vem aí: tsunami na indústria de software
a totvs, que já era dona da microsiga e da logocenter, acaba de comprar a rm sistemas, formando um negócio que vai faturar, por ano, mais de 150 milhões de dólares. bom para o brasil, que precisa ganhar escala neste negócio de software empresarial, no mundo todo dominado por cada vez menos gente. segundo o último resilience report da booz, allen & hamilton, [The Coming Software Shakeup] 11 companhias de bancos de dados dominavam 90% deste mercado mundial em 2000; hoje, são só 6. em software empresarial, que é o negócio da totvs, eram 120 empresas controlando 70% do mercado em 2000, contra 35 agora.
o nome do jogo, para quem quer estar neste mercado, no futuro, é escala. a totvs sabe disso e está indo atrás. consolidação não é um privilégio de setores particulares da economia, mas do sistema econômico vigente hoje [e, provavelmente, daqui pra frente]. que o digam as cafeterias no mundo rico: você pode até não querer ser a starbucks, mas se quiser atender o público que quer consumir starbucks pelo preço e com o atendimento dela, têm que ter o jeito, o tamanho, os produtos, a competitividade dela. a escala dela. claro que as jonathan’s e garraway’s vão continuar existindo, para atender a nichos de mercado dispostos a pagar um prêmio [muito] alto pelos seus “serviços”… mas este mercado vai ser [como já é] muito pequeno.
um “specialist shop” de software não vai atender o grande mercado empresarial e sim demandas específicas de empresas que têm problemas muito especiais. erp [enterprise resource planning], crm [costumer relationship management], banco de dados e assemelhados serão fornecidos por pouca gente. muito pouca. a totvs também sabe disso.
segundo a booz, allen & hamilton, os compradores de software vão correr para padrões abertos e centrar suas empresas nos dados, ao invés das aplicações. eficácia, eficiência, flexibilidade [+padrões = escala] vão ser a essência do negócio de software empresarial. a totvs sabe disso e sabe também que um dia o brasil vai deixar de andar de lado e, ao invés de dezenas de milhares de farmácias diferentes, talvez haja umas poucas cadeias… e que o mesmo pode valer para pizzarias, pastelarias, padarias… que terão seus donos individuais, claro, mas farão parte de redes onde haverá padrões, desde as misturas usadas na broa de milho até o software que será usado no ponto de venda, na operação do negócio e no “back office”. e a totvs deve querer ser um dos fornecedores de algum dos padrões que o mercado vai usar. tomara que cheguem lá. tomara que mais gente tente o mesmo, no brasil, inclusive se aliando à totvs, ou entre si, pra que a gente tenha pelo menos uma plataforma brasileira no cenário mundial.