brasix: o brasil precisa de um
simon kuznets, que criou [em 1965] a noção moderna de “conhecimento útil”, o definiu como “a fonte do crescimento econômico moderno” e um sumário de sua contribuição está na aula que deu ao receber o prêmio nobel. no mundo realmente moderno, este conhecimento está embutido em tecnologia: segundo muitos estudos [inclusive lau & boskin, 1992] tecnologia responde por cerca de 50% dos insumos para o crescimento de longo prazo em qualquer economia, com a outra metade dividida quase igualmente entre as contribuições do capital e do trabalho.
como já discutimos em uma nota anterior, parece que não vamos muito bem em tecnologia. na sua aula nobel, kuznets alertava também que o problema dos paÃses menos desenvolvidos, hoje em dia [era 1971, mas trinta anos depois é a mesma coisa!] é que o crescimento estrutural, de longo prazo, também… “demands a stable, but flexible, political and social framework, capable of accommodating rapid structural change and resolving the conflicts that it generates, while encouraging the growth-promoting groups in society “. ou seja, o crescimento vai ocorrer onde houver um contexto social e polÃtico estável, mas flexÃvel, capaz de acomodar mudanças estruturais rápidas e, ao mesmo tempo, de resolver os conflitos daà oriundos, enquanto se encoraja os grupos que promovem o crescimento da sociedade.
como fazer isso em um paÃs onde há uma constituição com mais de 250 artigos? onde há eleições de dois em dois anos, onde se troca 16 nÃveis de serviço público a cada uma delas, onde os financistas têm o déficit público como única fonte de lucro… onde categorias de profissionais liberais [e aposentados de altÃssimas pensões] têm seus rendimentos ligados ao salário mÃnimo e… onde todo mundo se acha possuidor de “direitos adquiridos” de validade eterna? o brasil pode estar entrando, se já não entrou, na seara da frança, onde tudo é fácil mas nada é possÃvel. em paÃses como ucrânia, latvia, Ãndia e china, nada é fácil, mas tudo é possÃvel. aliás, olhando nossa situação de perto, pode até ser que tenhamos entrando em um espaço-tempo onde tudo é difÃcil e nada é possÃvel.
parece que o brasil não precisa de um bootstrap, apenas: precisamos de um novo sistema operacional. brasix: aberto, flexÃvel, minimalista, com muito poucas regras, rodando sobre uma máquina risc, com pouquÃssimos “códigos” básicos, escrito por muita gente preparada para o futuro [e ele, o sistema, preparado para o futuro], com interfaces abertas para se conectar à s múltiplas possibilidades de desenvolvimento humano, econômico e social ensejadas pelos mercados externo e externo… queria ver um só polÃtico com um projeto de brasil assim, pra aumentar minha esperança.
April 27th, 2006 at 9:24 am
Meira,
Dá uma olhada no livro “3000 dias no bunker”. Apesar de algumas perguntas sem resposta no governo passado (SIVAM, compra de votos reeleição, etc) você vê naquela livro a presença de algumas pessoas preparadas que tentaram e algumas vezes conseguiram redesenhar parte deste código. Um pequeno refactoring em um sistema gigantesco, não mudaram a arquitetura mas conseguiram alguma sobrevivência neste nosso imenso sistema legado.
O livro é do Guilherme Fiuza do no minimo.
Camilo
April 27th, 2006 at 9:34 am
link para matéria do pompeu toledo sobre o livro.
http://www.econ.puc-rio.br/gfranco/VEJA%20on-line_Bunker.htm
April 27th, 2006 at 3:58 pm
como dizia Roberto Campos:
-”A burrice tem no Brasil um passado glorioso e um futuro promissor.”
-”Mais importante que as riquezas naturais são as riquezas artificiais da educação e tecnologia.”
-”Sou chamado a responder rotineiramente a duas perguntas. A primeira é ‘haverá saÃda para o Brasil?’. A segunda é ‘que fazer?’. Respondo à quela dizendo que há três saÃdas: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo. A resposta à segunda pergunta é aprendermos de recentes experiências alheias.”