o mundo mudou. a gartner não viu. os CIOs menos ainda
“We think there is a slowdown taking place. Businesses don’t see the value [in technology] any longer. They find no compelling reasons for vigorous investment. It’s a non-growth industry.” palavras de Ken McGee, Gartner VP, ao silicon.com. o contexto: a hp anuncia o fechamento de 79 de seus 85 data centers nos eua, uma economia de US$1B, de cara. mcgee e o gartner não estão vendo, talvez, o porquê disso tudo.
redes. banda larga. administração remota de servidores. data centers. p2p. web 2.0. ajax. hardware como serviço. software como serviço. tudo always-on. pouco importa onde fica. a rede está se conectando toda e, pra muitos casos, pode ser muito mais efetivo, para uma instituição brasileira, ter “seus” servidores na europa, eua ou japão. ou nos três [e muito mais] ao mesmo tempo.
ainda por cima, este hosting de dados e aplicações tá quase de graça. um exemplo é dreamhost: US$7.95/mês compram um registro de nome de domínio e um número ilimitado de domínios hospedado, em até 20GB de disco e 1 TERA [1000 Giga] byte de transferência por mês, 3.000 caixas postais e até 75 usuários de ftp e linha de comando. dez anos atrás, ninguém conseguiria pagar a conta. hoje, qualquer mortal pode começar um negócio que precise deste monte de coisas, na web, por menos de 20 reais por mês! e o preço vai cair ainda mais, e muito rápido. a unibratec, de recife, está transferindo todos os seus sites pra dreamhost. gente esperta…
pra que, então, ter um departamento de tecnologia de informação? pra fazer mais caro [porque só pra sua empresa] o que gente como a tivit, aqui no brasil, pode fazer muito melhor [e a preço potencialmente bem menor], porque tem escala, sendo provedor de muitos negócios, talvez de muitos milhares deles? será que você, frente a um suprimento externo confiável [e a preço razoável] de energia elétrica, conseguiria convencer seu prédio a ter uma operação completa de geração de energia só pra suprir as próprias demandas?
informaticidade [o “negócio” deste blog], do ponto de vista das corporações, é ter serviços, hospedagem, soluções [administradas] inteiras de tecnologia de informação de quem pode provê-las [suficientemente] bem, a preço competitivo com seu custo interno, e se preocupar só com o uso estratégico desta “infra-estrutura”, que inclui o software [e serviços associados]. não é à toa que salesforce.com tem quase 23 mil clientes e mais de 400 mil usuários, incluindo os 800 vendedores da AMD. dá pra acreditar que um gigante como a AMD [principal competidor da intel, quase US$6B em vendas, valor de mercado de US$15B] usa uma solução de vendas que “roda num site terceirizado”… junto com -e sendo a mesma solução de- vendedores independentes de tudo-o-quanto-é-de-coisa? pois bem. bom acreditar, porque é verdade. e um bocado de CIO perdeu um pouco mais de “poder” aí.
informaticidade é, para informação, o que eletricidade é para potência. ninguém quer saber porque o liquidificador, quando ligado na tomada, pulveriza cenouras. pouco importam os geradores, as redes de distribuição, seja-lá-mais-o-que-for… as pessoas só se lembram que eletricidade existe quando ela falta [o que é cada vez menos comum]. claro que eletricidade é uma commodity. inteligente é o uso que fazemos dela… da mesma forma, está chegando o dia em que os serviços de informação estarão “escondidos” na web, serão commodities e a diferença será o uso estratégico que faremos deles… e isso vai mudar não só o caráter da informática mas as capacidades competitivas das empresas, abrindo gigantescas possibilidades pra gente bem pequena… o que é muito bom para a humanidade.
nicholas carr, um dos meus blogs prediletos, cai no mesmo conto do gartner: aparentemente, segundo ele, os CIOs são uma profissão em extinção e sua salvação, como profissionais, depende de quanto se distanciarão de TICs, uma commodity que, ao invés de ser desenvolvida na casa, é comprada fora. graças, aliás, a deus. mas a salvação dos CIOs passa longe do “distanciamento”…
na verdade, os CIOs nunca foram [há exceções, claro] chief information officers de verdade; se fossem, seriam responsáveis pelo ciclo de vida da informação corporativa, em todos os sentidos, e não pelas caixas, cabos e licenças de software escondidas em algum lugar da despesa da organização. a maioria dos CIOs ainda é, mesmo, chief information technology officers, uma parte dos quais, por não entender nada de gestão estratégica da informação [que adiciona “valor” ao negócio] vive a mistificar os outros executivos com palavras-chave e siglas que adicionam muito ao custo e nada ao valor que se tira do departamento de TICs da organização.
parece que está chegando a hora dos CIOs se preocuparem com informação de fato e se encarregarem da estratégia de informação de suas empresas: isso envolve uma estratégia para administração [de ciclo de vida] da informação, uma estratégia de sistemas de informação [possivelmente externos à instituição, como salesforce.com] para suportá-la e, finalmente, uma estratégia de tecnologias de informação, boa parte das quais também externa ao negócio. bem-vindos, CIOs, ao mundo da informaticidade: it’s a brave, and deeply different, new world!… e boa sorte, porque vai dar muito trabalho…
May 22nd, 2006 at 8:53 am
Silvio, o cargo de CIO realmente será necessário?
Uma vez que a mentalidade de informaticidade tem que estar impregnada em todas as cabeças do negócio, não?
Só estou levantando isso porque talvez seja complicado eleger um arquiteto do ciclo de vida de informação, afinal, se algo der errado (e em muitos casos, vai dar), é a cabeça do CIO que vai ser pedida no banquete.
Mas posso estar bem enganado.
June 4th, 2006 at 10:37 pm
Todos em uma empresa gerenciam orçamentos, mas isso não dispensa a tesouraria.
Todos na empresa gerenciam pessoas, mas isso não dispensa o RH (chame como quiser).
Todos na empresa gerenciam informação, mas isso não dispensa o CIO (chame como quiser, mas alguém tem pensar o uso estratégico da informação e a estratégia da empresa à luz do uso da informação).