Archive for April, 2006

25 anos de laptops: osborne 1

Sunday, April 30th, 2006

acima, o osborne 1, que veio ao mundo em 1981. cpu de 8 bits [zilog Z80A de 8 bits, clock de 4MHz!], incríveis 64 kilobytes de memória [!], tela ascii de 52 caracteres [verdes] por linha, floppies de 5 pol. que ocupavam área maior do que a tela, 12 quilos de peso pra destruir a coluna de qualquer um que tentasse carregá-lo, sistema operacional CPM2.2… tudo por cerca de US$1.800, o mesmo dos laptops de verdade que se pode comprar hoje. ou seja, o preço se mantém constante a a capacidade dobra a cada 18 meses. nada como o bom e velho moore pra garantir que a gente consegue fazer alguma coisa de útil hoje em dia.

não que fosse impossível à época: o osborne 1 foi a primeira máquina a trazer um pacote de software de produtividade junto com o hardware, incluindo processador de texto, planilha, banco de dados e linguagem de programação que, se comprados separadamente, teriam um valor de mercado de US$2.000, mais caro do que o todo…

tanto quanto no lado do hardware [veja como empacotar 1.2 terabytes de disco no mesmo espaço de um único dos espaços de 1 floppy de 5"] a competição entre as empresas de computação é quase sempre mortal pra quem não sabe bem o que está fazendo: a osborne computer corporation viveu pouco mais de 1.000 dias… pagando, como muitas, um caro ticket pelo seu pioneirismo.

spam zombies from outer space [!...]

Saturday, April 29th, 2006

primeiro, vi a notícia em slashdot. autores sérios, que escrevem um paper com o mesmo título desta coluna, normalmente têm algo a dizer e devem estar se divertindo muito no trabalho [sempre achei que ciência sem gréia não faz nenhum sentido...]. o paper de aycock e friess endereça três questões simples: How can better email worms be created? How can spyware claim more victims? How can better spam be sent? claro que não é um manual pra spammers, e sim um estudo sobre como escapar deles.

na opinião dos autores, que vão apresentar o paper neste fim de semana em uma conferência do European Institute for Computer Anti-Virus Research, os novos spam zombies vão tratar o problema do ponto de vista de data mining, criando máquinas de spamming muito mais efetivas do que as que vemos hoje. ou seja, se “tudo correr mal”, nós todos vamos ter muitas dificuldades em combater o spam do futuro.

o paper discute as possibilidades de defesa e o resultado não é muito animador… há muitos outros papers interessantes no evento e vale a pena dar uma olhada, principalmente pra quem está na linha de frente da guerra de segurança no mundo virtual. e pra nós, meros usuários, até porque outra nota, no mesmo slashdot do começo, aponta pra possibilidade da próxima onda de worms vir de telefones celulares… difícil de duvidar, até porque, da geração 3.5 pra cima, os celulares vão ser todos IP

sensats: berkeley FABRICA olho artificial

Friday, April 28th, 2006

pesquisadores [coreanos] da universidade de berkeley, ligados ao desenvolvimento de sensats [sensores e atuadores] anunciaram a construção, pela primeira vez, em laboratório, de um olho artificial. a superfície do bicho [8.500 lentes hexagonais em um espaço de cabeça de alfinete], vista por um microscópio eletrônico, é a da imagem acima. o paper está neste link. lee, jeong e kim são parte do [genialmente nomeado!] grupo BioPOETS (Biomolecular Polymer Opto-Electronic Technology and Science) de berkeley, cujos estudos estão focados em… quantum nanoplasmonics, microfluidic BASICs (Biological Application Specific Integrated Circuits), soft-state biological devices, and BioPOEMS (Biomolecular-Polymer-Opto-Electro-Mechanical-Systems) for the digitalization of quantitative systems biology and molecular medicine. uau!…

apareça na página deles para ver a definição destes termos científicos tão exóticos hoje, mas que breve poderão estar “instalados” em alguma parte do seu corpo, até porque o trabalho é inspirado em olhos reais. no meu caso, espero que a inovação avance rápido a ponto de resolver [no meu lifetime] meus 14 graus de miopia [que não podem ser operados]… mas lee [o líder do grupo] prevê usos comerciais da tecnologia [em pico-câmeras] dentro de três anos e não menciona prazos para uso humano. se houver, a médio prazo, será sério candidato ao prêmio nobel, com meu voto.

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microsoft IP ventures >-cria-> wallop

Friday, April 28th, 2006

microsoft ip ventures [ip = intellectual property] completa um ano de vida e começa a mostrar a que veio. o primeiro negócio a sair de lá é wallop, ainda a ser lançado, que pretende competir com myspace.com [que tem UM BILHÃO de pageviews por dia...], usando tecnologia inovadora da msft e empreendedores seriais do silicon valley. se vai dar certo, só o mercado dirá.

a grande novidade, mesmo, é que a msft research começa a licenciar as tecnologias que desenvolveu e das quais não vai fazer uso comercial [nos produtos da msft], por uma ou outra razão. é bom, pois diminui o risco de ter o mesmo fim de xerox parc, o famoso lab da xerox onde quase tudo o que se usa de personal computing hoje, de interface gráfica a mouses, foi [re]criado… e do que a xerox nunca se aproveitou [porque tratava os cientistas que lá estavam como "professores pardais"... e porque os tais pardais nada queriam ter a ver com o mundo real].

detalhe da história: teoricamente, qualquer um pode pegar a lista de tecnologias disponíveis e propor um negócio à msft; é pesquisa-como-serviço começando a virar realidade…

slowlab: laboratório distribuído, mundial, de… preguiça

Thursday, April 27th, 2006

preguiça como forma de vida. ostensivamente contemplativa, como diria dorival, o buda nagô. o slowlab é uma ong, em fase de criação, que tem como missão… to promote ‘slowness’ as a positive catalyst of individual, socio-cultural and environmental well-being, engaging the innate creative capacities of individuals and leveraging the collaborative potential of communities to spur networks of cooperation that incite new thinking and approaches. gostei, acho que vou achar um jeito de botr mais esta operação na minha agenda.

o tipo de fastlife que todos nós levamos, combinado a atenção parcial que damos a todas as coisas ao nosso redor, acaba certamente criando uma angústia existencial muito difícil de administrar, pois nunca estamos, nunca somos, nunca temos nada fixo. somos móveis. até aí, somos mesmo: somos impermanentes, como o budismo ensina há milhares de anos. já que não podemos mudar isso, talvez seja uma boa idéia passar por esta impermanência c.a.l.m.a.m.e.n.t.e… e as tecnologias da informação têm que nos ajudar a atingir este objetivo, ao invés de impedir isso. enquanto não o fazem, veja este texto [meu] que saiu na última b2b sobre [no fim] a arte de zen de ler emeio…

maravilhas do mundo moderno: sat-nav

Thursday, April 27th, 2006

clique na imagem ao lado para ler uma deliciosa história do times, de londres, sobre dúzias de motoristas que, seguindo as instruções de seus sistemas sat-nav [satellite based navigation, gps pra nós, aqui] e ignorando completamente os muitos sinais de que a passagem sobre um riacho em Luckington, Wiltshire, havia caído, dirigiram seus carros diretamente pra água, como se fossem anfíbios. vários incautos declararam que estavam apenas seguindo ordens. acho que ainda veremos muitas coisas absolutamente hilárias sobre estes brinquedos… espero que não tenhamos que ouvir e presenciar estórias terríveis também.

brasix: o brasil precisa de um

Thursday, April 27th, 2006

simon kuznets, que criou [em 1965] a noção moderna de “conhecimento útil”, o definiu como “a fonte do crescimento econômico moderno” e um sumário de sua contribuição está na aula que deu ao receber o prêmio nobel. no mundo realmente moderno, este conhecimento está embutido em tecnologia: segundo muitos estudos [inclusive lau & boskin, 1992] tecnologia responde por cerca de 50% dos insumos para o crescimento de longo prazo em qualquer economia, com a outra metade dividida quase igualmente entre as contribuições do capital e do trabalho.

como já discutimos em uma nota anterior, parece que não vamos muito bem em tecnologia. na sua aula nobel, kuznets alertava também que o problema dos países menos desenvolvidos, hoje em dia [era 1971, mas trinta anos depois é a mesma coisa!] é que o crescimento estrutural, de longo prazo, também… “demands a stable, but flexible, political and social framework, capable of accommodating rapid structural change and resolving the conflicts that it generates, while encouraging the growth-promoting groups in society “. ou seja, o crescimento vai ocorrer onde houver um contexto social e político estável, mas flexível, capaz de acomodar mudanças estruturais rápidas e, ao mesmo tempo, de resolver os conflitos daí oriundos, enquanto se encoraja os grupos que promovem o crescimento da sociedade.

como fazer isso em um país onde há uma constituição com mais de 250 artigos? onde há eleições de dois em dois anos, onde se troca 16 níveis de serviço público a cada uma delas, onde os financistas têm o déficit público como única fonte de lucro… onde categorias de profissionais liberais [e aposentados de altíssimas pensões] têm seus rendimentos ligados ao salário mínimo e… onde todo mundo se acha possuidor de “direitos adquiridos” de validade eterna? o brasil pode estar entrando, se já não entrou, na seara da frança, onde tudo é fácil mas nada é possível. em países como ucrânia, latvia, índia e china, nada é fácil, mas tudo é possível. aliás, olhando nossa situação de perto, pode até ser que tenhamos entrando em um espaço-tempo onde tudo é difícil e nada é possível.

parece que o brasil não precisa de um bootstrap, apenas: precisamos de um novo sistema operacional. brasix: aberto, flexível, minimalista, com muito poucas regras, rodando sobre uma máquina risc, com pouquíssimos “códigos” básicos, escrito por muita gente preparada para o futuro [e ele, o sistema, preparado para o futuro], com interfaces abertas para se conectar às múltiplas possibilidades de desenvolvimento humano, econômico e social ensejadas pelos mercados externo e externo… queria ver um só político com um projeto de brasil assim, pra aumentar minha esperança.

cientistas e engenheiros: estamos [muito] bem?

Tuesday, April 25th, 2006

discute-se, em espaços variados nos eua, o declínio da engenharia americana, onde se inclui a computação. vc confidential começou uma conversa, no fim de semana, mostrando uma tabela de formados em engenharia sobre todos os outros, nos eua [5%], em comparação com china [39%], coréia [27%], taiwan [23%] e japão [19%].

a conversa logo apareceu nos 100 mais do digg, o que não é pouco. o problema seria a baixa percentagem de americanos terminando engenharia, o que mostraria que sim, em breve, a inovação que se precisa na sociedade da informação mundial estará sendo fornecida aos americanos, e ao resto do mundo, por chineses, coreanos e indianos [que aparecem em outra tabela, no fim deste artigo... onde dados da mckinsey -por outro lado- indicariam que apenas 10% dos chineses e 25% dos indianos tendo formação e experiência apropriada para trabalhar em outsourcing...].

pra gente comparar, dados do mec [os mais recentes, de 2003] mostram menos de 6% dos formados [em 0,5M] e cerca de 8% de matriculados [em 3.9M] em engenharia. computação, em suas várias formas, adiciona 4% aos formados e 5% aos matriculados. ou seja, somando engenharias e computação [que o mec insiste em classificar como "ciência"...] temos o dobro dos formandos [em percentual] dos eua. mas quantos destes, por cento, passariam no teste da mckinsey? boa pergunta…

em percentual, estamos [muito] bem em relação aos americanos. em 2000, 3.7% dos alunos, lá, iriam fazer computação, contra pífios 1.1% em 2005. nós tínhamos, tanto em 2000 como em 2003, 6%. nada mudou, tampouco melhorou: não estamos percebendo, talvez, a janela de oportunidade mundo afora…

danado é que, aqui, -se o futuro depende de engenheiros, como parece que o caso, cada vez mais- temos quatro vezes menos engenheiros e informáticos do que a china, três vezes menos do que a coréia e duas vezes menos do que taiwan e japão. e não temos os recursos que os eua ainda têm. deveríamos estar formando muito mais engenheiros, até para atender a demanda americana e européia mas, ao invés disso, [sem nenhum demérito para tais profissões] estamos formando gerentes e advogados [que somam 25% das matrículas e 20% dos formados]. resta saber o que eles vão administrar e sobre o que hão de litigar. restará, quiçá, o velho e bom serviço público.

G contra todos?

Tuesday, April 25th, 2006

um porta voz da eBay se recusou a desmentir [ao times, de londres] que a companhia está conversando com a microsoft e yahoo sobre o maior rival dos três. esta é a não-noticia do momento na google-economia: a empresa faturou mais de US$2B no primeiro trimestre, tem US$10B em caixa, está contratando a nata mundial de tecnologia da informação, age como um capitalista de risco [o que verdadeiramente é] e ataca, simultaneamente, os outros três grandes [a amazon não se sente na mesma linha de tiro, por enquanto]. eBay, mais do que microsoft ou yahoo, tem que se preocupar mesmo. gtalk ataca skype, gbuy vai pra cima de paypal e gbase ataca a própria eBay [se funcionar e tiver um amplo nível de aceitação].

há quem aposte que somente uma união dos “outros grandes” conseguiria parar ou diminuir o avanço de google a tempo dos demais atores se reorganizarem. há quem acredite que google já ganhou. e há quem não esteja nem aí, porque que a companhia, apesar do aumento de 79% no faturamento do trimestre, aumentou 127% nos custos operacionais, os quais, juntamente com os gastos de capital [US$345M, mais do dobro segundo lugar], fizeram desaparecer quase um daqueles dois bilhões de dólares de faturamento.

briga de gente grande. quem não tiver tamanho, melhor procurar um nicho. mas nem por isso a competição desiste. vá ver, por exemplo, KOSMIX, um engenho de busca especializado em verticais como saúde [em beta]. funciona. mesmo. talvez o que ebay, yahoo, e microsoft precisem, mesmo, seja mais inovação, mais perto do mercado, com mais poder nas pontas. que é o que parece que google tem…

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personal brainer

Monday, April 24th, 2006

um artigo publicado na área de tecnologia da bbc [e outro aqui, na msnbc] chama a atenção para a “nova” mania japonesa de games para treinar o cérebro. um deles, feito para o nintendo DS, Dr Kawashima’s Brain Training: How Old Is Your Brain?, prescreve e realiza uma série de exercícios diários para, de fato, treinar seu cérebro, usando para isso problemas matemáticos simples, desenho, jogos de observação e leitura em voz alta. depois de realizados os exercícios, o jogo calcula [como na figura] a idade do seu cérebro… coisa que se alguém observar você fazendo, assim meio de longe, vai achar que é pura doidice. mas não é: Dr Kawashima’s Brain Training, lançado há um ano, já vendeu um 1.8 milhão de cópias e continua na lista dos dez mais vendidos.

exercícios para a manutenção de uma mente saudável não chegam a ser novidade; o que é diferente, neste caso, é que satoru iwata, presidente da nintendo, patrocinou e acompanhou diretamente o projeto, depois de ter dito, numa reunião, que não conhecia ninguém de sua idade [47] que jogasse video games. daí a idéia de criar jogos para velhinhos [!], ou melhor, pra quem não quer ficar de miolo mole muito rápido. no esforço de marketing da família de jogos, iwata gastou boa parte de sua fala na última game developers conference falando do brain training

há evidências de que o cérebro de idosos bilíngues envelhece mais lentamente e, agora, começam a surgir sinais, aqui e ali, de que o cérebro de jogadores pode ter o mesmo comportamento [dependendo do tipo de jogo: olhe este artigo aqui com as advertências do mesmo Dr Kawashima, de cinco anos atrás]. tempo, talvez, de tornar pelo menos alguns tipos de jogos eletrônicos parte obrigatória do currículo escolar. pensando bem, talvez não: se envolver a escola, é capaz de virar um saco e, aí, destruir neurônios mais rapidamente do que eles já degeneram…

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PEIX: energia começa a competir com tecnologia

Sunday, April 23rd, 2006

o gráfico de preço de ação ao lado não é de uma empresa de TICs, mas de energia: trata-se da pacific ethanol, que faz álcool combustível a partir de milho. meus amigos que entendem do assunto me dizem que se trata de algo menos eficiente do que álcool de cana, tanto na produção como no uso. que seja. está no negócio de energia, senão limpa, mas pelo menos renovável, e isso vai ser grande nos próximos anos, pelo menos enquanto o petróleo estiver nas alturas em que anda, acima de US$50 o barril. as ações da PEIX estão em moda desde que um relatório à SEC anunciou que Bill Gates detém 25.5% do negócio [desde novembro do ano passado, pelo menos] e, antes do anúncio, desde fevereiro, quando sairam de quase zero para milhões de ações negociadas por dia. as duas coisas têm a ver com google-boys visitando usinas de açúcar no brasil… e com energia [limpa] começando a disputar o palco de investimentos com tecnologias da informação e comunicação.

ellison e o mundo como ele o vê…

Thursday, April 20th, 2006

larry ellison fala muito. larry ellison acha que inventou software as a service. tem 5% das ações da salesforce.com. ellison é o dono da oracle e não vê muito valor em companhias que “fazem” open source software. segundo ele, como a propriedade intelectual é aberta, “qualquer um” [qualquer um que tenha uma engenharia do tamanho e da competência da oracle, diria eu] pode ir lá e “embarcar” o sei-lá-o-que aberto em seus produtos [como a oracle fez com apache].

uma longa entrevista de ellison está no financial times do 17/abr, sobre tudo isso e muito mais. se você for assinante, pode ler toda. senão, só a metade. mesmo a metade vale a pena. vá lá, aqui.