a china móvel e os celulares-fantasma
Wednesday, May 31st, 2006
a china já tem quase duas vezes o número de celulares dos estados unidos. o brasil ainda é o quinto, mas a índia já é o sétimo. breve, perderemos o posto pra mais este gigante. até aí, nada demais. tinha que ser mesmo verdade que países de população muito grande, como o brasil, tivessem mais celulares do que outros, bem menores. o problema, no caso, é que conheço muitos especialistas no assunto que dizem, mas não querem aparecer dizendo, que o número de celulares “mesmo“, no brasil, deve andar em torno de 50 ou, no máximo, 60 milhões, e não os 86.200.000 relatados pela anatel em jan/2006. no pior caso, o brasil já seria o nono, entre inglaterra e frança; como eles têm aproximadamente um terço de nossa população… há lições a aprender, se este for mesmo o caso.
o que é um celular “mesmo”? primeiro, uma linha que está ativada, à qual corresponde um celular de verdade e que está sendo realmente usado e pagando algum tipo de conta, pré- ou pós. mas parece que este é um número assim… meio sigiloso, quase impossível de calcular. por que? porque as teles pagam uma taxa, à anatel, para habilitar um celular; depois disso, não voltam lá para desabilitá-lo, mesmo quando o cliente desaparece ou o troca por um outro número [ainda que seja da mesma tele]. alie-se a isso os números “de celulares” que estão associados a linhas físicas, para fazer ligações mais baratas de “celular pra celular”. estes “telemóveis fixos” são legais, instalados nas empresas pelas operadoras… e o resultado do samba todo é que um número muito grande de “habilitações” válidas [lá na anatel] parece que não corresponde a celulares em uso.
sim, e daí? daí, pelo menos, duas coisas: a primeira é que algumas operadoras podem estar se enganando quando falam de ARPU baixo. ARPU, ou average revenue per user, é o que as teles faturam, em média, por usuário por período de tempo [mês ou ano]. se eu digo que tenho mais usuários do que realmente tenho, e divido o faturamento por aqueles, o ARPU é menor… e eu posso chorar nos braços do governo, por exemplo, pra aumentar tarifas e preços, porque a situação tá preta. sem que ela esteja tão difícil quanto parece. espera-se que, se as suposições dos especialistas que conheço forem verídicas, o governo também tenha seus especialistas e suposições, pra enfrentar fogo com fogo. não precisa nem dizer pra gente, aqui fora, que sabe: basta saber e agir.
segundo, quem está entrando no negócio de aplicações e serviços para celular pode estar contando com um mercado 60% maior do que ele realmente é, se os números dos meus especialistas invisíveis fizerem sentido. isso pode ser a diferença entre a vida e a morte num negócio, por exemplo, de jogos para celular [ou em sorteios via sms, na tv]. e há uma outra conseqüência, mais grave, a de fingir e comemorar o sucesso de termos bem mais gente conectada do que verdadeiramente teríamos se computássemos, por exemplo, como celulares apenas aqueles que entram no ar, em alguma estaçõ rádio base, pelo menos uma vez por trimestre… esta conta, aliás, é de feitura absolutamente trivial. mas, aqui pra nós, eu e você nunca vamos ver o resultado…
será que os números são turbinados, também, nos outros países? se forem, deixa a comparação como está. caso contrário, é capaz de valer a pena um estudo detalhado do que é um celular “mesmo”, por aqui…


leia,
pra que, então, ter um departamento de tecnologia de informação? pra fazer mais caro [porque só pra sua empresa] o que gente como a
informaticidade é, para informação, o que eletricidade é para potência. ninguém quer saber porque o liquidificador, quando ligado na tomada, pulveriza cenouras. pouco importam os geradores, as redes de distribuição, seja-lá-mais-o-que-for… as pessoas só se lembram que eletricidade existe quando ela falta [o que é cada vez menos comum]. claro que eletricidade é uma commodity. inteligente é o uso que fazemos dela… da mesma forma, está chegando o dia em que os serviços de informação estarão “escondidos” na web, serão commodities e a diferença será o uso estratégico que faremos deles… e isso vai mudar não só o caráter da informática mas as capacidades competitivas das empresas, abrindo gigantescas possibilidades pra gente bem pequena… o que é muito bom para a humanidade.





