cientistas e engenheiros: estamos [muito] bem?

discute-se, em espaços variados nos eua, o declínio da engenharia americana, onde se inclui a computação. vc confidential começou uma conversa, no fim de semana, mostrando uma tabela de formados em engenharia sobre todos os outros, nos eua [5%], em comparação com china [39%], coréia [27%], taiwan [23%] e japão [19%].

a conversa logo apareceu nos 100 mais do digg, o que não é pouco. o problema seria a baixa percentagem de americanos terminando engenharia, o que mostraria que sim, em breve, a inovação que se precisa na sociedade da informação mundial estará sendo fornecida aos americanos, e ao resto do mundo, por chineses, coreanos e indianos [que aparecem em outra tabela, no fim deste artigo… onde dados da mckinsey -por outro lado- indicariam que apenas 10% dos chineses e 25% dos indianos tendo formação e experiência apropriada para trabalhar em outsourcing…].

pra gente comparar, dados do mec [os mais recentes, de 2003] mostram menos de 6% dos formados [em 0,5M] e cerca de 8% de matriculados [em 3.9M] em engenharia. computação, em suas várias formas, adiciona 4% aos formados e 5% aos matriculados. ou seja, somando engenharias e computação [que o mec insiste em classificar como “ciência”…] temos o dobro dos formandos [em percentual] dos eua. mas quantos destes, por cento, passariam no teste da mckinsey? boa pergunta…

em percentual, estamos [muito] bem em relação aos americanos. em 2000, 3.7% dos alunos, lá, iriam fazer computação, contra pífios 1.1% em 2005. nós tínhamos, tanto em 2000 como em 2003, 6%. nada mudou, tampouco melhorou: não estamos percebendo, talvez, a janela de oportunidade mundo afora…

danado é que, aqui, -se o futuro depende de engenheiros, como parece que o caso, cada vez mais- temos quatro vezes menos engenheiros e informáticos do que a china, três vezes menos do que a coréia e duas vezes menos do que taiwan e japão. e não temos os recursos que os eua ainda têm. deveríamos estar formando muito mais engenheiros, até para atender a demanda americana e européia mas, ao invés disso, [sem nenhum demérito para tais profissões] estamos formando gerentes e advogados [que somam 25% das matrículas e 20% dos formados]. resta saber o que eles vão administrar e sobre o que hão de litigar. restará, quiçá, o velho e bom serviço público.

5 Responses to “cientistas e engenheiros: estamos [muito] bem?”

  1. Joao Paulo Says:

    Eh…mais uma vez estamos na contra-mão do mundo e mais uma vez, infelizmente, no caminho errado. Quanto tempo ainda até que possamos entender que o Brasil precisa menos de mais burocracia e mais de engenheiros e gente que crie e produza de verdade? E não só nas áreas tradicionais, 90% do governo chinês é composto de engenheiros, alguém ai sabe por que a China está tão bem?

  2. Camilo Telles Says:

    Meira,

    Fiz um comentário no meu blog sobre este mesmo assunto. Achei um texto que um dos responsáveis pelo estudo identifica como a origem do problema a educação no K12 americano.
    dá uma olhada

    Camilo

  3. Leonardo Martins Says:

    O Professor titular da UFCG e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT), MARCELO ALENCAR, publicou ano passado no JC Online um artigo intitulado Na China os engenheiros mandam que trata deste mesmo tema. Vale a pena conferir.

  4. silvio meira: dia a dia, bit a bit » Blog Archive » brasix: o brasil precisa de um Says:

    […] silvio meira: dia a dia, bit a bit informaticidade, mais hora, menos hora « cientistas e engenheiros: estamos [muito] bem? […]

  5. Alves Says:

    O fato de a profissão jurídica não ter relevância na China não deve servir de grande surpresa para ninguém. Autocracias, sejam elas de direita ou de esquerda (e quem sabe dizer se a China é de direita ou de esquerda atualmente?), não são exatamente o que é chamado no ocidente de Estado de Direito, com ênfase no Direito.

    O atual sucesso da China têm muito mais a ver com o imenso mercado potencial interno dela, com a imensa quantidade de mão-de-obra barata que ela possui, da grande e praticamente constante moeda desvalorizada deles em relação às demais moedas (quase 1 trilhão de dolares de reservas, o produto da política de sustentação da taxa de câmbio - uma comparação que eu sempre faço para ter uma idéia da artificialidade da taxa de câmbio é entre o PIB taxa de câmbio com o PIB poder de compra, a comparação destes indicadores chineses é realmente assustadora) e um patamar inicial de desenvolvimento bem baixo, do que qualquer outro fator. Isto não quer dizer que o grande número de engenheiros não contribua para o sucesso chinês, apenas quer dizer que existem outros fatores de igual ou maior importância.

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