Archive for March, 2006

aversão a risco = morte certa

Thursday, March 30th, 2006

todo mundo que pretende ter, ou tem, usuários deveria passar vez por outra em creating passionate users, onde se escreve sobre… como criar usuários que amam seu produto e|ou serviço. um dos textos mais interessantes dos últimos tempos, lá, é sobre o assunto do título, ou como idéias absolutamente geniais, que poderiam transformar vidas de usuários e até criar novas categorias [como skype, por exemplo] acabam se encontrando, ainda jovens, com uma intensa aversão a risco, quase sempre por parte dos níveis gerenciais do lugar onde a idéia ocorre, e se transformam em [bleargh!] uma gosma disforme que, para quer quer que olhe, nem fede, nem cheira.

o blog cita exemplos e pergunta… “…can anything be done about all the spirit-squashing risk-aversion?” a resposta vem, imediata, e eu concordo com ela desde sempre: “Recognition is the first step. Unfortunately, those who recognize it tend to be the leaf nodes–the ones with the power to create and implement the ideas, but very little power to authorize them. Those with the most potential to create change are the branches. The Managers With a Clue.”  um negócio, certamente um negócio de tecnologia de informação, que não tenha e|ou não consiga ser guiado pelos seus gerentes-com-alguma-coisa-na-cabeça está fadado a um triste fim.

e o principal papel destes troncos da árvore empresarial, associados às folhas, onde vive [a engenharia e] normalmente a genialidade e capacidade de implementação, é evitar o pantanoso terreno do mais ou menos. uma companhia que se preza faz dois tipos de produtos: um que os usuários amam e outro que eles odeiam. profundamente.  pra fazer os que ficam no tanto-faz-tanto-fez é melhor desistir e abrir uma pousada. a figura abaixo é a perfeita tradução do conceito de tudo-ou-nada, quando se fala em inovação…

o texto é longo, mas vale a pena ler; passando de raspão por princípios budistas, acaba em um pequeno manual que há de servir pelo menos para você confrontar seu gerente [pergunte se ele leu!…], para decidir entrar numa campanha para mudar sua empresa [se você achar que é possível] ou então [no pior, ou no melhor caso]… procurar outro lugar pra trabalhar.

a vida é um jogo

Wednesday, March 29th, 2006

conclusão de um artigo [muito bem escrito] de will wright [criador dos sims] na wired: “Games are evolving to entertain, educate, and engage us individually. These personalized games will reflect who we are and what we enjoy, much as our choice of books and music does now. They will allow us to express ourselves, meet others, and create things that we can only dimly imagine. They will enable us to share and combine these creations, to build vast playgrounds. And more than ever, games will be a visible, external amplification of the human imagination.”

a geração que começou a vida jogando [virtualmente, e não bola de gude] só, e depois on-line [e depois em grandes redes de conhecidos], que tem hoje entre 10 e 25 anos, é o “us” de wright. eles aprenderam a jogar no modo 2 de michael gibbons [in place, on demand, in context, multidisciplinary, out-of-school, problem oriented] e estão aprendendo a fazer mundos virtuais basicamente do mesmo jeito, pois o modo 1 [na escola, sistematizado, disciplinar… burocrático] não foi onde os jogos [de todos os tipos] foram criados. e muito menos jogados. é proibido jogar, no modo 1…
world of warcraft patch110as novas crianças, [que bom para elas!] terão que desbravar o mundo por si sós, pois quem não joga [muito intimamente] não vai nunca entender o “…will allow us to express ourselves, meet others, and create things that we can only dimly imagine. They will enable us to share and combine these creations, to build vast playgrounds.” e muito menos vai saber especificar, ou criticar, que seja, um jogo. professores, pais, tutores [paidagogos, segundo josé carlos cavalcanti] teriam que estar jogando second life e world of warcraft. alguém de 50, 60 anos, aí, pra ensinar aos mais jovens?…

mas não para aí: quando esta geração amadurecer, a eterna roda da vida terá criado [no modo 2 de então] outra turma, ligada sabe-se lá em que, e que terá as mesmas reclamações [de não ter guias, de não ser entendido e conseqüentemente valorizado] que os jovens de hoje às vezes têm. mas é sempre assim, e isso é muito bom: a humanindade se renova com os desbravadores vindo normalmente de fora do sistema vigente. é lá que reside nossa esperança, afinal…

imagine cup .BR: PE em primeiro lugar

Wednesday, March 29th, 2006

de novo. depois de ter levado a imagine cup 2005 na etapa nacional e ganho uma categoria mundial no japão, pernambuco emplacou TRÊS times entre os oito finalistas da etapa brasil deste ano. o resultado acabou de sair: times do leão do norte ficaram em primeiro e segundo lugar e agora a luta continua na índia, onde se realiza a final mundial de 2006. parabéns a todos, a galera do Fast, HL4U e Trivial Team. bom trabalho mesmo!

neuron-powered CPU… genetically-powered hard disk [?]

Tuesday, March 28th, 2006

neuro-rato-chippesquisadores europeus do projeto NACHIP acabam de anunciar que conseguiram “colar” um chip [de 16.000 componentes] a neurônios humanos. o grupo mexe com transistores e cérebros de ratos desde o meio da década de 90 e, pelo visto, decidiu tentar algo [bem] maior. o título do post vem do press-release algo fantasioso publicado pelo site de resultados do programa europeu information society technologies [de resto, muito bom de visitar].

a imagem [feita pelo grupo] é de um conjunto de neurônios de rato colado numa linha de transistores [FET]. não achei os tais neurônios humanos colados num chip. de qualquer forma, o futuro vem aí. quero meu hard-disk [estático e de baixa potência, pra não dar dor de cabeça] logo.

time: a geração multitarefa

Sunday, March 26th, 2006

a capa da time de 27.mar.2006 é sobre os hábitos dos garotos e garotas do mundo novo, conectado. estariam eles ligados demais para seu próprio bem? nelson pretto, da ufba, foi o primeiro, anos atrás, que eu vi classificá-los como a “geração alt+tab”. mas não é de hoje o fenômeno.

linda stone, criadora do grupo de computação social da microsoft, desenhou há uns dez anos o termo atenção parcial contínua [continuous partial attention] para designar o comportamento de monitorar tantas fontes de informação quanto possível for, prestando atenção parcial a cada uma delas. linda acha que este tempo está passando e que é preciso [e em alguns casos exigido] começar a prestar atenção de fato ao que está ocorrendo ali, na sua frente, agora. [|ross mayfield também, nas notas que tomou enquanto linda falava, sem prestar muita atenção ao que ela estava dizendo…|]…

eu [que passei minha vida inteira no modo CPA,] discordo em boa parte da necessidade de nos focarmos mais [há quem ache o mesmo], mas tenho que convir que é danado se mover 3.000Km para uma reunião com uma dúzia de pessoas e passar o dia inteiro com 75% da sala olhando pras suas várias telas o tempo todo. a maioria das reuniões não deveria existir, mas… mesmo assim, é danado.

no caso particular das reuniões, a solução talvez seja:

  1. só convocar reuniões que tenham motivo, preparação, processo e objetivo;
  2. só trazer para a reunião quem realmente tenha que estar nela e tiver preenchido os pré-requisitos de preparação a contento;
  3. nunca perder tempo com “informes” e bobagens do tipo [pois supõe-se que saibamos ler];
  4. nunca deixar a reunião durar um minuto a mais do que o necessário e
  5. se houver votação, votar tudo nos primeiros 15 minutos. atrasados que cheguem na hora na próxima… o mundo não se acaba em uma reunião…

de resto, enquanto escrevo isso aqui, tenho 27 tabs abertos no firefox, uma TV ligada e winamp tocando a resonance104.4fm.

investidor? não, obrigado!

Sunday, March 26th, 2006

seth godin [autor de “permission marketing” e “todos os marketeiros são mentirosos” que, por incrível que pareça, escreveu este último sem ter conhecido certos dudas {e os produtos que vendiam!}] tem uma boa resposta pra quem procura investidor pro seu negócio: nem tente.

a resposta não é tão simples, claro. mas vale a pena ler o post original… onde o raciocínio básico é que “a maioria dos negócios, reais ou não, não serve pros investidores”. verdade terminal, pra vasta maioria das conversas entre empreendedores e investidores. quem entender e não tiver um negócio-pra-investidor vai ganhar um monte de tempo…

information overload: $12.5K, mínimo, por roda…

Sunday, March 26th, 2006

information overload: rodando, também...

2020 – Future of Computing…

Friday, March 24th, 2006

está na nature, que usualmente é muito boa, e é tudo grátis: 8 nano-papers de 1-3 páginas cada, sobre o futuro da computação [próximos 15 anos]. coisa pra fazer download e ler com calma, refletindo, discutindo, pois há gente como vernor vinge escrevendo [o homem da singularidade: paper de 1993 em uma conferência da NASA {resumo: Within thirty years, we will have the technological means to create superhuman intelligence. Shortly after, the human era will be ended. Is such progress avoidable? If not to be avoided, can events be guided so that we may survive? These questions are investigated. Some possible answers (and some further dangers) are presented.}].

o texto de vinge, the creativity machine, é só uma página coalhada de exemplos e dúvidas. a conclusão? ...In the end, computers plus networks plus people add up to something significantly greater than the parts. The ensemble eventually grows beyond human creativity. To become what? We can’t know until we get there.

pra entender, leia a previsão de 1993, sobre o fim da era humana na face da terra. será?…

kevin kelly especula sobre ciência

Thursday, March 23rd, 2006

kelly, um dos fundadores da wired, está no edge, numa discussão promovida pela long now foundation sobre o futuro da ciência. sua definição é lapidar: Science… is the process of changing how we know things.  It is the foundation our culture and society.  While civilizations come and go, science grows steadily onward.  It does this by watching itself. kelly põe a internet no centro dos acontecimentos científicos do futuro próximo, onde a ciência será muito mais “bio” do que qualquer outra coisa; do domínio dos quandos, kelly acha que veremos mais resultados nos próximos 50 anos do que nos últimos 400.

e a internet nisso? Science will create new levels of meaning.  The Internet already is made of one quintillion transistors, a trillion links, a million emails per second, 20 exabytes of memory.  It is approaching the level of the human brain and is doubling every year, while the brain is not.  It is all becoming effectively one machine.  And we are the machine. bom de ler e guardar o link, pra ver -daqui a conqüenta anos- o que realmente aconteceu.

dez tecnologias emergentes [?]

Thursday, March 23rd, 2006

[via digg], do departamento possíveis futuros [onde vez por outra não acontece nada]: Epigenetics, Cognitive Radio, Nuclear Reprogramming, Diffusion Tensor Imaging, Universal Authentication, Nanobiomechanics, Pervasive Wireless, Stretchable Silicon, Comparative Interactomics, Nanomedicine.  eu nunca havia ouvido o nome de três delas. para saber como [por exemplo] Diffusion Tensor Imaging vai ser usado no diagnóstico da esquizofrenia, vá ver o especial de technology review. e tome cuidado com o que fala depois de ler: a vasta maioria, quase a totalidade, dos possíveis futuros, não acontece; na maioria das vezes porque o que deveria ser inovação é pura invenção: apesar de novo e às vezes brilhante, não encontra seu lugar nos ciclos de vida de produtos e processos nas cadeias [ou redes] produtivas no único lugar que conta, o mercado.

sun: servidores -> hora de cpu…

Wednesday, March 22nd, 2006

a sun acaba de ligar e anunciar as regras de uso, como negócio, dos primeiros cinco mil computadores da sun grid, anunciada pelo capo jonathan schwartz em pessoa como o primeiro supercomputador sob demanda do planeta. a empresa de java, cuja performance causa dúvida sobre sua sobrevivência independente [seria comprada por google, por exemplo?], vai tentar de outro jeito, fazendo valer seu motto de longa data the network is the computer

esta história, no entanto, é muito velha; antigamente, quando os computadores eram tão caros que poucas empresas tinham um, quase todos levavam [manualmente] seus dados para os birôs de serviço onde eram processados e cobrados por… hora de cpu. a internet, como conector de tudo, e em banda larga, não só facilitou este processo mas pode acabar levando muitas empresas a desistirem de seus data centers em prol de uma solução que certamente vai se provar muito mais econômica e confiável. se o “grid” da sun é uma delas, o tempo vai dizer. custa só um dólar por hora de cpu… mas será que este é o modelo de cobrança [e de resultados] que vai pegar?…

muitos anos atrás, em 1998, pra ser exato, escrevi um artigo na coluna sociedade da informação da agência estado sobre mainframes e como eles nunca iriam embora; na verdade viraram grid, um monte de placas padrão empilhadas em uma arquitetura redundante… meu artigo falava, lá no fim, que não se deveria cobrar computadores, para corporações, por hora de cpu, e sim por tempo de transação…

A volta dos que não foram [publicado em 1998 em www.agestado.com.br]

O interessante das previsões é que qualquer um pode fazer e, se der certo, dizer que fez; deu errado, faz de conta que não é com ele e… faz novas previsões. Ainda assim, há previsões garantidas, como estimar o número de pessoas usando a Internet no ano A, qualquer: no máximo, será a população da Terra. Acreditando nos Arquivos X, deve-se acrescer os extra-terrestres residentes e transeuntes, ainda não descorporificados pelos Homens de Preto. Hoje, o limite é uns seis bilhões, por aí.

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open formats: a apple é [muito] contra

Wednesday, March 22nd, 2006

a câmara do parlamento francês votou, por ampla maioria, que a venda de música [e mídia] no mercado de lá tem que ser feita usando formatos abertos. trata-se, segundo a apple, de pirataria patrocinada pelo estado… o que os franceses estão para decidir de vez, no senado, é que as músicas vendidas por iTunes [ou qualquer outro que estiver no negócio, em solo francês…] têm que tocar [ou melhor, “rodar”] em qualquer tocador… a apple é contra porque, sabidamente, vende músicas com prejuízo para vender, a largas margens, iPods. se as músicas puderem tocar em “qualquer coisa”… cadê o negócio?

no futuro, e num futuro breve, os formatos de [todos os tipos de] documentos vão ser abertos mesmo. pra quem quer que esteja nos negócios e serviços digitais. de nada adianta combater só o monopólio da microsoft no formato office, por exemplo [e olha que há formatos intermediários lá…]. tá na hora da apple e todos os outros assumirem, de vez, que a informação quer ser livre mesmo. jobs, aliás, já se disse pirata muito tempo atrás… deve estar achando, agora, que era brincadeira na terra do nunca. pode ser que o parlamento francês seja, ao invés de pirata, seu peter pan…

[mais >> via engadget [23.3.06]: o governo americano fica do lado da apple e parece que os lados vão começar a escolher as armas para o duelo; pergunta: em europa vs. microsoft, o governo bush fez o que?]