Archive for May, 2006

a china móvel e os celulares-fantasma

Wednesday, May 31st, 2006

a china já tem quase duas vezes o número de celulares dos estados unidos. o brasil ainda é o quinto, mas a índia já é o sétimo. breve, perderemos o posto pra mais este gigante. até aí, nada demais. tinha que ser mesmo verdade que países de população muito grande, como o brasil, tivessem mais celulares do que outros, bem menores. o problema, no caso, é que conheço muitos especialistas no assunto que dizem, mas não querem aparecer dizendo, que o número de celulares “mesmo“, no brasil, deve andar em torno de 50 ou, no máximo, 60 milhões, e não os 86.200.000 relatados pela anatel em jan/2006. no pior caso, o brasil já seria o nono, entre inglaterra e frança; como eles têm aproximadamente um terço de nossa população… há lições a aprender, se este for mesmo o caso.

o que é um celular “mesmo”? primeiro, uma linha que está ativada, à qual corresponde um celular de verdade e que está sendo realmente usado e pagando algum tipo de conta, pré- ou pós. mas parece que este é um número assim… meio sigiloso, quase impossível de calcular. por que? porque as teles pagam uma taxa, à anatel, para habilitar um celular; depois disso, não voltam lá para desabilitá-lo, mesmo quando o cliente desaparece ou o troca por um outro número [ainda que seja da mesma tele]. alie-se a isso os números “de celulares” que estão associados a linhas físicas, para fazer ligações mais baratas de “celular pra celular”. estes “telemóveis fixos” são legais, instalados nas empresas pelas operadoras… e o resultado do samba todo é que um número muito grande de “habilitações” válidas [lá na anatel] parece que não corresponde a celulares em uso.

sim, e daí? daí, pelo menos, duas coisas: a primeira é que algumas operadoras podem estar se enganando quando falam de ARPU baixo. ARPU, ou average revenue per user, é o que as teles faturam, em média, por usuário por período de tempo [mês ou ano]. se eu digo que tenho mais usuários do que realmente tenho, e divido o faturamento por aqueles, o ARPU é menor… e eu posso chorar nos braços do governo, por exemplo, pra aumentar tarifas e preços, porque a situação tá preta. sem que ela esteja tão difícil quanto parece. espera-se que, se as suposições dos especialistas que conheço forem verídicas, o governo também tenha seus especialistas e suposições, pra enfrentar fogo com fogo. não precisa nem dizer pra gente, aqui fora, que sabe: basta saber e agir.

segundo, quem está entrando no negócio de aplicações e serviços para celular pode estar contando com um mercado 60% maior do que ele realmente é, se os números dos meus especialistas invisíveis fizerem sentido. isso pode ser a diferença entre a vida e a morte num negócio, por exemplo, de jogos para celular [ou em sorteios via sms, na tv]. e há uma outra conseqüência, mais grave, a de fingir e comemorar o sucesso de termos bem mais gente conectada do que verdadeiramente teríamos se computássemos, por exemplo, como celulares apenas aqueles que entram no ar, em alguma estaçõ rádio base, pelo menos uma vez por trimestre… esta conta, aliás, é de feitura absolutamente trivial. mas, aqui pra nós, eu e você nunca vamos ver o resultado…

será que os números são turbinados, também, nos outros países? se forem, deixa a comparação como está. caso contrário, é capaz de valer a pena um estudo detalhado do que é um celular “mesmo”, por aqui…

como financiar empresas de software?

Tuesday, May 30th, 2006

empresas de software, pra começar, não são construídas por financiamentos e sim por investimentos de risco [ou, como se começa a chamar, de investimento para o crescimento empreendedor]. empresas de software que tomam dinheiro de bancos pra crescer sempre passam por dificuldades radicais [e muitas, simplesmente, morrem]. ainda mais, os bancos exigem uma coisa que empresas de software não têm, as tais garantias reais. para financiar engorda de gado, a garantia real é a terra onde os animais estão comendo… para escrever e vender software a garantia seria o cérebro dos programadores?… não dá liga e há, até, empresas de software que “compraram” fazendas para “dar” de garantia aos bancos… muito, mas muito exótico mesmo.

por outro lado, uma excelente idéia para financiar empresas de software é financiar o comprador de seus produtos e serviços, que normalmente tem as tais garantias reais. a gol linhas aéreas, por exemplo, tem prédios, aviões, e um mercado que lhe dá uma receita… que pode ser usada pelo banco como garantia real. o BNDES, que tem olhado com muito carinho para o setor de software no brasil, acaba de conceder um financiamento de 75.7 milhões de reais à gol, parte do qual para ser usado na aquisição de software desenvolvido e customizado no brasil. isso deveria acontecer em uma escala muito maior, o que poderia ajudar a acelerar o processo de crescimento do setor de software no brasil.
nem parece que, tempos atrás, o banco do brasil inventou um “financiamento especial” para negócios brasileiras comprarem licenças da SAP! a confusão foi tão grande que o bb acabou dando “igualdade de condições” às empresas nacionais… o que continuava sendo um absurdo, pois um banco alemão jamais faria o mesmo. tomara que o BNDES invista muito mais nesta linha, que é um caminho certo para incentivar o software nacional.

acabou a lua de mel. e agora?

Sunday, May 28th, 2006

guy kawasaki, um dos caras mais espertos do mercado de negócios digitais, acaba de escrever um texto imperdível para quem está começando um negócio. o título do original em inglês [after the honeymoon] já diz tudo. você se juntou com gente muito massa, têm todos “grande” capacidade de trabalho e de trabalhar juntos, um conjunto de idéias de fazer einstein corar, arranjaram gente pra botar dinheiro no negócio e tudo ia muito bem… até vocês terem que mostrar serviço. kawasaki elenca nove formas de dar errado logo na partida [já passei por todas em mais de um start-up] e, sinteticamente, dá uma idéia de como a situação chegou onde está e o que fazer dado que o ventilador não está muito limpo…


cada um dos itens escolhidos por kawasaki já deve ter acontecido, pelo menos uma vez, em quase todos os start-ups do mundo, especialmente nos de tecnologia. vale a pena ler o texto inteiro e pensar muito no que, dele, se aplica ao seu negócio, mesmo que você não seja exatamente um startup no sentido temporal do termo. no brasil, aliás, a maioria das empresas de tecnologia fica durante anos num estágio pré-startup de suas vidas, sem meios, coragem, ou os dois ao mesmo tempo, de sair da casca do ovo e enfrentar as duras realidades de mercado, que envolve responder perguntas [que estão lá, no texto] como… por que meu sócio não faz sua parte [e o que devo fazer com ele]?… por que não estamos conseguindo vender [e porque a "culpa" não é do mercado... "que não está preparado pra nós"]?… por que meu investidor não ajuda mais [e/ou se mete tanto no "meu negócio"]?…

faça a si próprio, ou a seu negócio [às pessoas que estão nele] as perguntas de kawasaki… veja o que se aplica e o que tem conserto, se tiver. se muita coisa não tiver jeito [e/ou você achar que não tem], das duas uma: combine com todos os seus sócios uma providencial falência e, se houver astral, um começar de novo. ou então, se nem pra isso houver clima, bata em retirada, pra não perder os amigos. talvez, num outro negócio [ou, dependendo das razões do desastre atual, numa outra vida] vocês estejam juntos novamente.

e depois não digam que eu não avisei…

eita! o mercado encolheu…

Thursday, May 25th, 2006

imagine que você vende [ou melhor, vendia] uma foto de qualidade por 100 dólares. antes da internet e de mercados virtuais de imagens, claro. hoje, com muita sorte você vai vender a mesma foto por US$1, a menos que suas lentes tenham a fama alcançada por um helmut newton, que por si só “tem” um preço. independente da foto. quando um número muito grande de fornecedores, com mecanismos radicais de distribuição [internet rápida, engenhos de busca, mecanismos de pagamento...] à mão, aparece no mercado de imagens, se você não é um newton, seu mercado acaba de encolher. os 100 que você ganhava por foto viraram 1, para todo mundo. os 99 de diferença sumiram, ninguém os verá jamais. ao mesmo tempo, seu mercado acaba de crescer: estudantes secundários comprarão fotos suas, de boa qualidade, para trabalhos escolares. por 1, dá; por 100, nem pensar. a este mecanismo econômico, a wired está dando o nome de crowdsourcing: um monte de gente, “sem nome”, vendendo o que sabe [e gosta] de fazer, numa economia informal em rede, em larga escala. pra muita, mas muita coisa mesmo.

inovações radicais, de ruptura, arrasam barreiras à competição e forçam, sempre que o novo entra em contato com o velho, a perda da receita e da margem do segundo para um novo, e normalmente muito mais baixo, nível de remuneração do primeiro. é a comoditização das [outrora] especialidades. mas muitos negócios se apegam a suas velhas receitas, margens e modelos de negócio. e se afogam, no mar revolto da inovação, agarrados neles, ao invés de fazer um severo regime de adaptação aos novos tempos. exemplo? as teles e voz-sobre-IP [VOIP]. voip não é uma nuvem passageira, até porque as teles têm toda sua infra-estrutura implementada e operando, muito bem obrigado, sobre IP. seu tráfego de tudo é sobre IP. voz inclusive. a diferença, entre elas e nossos telefones é que, depois da digitalização de toda plataforma de lá, do lado de cá ainda somos cobrados como se o sistema fosse analógico, por tempo de conversação. como, se tudo, do lado de lá, são pacotes?…

algumas operadoras começam a acordar [tomara que dê tempo para atingirem consciência plena antes do fim...] e levar a sério a competição de VOIP e de skype, que tem, para a china [qualquer celular!] a tarifa de 5 centavos de real por minuto… quando há operadoras “normais” cobrando 100 vezes mais. há muito, muito mesmo, nenhuma delas vê nenhum dos meus tostões. quanto mais gente descobrir que o mercado encolheu, melhor será para todos, e principalmente para os “novos” incumbentes… até que, não mais que de repente… eles sofrerão da mesma síndrome, daqui a alguns anos, de achar que o mercado só se expande. e é verdade: só que, às vezes, cresce por encolhimento…

samsung anuncia o fim do “disco”

Wednesday, May 24th, 2006

cinquenta anos depois da IBM lançar o primeiro computador com disco rígido de produção industrial [o ramac, em setembro de 1956, cujo "350 disk file" está na foto ao lado], a samsung acaba de anunciar o fim dos discos. o 350, um disco de 5 megabytes, espantoso meio século atrás, só saiu de linha em 1969, prestando bons serviços a empresas de todos os tipos em todo o mundo. o evento foi devidamente comemorado, como deveria ter sido, pois foi marco fundamental para o uso prático dos computadores. “memória de massa”, como os discos foram chamados por muito tempo, foi fundamental não para o registro on-line das informações, a princípio, mas para transformar computadores em instrumentos práticos. o elevado custo das memórias principais, eletrônicas, exigia memórias secundárias para armazenar boa parte dos programas e dados que, mesmo para a pequena complexidade e baixos volumes de cálculo da época, eram impraticáveis nas memórias de poucos kilobytes das CPUs de então… alguns megabytes de disco faziam a diferença entre possibilidade ou não de um processamento… em “batch”, nos anos 50-70, antes dos computadores assumirem sua face de tempo real de hoje.

até agora, os discos são dispositivos eletro-magneto-mecânicos, limitantes fundamentais da velocidade de cálculo dos computadores e principais pontos de falha dos mesmos. a samsung, maior fabricante de flash memory do mundo, acha que está na hora da virada. a companhia, que fabrica [entre muitas outras coisas] a memória dos ipods de 4GB, está lançando em junho o Q30-SSD, um laptop com “disco” flash de 32Gigabytes, muito perto dos menores discos rígidos de laptops. fatores de escala e, conseqüentemente, custos muito mais baixos, nos próximos anos, deixam prever que, depois de 2010, haverá poucos laptop com “disco” por aí. a capacidade de armazenamento de dados e sua velocidade de transferência, nas memórias flash que estão chegando ao mercado, já é compatível com os discos mais baratos e, em breve, há de competir com os mais caros.

tanto quanto o cd matou o lp [e como a internet está matando o cd], veremos, em breve, flash acabar com o mercado de discos e redefinir os modelos de armazenamento e uso de informação em movimento. espere, em breve, no seu celular, [por exemplo] gigabytes [muitos!] de memória. e pense no que fazer com eles. comece com mapas… e imagine as possibilidades…

o mundo é plano. e complexo.

Monday, May 22nd, 2006

leia, aqui, um resumo bem resumido [e coerente, pois resultado de uma fala do autor] d’o mundo é plano, o hit de thomas friedman, auto-descrito como uma breve história do século 21. num espaço geográfico, econômico, social e temporal onde distâncias ficam mais curtas a cada dia, friedman identifica três globalizações. a dos países [de 1500 a 1800] e a das companhias [1800-2000] são antigas e até óbvias, hoje. a globalização da hora [2000-], certas horas imperceptível para seus sujeitos e objetos, é a globalização das pessoas, que começa agora e acaba sabe-se lá quando. no fundo, não acabará nunca.

o mundo [e não foi friedman que o descobriu] é plano porque feito de conceitos, capacidade e conexões, representados por pessoas, hoje globalizadas por redes de comunicação [onde elas, pessoas, são atores de primeira classe, ao contrário das "antigas" redes de TV]… mas as pessoas estão globalizadas em pequena escala: muito pouca gente pode, realmente, ser global. todos sofrem os efeitos da globalização das pessoas, como já sofríamos a das companhias, mas somente quem tem conhecimento e capacidade de aprendizado de classe [e, às vezes, em língua] mundial é realmente global.

os críticos da globalização terão pouco a fazer “contra” o estado de coisas que começa a se instalar: defenderão o isolamento das pessoas [enquanto capacidade de trabalho] ou, por outro lado, a capacitação de todos [ou tantos quanto possível] para participar da globalização das pessoas?… se as organizações [globalizadas] começam a se tornar meros meios de “organizar” o trabalho, ao invés do local onde ele é executado, resta tentar fazer com que todos tenham real acesso às oportunidades de trabalho. ou seja, resta globalizar -como negócio- tudo e todos. e manter local o maracatu de cada um

o mundo mudou. a gartner não viu. os CIOs menos ainda

Friday, May 19th, 2006

“We think there is a slowdown taking place. Businesses don’t see the value [in technology] any longer. They find no compelling reasons for vigorous investment. It’s a non-growth industry.” palavras de Ken McGee, Gartner VP, ao silicon.com. o contexto: a hp anuncia o fechamento de 79 de seus 85 data centers nos eua, uma economia de US$1B, de cara. mcgee e o gartner não estão vendo, talvez, o porquê disso tudo.

redes. banda larga. administração remota de servidores. data centers. p2p. web 2.0. ajax. hardware como serviço. software como serviço. tudo always-on. pouco importa onde fica. a rede está se conectando toda e, pra muitos casos, pode ser muito mais efetivo, para uma instituição brasileira, ter “seus” servidores na europa, eua ou japão. ou nos três [e muito mais] ao mesmo tempo.

ainda por cima, este hosting de dados e aplicações tá quase de graça. um exemplo é dreamhost: US$7.95/mês compram um registro de nome de domínio e um número ilimitado de domínios hospedado, em até 20GB de disco e 1 TERA [1000 Giga] byte de transferência por mês, 3.000 caixas postais e até 75 usuários de ftp e linha de comando. dez anos atrás, ninguém conseguiria pagar a conta. hoje, qualquer mortal pode começar um negócio que precise deste monte de coisas, na web, por menos de 20 reais por mês! e o preço vai cair ainda mais, e muito rápido. a unibratec, de recife, está transferindo todos os seus sites pra dreamhost. gente esperta…

pra que, então, ter um departamento de tecnologia de informação? pra fazer mais caro [porque só pra sua empresa] o que gente como a tivit, aqui no brasil, pode fazer muito melhor [e a preço potencialmente bem menor], porque tem escala, sendo provedor de muitos negócios, talvez de muitos milhares deles? será que você, frente a um suprimento externo confiável [e a preço razoável] de energia elétrica, conseguiria convencer seu prédio a ter uma operação completa de geração de energia só pra suprir as próprias demandas?

informaticidade [o "negócio" deste blog], do ponto de vista das corporações, é ter serviços, hospedagem, soluções [administradas] inteiras de tecnologia de informação de quem pode provê-las [suficientemente] bem, a preço competitivo com seu custo interno, e se preocupar só com o uso estratégico desta “infra-estrutura”, que inclui o software [e serviços associados]. não é à toa que salesforce.com tem quase 23 mil clientes e mais de 400 mil usuários, incluindo os 800 vendedores da AMD. dá pra acreditar que um gigante como a AMD [principal competidor da intel, quase US$6B em vendas, valor de mercado de US$15B] usa uma solução de vendas que “roda num site terceirizado”… junto com -e sendo a mesma solução de- vendedores independentes de tudo-o-quanto-é-de-coisa? pois bem. bom acreditar, porque é verdade. e um bocado de CIO perdeu um pouco mais de “poder” aí.

informaticidade é, para informação, o que eletricidade é para potência. ninguém quer saber porque o liquidificador, quando ligado na tomada, pulveriza cenouras. pouco importam os geradores, as redes de distribuição, seja-lá-mais-o-que-for… as pessoas só se lembram que eletricidade existe quando ela falta [o que é cada vez menos comum]. claro que eletricidade é uma commodity. inteligente é o uso que fazemos dela… da mesma forma, está chegando o dia em que os serviços de informação estarão “escondidos” na web, serão commodities e a diferença será o uso estratégico que faremos deles… e isso vai mudar não só o caráter da informática mas as capacidades competitivas das empresas, abrindo gigantescas possibilidades pra gente bem pequena… o que é muito bom para a humanidade.

nicholas carr, um dos meus blogs prediletos, cai no mesmo conto do gartner: aparentemente, segundo ele, os CIOs são uma profissão em extinção e sua salvação, como profissionais, depende de quanto se distanciarão de TICs, uma commodity que, ao invés de ser desenvolvida na casa, é comprada fora. graças, aliás, a deus. mas a salvação dos CIOs passa longe do “distanciamento”…

na verdade, os CIOs nunca foram [há exceções, claro] chief information officers de verdade; se fossem, seriam responsáveis pelo ciclo de vida da informação corporativa, em todos os sentidos, e não pelas caixas, cabos e licenças de software escondidas em algum lugar da despesa da organização. a maioria dos CIOs ainda é, mesmo, chief information technology officers, uma parte dos quais, por não entender nada de gestão estratégica da informação [que adiciona "valor" ao negócio] vive a mistificar os outros executivos com palavras-chave e siglas que adicionam muito ao custo e nada ao valor que se tira do departamento de TICs da organização.

parece que está chegando a hora dos CIOs se preocuparem com informação de fato e se encarregarem da estratégia de informação de suas empresas: isso envolve uma estratégia para administração [de ciclo de vida] da informação, uma estratégia de sistemas de informação [possivelmente externos à instituição, como salesforce.com] para suportá-la e, finalmente, uma estratégia de tecnologias de informação, boa parte das quais também externa ao negócio. bem-vindos, CIOs, ao mundo da informaticidade: it’s a brave, and deeply different, new world!… e boa sorte, porque vai dar muito trabalho…

fale com o mundo todo. grátis!

Thursday, May 18th, 2006

adaptador skype/voip pra seu telefone

  1. se você não sabe o que é skype, a única desculpa possível é ser parte de alguma tribo amazônica recém-contactada pelo que nós chamamos de “civilização”. bem-vindo [a coisa aqui tá preta, por sinal]: neste caso, saiba aqui.
  2. pra quem sabe, é bom ler este raciocínio de om malik, que vê uma chance de skype out grátis para todos. isso porque a cablevision acaba de entrar no negócio de conexões internacionais [até 500 minutos/mês] a US$19.95/mês… quase grátis… não fosse a média de preço de skype cerca de 2 centavos de dólar por minuto, o que dá uns 1.000 minutos/mês pelo mesmo preço. se aparecer skype out grátis [ou patrocinadamente grátis...], aí…
  3. se você é uma tele [ou uma operação VOIP que acha que a competição é a tele], é bom ler com cuidado e ter um plano alternativo aos seus atuais mecanismos de cobrança por minuto, aqui fora, enquanto internamente toda sua plataforma é IP. ou seja, você economiza em pacotes e nós lhe pagamos em tempo. alguma hora, este mercado colapsa para um outro modelo de custo e preço. que não vai ser o seu… felizmente.
  4. skype pode muito bem ser a gota d’água pra muitas teles, ou seus modelos de negócio. e pra muitas operações VOIP também. se não for só pra criar mais um monopólio [ebay, a dona, tem muito dinheiro para gastar com isso]… welcome, skype!

Q de quero[?]

Thursday, May 18th, 2006

motoQ roda winMobo dispositivo móvel mais esperado do ano chega ao mercado dos eua dentro de umas duas semanas, inicialmente em tecnologia cdma. o moto Q, da foto ao lado, vem pra competir a sério no espaço hoje ocupado por maquininhas como o rim blackberry e o nokia 9300, combinações de capacidades de computação, comunicação e diversão que têm como alvo a automação pessoal corporativa.

ed zander, ceo [ou chief transformation officer] da motorola, aposta alto na nova linha, que tem a dificílima missão de continuar a escalada dos razr [v3], talvez o maior objeto de desejo dos celulares de sua geração. motoQs, pra começar, serão vistos nas mãos e ouvidos de gente da motorola, de engenheiros a executivos, passando por gerentes e atendimento de campo.

zander quer criar uma companhia verdadeiramente móvel, onde a organização sirva para organizar o trabalho das pessoas, e não mais como local físico de sua realização. afinal de contas, os clientes e usuários de qualquer empresa estão, como não poderia deixar de ser, do lado de fora delas.

não vai ser a primeira vez que altas apostas estarão sendo feitas em um modelo de computação conectada, sobre terminais de perfil muito baixo, como forma de expandir o alcance da corporação a seus colaboradores remotos. nem é a única aposta do momento: os umpc [ultra mobile pcs] sobre plataforma intel e o nokia tablet são apenas dois dos competidores.

quem vai dizer quais deles vão ter futuro é a combinação de funcionalidade, interface, qualidade, preço e serviços. mobilidade, ubiqüidade, pervasividade dependem, quase que essencialmente, dos sistemas de informação por trás do pano, permitindo que as pessoas se movam fora da organização física. mais hora, menos hora, vou testar um… os bichos têm um certo jeito de informaticidade à vista…

software: argentina encosta no brasil

Tuesday, May 16th, 2006

argentina: levando a sério a exportação de software
a cessi, associação argentina das empresas de software, avisa que vai exportar, este ano, US$290 milhões, mais ou menos o mesmo que se espera da performance brasileira, segundo os dados do observatório do softex. alias, 80% da nossa exportação é feita por empresas estrangeiras baseadas no brasil. imaginem pra onde vai a margem de lucro…

pode até parecer curioso, mas os argentinos têm o brasil como um de seus mercados-alvo. como pode? ocorre que, no plano deles, o governo está retornando, em crédito fiscal, 70% das contribuições patronais [clt+inss] sobre o trabalho e perdoando 60% do IR das empresas que investem em pesquisa na área de e/ou que exportam produtos e serviços de software. aí… eles são competitivos até dentro do nosso mercado…

brasscomaqui, muito se falou, pouco se fez: o setor continua tão desamparado e como sempre esteve, apesar de haver uma “política industrial” para ele. a boa nova é que parte dos empresários resolveu transformar a variável governo em uma constante e está tentando enfrentar o mercado como pode… através de alianças como a brasscom. a politec, uma das associadas, tá no noticiário internacional, ganhando contratos. vamos ver como o efeito, sem as condições ambientaisdos outros competidores, escala.

olhando longe e atacando de fato os problemas que têm que ser resolvidos antes de dar um salto no setor de software, a argentina espera exportar US$1 bilhão em software em 2014. é capaz de chegarem lá, até porque estão tratando o problema profissionalmente, incluindo o estímulo à formação universitária em software! aqui, parece que vai aparecer um “catálogo” dos cursos “de tecnologia” lá no site do mec.

o fato é que o brasil é um gigante adormecido: há uns quinze anos que se tenta mostrar ao poder central os benefícios que um setor de software pujante poderia ter na economia, tanto direta como indiretamente. mas nada de concreto, de impacto duradouro, foi feito nesta década e meia.

índia: mudando muito rápido para o brasil acompanhar?pra citar o exemplo de sempre, que tal ver o impacto de software na economia indiana? quatro das cinco empresas que mais geram renda na índia já são de software: wipro, infosys, tcs e satyam, pagaram sete bilhões de reais em salários em 2005, contra praticamente zero há 15 anos. a tata steel, que esteve no primeiro lugar do ranking por décadas, está fora dos dez primeiros lugares. nova economia é isso aí.

depois de levar gás da bolívia, seremos ultrapassados pelos argentinos. parabéns para eles, competência é pra ser comemorada mesmo. choro e vela pra nós, quando o assunto for mudança na infra-estrutrua nacional de competitividade, e salve-se quem puder.

estamos perto de um ponto de inflexão. estamos?

Sunday, May 14th, 2006

fim de semana em bagdá: trinta mortos. em são paulo, pelo menos cinqüenta. em stanford, um debate sobre o fim da hegemonia humana na face da terra, pilotado por ninguém menos do que ray kurzweil. o debate sobre singularidade [veja aqui o verbete na wikipedia], tema do mais novo livro de rk, teve de tudo. e está muito bem relatado aqui.

enquanto uma parte do mundo discute se [e como] hardware e software estão provavelmente criando uma nova sociedade, outras, como aqui, tentam escapar da barbárie mais pura e simples. são paulo teve um fim de semana de bagdá, tanto quanto todos os anos do brasil são parecidos com o vietnã, o vietnã da guerra. lá, pelo menos, morria-se por um ideal, pelo menos do lado “mais fraco”. aqui, tentamos nos salvar da combinação de banditismo e cleptocracia, e os mortos não fazem nenhum sentido. é provável que seu fim em nada melhore os prospectos de sobrevivência da sociedade que os cercava.

ao correr do tiroteio, o mundo muda, o tempo passa e, em pindorama, as palavras voam de um lado para outro, sem que nenhuma mudança nacional, fundamental, pareça estar em andamento. acorda, povo!…

campanha eleitoral: blogs fora das regras…

Saturday, May 13th, 2006

nos estados unidos. a comissão federal eleitoral de lá decidiu que a única atividade, na internet, que estará sob a alça de mira da nova legislação de financiamento de campanhas de lá será anúncio pago em sites/blogs/etc. bom que eles têm uma “nova” lei de financiamento de campanhas [aqui há uma, mas parece não haver] e que ela deixa a opinião pessoal, especialmente os blogs [na verdade, jornais pessoais] fora do crivo.

resta saber como os partidos e candidatos levarão isso: no mundo empresarial, há quem pague bloggers para fingir que são fãs de coisas que vendem ou das empresas pagantes. raramente dá certo. nos eua, alguns dos blogs de maior audiência são políticos, e políticos de partido mesmo, tocados por gente que deixa bem claro seu papel nas máquinas eleitorais.

numa campanha aqui no brasil, principalmente como a próxima, que deverá ser uma das mais quentes do século, o uso de blogs pode ser muito intenso e criar, ou aparentar, muito radicalismo. o que poderia até ser bom, se aumentasse o grau de esclarecimento da população votante.

mas não é isso que acho que vai acontecer; ao invés, teremos cada lado dizendo o que acha do outro [e de suas "benfeitorias"], muito pouco de projetos de brasil e de políticas para ele sendo debatidas e, pior, no nosso caso, a grande política, incluindo a forma de representação da democracia por aqui… simplesmente não entrará em campo. uma pena.

mais hora, menos hora, o sistema de representação parlamentar terá perdido toda sua conexão com a inteligência eleitoral [ficando só com a fisiologia e, pior, a bandidagem] e aí será tarde demais. pior é que o brasil é grande, disperso e desconectado demais para ter democarcia direta, agora. e aí?…