software: argentina encosta no brasil

argentina: levando a sério a exportação de software
a cessi, associação argentina das empresas de software, avisa que vai exportar, este ano, US$290 milhões, mais ou menos o mesmo que se espera da performance brasileira, segundo os dados do observatório do softex. alias, 80% da nossa exportação é feita por empresas estrangeiras baseadas no brasil. imaginem pra onde vai a margem de lucro…

pode até parecer curioso, mas os argentinos têm o brasil como um de seus mercados-alvo. como pode? ocorre que, no plano deles, o governo está retornando, em crédito fiscal, 70% das contribuições patronais [clt+inss] sobre o trabalho e perdoando 60% do IR das empresas que investem em pesquisa na área de e/ou que exportam produtos e serviços de software. aí… eles são competitivos até dentro do nosso mercado…

brasscomaqui, muito se falou, pouco se fez: o setor continua tão desamparado e como sempre esteve, apesar de haver uma “política industrial” para ele. a boa nova é que parte dos empresários resolveu transformar a variável governo em uma constante e está tentando enfrentar o mercado como pode… através de alianças como a brasscom. a politec, uma das associadas, tá no noticiário internacional, ganhando contratos. vamos ver como o efeito, sem as condições ambientaisdos outros competidores, escala.

olhando longe e atacando de fato os problemas que têm que ser resolvidos antes de dar um salto no setor de software, a argentina espera exportar US$1 bilhão em software em 2014. é capaz de chegarem lá, até porque estão tratando o problema profissionalmente, incluindo o estímulo à formação universitária em software! aqui, parece que vai aparecer um “catálogo” dos cursos “de tecnologia” lá no site do mec.

o fato é que o brasil é um gigante adormecido: há uns quinze anos que se tenta mostrar ao poder central os benefícios que um setor de software pujante poderia ter na economia, tanto direta como indiretamente. mas nada de concreto, de impacto duradouro, foi feito nesta década e meia.

índia: mudando muito rápido para o brasil acompanhar?pra citar o exemplo de sempre, que tal ver o impacto de software na economia indiana? quatro das cinco empresas que mais geram renda na índia já são de software: wipro, infosys, tcs e satyam, pagaram sete bilhões de reais em salários em 2005, contra praticamente zero há 15 anos. a tata steel, que esteve no primeiro lugar do ranking por décadas, está fora dos dez primeiros lugares. nova economia é isso aí.

depois de levar gás da bolívia, seremos ultrapassados pelos argentinos. parabéns para eles, competência é pra ser comemorada mesmo. choro e vela pra nós, quando o assunto for mudança na infra-estrutrua nacional de competitividade, e salve-se quem puder.

One Response to “software: argentina encosta no brasil”

  1. Jairo Fonseca Says:

    Eh isso aih Silvio, o governo brasileiro destruio toda uma industria de software brasileiro em uma decada, em 1995 nos tinhamos varios processaodres de texto, banco de dados, planilhas, sistemas operacionais, hoje nao temos nada !

    Eh uma pena que invista tanto via Finep, CNPq e BNDES com um resultado nulo.

    A urna eletronica que ja foi todo construido com tecnologia brasileira hoje eh 100% importada !

    Parece ate que sabemos fazer aviao, o Tucano nao pode ser vendido a Venezuela pois os donos da tecnologia nao deixaram, uma vergonha no pais de Santos Dumont.

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