Archive for June, 2006

tvd.cn: beijing vai de padrão próprio [e confuso]

Thursday, June 29th, 2006

quase sincronizada com o anúncio da adesão do brasil ao padrão japonês nesta quinta, a china está para declarar, nos próximos dias, que terá um padrão próprio de tv digital terrestre e móvel, cognominado Digital Multimedia Broadcast  - Terrestrial/Handheld. DMB-T/H, uma coexistência do trabalho das universidades de Tsinghua e Jiaotong, depois de muitos anos de disputa acirrada. desde o princípio, o governo chinês tinha avisado que não teria um adrão de tv digital, mas uma política industrial para tvd.

vamos ver se conseguirá, com um padrão próprio e, diga de passagem, confuso, envolvendo dois tipos de modulação de sinal diferentes e com a turma de Jiaotong dizendo que todos os dispositivos, mesmo os móveis, terão que suportar a as duas modulações, uma baseada no modelo europeu/japonês [tds/OFDM] e outra no modelo americano [VSB-like]. só quero ver. é capaz do “grande plano” chinês ter dado errado, desta vez…

câmara pode aterrar isdb[?]

Wednesday, June 28th, 2006

ora vejam só: o acordo [decreto?] de tvd nem saiu e já há, na câmara, quem diga que é  ilegal. segundo luiza erundina, o art. 49 da constituição obriga o executivo a  submeter ao legislativo acordos de cooperação internacional [e olha que ela é do psb, que tá no governo!]… e o presidente da comissão de c&t da câmara, vic pires [pfl], reclama que desde abril pede pra falar com o presidente sobre o assunto e não consegue. pelo visto, muito vento ainda vai soprar por baixo das torres do tvd.br…

tvd.br: o [grande] dia é quinta

Wednesday, June 28th, 2006

numa terça-feira, 7/3/2006, este blog vazou para o país a notícia de que o padrão japonês [ISDB] seria escolhido para o sistema brasileiro de tv digital, alterado de várias formas, incluindo a troca da tecnologia de compressão de áudio e vídeo [MPEG-2] por MPEG-4. não era informação privilegiada, somente uma nota sobre as conversas de corredor na telexpo, em são paulo. no dia seguinte, a folha de são paulo deu a notícia em primeira página, com outras mais no carderno de economia, o que levou o governo a negar que a decisão tivesse sido tomada, quando todos os atores “por dentro” do processo sabiam que sim, a decisão estava tomada e não havia caminho de volta.

ainda assim, as forças por trás dos padrões americano [ATSC] e europeu [DVB] voltaram à carga, principalmente os europeus, representados por muitas indústrias de grande porte que têm fabricação de televisores, equipamentos e terminais de telecomunicação no brasil e, obviamente, um interesse legítimo em que o padrão nacional fosse o europeu. o esforço do “grupo dvb”, que continuou sendo ouvido pelo governo brasileiro mesmo depois da decisão interna de março, deve ter aumentado significativamente o poder de barganha do país, que vai ser o segundo no planeta a tentar usar o padrão japonês para tv digital.

mapa mundi de DTT até quinta, quando o brasil se torna vermelho... não: rosa. vermelho será somente quando o serviço for lançado aqui

o japão tem uns 10 milhões de receptores de tv digital, 671 mil dos quais vendidos em março [data do último relatório disponível on-line], de acordo com o site do grupo que promove o padrão ISDB [aliás, o site de DVB dá de 100 a 0 no de ISDB… tomara que o padrão seja melhor do que o site]. a escolha, pura e simples, do padrão de modulação de sinal [a forma como os sinais de tv são codificados e transmitidos] do ISDB e a decisão de usar MPEG-4 como padrão para comprimir áudio e vídeo deixarão ainda muito a discutir, escolher e implantar.

o que é quase certo é que, aparentemente, as atuais estações de tv vão conseguir o que queriam: a) manter seus atuais lotes de espectro, evitando a entrada de mais estações no ar, o que fragmentaria [ainda mais] o mercado e, b) transmitir TV diretamente para os celulares, sem passar pelas operadoras. este último ponto, aliás, era uma espécie de pedra de toque do processo de escolha, pois as tvs fincaram o pé no princípio de tv aberta e grátis para todos, em todos os tipos de dispositivo. isso faz sentido? pode fazer, ainda mais em economias como a nossa: a italiana TRE, primeira a transmitir DVB-H na europa, cobra 29 euros por mês pelo pacote básico de seis canais no celular…

mas não era a cobrança pelo serviço que apavorava as tvs brasileiras [se o modelo, aqui, fosse tvd “por dentro” das teles]. na TRE o nome do sistema é La3 TV e, no rodapé da página, a TRE avisaI pacchetti di canali, la programmazione e/o i servizi dell’offerta tv saranno soggetti a periodico aggiornamento e potranno essere sostituiti, modificati e/o cancellati… que pode substituir, cancelar ou modificar canais sempre que der na telha. dela, claro, assim como faz o agora monopólio da tv [digital] via satélite no brasil, a sky/directv. que, por sinal, usa o padrão DVB-S para chegar na casa de quem tem, assim como a turma do cabo usa o DVB-C. o rolo todo da escolha do padrão é sobre tv digital em broadcast, aberta, que está em mais de 90% dos lares brasileiros. o resto, de uma certa forma, parece que não importa…

a austrália começou seu processo de introdução de DVB há cinco anos e tem tv digital em 20% das casas; a maioria das estações transmite em triple cast: tv de alta definição [cujo set top box é caro…], de definição padrão [de set top box barato e que pode usar as tvs atuais como saída] e tv analógica [que já temos hoje]. aqui, o governo parece querer que as estações tenham um plano para tvd em 6 meses e comecem a operar em até 18 meses, e não vai dizer como elas vão transmitir, a escolha será de cada empresa. o “operador do sistema”, uma entidadade semelhante à ONS [que planeja, programa e transmite a eletricidade gerada pelas usinas de força, pelo país afora, para todo o país] que parecia não ser desejo de ninguém entre as tvs comerciais, vai existir e irá operar mais quatro canais públicos [que vão ocupar o que seria o espaço de um canal analógico atual].

quase tudo, no entanto, está para ser definido. qual será o software da tvd brasileira? tv digital pode ser só de alta definição, o que importa, mas não tanto, e pode ser também interativa, o que importa muito. porque inclui o canal de retorno no cenário e traz, para dentro do problema, as operadoras de telecom, por onde passam os comandos do usuário [e não mais espectador] para interagir com o sistema. começar sem uma previsão de formas e meios de interação pode significar, daqui a alguns anos, um legado gigantesco de set top boxes que terão que ser trocados por uma população que não tem tanto dinheiro disponível assim, como de resto o governo e as empresas sabem.

mas há muita gente que entende tvd como tv digital de alta definição, e só; e acha que o cidadão da poltrona não está interessado em interagir com nada, está mais é descansando seus neurônios na sala… pode ser, mas pode não ser. tv digital bem que poderia ser um dos mais importantes mecanismos de inclusão digital em países como o brasil, mas parece que isso, até agora, não faz parte do cenário. tomara que, alguma hora, venha a fazer…

ah, sim: tomara que o padrão “nipo-brasileiro” que parece que vai começar a ser construído, de fato e de direito, amanhã, não venha a ser outro pal-m. ou o betamax da tv digital mundial, melhor que todos mas usado por ninguém. quem quiser aprender sobre isso, é bom entender a experiência inicial da austrália e da inglaterra…

kosmix: vem aí?

Tuesday, June 27th, 2006

altavista, na idade da pedra da internet, era o que de melhor se podia ter como engenho de busca. um dia, apareceu um certo competidor de nome idiota [descartado por muitos inicialmente, pelo nome, justamente, porque não era “sério”] que acabou, como se sabe, dominando o espaço de negócios de busca na web, apesar dos bilhões de dólares investidos pelos atuais concorrentes. ocorre que estes têm que competir agora; quando google começou, não era pra já, mas sim pra daqui a algum tempo. kosmix pode ser pra daqui a algum tempo também: sua tese central é a de que “um sapato serve para todos os pés” não é exatamente o que uma sapataria [web] deveria estar oferecendo no mercado.

kosmix já juntou, em duas rodadas de investimento, cerca de 25 milhões de dólares, o que o torna, como start-up, algo perto do que google era no mesmo estágio de desenvolvimento. e, saindo de uma busca especializada apenas em saúde [tente: seu médico pode ser pior do que os resultados da primeira página], já tem opções de finanças, vídeo games, viagens e política americana. a página de resultados usa uma técnica de clustering [classes de resultados] que a torna mais prática e útil, em um bom número de casos, do que as respostas de yahoo ou google. pode até não dar certo. mas promete. e minhas consultas médicas nunca mais foram as mesmas.

taperoá: são joão do outro mundo

Sunday, June 25th, 2006

são joão, sumi pra taperoá. no palco, marquinhos [”cego”] silvério, nos oito baixos, parente de abdias [também “dos oito”] quase sumido numa torrente de som perpetrada por uma banda que não estava, de jeito nenhum, à altura do que ele fazia no fole… marquinhos era um dos muitos artistas e anônimos que fizeram a festa na antiga batalhão, no cariri da paraíba, lugar que molhado, como tá agora, é lindo de viver. e seco, como está quase sempre, é pra cristão nem querer passar perto.

mas são joão lá é coisa do outro mundo. de 24 pra 25, a festa acabou às 8 da manhã e, às 9:30, tava um carro soltando fogos e berrando, rua afora, que as 13 em ponto ia começar a corrida de argolas. e eu, besta, querendo dormir. dormir em taperoá, no são joão… parece brincadeira…

Thursday, June 22nd, 2006

são joão, são joão, acende a fogueira do meu coração!…

[de hoje até domingo, silvio meira está no são joão, em algum lugar da paraíba, sem telefone, celular, internet, web, wi-fi, emeio, blogs, IP, correio… ou qualquer outro meio de comunicação com o mundo moderno. espero que todos vocês estejam em algum são joão, de bem com a vida e com as gentes ao seu redor…. inté.]

{a fogueira acima é ecológica, feita de madeira de árvores mortas. mas é uma pequena queimada, gera co2 e contribui [desnecessariamente, mas em nome da tradição] para o aquecimento global. acho que vamos ter que prescindir de fogueiras no são joão, antes que seja tarde…}

video POR todos

Wednesday, June 21st, 2006

você nunca esteve em youtube.com nem nunca viu um vídeo pela web. talvez você tenha estado em vênus até ontem ou, como a maior parte dos brasileiros [90+% de todos nós] não tem banda larga. no mundo civilizado, lá fora, as taxas de penetração de banda larga estão acima de 3/4 da população. breve, não será mais possível comprar acesso “discado”… com banda larga pra todos, blogs [de texto] viram vlogs [de vídeo], porque todos querem ter mais do que seus cinco segundos regulamentares de fama na tv [normal]… e o resultado é youtube servindo mais de 40 milhões de vídeos por dia… é muito? pelas contas do cnn/money, youtube poderia embutir anúncios nos vídeos que serve, cobrando aí por US$1 para cada 1.000 “views”, o que daria uns 15 milhões de dólares por ano, hoje. ruim demais para um negócio que tem o perfil de youtube, que nos estados unidos, onde banda é de graça comparada ao brasil, poderia estar gastando cinco milhões de dólares só pra servir vídeos. sem falar nos outros custos do negócio, como hosting, software, etc. o problema adicional, pra youtube, é que há setenta e três negócios como eles hoje, no mercado. menos de dez estarão vivos em um ano. quem há de sobrar?

enquanto isso, nós -aqui no brasil- estamos fora do jogo, não porque não temos idéias ou competências para implementá-las, mas porque não temos banda, e sem ela, usuários para os novos modelos de serviços e negócios que exigem altas taxas de transmissão de informação, com usuários sempre “no ar”. é mais uma janela de oportunidade que passa, na web, e nos dá, sem prestar muita atenção, um leve adeus… no fust, aquele fundo que deveria universalizar, agora, banda larga, pois a definição atual de acesso é acesso em banda larga, repousam, impávidos, mais de cinco bilhões de reais… temos a responsabilidade patriótica de descobrir como fazer com que tais recursos, nos próximos meses, ao invés de anos, conectem o país de verdade. em banda larga. senão estaremos fora do jogo. e por muito tempo… mesmo.

Technorati : ,

tata: faturamento Am Lat? 2006 = 2 x 2005

Tuesday, June 20th, 2006

a Tata Consultancy Services Ltd. [ou simplesmente tcs, parte do gigantesco grupo indiano tata, cujas 93 companhias produzem, entre muitas outras coisas, SUVs] faz saber, através de seu vp de vendas globais, N Chandrasekaranata, que a companhia vai dobrar suas vendas na américa latina em 2006, para US$100M, ou um terço do que se acredita que sejam as exportações de software brasileiras. ao anunciar ontem, em mumbai, novos contratos de US$30M na região, Chandrasekaranata disse literalmente que… “Our focus at the moment is increasing our footprint outside India, and Latin America is getting a lot of that focus”. por que? segundo ele, “The South American region has opened up for outsourcing in a very big way”, o que fará a tcs passar dos seus exatos 2,532 trabalhadores ontem para 3,500 em março de 2007, fim do ano fiscal da companhia.

ah, sim: a tcs está conversando com duas grandes empresas brasileiras [uma delas do setor financeiro… quem?…] para ser seu provedor de serviços de TI, o que coloca o brasil definitivamente na rota da da terceirização de servicos de TI e, ainda mais, na rota da índia. depois da tcs, infosys, wipro e satyam, companhias de faturamento bilionário que já estão por aqui de uma forma ou de outra, as pequenas e médias empresas de lá vão aparecer, também, mais cedo ou mais tarde, até porque puxadas pelas grandes.

muitos, mas muitos anos atrás, enquanto se discutia a formação de competências [em software, aqui] para atingir o mercado externo, mais de um empresário nacional antecipou que a defesa do campo de batalha interno ia ser tão árdua quanto o ataque ao externo. país de muitas empresas em todos os setores, mas onde as companhias brasileiras são quase todas locais, sem nenhuma ou com pouca expressão internacional, o brasil está fadado a andar ao sabor das ondas do mundo… a tcs aqui chegou por sua competência em entregar resultados, razão pela qual ganhou o contrato mundial do banco abn… que comprou o real… e até o banco do estado de pernambuco, de triste memória. resultado: as decisões locais se tornam globais e quem não consegue competir no mercado global não consegue, também, no mercado local de qualidade e volume, sendo paulatinamente escorraçado para a periferia… local. os empresários, lá atrás, estavam errados e certos: tivéssemos conseguido alguma competência de classe mundial, teríamos ao menos competido para prestar o serviço ao abn mundial, e a história poderia estar sendo outra.

mas, chorar sobre o leite derramado pra que?… como já disse o ministro celso amorim à época da visita presidencial à índia, “Nossas economias se complementam. Eles têm o software; nós temos a indústria de alimentos mais competitiva do mundo.” vamos, pois, procurar outras estratégias, complementares às de fábricas de software e business process outsourcing, e rápido, antes que seja ainda mais tarde… que tal olhar empresas como a meantime… cujo ronaldinho total control está em primeiro lugar na categoria “sport” em the mob… depois de dezenas de milhares de downloads em poucos dias? pode não ser uma das estratégias para salvar a indústria nacional de software. mas pode ser… até porque tv digital é, também, sobre jogos

um vício chamado moola?

Monday, June 19th, 2006

website fácil de assinar promete… dinheiro a troco de… nada. eu sei, você já viu isso antes e este pode muito bem ser um a mais. mas pelo menos moola é adoravelmente viciante. trata-se de uma instigante forma de vender anúncios on-line [e uma em que o velho google ainda não havia pensado]. você abre uma conta e nela cai, grátis, um centavo. pra jogar um dos dois jogos que já existem no beta [contra outro humano que também está perdendo tempo, como você], é preciso assistir um comercial [os meus eram todos da dell…] e, depois, responder uma perguna sobre o comercial [e, se errar, ver o vídeo de novo pra descobrir a resposta]. isto feito, você pode apostar o que tem [tudo ou parte] contra outro alguém. e fazê-lo quantas vezes quiser, em joguinhos que duram algumas dezenas de segundos. um verdadeiro killer app dos jogos na web… e capaz de aparecer como uma forma de entretenimento em tv digital [veja o comercial {em um canal fechado, só pra comerciais}, responda uma pergunta {pra fixar o anúncio} e ganhe um centavo {a mais} pra apostar contra alguém que está caindo no mesmo lance…].

nao sei se vai pegar, mas vicia muito rápido e, afinal, trata-se de dinheiro de verdade. principalmente se você acreditar em dinheiro dado por uma companhia registrada em barbados e que tem, nos termos em condições do site, a seguinte ameaça, em juridisquinglês: …In order to ensure that your activities on this website are not considered to be gambling, you are not able to risk your own money or valuable property. This is why your account balance has to be legally worthless until we actually give it to you. If your account legally had value, there is a small risk that some government somewhere could unjustly claim that you are gambling even though you never deposited your own money into the game. While we realize that it may sound harsh that we have the legal right to pay you at our sole discretion, it is for your and our protection. Please understand that we want the website to be a fun experience that is available to all people who are legally permitted to play. We intend to pay you provided that (i) we are legally permitted to pay you, and that (ii) you do not breach this Agreement or our policies. We are not aware of any reason why we would be legally prevented from paying anyone who we allow to sign up an account. However, that said, the following statement establishes your agreement that your account balance has no value until we pay you…

ah, sim: também está escrito que tudo o que houver no beta pode ser zerado quando o sistema entrar mesmo no ar. dito isto, bem vindo, aposte e divirta-se!

Technorati :
Del.icio.us :

imagens: imagery…

Sunday, June 18th, 2006

esta imagem de adriano fazendo o primeiro do brasil contra a austrália foi encontrada algumas horas depois do gol em uma nova [proposta independente de] interface para busca de  [montada sobre a busca de imagens de google], fazendo simplesmente a pergunta “brazil”. a interface proposta por imagery é muito interessante [e interativa] e vale a pena ir lá e dar uma sacada. boas buscas.

ozzie who?…

Saturday, June 17th, 2006

olhando pra nota anterior, talvez você não saiba quem é o cara [ray ozzie] que vai assumir o espaço de bill gates como chief architect da microsoft. pois tá’qui uma excelente análise dele, e da situação da msft, feita por smartmoney… que acha que ele tem uma boa chance de fazer com que uma microsoft 2.0 tenha o mesmo brilho que a companhia teve nos seus dias de glória…

kill bill?

Thursday, June 15th, 2006

bill gates anuncia que começa a deixar a microsoft; o plano de transição de dois anos entra no ar já; ray ozzie assume imediatamente como chief software architect e craig mundie é o novo chief of research & strategy. e não é primeiro de abril… deve ser por isso [e outras] que ozzie não tem tempo pra atualizar seu blog desde o… primeiro de abril. steve ballmer continua como ceo. o anúncio causou uma leve subida nas ações da microsoft [0.9%], que estão levando pancada em wall street desde o fim de abril, quando a companhia anunciou que iria usar vários bilhões de dólares[a mais] do lucro para radicalizar o combate a google, yahoo, amazon e e-bay. problemas de incumbente: o quase monopólio da microsoft tem um preço, pago em lealdade a seus antigos [às vezes muito antigos] clientes. a companhia não pode simplesmente mandar todo mundo trocar windows xp por um “beta qualquer”. não dá. simplesmente não dá. o que significa custos de arrasto muito grandes… uma espécie de custo de “ser” uma microsoft.

gates sempre teve competência [e sorte] em fazer algo que poucos dirigentes conseguem: elicitar [dos ditos e não ditos do mercado] uma estratégia emergente para a microsoft, permitindo que a empresa, gastando alguns poucos bilhões de seu caixa, sempre chegasse à frente dos adversários, mesmo saindo muito depois. no caso de vários deles, causando inclusive a destruição do oponente e seu dna, para sempre. desta vez [sempre há um desta vez…] a maioria dos analistas concorda que a microsoft tem problemas demais e que o número de frentes de competição é tão grande que o controle [maior ou menor, mais maior do que menor] de centro [e de gates?] sobre o resto da companhia tem afetado seriamente sua capacidade de, senão antecipar tendências, pelo menos segui-las tão rapidamente como no passado. ballmer, ao timão, avisa que “só precisa de 5 anos” e alguns bilhões [a mais] por ano para chegar nos lugares e nas marcens de lucro onde hoje está a concorrência. os acionistas aguardam, algo impacientes. o caixa está lá, os técnicos estão lá, o ânimo parece estar lá… só falta o mercado esperar…

se eu estivesse na foto [na foto acima, de hoje, em redmond: gates, mundie, ozzie, ballmer]: transformaria a microsoft numa holding, separaria o que hoje são meras divisões [e, em casos, produtos] em várias companhias [completamente] diferentes [e com dinâmicas idem] e partiria pra adquirir propriedade intelectual e, principalmente, gente, que estivesse construindo a web 2.0 -a informaticidade- de daqui a 5 anos. ballmer & co. não parecem acreditar que innovation happens elsewhere. mas numa companhia do tamanho da microsoft, é a pura verdade. aliás, é verdade numa companhia do tamanho de google, também. basta ver quanta coisa [ruim, boa e mais ou menos] eles compraram recentemente. mas eu não estou na foto; nem scoble, by the way, está mais. quanto mais eu, que nunca estive…