Archive for April, 2006

aqui NÃO se trata de política mas…

Wednesday, April 19th, 2006

a coisa na câmara está começando a comprometer o que ainda resta de decência, ética e moral no país… como poderão os senhores membros do parlamento, em outubro, enfrentar seus eleitores? afinal, que país é este? o link da pizza, ao lado, cai no blog do ricardo noblat, que anda acompanhando, e muito bem, a grande pizzaria de brasília, de onde NÃO está para sair um brasil melhor do que o que temos agora…

eds “compra” milhares de engenheiros na índia

Wednesday, April 19th, 2006

a eds, mega-empresa texana de prestação de serviços de informação a corporações, acaba de anunciar uma proposta para comprar a mphasis, empresa indiana de bpo [business process outsourcing], por US$380 milhões. o alvo são os 12.000 funcionários da mphasis, que, agregados aos 3.000 que a eds já tem na índia, a deixaria perto da accenture [que tem 20.000, lá] em capacidade de alocação de pessoal. a ibm, que viu a oportunidade há bem mais tempo, tem 40.000 pessoas trabalhando na índia.

mesmo a ibm parece pequena, no cenário, perto, por exemplo, da infosys [indiana], que já tem 50.000 pessoas e acaba de anunciar a contratação de mais 25.000 até 2007… ah, sim: a tata tcs, que é realmente grande, empregava [em 31 de março] 62.832 pessoas de 53 nacionalidades diferentes e está abrindo mais 30.500 vagas até 2007, devendo ser a primeira empresa indiana de software a empregar mais de 100.000 pessoas e a faturar mais de US$5B por ano…

as empresas mencionadas são parte do fenômeno indiano de exportação de software e serviços de informação, responsável por mais de  US$23 bilhões de dólares de exportação este ano [mais de duas {ou quase três} vezes o tamanho total do mercado brasileiro] e que pode chegar a US$60B em 2010.

salesforce.com a todo vapor

Tuesday, April 18th, 2006

o gráfico ao lado [clique lá] mostra o aumento de receita [entre 2005 e 2004] das principais companhias do setor de software registradas em bolsas nos estados unidos. crm [aka salesforce.com] lidera a manada, vendendo crm como serviço: seus quase 30 mil clientes correspondem a cerca de 400.000 usuários on-line, com mais de 40% das transações sendo para a api [application programming interface] do site. o que significa que aplicações de crm empresariais estão começando a usar a funcionalidade de salesforce.com como base para suas operações. com mais de 75% de crescimento a salesforce.com está muito distante da sap [que perdeu quase 2% de faturamento], que ao contrário dela, vende software [às vezes muito caro] “as usual”.

detalhe não trivial: as ações da salesforce.com estão supervalorizadas [em US$32.80]. se você pensa em investir, só compre se cairem abaixo de US$15… [pois o p/e atual é 164.5!].

calendar: google acerta de novo!

Monday, April 17th, 2006

há tempos que eu andava atrás de um meio simples, funcional e eficaz de marcar e compartilhar [independente de plataforma e na web…] minha agenda. tentei várias soluções [que não mencionarei] e nenhuma delas resistiu aos primeiros dois ou três dias de exercício. gcal parece que vai durar muito mais do que isso, apesar dos problemas de interface e usabilidade que ainda tem… incluindo não mandar lembretes por sms no brasil [coisa que pode ser facilmente resolvida pelo pessoal de google bh!]…

mas a lista de contatos de gmail [que uso como emeio secundário] faz parte do pacote e, direto dela, você pode convidar pessoas para reuniões… simples. fácil. vai dar certo. ainda vão botar [acho], lá, uma ligação para tornar possível, na lata, combinar o evento com todos os convidados que estiverem on-line em gtalk, anexar a pauta da reunião usando writely e quetais. aí pega mesmo… ainda mais porque, feito isso, é só indexar as diversas versões dos docs gerados por writely com as pessoas presentes na reunião, botar os ditos cujos num timeline… um bocado de sonhos que ainda vai se tornar realidade.

o problema vai ser mesmo quando google achar que isso é uma plataforma, chamada google… e começar a criar dificuldades pra ligar outras coisas por lá. se é que tal operação ainda não começou. prefiro acreditar que não.

o futuro da indústria de software empresarial

Sunday, April 16th, 2006

esta nota é um certo complemento à notícia sobre a compra da rm sistemas pela totvs. shai agassi, o presidente de produto e tecnologia da sap, fez um palestra em santa clara, ca., há uns dez dias, alinhando o que acha que serão as cinco principais tendências do mercado de software empresarial nos próximos anos:

  • We believe that for I.T. to deliver the flexibility organizations need, it must create a single, unified platform that provides a repository of coherent services.
  • We believe the market has shifted from point solutions to industry-flavored suites.
  • We believe people like their current user experience but want business process content to be part of it.
  • We believe ecosystems that reuse common services deliver more, faster and cheaper innovation than any single vendor.
  • We believe I.T. will become strategic to the business as the pace of process innovation accelerates.

segundo agassi, as empresas vão passar a comprar, de ecossistemas [e não de empresas individuais], infra-estruturas de informação [e não mais sistemas isolados, como erp, crm…] e, exatamente por causa disso, quem tiver os melhores conjuntos de ferramentas será muito mais competitivo do que o “resto”…

hora, talvez, da gente pensar num grande ecossitema brasileiro, de classe e escopo mundial, de software empresarial. pra não ficarmos fora do jogo…

vem aí: tsunami na indústria de software

Saturday, April 15th, 2006

a totvs, que já era dona da microsiga e da logocenter, acaba de comprar a rm sistemas, formando um negócio que vai faturar, por ano, mais de 150 milhões de dólares. bom para o brasil, que precisa ganhar escala neste negócio de software empresarial, no mundo todo dominado por cada vez menos gente. segundo o último resilience report da booz, allen & hamilton, [The Coming Software Shakeup] 11 companhias de bancos de dados dominavam 90% deste mercado mundial em 2000; hoje, são só 6. em software empresarial, que é o negócio da totvs, eram 120 empresas controlando 70% do mercado em 2000, contra 35 agora.

o nome do jogo, para quem quer estar neste mercado, no futuro, é escala. a totvs sabe disso e está indo atrás. consolidação não é um privilégio de setores particulares da economia, mas do sistema econômico vigente hoje [e, provavelmente, daqui pra frente]. que o digam as cafeterias no mundo rico: você pode até não querer ser a starbucks, mas se quiser atender o público que quer consumir starbucks pelo preço e com o atendimento dela, têm que ter o jeito, o tamanho, os produtos, a competitividade dela. a escala dela. claro que as jonathan’s e garraway’s vão continuar existindo, para atender a nichos de mercado dispostos a pagar um prêmio [muito] alto pelos seus “serviços”… mas este mercado vai ser [como já é] muito pequeno.

um “specialist shop” de software não vai atender o grande mercado empresarial e sim demandas específicas de empresas que têm problemas muito especiais. erp [enterprise resource planning], crm [costumer relationship management], banco de dados e assemelhados serão fornecidos por pouca gente. muito pouca. a totvs também sabe disso.

segundo a booz, allen & hamilton, os compradores de software vão correr para padrões abertos e centrar suas empresas nos dados, ao invés das aplicações. eficácia, eficiência, flexibilidade [+padrões = escala] vão ser a essência do negócio de software empresarial. a totvs sabe disso e sabe também que um dia o brasil vai deixar de andar de lado e, ao invés de dezenas de milhares de farmácias diferentes, talvez haja umas poucas cadeias… e que o mesmo pode valer para pizzarias, pastelarias, padarias… que terão seus donos individuais, claro, mas farão parte de redes onde haverá padrões, desde as misturas usadas na broa de milho até o software que será usado no ponto de venda, na operação do negócio e no “back office”. e a totvs deve querer ser um dos fornecedores de algum dos padrões que o mercado vai usar. tomara que cheguem lá. tomara que mais gente tente o mesmo, no brasil, inclusive se aliando à totvs, ou entre si, pra que a gente tenha pelo menos uma plataforma brasileira no cenário mundial.

tvd.br: deu isdb mesmo [deu?]

Saturday, April 15th, 2006

tempos atrás, uma nota, por aqui, deu que o sistema brasileiro de tv digital ia ser o japonês. e parece que vai mesmo. já estamos assinando protocolos e papéis timbrados de todo tipo. o negócio é muito importante para o brasil [e deve ser para o japão, também] pois, desde o começo, há muito mais do que TVs e acessórios por trás da conversa, como era de se imaginar: 3% de etanol, na gasolina, no japão, pode valer mais do que as sobretaxas a suco de laranja nos eua ou alguns subsídios agrícolas a mais ou menos na europa. mas, até agora, a conversa não deu na imprensa do sol nascente. nem asahi, yomiura, nihon keizai ou mainichi shimbun publicaram uma letra sobre o assunto. vai ver que não saiu, lá, nenhum pr em japonês. ou que os jornais de lá estão pagando pra ver…

hsdpa: pois pois…

Tuesday, April 11th, 2006

as três operadoras móveis de portugal lançaram, na semana passada, hsdpa [high speed packet downlink, “chamado” de 3.5G, 1.8Mb/s max na rede celular] por lá. uma delas, a optimus [do grupo sonae], cobra ~40 euros por mês, sem limite de utilização, enquanto a tmn [telemóvel nacional] e a vodafone [que opera pelo mundo afora, também], pelo mesno preço, impõem um limite de 1GB/mês. todas prometem cobertura nacional aé o fim do ano e a vodafone tem roaming internacional na áustria, alemanha e… áfrica do sul. nada de telefones celulares com a tecnologia, ainda: a coisa só está disponível em placas pra computadores, supostamente, em suas quase totalidade, laptops. os telemóveis serão atendidos depois.

claro que as pequenas vilas, as taperoás de portugal, ainda levarão muito tempo pra ter algum tipo de cobertura 3.5G, mas isso é de se esperar. afinal de contas, alguém tem que pagar a conta e baixas densidades de uso só são negócio se políticas públicas estiverem prestando atenção. isso não parece ser o caso.

a vantagem de hsdpa sobre wi-fi é que a primeira, montada sobre a rede de telecom móvel “normal”, pode eventualmente estar em quase todo lugar, à medida em que as teles forem migrando sua infra para 3.5+G. isso é só uma questão de tempo, ao contrário do caos de wi-fi, infra sobre a qual não consigo uma conexão razoável, em lisboa, paris, londres ou onde mais estiver, sem ter que comprar acessos aqui da swisscom, ali da t-mobile, acolá de… e isso quando tenho sorte…

se as operadoras móveis conseguirem migrar de 2.xG [gsm, gprs, edge] para 3.xG [umts, hsdpa…] melhorando significativamente a facilidade e o custo [para o usuário] de estar always-on, um passo significativo tera sido dado para criar informaticidade de verdade, em todo lugar.

[ps: o eurostat, birô europeu de estatísticas, acaba de publicar os dados de acesso à internet na europa: na dinamarca, holanda e suécia, 75% das pessoas estão na rede. em portugal, apenas 25%, e 66% nunca usou a internet, mas 88% dos estudantes está on-line, contra 79% da média da europa. o portugal do futuro está on-line, full-time.]

linux é “gordo demais”…

Monday, April 10th, 2006

palavras de nicholas negroponte, o cabeça da iniciativa One Laptop per Child, que está por trás do laptop “de 100 dólares”. segundo negroponte, linux tem que emagrecer muito antes de caber na máquina, que parece não só estar atrasada [como windows vista, ficou para 2007] mas, quando aparecer, a se acreditar em uma palestra recente, vai rodar, também [e para surpresa de muita gente, inclusive eu] windows CE! a microsoft já tem em mãos o hardware de desenvolvimento, inclusive…

o brasil continua na lista dos países em que o governo comprará máquinas para as crianças, supostamente alunos de escolas públicas a serem escolhidos segundo algum critério minimamente razoável, capaz de mandar máquinas para onde elas sejam mais necessárias, nos rincões mais remotos e desconectados da pátria e não para os lugares de sempre, onde existe uma tal “demanda qualificada” que é sempre argüida na distribuição de qualquer coisa em pindorama.

pra complicar a equação, dada a disponibilidade de dois sistemas operacionais no laptop [pelo mesmo preço final?], é capaz de pintar, de novo, aquela discussão que já rolou, em passado recente dos programas de inclusão digital [linux vs. windows]… e que terminou tragicamente, dando nenhum dos dois. porque o problema da escolha do sistema operacional estava na cabeça dos ideólogos e de ninguém mais. o problema real, hoje, continua igual. as crianças precisam ser incluídas na rede [e a quase totalidade dos adultos também]. espera-se que haja, desta vez [quando chegar a hora da compra… se houver] um mínimo de sanidade na discussão, pra que façamos algo de prático.

boot camp: ações da apple sobem 20%

Saturday, April 8th, 2006

um anúncio simples, em preto e branco, na página da apple, talvez tenha criado a maior notícia do ano no mundo dos pcs [já que vista não vai aparecer mesmo antes de 2007]: cupertino vai rodar windows. o nome da novidade é bootcamp, um download [83MB, em beta] que você instala no seu mac e que permite [dado que você tenha uma cópia de windows] alternar o boot dos mac que têm, já, os processadores intel] entre OS X e WinXp.

o ’sales pitch’ da apple pra bootcamp é simples: cada vez mais gente ‘ama’ macs; pra tornar esta ‘escolha’ ainda mais irresistível, seu hardware mac pode rodar, agora, windows. john gruber analisa que o movimento da apple [óbvio, por sinal, depois da parceria com a intel] é de baixo risco e de chance zero de perda, ao mesmo tempo portando um imenso potencial de crescimento. as máquinas da apple são claramente um gol de design. OS X tem facilidades, do ponto de vista de simplicidade e usabilidade, que nenhum outro sistema operacional -nem windows nem qualquer versão de linux- tem.

adicione a isso a capacidade de rodar windows e aí os dois mundos ‘pc’ se juntam em um único hardware. isso pode significar alguns pontos percentuais a mais de mercado pra apple no mercado de hardware. poucos pontos, neste caso. se a apple tem só 2% do mercado, ganhar 2% a mais é dobrar seu negócio de hardware neste cenário… e isso não é pouco. as ações subiram, logo após o anúncio, exatamente por causa disso…

o que eu vou fazer? bem, minha máquina de viagem e sala de aula é um tablet pc. não há nenhum substituto, no mercado pra fazer o que ele faz, sem windows xp tablet. mas se a apple aparecer com um tablet… o que não é tão difícil [há ports mais ou menos estáveis de linux pra tablets…] eu acho que mudaria de máquina no dia seguinte…

celular nao dá câncer. ou dá? dá. não dá…

Wednesday, April 5th, 2006

celular vai ser cada vez mais usado por uns, por outros, quase todo mundo.  e parece que dá câncer. mas isso era no passado. depois descobriram que não, não dá câncer. mas isso também foi no passado.  mais recentemente, foi descoberto que, hmmm… celular não dá câncer não… mas o autor do estudo avisa: melhor usar um fone e ficar distante da maquininha… isso foi em 2005, há um ano, quando o mundo foi informado que uma dúzia de estudos estava para ser publicada até o fim de 2006.

um destes estudos acaba de sair; é sueco [do Swedish National Institute for Working Life, o .pdf tá aqui] e afirma, sem rodeios, que usuários contumazes de celular têm 240% mais chance de contrair um tumor maligno no lado do cérebro onde usam o celular. usuário contumaz é definido como alguém que já usou mais de 2.000 horas de celular [cerca de uma hora por dia, no trabalho, por dez anos seguidos]. conheço gente que usa muito mais do que isso. deve haver crianças que, aos dez anos, já estejam usando perto disso. o que será delas em 20 anos?

não há nenhum estudo sobre os efeitos de celular no cérebro que tenha avaliado 20 ou 30 anos de uso, até porque começamos a nos preocupar com os efeitos do uso dos portáteis quando sua escala passou a ser realmente social. estes trabalhos estão sendo realizados e os resultados vão levar uma década ou mais para aparecer.

câncer, aliás, não é o único risco. um estudo de 2002 deixou claro que mesmo os baixos níveis de radiação emitidos por celulares poderiam romper o que se chama a barreira sangue-cérebro, o que pode causar cansaço, dor de cabeça, insônia e… alzheimer! ou seja, pode ser que nosso celular literalmente esteja fundindo o seu, o meu cérebro. mas o resultado é controverso… dizem que é preciso estudar mais o assunto…

enquanto isso, e no meio deste tiroteio, será que eu preciso [!] de um plano mais barato, pra poder falar mais no meu celular? [estou a 500 minutos/mês, menos de 20 minutos/dia]… onde fica o lado seguro da conta?

o futuro era melhor no passado

Tuesday, April 4th, 2006

ou Die Zukunft war früher auch besser, segundo Karl Valentin, cômico alemão que viveu nos séculos 19 e 20. isso é para introduzir uma publicação do Leading Edge Forum, da CSC, de outubro de 1999, sobre o futuro: The Era of Digital Disruptions: Exploring the Next Technology Wave. futurologia imediata [da época… mais de cinco anos atrás!]sobre o milênio que ia começar.

é interessante ler e comparar com o que está acontecendo hoje. o relatório identifica 10 tecnologias que podem levar a inovações radicais… e muitas delas estão avançando [como banda larga ubíqüa]; não tão rapidamente quanto deveriam, mas muito rápido em alguns lugares. o que deverá levar a assincronias de desenvolvimento ainda maiores entre [por exemplo] quem tem e quem não tem banda larga. e ainda mais entre lugares que têm e lugares que não tem. como no brasil…