simplesmente não dá. o que significa custos de arrasto muito grandes… uma espécie de custo de “ser” uma microsoft.
gates sempre teve competência [e sorte] em fazer algo que poucos dirigentes conseguem: elicitar [dos ditos e não ditos do mercado] uma estratégia emergente para a microsoft, permitindo que a empresa, gastando alguns poucos bilhões de seu caixa, sempre chegasse à frente dos adversários, mesmo saindo muito depois. no caso de vários deles, causando inclusive a destruição do oponente e seu dna, para sempre. desta vez [sempre há um desta vez...] a maioria dos analistas concorda que a microsoft tem problemas demais e que o número de frentes de competição é tão grande que o controle [maior ou menor, mais maior do que menor] de centro [e de gates?] sobre o resto da companhia tem afetado seriamente sua capacidade de, senão antecipar tendências, pelo menos segui-las tão rapidamente como no passado. ballmer, ao timão, avisa que “só precisa de 5 anos” e alguns bilhões [a mais] por ano para chegar nos lugares e nas marcens de lucro onde hoje está a concorrência. os acionistas aguardam, algo impacientes. o caixa está lá, os técnicos estão lá, o ânimo parece estar lá… só falta o mercado esperar…
se eu estivesse na foto [na foto acima, de hoje, em redmond: gates, mundie, ozzie, ballmer]: transformaria a microsoft numa holding, separaria o que hoje são meras divisões [e, em casos, produtos] em várias companhias [completamente] diferentes [e com dinâmicas idem] e partiria pra adquirir propriedade intelectual e, principalmente, gente, que estivesse construindo a web 2.0 -a informaticidade- de daqui a 5 anos. ballmer & co. não parecem acreditar que innovation happens elsewhere. mas numa companhia do tamanho da microsoft, é a pura verdade. aliás, é verdade numa companhia do tamanho de google, também. basta ver quanta coisa [ruim, boa e mais ou menos] eles compraram recentemente. mas eu não estou na foto; nem scoble, by the way, está mais. quanto mais eu, que nunca estive…