Archive for March, 2006

caro. e ruim. ou mais ou menos e grátis.

Tuesday, March 21st, 2006

o world information access project acaba de publicar seu relatório 2006, onde há uma seção considerando os custos e qualidade da experiência de acesso [Spending More, Seeing Less: The Cost of Commercial Internet Access in World’s 24 Largest Cities] nas 24 maiores cidades do mundo. são paulo e rio ficam na não muito honrosa companhia de lagos, cairo e dhaka como as cidades onde mais se gasta [em cybercafés] em função da renda [em poder paritário de compra] e onde menos se tem acesso a conteúdos significativos na língua e cultura locais.

enquanto isso, eu estou em belém, onde o hilton local está na era da internet discada nos quartos [vade retro] e o acesso wireless, no lobby, custa R$32 por dia. vôte! em compensação, alguma boa alma de um prédio aqui por perto do nono andar [TEC3…] deixou seu wi-fi aberto e eu estou navegando, de carona, se bem que com uma conexão meio frágil, absolutamente de graça…

A coisificação da internet [e não só]

Monday, March 20th, 2006

em novembro de 2005, apareceu o relatório the internet of things da international telecommunications union, que foi uma das estrelas do wsis.tunísia. julian bleecker tem algo muito mais leve [e grátis] em seu blog [theory objects & design patterns]: um manifesto intitulado “da importância das coisas“. infelizmente, julian não cita [nem toma como ponto de partida…] o trabalho de luciano floridi, que antecede em muito o “internet of things”, começa com Information Ethics: On the Theoretical Foundations of Computer Ethics, publicado em 1999 em Ethics and Information Technology [1.1, 37-56] e vem rolando desde então. em 2005, floridi publicou Is Information Meaningful Data?, na Philosophy and Phenomenological Research, [70.2, 351-370]. entender floridi é essencial para discutir porque a ética da infosfera [a internet de todas as coisas, inclusive nós!] não deveria ser antropocêntrica.

101 free games

Sunday, March 19th, 2006

name says it all. montado pela computer gaming world, a lista está aqui. have a nice play. aliás, vez por outra aparece uma conversa ali e acolá sobre jogos como [mais] uma das formas de adiar a degeneração do cérebro. melhor jogar mesmo… dofus, por exemplo [se bem que o cliente tem 52 mega], é “cute”. ou anarchy, que tem um cliente grátis de 870 mega!…[é radical]. kenta cho [entrevistado aqui] tem dois na parada 101: gunroar e parsec47. programados em D. pequenos, abstratos. geniais.

Seis anos depois, o começo da história

Friday, March 17th, 2006

segundo o Sydney Morning Herald, Malcom Lacey acaba de se tornar o primeiro australiano a receber em seu corpo um defibrilador que se comunica diretamente com o celular do seu médico. Malcom e o doutor estão ligados até que [!] a morte o separe. a noticia é de 17 de março. seis anos atrás, num dia qualquer de setembro, eu postei a historinha [de ficção] abaixo na minha coluna da finada no.com.br:

Os Invasores [publicado originalmente em no.com.br, 29/set/2000]:

Um dia, teve uma dor de matar, aliás de quase. Acordou no hospital sentindo o peito e tendo um médico à cabeceira, perguntando, pausadamente, se estava a se sentir bem. O sim, meio trêmulo, demorou. Mas saiu. Recuperado, aprendeu que tinham reconstruído seu coração, agora composto, em parte, por um dos novos modelos IntelliBeat, que já incorporava um pequeníssimo servidor web para monitoração, avaliação e controle cardíaco. E isso há três anos.

Depois que se acostumou, a vida ficou normal, ou quase. Pouco se lembrava que seu corpo recebia (às vezes) comandos de um servidor, em algum hospital, e enviava (sempre) bio-dados para a rede. O femto-server instalado no seu coração e a antena pico-cel mais próxima faziam às vezes de sua ligação com a vida, o mantinham no ar, o tempo todo. Como se fosse um rádio na rede. Como a fonte de energia tinha deixado de ser um problema, os novos IntelliBeat eram um sucesso fenomenal: a manutenção e evolução do software podia ser feita, remotamente, sem qualquer tipo de intervenção local, muito menos cirúrgica. Você nem sentia nada quando mudava de versão. (more…)

cenSEARCHip

Wednesday, March 15th, 2006

mesma pergunta, dois engenhos de busca: um deles tem 2.000 vezes mais respostas que o outro. estaria o “menos competente” fora do mercado? não. a pergunta é falun dafa [a “prática de cultivo” criada por Li Hongzhi], o resultado com ~650 itens é de www.google.cn e o de 1.400.000 é de www.google.com. dois sites do mesmo negócio, o segundo é [supostamente] livre e o primeiro é censurado pelo governo chinês. a comparação é de cenSEARCHip, expondo o tamanho do problema que a informação enfrenta para ser [realmente] livre…

Esperando a hora: vírus RFID

Wednesday, March 15th, 2006

rieback, crispo e tanenbaum, da Vrije Universiteit Amsterdam, acabam de publicar um paper danado de interessante: como escrever vírus para RFIDs, estas etiquetas semi-computacionais que prometem aparecer em quase tudo, de bagagem a latas de ervilha e… gatos. a publicação, Is Your Cat Infected with a Computer Virus?, constrói cenários, mostra os riscos e dá, de graça, o primeiro vírus [autoreplicante] para etiquetas RFID. no meio da conversa aparece um gato, que tem um RFID subcutâneo, que pode ser reescrito pelo dono, levado a uma clínica… e acabar infectando [digitalmente] outros gatos. cenário de terror. pra saber do que se trata, sem ler o paper, vá ver www.rfidvirus.org

DVB & MHP batendo cabeça [na Europa]

Wednesday, March 15th, 2006

tv digital pode ser só broadcast linear. para isso, o “set top box”, a caixinha [STB] que vai sintonizar o “sinal” de TVD só precisa fazer a operação de trocar de canal. no linguajar dos técnicos, seria um “zapper”. pra TVD se tornar interativa, o STB precisa de um tipo de infra-estrutura de software que permita [além de realizar certas operações de processamento de mídia] instalar e rodar programas que possiblitam o espectador de hoje se transformar em usuário, consumidor e por aí vai. uma destas infra-estruturas [a escolha natural para “casar” com DVB, o padrão europeu] é MHP [multimedia home platform]. mas o namoro entre os dois não está indo muito bem… por questões numéricas. um STB básico custa uns €70 e um pool de companhias que detém patentes de MHP quer €1.70 disso [Comcast, Open TV, Panasonic (Matsushita Electric Industrial Co., Ltd.), Royal Philips Electronics, Samsung Electronics, Thomson, and Time Warner Cable, conforme este release].

acontece que o padrão de codificação/decodificação MPEG-2 já come [por box] $2.50 e DVB-T €0.75, sem falar que a Sisvel e [outras patentes d]a Thomson não fazem parte do pool e também têm direito a remuneração. resultado: o STB de baixo custo, que vai ser [ou seria] usado pela maioria, é inviável como negócio. chiadeira geral. uma carta aberta muito bem escrita [pelo pessoal da osmosys] explica o drama e convoca o pool à responsabilidade: seguindo a recusa da frança e da espanha à proposta de royalties, a oposição da itália [onde já rodam 4 milhões de STBs DVB-T/MHP], à instalação de mais STBs lá, além de sinais fortes de outros países, parece que a coisa vai voltar pra mesa de debate [não se sabe por quanto tempo]. o próprio pessoal do DVB não gostou da idéia da turma do MHP e avisa que espera uma “clarificação” dos termos da proposta até 6 de abril. tomara que consigam. seja lá o que decidirem lá, isso afeta nossa decisão, aqui.

enquanto isso, a 3italia, que foi a primeira operadora móvel da europa a comprar um canal de tv digital [por causa da licença para enviar o sinal pra celulares], lançou o primeiro serviço DVB-H comercial do planeta. vai mostrar todos os jogos da copa. coisa que disseram que nós íamos ter [fixo] mas que parece, enfim, que não vai dar…

Amazon, “produtos & serviços”

Tuesday, March 14th, 2006

amazon.com, que costumava ser uma livraria virtual -que depois de um tempo passou a vender quase tudo- começa a parecer também com um provedor de serviços [modernos] de rede. está no ar, desde hoje, S3, o serviço de armazenamento on-line de jeff bezos. simples, por sinal: você pode escrever, ler e remover objetos que têm identificador único e que podem ter entre UM byte e CINCO gigabytes [haja banda larga pra armazenar um destes últimos!]. padrões são a base do esquema: REST, SOAP, HTTP e [imagine!] BitTorrent… custa US$0.15 por Gigabyte/mês armazenado e US$0.20 por GB de tráfego. capaz de dar muito certo, até porque não é para o usuário final [não tem uma interface como box.net, por exemplo] e sim para desenvolvedores e provedores de serviço [pense em um graaande disco on-line]. para quem for de tecnologia, ou estiver prestes a encomendar algo, vale a pena ler a descrição do serviço e os requisitos de projeto. a amazon começa a virar “produtos & serviços” na e com a web. só falta google começar a vender livros e outras coisas. e a microsoft achar que “este é o caminho”…

O perigoso jogo dos jogos

Tuesday, March 14th, 2006

para quem estiver querendo entender o que pode acontecer no cenário dos consoles de jogos no curto-médio prazo, uma boa idéia pode ser o editorial de jeremy parish no 1up… e os comentários associados. parish acha que a sony não tem muito espaço de manobra [vide o fim do aibo… que era muito legal mas não lucrava nada legal] a não ser fazer do ps3 um grande sucesso na partida [quando? não se sabe…]. e que isso, contra a estratégia 360+live arcade de vocês-sabem-quem vai ser uma parada. sei lá. melhor ler o original para entender mais.

HINT: você é [ou ainda vai ser] um

Tuesday, March 14th, 2006

pense TV digital: você vê, interage, pode comprar. coisas reais, inclusive. pense channel9 [veja abaixo]: você poderia fazer tudo isso e ainda criar seu canal e inserir seu próprio conteúdo. pense P2P: mesmo sem “ter” uma rede, você distribui o que quer, para quem quiser, eficientemente. isso também será possível em ipv6+. simplifique e pense flickr: porque a “mídia” não pensou? [porque está fora de controle?…]

o resultado é que desapareceram as linhas que dividiam os atores informacionais entre criadores, produtores, distribuidores, espectadores, consumidores e usuários [entre outras “categorias”]. a mídia [clássica] não sabe mais [nos] categorizar, até porque, em número já muito grande, não cabemos noma só categoria. eu tenho uma proposta: nós todos, aqui fora e lá dentro [dela], somos AGENTES INFORMACIONAIS HUMANOS [human information agents = hints]. nós criamos, distribuimos, manipulamos e consumimos informação e tudo o que a ela está associado. a tal “mídia” bem que poderia olhar para nosso comportamento [pelo menos o que desejamos ter] como dicas [hints!] do que ela deveria fazer para nos servir [=para sobreviver]. 

(more…)

…9, 10,…

Monday, March 13th, 2006

se tudo é relativo, em que condição alguém estaria realmente parado? a microsoft, aquela que nós todos escolhemos para dar pancada sempre que queremos falar mal do mundo digital e seus atores, certamente não está parada. depois de lançar o channel9, onde o lendário jim gray [dec, att, prêmio turing…] aparece num episódio [o site também “é” uma neotv multidirecional… comentada “on-line” pelos usuários…], apareceu agora on10 [nomeado assim porque é atualizado sempre às 10am PST], simplesmente “a place for people who want to use technology to change the world”. agenda humilde, esta, não é? um lugar para quem quer usar tecnologia para mudar o mundo. só quero ver. o trio MYG não faz mais software. faz conteúdo. uma parte dele “roda”. e a fila anda. alguma hora, software vai ser completamente indistinguível de “conteúdo” e vice-versa.

Efêmero…

Saturday, March 11th, 2006

adjetivo, do grego ephémeros, quer dizer de pouca duração, passageiro, transitório. como boa parte do que é exibido no museum of modern betas, momb. na capa [2006.03.11], groupr, um beta construido sobre flickr.